O Destino

1 O Começo...


Notas iniciais
Oie... Faz muito tempo desde que eu postei a minha última história, então nessa quarentena resolvi por em prática mais um pouco da minha escrita Espero que gostem Beijocas!

—Gosta do que vê, minha querida? – Perguntou um senhor de idade avançada em direção ao rosto iluminado da jovem a sua frente. -É uma bela cidade, devo confessar. -Declarou após ter a atenção novamente da dama que o acompanhava naquela carruagem que rumava do porto adentro da cidade desconhecida por ambos. – Acredito que há muito para conhecermos enquanto estivermos aqui. Acredito que teremos tempo para tudo. – Disse para a alegria de sua querida.

A jovem estava fascinada pelo local que via. A cidade colorida e aglomerada de cidadãos fazendo com que o comércio fosse algo tão simples. As barracas nas ruas se misturando aos cochichos das damas que passeavam e das carroças que levavam mercadorias de um lado para o outro. Os guardas vestidos de vermelho que forneciam segurança aos que se aventuravam naquelas calçadas. As casas de mercado e tabernas recebendo clientes e a alegria de ter começado mais um dia. Tudo visto aos olhos de uma jovem acostumada com o frio de suas pessoas e da paisagem mais geladas pelo clima denso que morava. Em que as pessoas estavam sempre agasalhadas em seus próprios mundos que se esqueciam do resto.

Definitivamente, a cidade nova havia ganhado uma nova admiradora que se encontrava a cada balançar da carruagem mais encantada e ansiosa para conhecer mais e mais.

—Essa cidade tem um encanto particular, meu pai. -A jovem finalmente comentou sobre o que tanto achava sobre tudo. -Eu não canso de olhar pela janela todas essas pessoas circulando, o clima tão diferente de onde viermos. Olha para tudo isso, meu pai. -Ela apontou para a janela a fora, quando notou uma venda de flores. -Ela pediu rapidamente para o cocheiro parar e logo desceu da carruagem e se aproximou da barraca. A mistura de aromas hipnotizou a dama de maneira que estendeu a mão para colher uma diferente espécie, na qual tentava recordar se já havia visto em qualquer outra viagem que teria feito em companhia de seu pai. A flor avermelhada chamava atenção entre todas outras e era única em toda a barraca.

—É uma bela flor, não acha? -Uma voz atrás dela comentou ao vê-la cheira tão de perto a flor. -Se chama Tulip, uma flor rara nessa época do ano.

A dama sorriu para o cavalheiro que direcionava a palavra. A flor que era dona de um perfume delicado como suas petadas era a nova admiração daquela dama totalmente desconhecida pelo homem que a olhava. A jovem vestia um belo vestido claro em azul. Bordado em detalhes ricos, mostrando que não era uma nativa daquelas terras. A pele branca mostrava mais um traço da estrangeira. Os cabelos claros presos em detalhe cintilante na lateral da cabeça e o chapéu não era um costume feminino da redondeza.

— É um belo nome. -A dama comentou ao se virar completamente para o cavalheiro que se mantinha preso em sua presença. Foi ao mirar os olhos do dono da barraca que ela descobriu mais uma beleza daquela região. Era a primeira vez que não tinha palavras para descrever o que sentia perante aquele desconhecido. Ele emanava uma presença que a tirou do eixo. Como era possível um homem parecer mais do que era? Ele sorriu para a dama se questionando como uma flor pudesse ser tão apagada ao lado de uma imagem tão bela quando a que mirava nesse momento.

A desconhecida estrangeira abaixou a cabeça tentando refazer seus pensamentos feridos pela presença daquele estranho. Cumprimentou o cavalheiro com um leve aceno e antes de ir embora, colocou a flor em seu devido lugar, partindo, finalmente, em direção a carruagem em que seu pai a aguardava. Mas antes que pudesse chegar mais próximo do veículo foi interrompida por uma mão que a segurou. Virou assustada para trás e respirou aliviada ao ver quem era. O dono da barraca.

— A senhorita esqueceu. -Ele disse ao erguer a flor que a pouco tinha sido deixada por ela antes de ir. Ela tinha intenção de explicar por que havia deixado a flor, mas foi impedida pelo desconhecido. – Há uma lenda de que essas flores são capazes de te levar até o seu destino. Espero que elas te ajudem. -Ele disse ao estender para ela a flor.

O homem esperou até que a carruagem estivesse fora de suas vistas para se aproximar novamente da barraca que esteve a tempos atrás. Hilal estava a sua espera. Ele sabia que seu conselheiro estaria a vista sempre que precisava. Mesmo que não apoiasse suas fugidas ao mercado, mas só ele sabia os motivos que o levavam fazer isso sempre que o deu dever deixava.

—Meu Senhor. -Se apresentou curvando ligeiramente quando sua presença foi reconhecida. -Devo comentar que deveríamos estar a caminho do palácio, sua Graça. O Senhor tem uma reunião com o conselho e já estamos atrasados.

—O conselho que espere. -Pronunciou com a potência de sua voz. -Quando chegarmos eu reúno novamente o conselho. -O homem detestava ser lembrado de suas responsabilidades. Sabia exatamente como deveria se comportar e ser questionado não estava em pauta desde quando ainda era um garoto. Lembrava muito bem de como tudo havia começado e o quanto precisou se esforçar para demonstrar ao conselho, que de nada ajudava, que poderia ser o que tanto desejavam.

O homem suspirou e passou a mão pelo rosto. Ele sabia que não poderia culpar Hilal por fazer sua função, na verdade, tinha que agradecer por acompanhar suas aventuras de sair pelo mercado disfarçado, apenas para saber o que acontece com o seu povo. Talvez seja o único motivo que desejava ter mais tempo para aproveitar tudo que aquela cidade poderia oferecer ao seu senhor. Respirou mais uma vez e marchou em direção ao estábulo em que se encontrava seu cavalo. Montou e rumou em direção ao palácio. Precisava dá fim a sua atividade, pelo menos por enquanto. Ver toda aquela cidade ficando para trás trazia a ele ao mínimo uma segurança de que tudo ocorria da melhor maneira possível e que a população nada se queixava. O mercado funcionava com toda a segurança e o colorido do comércio e do porto atraia todos para os aromas de Istambul. Aroma. Aquela flor que havia ficando em sua mente se mostrava agora mais presentes apenas por ter esvaziado o pensamento. Mas ele sabia que o perfume da tulipa ficaria preso por um bom tempo em seu juízo e torcia para que se o destino assim quisesse, ele poderia reencontrá-la em outro momento.