Notas iniciais
Deem uma chance para minha estória... Tenho certeza que irão gostar!

POV ARTHUR.

Era noite, ventava muito, porém o céu estava limpo. Eu já sabia quem era. Era aquela que não saía dos meus pensamentos, que me fazia sair no meio da noite, desrespeitar meus pais, meu clã, para ir ao seu encontro.
E lá está ela, na ponta do penhasco, com seus cabelos balançando ao ritmo do vento.
Ela se virou.
Eu fiquei procurando seu sorriso. Um sorriso que eu sei que é meu. Esperei um segundo e ele não veio, seus olhos estavam iguais ao vento ao seu redor: violento.
Dei um passo à frente e abri os braços. Ela deu um passo de cada vez quando chegou próxima. Não aguentei e a puxei. Seus cabelos têm um cheiro que nunca encontrei em nenhuma outra mulher, cheiro de lírios. Ela me abraçou forte e fez pela primeira vez em mais de dez anos o que eu nunca a vi fazer: chorar. A apertei mais e esperei ela se acalmar.
Ela podia ter dito qualquer coisa, mas aquelas três palavras fizeram meu mundo girar mais rápido. Feliz, porém sabia que não duraria nada, aquilo não podia ter acontecido.
- Eu estou grávida.
- Como? – Foi a única coisa que consegui dizer, a vi sorrindo pela primeira vez na noite, e com certeza não era o meu sorriso.
- Quer mesmo que eu te explique? Bem, deixe eu te dar uma pista. Estávamos sem roupa.
É, eu tinha esquecido que ela pode ser sarcástica quando quer.
- O que vamos fazer? – Sim, eu estava nervoso, comecei a andar de um lado para o outro.
Que eu a amava era fato, porém eu era casado, tinha quatro filhos. E nossas famílias? Inimigas de outras épocas. Então, seria um caos!
Ela não me respondeu. Quando a olhei ela já não chorava mais, estava com aquele olhar que sabia de tudo.
- Podemos fugir? Você não diz que me ama? Viveríamos nós dois para sempre como planejávamos! Não queríamos um motivo? Já temos um! – Ok, eu parei e fiquei a encarando. Como ela espera que eu largue meus filhos? Eles precisam de mim, dei minha palavra que cuidaria da minha esposa. Sim, eu a amava e planejávamos fugir, mas era antes de ter que me casar com Catarina quatro anos atrás, era pra eu ter que parar de encontra-la, mas era impossível, meu corpo chamava o dela, minha alma chorava sem ver aqueles olhos mel
Isso tinha que ter um fim. Mas como?
- Não posso largar meus filhos! – Ela deu uns três passos pra trás e me olhou com raiva.
- Então, minha mãe estava certa. Você não me ama, você só me usa, mas hoje isso acaba!
O vento ficou mais forte, cobri meu rosto com a mão e quando consegui olhar ela já não estava mais ali, nenhum sinal dela. Voltei pra casa com uma tristeza que eu sei que nunca mais iria embora, porque uma parte da minha alma se foi com ela.

8 MESES DEPOIS.

Nesses meses que se passaram ninguém ouvia falar dela de Tatiana, era como se ela estivesse desaparecida. Perdido em pensamento, fui puxado quando um de meus empregados me avisava que havia um casal na porta querendo falar comigo.
Levantei da mesa onde jantava com os meus filhos e Catarina que estava grávida de cinco meses. Falei para continuarem comendo enquanto eu iria ver o que era. Fui em direção a salão. Passando por uma janela, percebi o quanto chovia e ventava, me deparei com o casal Black, pais de Tatiana, com uma criança no colo e um olhar nada bondoso.
- Boa noite. – Eu disse tentando ser educado e mascarar meu nervosismo, aquele bebê poderia ser meu filho.
- Só se for para o senhor. – Falou a mulher com raiva nos olhos azuis, levando um olhar severo do marido.
- Boa noite Sr. Montenegro. Venho trazer sua filha, a minha está de saída para longe daqui. – Falou o senhor alto com todo seu porte, beirando os quarenta e cinco anos, com sarcasmo na voz. Reconheci de quem a Tatiana puxou isso na hora em que ele abriu a boca.
- Boa noite. – Escutei a voz da minha mulher atrás de mim, eu gelei.
- Não entendi o que o senhor falou sobre esse bebê ser filha do meu marido. – Ela falou, se aproximando e se colocando ao meu lado.
- Pois escutou muito bem, senhora. Ela é fruto de seu marido com nossa filha, não podemos aceitar isso! – Conforme ele falava, a tempestade aumentava lá fora e, ao que parece, aqui dentro também.
Catarina, ao meu lado, apertava meu braço e pelo que conheço dela estava querendo evitar qualquer escândalo. Mas o que ela fez me surpreendeu.
- Me deixe ver a criança. – Ela andou até o outro lado da sala e pegou a criança dos braços da senhora, que parecia indecisa em entregar a criança, mas a soltou com o olhar do marido.
Ela descobriu a criança e a aconchegou nos braços, virou e me olhou.
- É uma menina, não tivemos uma menina ainda. – Ela falava, mais para ela mesma do que para mim, que ainda estava parado, a olhando.
- Ficaremos com a criança se a mãe for embora e nunca mais voltar. – Disse ela parando ao meu lado e olhando para o casal.
A senhora tomou a palavra antes do marido:
– Aceitamos, mas também temos um pedido. Que ela se chame Rose. – Falou e por um segundo as vi trocando um olhar que eu nunca vou entender.
- Aceito. – Disse Catarina ao meu lado, tão altiva, como nunca a vi antes.
E assim como vieram, viraram as costas e desapareceram na noite escura.
Ela ainda segurava a criança em seus braços a ninando quando falou com uma voz cheia de certeza:
- Essa menina é nossa filha, ninguém vai saber de nada, e que isso nunca mais se repita! – Se virou e foi para algum lugar que eu não sabia qual era.
O que aconteceu com Tatiana? O que vai acontecer com essa menina? Como será daqui para frente?

Notas finais
Espero que tenham gostado!
Beijos