O Deus do Sol

1 I - O Jovem e o Senhor


Notas iniciais
Uma história a ser contada para transformarem crianças em heróis.

Um jovem carregava um escudo pesado, um elmo que esquentava sua cabeça, uma lança que ele mal aguentava com as duas mãos e uma armadura que tirava seu equilíbrio. Mas ele não se importava o mínimo com aquilo, o que importava para ele era matar para não morrer.

Ele era apenas um homem no meio de setecentos soldados, mas ele se tinha algo de diferente, ele pedia sempre para ficar na primeira linha de batalha e sempre saía vivo das batalhas. E dessa vez não foi diferente, estava lá, ele, com dois mil homens nas costas, enquanto encarava mais dois mil homens que ficava na direção contraria a uma distância razoável dos setecentos homens a suas costas.

Na sua frente só tinha os Comandantes do exército, que ele não sabia identificar e nem mesmo saber os seus nomes. Mas uma coisa ficou clara naquele dia, após duas bigas se retirarem do meio do campo onde separava os dois exércitos e o homem que ele chamava de Rei, em uma das bigas retornar (enquanto a outra ia à direção contrária), anuncia que agora a cidade deles era uma pequena parte da extensa cidade-estado Atenas.

Os soldados do outro lado gritavam alegremente e começaram a festejar por não haver guerra e nem derramamento de sangue, além de terem mais uma vila a disposição deles. Alguns homens do exército dele gritaram por não terem que arriscar suas vidas em uma luta. Mas o jovem ficou inconformado por desistirem tão rápido da guerra.

O Rei só falou que dos dois mil homens que ele tinha a disposição no começo da guerra só sobraram setecentos, mas muitos ainda machucados e outros com até ferimentos que os matariam aos poucos. O garoto ficou vermelho de raiva e começou a esbravejar que homens de verdade lutam até a morte, até que alguns homens começaram a rugir e a apoiá-lo, até que o rei fez um sinal com o braço direito e então uma flecha foi disparada na cabeça de um homem ao lado do jovem. O jovem foi acertado pela bainha de uma espada na cabeça e arrastado até a tenda do rei, enquanto outro homem gritou perguntando se mais alguém queria participar de uma guerra já finalizada, mas ninguém respondeu. O rei e mais alguns homens entraram na tenda onde o rei se hospedava e começaram a bater no jovem e a falar o motivo deles terem desistido da guerra. O Rei falou com a unificação da aldeia com Atenas facilitaria o comércio e teriam um exército maior em uma guerra.

O jovem sabia que aquela história era mentira, e que o representante de Atenas deviam ter oferecido ouro e uns guardas para a pequena aldeia, pois o Rei sempre reclamava no dia-a-dia da aldeia por falta de guardas.

Depois de levar uma surra dos guardas reais da aldeia, ele foi expulso da aldeia e de Atenas, o jovem não poderia sair com nada de seus equipamentos de guerras e nem de sua casa habitual. Sua família seria avisada de que ele estava morto, e que as coisas que o jovem levou para a guerra poderia ser levadas pelo jovem.

O jovem saiu da barraca do rei sangrando, pelo canto da boca, os dois supercílios, os dois buracos nasais e por mais alguns cortes na bochecha. Ele andou até seu alojamento e pegou sua trouxa de roupas e objetos pessoais e começou a caminhar sem rumo, andando de costas ao exército. Andou por um quarto de dia, até achar o leito de um rio, onde se banhou e enfaixou os machucados que foram feitos com espadas pelo corpo e lavou alguma de suas roupas sujas. Arrumou algumas folhas e colocou dentro de suas vestes para se aquecer durante a noite fria e ali ficou até entrar em transe e dormir, até chegar o amanhecer. Com o raiar do sol ele levantou, pegou suas coisas e seguiu a direção do rio até encontrar uma casa de madeira construída há muito tempo, foi se aproximando até bater na porta dela, quando foi recepcionado por um senhor de barba branca e aparência raquítica que perguntou o que o jovem queria. O jovem respondeu que ajudaria o senhor, se ele por sua vez, pudesse morar com o senhor. O senhor achou pouca a oferta do jovem, então o jovem falou que só o deixasse ajudar por alguns dias, se não somasse ajuda nos afazeres do senhor ele iria embora sem querer nada em troca pelos trabalhos feitos.

