– Vai com calma – eu disse – Você tá me falando que esse é o Projeto Universo? Como assim? Eu não estou entendendo!

– Já tudo se explica – disse um homem atrás de todos os outros. Meia-idade, suspeitei ser o presidente da NASA. Não estava errado – primeiramente gostaria de dizer que trazê-lo aqui já era um plano posto em prática faz um bom tempo.

– Quanto tempo? – Perguntei

– Uns 6 meses. – O homem respondeu

– Seis meses? Vocês ficaram me espionando por seis meses?!

– Nós? Não, não ficamos espionando você. Ela ficou. – Disse o homem apontando para Anna.

– Anna? Do que ele está falando?

– Ela e o Sr. Swift, que você conhecerá em instantes, foram os escolhidos para fazer parte do Projeto Universo. Ambos tinham direito a um acompanhante, e como o Sr. Swift não tinha mais família, sobrou apenas Anna para trazer... você.

– Anna... você mentiu pra mim...

– Do que você está falando? – Disse o homem – Você deveria estar feliz que está indo embora para sempre da Terra!

Levantei em salto, vermelho de raiva. Gritei:

– Se vou fazer parte do Projeto Universo, então eu quero saber do que se trata pelo menos! Vamos à Marte?! Ah, é, o Sol já queimou e matou todos que estavam lá! Que tal Júpiter?! Ops, é verdade, lá é tão denso que nós morreríamos queimados antes mesmo de penetrar na atmosfera!

– Ah, meu amigo! Era onde eu queria chegar! Prazer, Michael Harrison, Presidente da National Aeronautics and Space Administration, t.c.c*¹ NASA. Siga-me.

Seguimos para um corredor e Harrison não parava de falar, mostrando seu entusiasmo com o Projeto.

– Nós testamos o Projeto Universo com o satélite PK2-Huggie e percebemos que é fisicamente possível realizá-lo por humanos. Você, meu caro Buckfield, é a esperança de colonização para outro planeta.

– Que planeta? – perguntei

– Essa escolha só depende de você.

Entramos em uma sala com um grande Datashow. Projetado no Datashow estava um grande buraco negro. Mas era um buraco negro diferente de tudo que eu já vi, ele tinha um “caminho de fogo” vindo de uma espécie de sol e esse “caminho” orbitava o tal buraco negro. Na sala estava o tal Sr. Swift que Michael falou anteriormente. Seu nome na verdade é Daniel Swift.

– Este, senhoras e senhores – começou Daniel – é o sistema solar binário GRS 1915+105, que fica a apenas 40 mil anos luz de nosso sistema. É a coisa mais fascinante já descoberta pelo homem: uma estrela alimentando um buraco negro constantemente.

– Meu pai enviou o PK2-Huggie para o GRS 1915+105 a uma velocidade de mil vezes a velocidade da luz. – Disse Michael

– Peraí.... Então você está me dizendo que o tal do PK2 sei-lá-o-que é a coisa mais rápida... do universo? – Perguntei

– Não – Respondeu Daniel – o foguete de vocês é mais rápido. Vocês irão viajar vinte anos no futuro. Então o foguete de vocês é....

– Duas mil vezes mais rápido que a velocidade da luz. – Disse Anna – Viajaremos a 599,584,916,000 m2 / s2

Todos olharam espantados para Anna.

– Ela é.... – Disse — .... Muito boa com números.

– Enfim, continuando – Continuou Daniel – Enviamos o PK2-Huggie para lá 40 anos atrás e há alguns anos recebemos pulsos eletromagnéticos dele. Nós conseguimos nos comunicar por código Morse com alguém... do outro lado do buraco negro.

– Então você está me dizendo nós vamos entrar no buraco negro do GRS 1915+105? – Perguntei espantado.

– Exatamente. Mas vocês terão que entender que uma vez dentro não há mais volta. Vocês serão treinados tanto fisicamente quanto psicologicamente. – Disse Michael

– Peraí, peraí.... Como assim psicologicamente? – Perguntei

– Vocês deixaram tudo para trás. No instante em que chegar no sistema, a Terra já vai ter acabado. A única esperança da humanidade é.... o grupo selecionado para o Projeto Universo. – Disse Michael

– Então esse é o Projeto Universo? Entrar no buraco negro mais aterrorizante da galáxia? Quais são as chances de nós sobrevivermos?

– Quase 90%, pois a massa do PK2-Huggie é equivalente à de um homem de, mais ou menos, 30 anos. E você tem 31 anos, Buck. – Respondeu Daniel – E mais do que isso, de que adianta? Se acontecer o que você está pensando, vocês irão morrer assim como todos nós.

– Se todos vamos morrer, qual a finalidade do Projeto?! – Perguntei nervoso.

– O Projeto Universo é.... um pedido de desculpas. É uma tentativa de nos redimirmos de nós mesmos. De vermos do que somos capazes. E aí, Buck? Daniel e Anna já aceitaram. E você? – Perguntou Michael

Fiquei pensando por um tempo. Em um ato involuntário de raiva, saí da sala e bati a porta. No final do corredor havia uma sacada. Fui até lá, apoiei meus braços nas barras de ferro de desatei a chorar.

– Não... Wallace...

Eu aceitaria? Aceitaria largar pessoas inocentes para morrer para me salvar? Comecei a pensar em todas as pessoas importantes que já passaram pelo mundo. Em tudo o que ocorreu até hoje. As grandes guerras, feudalismo, revolução francesa, a descoberta do fogo, da luz. A descoberta... da luz!

– Oi, Buck – Anna chegou para me fazer companhia e tentar me convencer a aceitar – Você precisa entrar para o Projeto. Nós vamos deixar a Terra pra sempre.

– Será que minha vida vale mais que a de todos os outros?

– Não podemos ligar para os outros. Temos que nos importar conosco. Somos a esperança da humanidade.

Pensei no que ela disse. Ela tinha razão. Minha vida vale mais que a dos outros. Voltei para a sala.

– Michael – Chamei – Eu aceito.

– Excelente – Ele disse – Vamos começar o treinamento agora mesmo para terminarmos amanhã e partirmos no domingo. Ou melhor, para vocês partirem no domingo.