O Destino

2 Encontro...


Notas iniciais
Oieee, Mais um capítulo para vocês! Queria agradecer a Eklayre pelo comentário Espero que gostem Beijocas!

Desde que havia deixado a cidade nova para trás e ter sentido o balanço da carruagem mais forte devido a estrada de terra em que se encontrava nesse momento, a dama, tão fascinada pela nova aventura que embarcara com seu pai, havia se recolhido aos próprios pensamentos e a paisagem calma que aquele bosque poderia vibrar para sua miragem. O verde das árvores que pareciam balançar com leveza pela corrente de vento fina combinava com o céu límpido que se revelava aos poucos entre os galhos altos. A terra úmida e fértil daquela cena. Tudo parecia ser desenhado pelo melhor pintor que conhecera na vida. E talvez, mesmo assim, não pudesse ser tão bonito como agora parecia. Por um leve segundo retirou os olhos da janela e mirou seu pai adormecido em sua frente, mesmo com o caminho desnivelado que passavam rumo ao destino final dessa viagem que já durava algumas semanas, se não, meses. Mesmo com a idade um pouco mais avançada, seu pai ainda tinha a áurea que se lembrava em suas memórias mais antigas. Sorriu ao lembrar de como havia educado uma filha mesmo com todas as obrigações que tinha. Seu pai era sem dúvidas um grande homem.

Ela não saberia dizer quando se perdeu entre as lembranças e o sono, sendo acordada apenas quando escutou seu pai a chamá-la. Finalmente, haviam chegado ao final da viagem que seu pai tanto necessitava fazer. Havia sido uma organização muito rápida para uma viagem muito longa. Seu pai estava nervoso desde que chegou em casa com a missão solicitada por hierarquia de seu Império. Ele ainda não havia contado a ela o que realmente teriam vindo fazer tão longe das terras frias, mas ele contaria assim que conseguisse resolver tudo.

—Chegamos, minha querida. – Seu pai a chamou oferecendo a mão para que ela pudesse descer da carruagem com toda a facilidade.

O Império Otomano era conhecido sem dúvida alguma por sua exacerbação de tesouros e riquezas de diferentes formatos. Aquele palácio era sem dúvida a maneira de mostrar a grandiosidade do império. As altas pilastras na entrada do palacete davam uma imposição a altura daquele lugar tão esplendoroso. As grandes janelas de vidro refletiam a luz do Sol que aos poucos deixava aquele ambiente dando lugar a noite estrelada que certamente ali tinha. Os servos vestidos em tons claros carregavam as bagagens para dentro enquanto se aproximava um homem que deveria ter seus anos em 30, apenas pela aparência jovial que ainda corria em seu jeito ao se aproximar. Cortês, cumprimentou os convidados daquele palácio pelos títulos e convido-os a entrar. Os levaria direto para o Grande Salão no qual esperava o anfitrião daquela hospitalidade que tanto foi agraciada na visão da dama, que ainda se encontrava em tamanha curiosidade pelo esplendor do palácio. As cores claras que dentro eram mantidas com tanto cuidado. As velas que se preparavam para serem acessas mais tarde. Os escravos, ela sabia que ali ainda havia escravos como em tantos outros lugares, deixavam tudo em ordem.

A estrangeira olhava para todos os lados a fim de decorar cada pequeno detalhe, ela certamente tentaria transferir cada espaço em seu caderno de desenhos. Mas, logo seus pensamentos foram interrompidos quando sentiu sua saia sendo puxada previamente. O susto foi tão passageiro que apenas se questionou se havia prendido em algum lugar que não teria notado, foi quando notou a verdade. Atrás de sua saia escondia-se um pequeno garotinho vestido em roupas um pouco maiores do que deveriam para sua altura. Ele sorria e tentava se esconder ainda mais atrás de sua volumosa saia. O rapaz ainda não parecia notar o que acontecia ao seu redor.

—Vou te pegar, Haydar. -Alguém gritou de longe. Fazendo o garotinho sorrir travesso ainda preso na saia da jovem convidada.

A voz logo mostrou a sua verdadeira dona, que se tratava apenas de uma garota no auge de sua adolescência, que certamente procurava o garotinho escondido. Em sua face tinha um olhar determinado, mas um belo sorriso de travessura. Ela procurava, sem notar as pessoas que ali assistiam a cena, em cada espaço que ele pudesse encaixar. Foi quando finalmente ela os notou. Assustada abaixou os olhos e dirigiu a palavra de desculpas a Hilal.

—Sultana. -Ele a cumprimentou com um leve aceno e sorria, pois sabia muito bem onde se encontrava Haydar, que ela tanto procurava. -Devo apresentá-la aos nossos convidados.

Antes que pudesse finalmente apresentar todos, Hilal chamou pelo travesso Haydar que ainda se mantinha escondido atrás da convidada. Ele estava constrangido por finalmente entender o que se tratava, mas logo a dona de seu esconderijo veio a seu encontro. O garoto estranhou. Era a primeira vez que outra pessoa apresentava aquela atitude, que certamente só o seu pai costumava fazer. A dama se abaixou para que pudesse ficar na mesma altura que o príncipe. Podendo, assim, falar diretamente com ele sem todos aqueles protocolos que os mais velhos inventavam.

—É um prazer pode conhecê-lo, meu príncipe. -Ela disse ainda a ele. -E a vossa Sultana também.