Os dias foram se passando e o jovem foi ajudando o senhor nos afazeres do dia-a-dia, e eles foram ficando amigos, com o passar do tempo o jovem construiu sua própria casa, bem ao lado da casa do velho e os dias foram se passando. Depois de algum tempo o velho ficou doente e o jovem queria ira buscar um remédio ou algum médico para o velho na cidade de Atenas, mas o velho o lembrou de que não poderia mais voltar à cidade por conta do que ocorreu com o Rei. O jovem lembrou o velho que não era mais tão jovem e agora carregava cabelos longos e possuía uma barba grande, estava mais encorpado e as roupas tinham mudado, lembrou ao velho de que ele só fora visto pelo rei uma única vez, então não tinha como o rei perceber que o jovem era o mendigo que procurava por algum remédio que acabava com bichos de feridas por cortes.

O jovem falou que não era necessário, já tinha chego sua hora e que os deuses escolheram alguém para ajudá-lo a entrar no reino de Hades e que esse alguém era o jovem que o ajudou por tanto tempo. Ele estava pedindo para o jovem matá-lo, pois assim não sofreria mais, mas o jovem não conseguiria matar o velho que tanto o ajudou, o acolheu como um pai e que ensinou tanta coisa. Como estava em duvida resolveu consultar o templo de uma deusa, Nêmeses, que ficava a meio dia de viajem da casa, quando ele cortou a própria mão e deixou cair sangue nos pés da estátua e sussurrou algumas palavras implorando a deusa que o ajudasse na decisão, foi nesse instante que ele ouviu um sussurro, mas em alto para todos os que estivessem perto ouvir, uma voz feminina e doce, mas que falava muito firme “Salve-o”.

Decidido a cumprir a missão de salvar o velho, o jovem sai à cidade a procura de alguém que pudesse ajudá-lo, mas quando estava entrando nos portões da vila o jovem avistou um guarda que gritou de longe um “Identifique-se!”, o jovem vinha pensando na resposta dessa pergunta desde a saída da casa do velho, então já tinha uma resposta na ponta da língua e devolveu o grito “Sou filho de um velho que foi ferido por um machado no pé, só busco um médico para ajudá-lo, nós moramos muito perto, nem um quarto de dia de caminhada”. O soldado achou estranho e gritou “Qual o nome de seus pais e do nome do indivíduo que eu falo”, o jovem já tinha o nome de seu suposto pai, mas não tinha ideia do nome de sua mãe, pois não tinha nenhuma, e muito menos, poderia falar nada parecido com o seu nome então pensou rápido e gritou “Meu pai chama Peopólios, que engravidou uma meretriz e ficou comigo para não ter uma infância de mulheres e meu pai me deu o nome de Deidoneo”, o jovem foi se aproximando entre os gritos e acabou por chegar à frente do guarda, que olhou no fundo dos seus olhos e falou baixo para só o jovem ouvir “Vai embora, todos te reconhecerão nessa cidade, mesmo estando desse jeito, pois o Rei colocou todos atrás de você, até o pessoal de Atenas sabem quem você é”, mas o jovem estava disposto a achar alguém que ajudasse o velho Peopólios então o jovem virou para o soldado e falou que o velho que o acolheu como um pai estava realmente doente e que o guarda achasse alguém que pudesse ajudá-lo, pelo menos avisasse a alguém que foi avistado um velho na sua casa gritando por socorro. Mas o guarda não estava disposto a ajudar, então o jovem tomou uma medida drástica.

