Notas iniciais
Bem tive algumas visitas mas nada de comentários... Comentários fazem a estória melhor, criticas e elogios! Boa leitura! :*

15 ANOS DEPOIS.

POV ROSE.

É, agora eu entendi o motivo de todo o fuzuê de dentro de casa. Meus avós iriam chegar amanhã para nos visitar. Tradução: muitas histórias com direito à fogueira e carne, mamãe nervosa para tudo sair bem e papai pilhado para que vovó não ache que ele é ruim na administração do clã, como se fosse fácil controlar mais de duas dúzias de homens, ou melhor, de lobos. Revirei os olhos mais uma vez.

– Rose! Pare de revirar os olhos! É sério, quando os seus avós chegarem, se comportem meninos! – Minha mãe falava e falava, e parecia não se cansar de falar sobre como devíamos estar comportados, não faltar respeito e tudo mais.

– Mãe, está bem! Já falei que vou me comportar. Podemos comer em silêncio? – Falei um pouco mais alto do que devia, já que quando olhei ao redor todos me olhavam.

– Podemos e vamos, pequena loba. – Falou meu pai. Ele tentava manter o pouco controle que ele possuía quando aconteciam essas visitas, e ser a única filha mulher tinha lá suas vantagens.

– Obrigada, pai. – Eu disse, um pouco nervosa. Não gostava de ter a atenção de todos.

– É, vamos respeitar a pequena paria, ela merece. – Falou Tobias. Não entendo o problema dele comigo, de todos, ele é o que mais implica comigo, mas não é uma simples implicância beira a humilhação.

– Não chame sua irmã assim, Tobias! – Meu pai estava vermelho de raiva, eram poucas a vezes em que o tiravam do sério, e destratar um de nós ou nos distratarmos era motivo suficiente.

– Que modos são esses, Tobias Montenegro? – Catarina se manifestou, olhando para ele com os olhos arregalados.

– É a verdade. – Tobias disse, encarando Arthur nos olhos. Pairava uma tensão no ar, era quase palpável. – Não adianta esconder para sempre, a verdade sempre aparece. Quanto mais cedo melhor.

– Chega! – Gritou papai, derrubando a cadeira enquanto se levantava. – Para o seu quarto agora! Não quero mais ouvir sua voz!

Quando Tobias levantou pude ver seu corpo com os músculos tensos, sua cor de madeira escura, cabelo curto rente à cabeça, olhos de piche que podiam fazer qualquer um pedir desculpas, mesmo sem ter feito nada.

Ele apontou na minha direção e eu levantei, de todos eu nunca abaixei minha cabeça mesmo longe dos meus pais, e não seria na frente deles que eu ficaria quieta. Surpresa era a palavra, ele nunca tinha me ofendido na frente de ninguém.

– Vai, fala! O que eu te fiz? Você sempre me tratou assim, e eu me pergunto: o que eu te fiz? Mais de tudo que você já me falou, agora você foi longe demais. Seja homem e me diga o que eu te fiz! – Falei com os olhos cheios de lágrimas que eu não iria deixar cair, não na frente dele. Na mesa o silêncio era sepulcral, ninguém respirava.

– Você nasceu. – Foram as palavras ou o jeito dele de falar, quem sabe a sua expressão corporal, mas aquilo me acertou como um punhal no peito. Não conseguir reagir àquilo. Eu sempre procurei agradá-lo, mas nada que eu fizesse ou que eu falasse era o bastante, agora estava eu ali, sem saber como reagir àquelas palavras.

– Vá agora para o seu quarto e não saia de lá até eu chama-lo! – Arthur falou num fio de voz, ele só não partia para a violência como castigo porque era seu filho, já tinha escutado histórias sobre ele perder o controle.

– O que eu fiz...?

Corri, passei por todos em um borrão, voei pela escada da frente, pessoas chegando, se não me engano era a voz da minha avó gritando, mas eu já estava longe. Eu queria sumir e iria, quando eu saía e resolvia sumir ninguém me achava.

Me embreie na floresta que ficava na divisa com as terras dos Black. Tinha uma gruta que dava para um lago subterrâneo, azul e verde se misturavam no fundo do lago, a entrada era por cima, ninguém me achava aqui e suspeito ninguém tenha descoberto esse lugar.

Bem, eu achava isso até encontrar um colar há alguns meses com as iniciais D & V em uma pedra verde. Nunca soube de quem era, me distraí com isso e me esqueci brevemente do porque estava ali, da briga com meu irmão.

Fiquei fitando a água dançar de um lado para o outro, quando escuto um barulho e olho para o lado.

Vejo uma mulher – linda por sinal – branca como a neve, cabelos pretos até a cintura, os olhos azul celeste, nunca tinha visto algo assim.

– Quem é você? – Perguntei sem me levantar, não queria brigar, não queria nada no momento, mas ela não me respondeu, me encarou e sorriu de lado.

– Te vi correndo, achei que queria ficar sozinha. – Falou com uma voz de anjo. Se anjos falassem seria assim. Eu me lembrava de uma voz assim, em um sonho talvez.

– Se eu queria ficar sozinha, o que você esta fazendo aqui? – Eu perguntei sem tirar os olhos do lago.

– Bem... – Falou se sentando ao meu lado e fazendo seu vestido verde com detalhes em azul me lembrar um pouco a cor do lago. – Eu não costumo respeitar as regras de etiqueta. – Virei para olhá-la e ela estava concentrada no lago agora, talvez notando a semelhança.

– Entendo. Também sou assim. – Respirei fundo e voltei a me concentrar no lago que estava mais verde agora. Ficamos assim. Caladas. Não sei se por segundos, minutos ou mesmo horas.

– Você vai voltar para casa ou vai morar aqui agora? – Ela me perguntou. Não sabia se ela queria fazer uma piada ou se falava sério.

– Não sei... – Respondi num sussurro, mais para mim do que para ela.

– Hum... – Foi sua resposta.

Olhei pro meu colo, e lá estava o colar, em cima do meu vestido rosa-claro, agora sujo e rasgado.

– Você conhece esse colar? –Perguntei o levantando e mostrando a ela.

Tão rápido ela arregalou os olhos. Ela voltou ao normal.

– Bem, parece o colar usado por Valentina. Você conhece a história da maldição? – Indagou, me fitando de soslaio.

– Não. – Falei olhando para o colar. – Qual é a maldição?

Ela se levantou e caminhou até ficar embaixo da entrada da gruta pela qual já entravam alguns raios de sol.

– Pergunte à sua família, ela conhece essa história. – Ela sorriu e, mexendo os braços, voou literalmente pelo teto da gruta.

Era hora de voltar para casa, enfrentar os sermões de ter passado a noite fora.

Obviamente vou esconder o fato de ter passado a noite com uma Black – a qual eu ainda não sabia o nome – e ter descoberto sobre essa maldição.