A Sultana a olhou diferente. Era a primeira vez que via uma estrangeira adentrar o palácio e mante-se nesses moldes de comportamento. A princesa sabia reconhecer, apesar de ser nova, que aquela dama já tinha sua curiosidade e admiração pela coragem de burlar os protocolos apenas para poder conversar com o príncipe Haydar.

—Haydar, venha. -A jovem Sultana o chamou. -Vamos deixar nossos convidados seguirem Hilal. -Comentou ao carregar o irmão, cumprimentar a todos e seguir corredor adentro.

Quando já não se era visto os irmãos, Hilal conduziu os convidados até seu destino naquele momento.

O corredor ainda em branco era decorado com grandes pinturas de antigos Sultões que aquele Império já havia presenciado e dominado. Cada um com a sua própria história e um legado deixado de geração a geração, contada através dos tempos, não só pelo seu povo, mas também por povos estrangeiros que foram dominados ou agraciados por aqueles governadores. Até que os corredores deram lugar ao seu final, enormes portas que se destacavam pelo tom escuro. Nelas, em cada ponta, um soldado, igualmente fardado como aqueles que a dama havia visto na cidade ao desembarcar.

—Conselheiro. -Cumprimentou um servo que vestia, diferente dos demais, cor mais nobre, revelando que deveria estar ligado diretamente ao Sultão. Talvez a jovem estrangeira deveria notar menos os pequenos detalhes, mas sua visão se apegou ao jarro em cima de uma mesa no canto de uma das paredes. Tulipa. Diferente da que se encontrava em suas mãos, essa tinha a tonalidade mais amarelada, mas que não deixava de ser atraente como a sua. Mas o que foi pego em seus pensamentos foi diferente do que esperava. Os olhos castanhos. Essa foi a visão que sua mente projetou como um raio antes que seu pai a chamasse. Era hora de conhecer o anfitrião. O Sultão.

Paredes vermelhas e um tapete longo. Foram as únicas coisas que conseguiu contactar antes de finalmente caminhar. Era um protocolo, na qual deveriam seguir à risca que nunca fazer contato visual direto com o Sultão, e ela e seu pai seguiram os comandos o mais literal que poderiam.

—Sultão. -Ela escutou a voz de Hilal ecoar naquele salão. -Apresento o Grã-Duque do Império Russo, o Senhor Nicolai Valy.

—Sultão. -O Grã-Duque cumprimentou. -É uma honra pode estar em Vossa presença. -Acrescentou o homem. -Que Vossa Graça tenha um próspero governo.

O Sultão não poderia acreditar que o destino havia pregado tal peça em sua vida. Ele possivelmente reconheceria aquela dama mesmo que ela estivesse no meio da multidão do mercado da capital. Mas logo ele, que nunca imaginaria, só idealizava no pouco tempo que teve a sós, reencontrá-la tão rapidamente. Ela era a sua convidada enviada do Império Russo. Ele deveria imaginar que, mesmo sendo notório que é uma estrangeira, que fosse aquela que ficaria hospedada em seu palácio. Ele sorriu, pois sabia que ela ainda não havia o visto.

—Sejam bem-vindos. -Ele proferiu podendo mostrar todo seu semblante ao Grã-Duque. -Espero que tenham feito uma boa viagem e que sua hospedagem seja satisfatória a ambos.

—Obrigado, Vossa Graça. -O nobre agradeceu dando um passo para trás, a fim de mostrar com mais clareza sua companheira de viagem. -Gostaria de apresentá-lo a minha filha, Sultão. -A dama levantou previamente o olhar para o senhor de todo aquele império. -A Grã-Duquesa Helenya Valy.

O destino não poderia ser mais travesso do que esse momento. Por novamente no mesmo cenário aqueles dois personagens que imaginavam nunca mais se ver. A nobre estrangeira jamais imaginaria que o homem que lhe estendeu a flor mais bela que havia visto era o dono do grande Império Otomano. Que aquela potência que havia sentido, realmente tinha tal motivo para existir. O mundo não poderia ser pequeno a ponto de deixar acontecer as duas cenas. Talvez Helenya não estivesse preparada para essa situação, mas como poderia se preparar para uma surpresa como essa?

—Sultão. -Cumprimentou a nobre jovem agarrando ainda mais o livro que segurava nos braços e revelou por um leve segundo a tulipa que ainda guardava consigo. Foi tempo o suficiente para que o Imperador pudesse ver e sorri. Ela havia guardado o presente que ele havia dado em um gesto inconsciente de sua mente.

—Soube que gostou da cidade. -Ele disse despertando-a de seus pensamentos. – Espero que possa conhecer ainda mais o Império. -Desejou profundamente.

—Obrigada, Senhor. -Ela agradeceu acanhada com a fala do nobre homem. -A cidade é esplendorosa. Diferente de tudo o que já vi. -Confessou para a alegria de quem a escutava.

Logo mais o Sultão e o Grã-Duque acertaram a primeira reunião para que pudessem conversar melhor sobre os motivos que concretizaram a viagem. O Imperador convocou Kadir, seu servo, para que pudesse fornecer tudo que os convidados necessitavam para estarem bem instalados em seus aposentos.

Após a saída dos nobres do Grande Salão. O Sultão se encontrou novamente sozinho e não poderia deixar de pensar na sorte que tinha em poder reencontrar a flor. Talvez fosse assim o desejo do destino.