O jovem tomou a lança da mão do guarda e bateu com o cabo deitado na cara do guarda, que caiu desmaiado com a cara ensanguentada, mesmo sabendo que o guarda estava desacordado jogou a lança na direção da entrada da vila, já esperando ter um arma na saída, caso precisasse na hora da fuga da cidade e mesmo assim pegou a espada e a escondeu no meio das suas vestes. O jovem entrou na cidade e foi logo a procura de uma taberna, logo achou e pediu um vinho e foi falando com o taberneiro se tinha alguém que poderia ajudar a tratar de feridas com corte, o taberneiro respondeu que tinha um médico que passava mais tempo cuidando de porcos do que de gente, mas que ele era um especialista em feridas.

O jovem foi atrás do médico que cuidava de porcos e o encontrou no local onde o taberneiro falou que ele estaria. Acabou falando com ele e fazendo um acordo para pagar a recompensa por ajudar o velho. O médico de porcos aceitou e então foram os dois a caminho da saída da cidade, porém perto da saída do caminho alguns guardas cercaram os dois e anunciaram a prisão dos dois. O médico pensando que era por dívidas de jogos que tinha, tirou um punhal e fincou no pescoço de um dos guardas, enquanto o jovem tirou a espada de suas vestes e fez um corte na coxa do guarda a sua frente e em seguida deu um chute no peitoral do guarda que estava a sua esquerda, e saiu correndo para a saída da cidade. Quando chegou a saída viu mais dois guardas olhou em volta e procurou o médico de porcos, mas viu o médico de porcos sendo acertado por uma lança de um dos guardas, então o jovem percebeu que não seria muito diferente com ele e resolveu fugir pela floresta, que seria mais fácil despistar os guardas, mas primeiro tinha que passar por esses dois guardas.

O guarda da esquerda veio pra cima com a lança empunhada na direção do jovem, com o reflexo o jovem rebateu a espada na lança e bateu com a espada no peitoral do guarda, o que o fez cair, enquanto ele fazia esses movimentos o guarda da direita se aproximava, mas o jovem sabia que o outro guarda vinha atacando da mesma forma que veio o guarda que já estava abatido. Com o guarda da direita ele fez a mesma coisa, depois que acertou o peitoral do primeiro guarda já aproveitou e rebateu a lança para longe e depois deu um golpe que fez o guarda cair ao chão.

O jovem saiu da aldeia em disparada na direção da floresta e quando resolveu olhar para trás viu algo que não era muito agradável. Aproximadamente vinte guardas correndo atrás dele com o intuito de matar o jovem, mas este não estava disposto a morrer, então pegou a lança que ele jogou do primeiro guarda abatido e correu em direção contrária a casa, mas seguindo para o rio. Viu muitas flechas e lanças voando, mas como ele estava na frente dos guardas não foi um alvo tão fácil, muitos guardas foram deixados para trás enquanto o jovem subia a margem do rio e deixava cada vez menos guardas seguindo-o. Até que ele parou para retomar o fôlego, algo que fez três guardas se aproximarem, o jovem achou que três guardas eram mais fáceis que trinta e tentou encará-los, mas nem precisou de muito esforço, porque os guardas da cidade não tinham um treinamento muito rigoroso e já estavam quase mortos de cansaço.

