O Destino Quis Assim
3 Capítulo 2
Notas iniciais
O som estridente do despertador ecoou pontualmente às 5h30 conforme ele mesmo havia programado. Levou a mão para a velha mesinha de cabeceira que ficava do lado direito da cama dura em que estava deitado, a fim de silenciá-lo. Com apenas um toque seu, aquele som irritante cessou.
Nem cogitou a possibilidade de permanecer um pouco mais na cama. Desfrutar preguiça não estava em seus planos e também não fazia parte de suas características. Por isso levantou-se de um pulo, ciente da tarefa que o aguardava aquele dia. O êxito de seu trabalho dependia totalmente do sucesso do que faria logo mais.
Tomou um banho rápido com água fria e para aquela ocasião escolheu um look especial que, no entanto, condizia com seu estilo. Queria impressionar. Precisava fazê-lo. Vestiu uma calça jeans – sua companheira inseparável -, uma camiseta gola polo preta e o velho sapato de couro. Completou o visual usando um agradável perfume de fragrância amadeirada, por fim resolveu usar os óculos escuros para proteger seus olhos da claridade.
Olhou sua imagem no espelho. Faltava apenas uma coisa para que ficasse tudo perfeito: o cabelo. Passou um pouco de gel e penteou-o, colocando-o de lado. A típica imagem de bad boy que as mulheres tanto gostavam. Agora estava pronto. Sorriu em sinal de aprovação. Precisava dar o próximo passo.
Josh pegou as chaves de seu carro que estavam sobre a mesinha de cabeceira. Deu uma última olhada no interior do velho quarto de motel antes de sair. Tudo naquele lugar remetia à velharia, desde a cama dura até o velho ventilador de teto barulhento. Não podia dar-se ao luxo de chamar atenção. Por isso conteve-se em permanecer naquele pardieiro. Um estrangeiro cheio da grana que chegava em uma pequena cidade era prato cheio para os olhares curiosos.
Olhou mais uma vez para o quarto tentando visualizar qualquer coisa que denunciasse sua verdadeira identidade. Perfeito! Não havia ficado nada fora de lugar. Dirigiu-se então à garagem onde seu automóvel se encontrava. Ainda que possuísse um lindo carro de luxo – uma Lambourghini vermelha novíssima – ele preferia usar um carro mais simples alugado para não chamar atenção. O trabalho que desempenhava dependia muito de sua discrição.
Entrou no automóvel, deu a partida e seguiu em direção ao local que usaria como posto de trabalho. Naquele dia daria mais um passo para a execução de sua tarefa. Estava satisfeito. Tudo ocorria conforme o planejado. Se continuasse assim, no final daquela semana teria cumprido seu trabalho. O que quer que Samuel Davies tenha feito havia incomodado pessoas muito importantes para que sua morte fosse encomendada, entretanto não cabia a ele julgar quaisquer motivos que tivessem levado à sua sentença de morte. O que ele sabia era que por causa de algo que Davies fizera ou deixara de fazer, agora ele tinha a oportunidade de ganhar um pouco mais de dinheiro, o qual guardaria para sua aposentadoria.
Walker encostou-se na frondosa árvore que usara no outro dia para sua observação. De onde estava podia ver muito bem sua vítima do momento. Não, não era o senhor Davies. Sua atenção estava voltada para a formosa empregada da casa que estava na frente da residência limpando os tapetes. Pelo menos ela era bonita, portanto seu trabalho seria prazeroso.
Aproximou-se armado do sorriso mais encantador que poderia apresentar. Ela precisava confiar nele para que seu trabalho desse certo. A jovem arrumadeira seria a pessoa que lhe daria as informações de que precisava. Seu próximo passo dependia do que a garota lhe diria.
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Megan Stuart, ou simplesmente Meg como gostava de ser chamada por seus amigos e familiares, se encontrava parada na frente da bela casa da família Davies, na varanda da residência, tirando o pó do magnífico tapete persa que decorava a ampla sala de estar, quando viu o homem mais bonito de toda a sua curta vida. Trabalhava ali fazia pouco mais de dois anos.
Enquanto executava seu trabalho com afinco, ela entoava uma alegre canção. Não se queixava por ter que trabalhar como empregada na casa de uma família abastada. Era justamente o dinheiro deste trabalho que custeava seu curso de Administração, o qual fazia a noite.
Quando pôs os olhos no deus grego que estava parado na praça em frente à casa, quase parou de respirar, tamanho o efeito provocado nela pela beleza aquele espécime masculino. Ele tinha o estilo que ela gostava. Tinha uma verdadeira tara por homens com estilo de bad boy. Sua mente fantasiosa lhe dizia que aquele homem seria seu marido.
Meg era uma linda jovem na casa dos vinte e cinco anos. Era a mais velha dos três irmãos que tinha. Era loura natural de cabelos longos, lisos e brilhantes, cuidadosamente preso em um coque devido o trabalho. Tinha brilhantes olhos azuis e um corpo invejável que nem mesmo o sério uniforme preto que vestia conseguia ocultar.
Era uma menina sonhadora. Sonhava com o dia em que se casaria com o homem da sua vida. E para ela, seu príncipe encantado havia aparecido. Não conseguiu disfarçar seu interesse por ele. A cada dez segundos lançava-lhe um olhar tímido. Surpreendeu-se ainda mais quando ele correspondeu. Mais admirada ainda ficou quando ele começou a andar em sua direção. Seu coração disparou.
Ele andou bem devagar em direção a casa como se tivesse consciência de seu interesse por ele e da urgência que tinha em conhecê-lo. Corou quando ele parou bem a sua frente – o muro era baixo por isso dava para ver direitinho o que se passava no quintal da casa.
Deleitou-se ao ouvir-lhe a voz grave:
— Bom dia – ele a saudou alegremente – Desculpe-me a ousadia, porém não consegui desviar o olhar de sua beleza encantadora.
Ela corou ante o elogio.
— Muito obrigada! Mas eu tenho a impressão de que você fala isso para todas!
— Para todas não. Apenas para as mulheres bonitas como você – ele continuou galanteando-a.
Seguiram conversando por um tempo que parecia não ter fim, pelo menos para Meg. Interromperam o animado diálogo quando a jovem empregada percebeu horrorizada que já era hora de entrar para ajudar no restante dos afazeres domésticos. Marcaram de se encontrar no dia seguinte.
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