O primeiro guarda tentou um ataque com a lança que nem mesmo foi na direção do jovem, a lança fincou no chão ao lado do jovem com a outra extremidade sendo segurada pelo guarda ensopado de suor. O jovem só acertou um murro no pescoço do guarda, que demonstrava em suas feições que gostaria de ser abatido e não precisar correr mais, depois do murro o guarda caiu desacordado, mas o outro guarda que estava atrás, não estava tão disposto a ser abatido facilmente igual o primeiro. O segundo guarda tentou um golpe com a lança que foi rebatida pela espada do jovem, tentou um golpe por cima, mas errou, acertando o nada. O guarda viu que com o golpe o jovem deixou a guarda baixa e tentou perfurar a barriga do jovem com a lança. O jovem que deixava a mão esquerda livre segurou a ponta da lança, que rasgou a palma de sua mão. A lança não chegou a entrar na barriga do jovem, pois este conseguiu parar a lança pelo cabo, mesmo com a mão rasgada. O jovem não quis perder tempo então fincou sua espada na coxa do inimigo, que caiu gritando de dor. O jovem olhou para o terceiro guarda e sabia que com a mão esquerda daquele jeito não poderia lutar, resolveu tentar algo diferente. Jogou a espada na direção do guarda que com o susto o fez cair no chão, o jovem correu na direção do guarda e chutou a lança de seu oponente para o lado e depois pisou firme no peitoral do guarda, que levou um tranco e se largou no chão.

O jovem mergulhou no rio e lavou sua mão que estava sangrando sem parar e apertou um pano muito forte, o que só fez alastrar mais a dor. O jovem foi caminhando pela outra beirada do rio até encontrar sua casa e a do velho que estavam guardadas por um guarda na porta. O jovem foi se aproximando e pediu para que não machucasse o velho, mas o guarda que estava fora de casa abriu a porta da casa do velho e mostrou que lá tinha um guarda apontando uma espada para o pescoço do velho, sem pensar, o jovem jogou a espada no homem que estava dentro da casa, que caiu no chão gritando de dor por ter uma espada fincada em seu braço.

Os gritos acordaram o velho que abriu os olhos com grande perturbação e foi quando viu o guarda chorando na beirada de sua cama com uma espada em seu braço direito e ao lado de fora viu um jovem conhecido por ele lutando desarmado com um guarda portando uma lança. O jovem segurou firme o cabo da lança com a mão boa e acertou um chute no peitoral do guarda e um golpe seguido com a sola do pé na cara do guarda caído, mas disposto a levantar e teve que acertar mais um soco no rosto para o guarda não tentar mais nada.

O jovem explicou as coisas rapidamente para o velho e resolveu colocar o corpo dos guardas no meio da floresta, mesmo o que estava com o braço machucado, que tinha acabado de desmaiar por perder tanto sangue, mas antes o jovem retirou a espada e apertou forte um pano no braço do guarda, para evitar mais sangramento. Tirou ele da casa do velho e o colocou não muito longe da casa, mas em um lugar que não era possível de vê-la. Voltou para pegar o outro e viu um guarda entrando na casa correu e agarrou as costas do guarda e bateu sua cabeça contra a parede, o guarda acertou uma cotovelada no rosto do jovem que caiu desacordado.

O jovem acordou com o velho gemendo de dor, mas como estava muito cansado depois das suas corridas, ter uma das mãos perfuradas por uma lança e estar com uma tremenda dor de cabeça não conseguiu levantar e tentar atacar o guarda. Levantou os olhos devagar e se colocou sentado e ameaçou o guarda caso machucasse o velho, mas o guarda tinha retirado o pano na perna do velho e estava jogando um líquido vermelho em cima da ferida, que estava em carne viva no centro e escurecia até chegar as bordas, que estavam completamente negras, tão diferentes da cor da pele alva do velho. O guarda olhou para o jovem e falou que para curar a ferida ele teria que jogar vinho em cima da ferida e depois lavá-la com um pano com água, várias vezes ao dia e o velho sentiria muita dor com o passar do tempo e que demoraria várias estações da lua até o velho curar a ferida. O velho também só poderia comer frutas e legumes em sopa cozidos e que ele deveria se alimentar quatro vezes ao dia.

O jovem prestou atenção no que o guarda disse que repetiu tudo para ele enquanto arrumava a mão do jovem que tinha sido perfurada pela lança. O guarda pegou o seu companheiro guarda que estava caído do lado de fora e arrancou a cabeça do homem e ateou fogo no rosto do guarda e falou para o jovem não se preocupar que ele nunca mais seria caçado pela cidade ou por Atenas.