O Despertar dos Sentimentos
14 Problemas
Notas iniciais
Pov. Hinata.
Acordo ouvindo um barulho de algo se quebrando. Me espreguiço na cama, sinto meu corpo dolorido, mas é algo gostoso de se sentir. Sinal da noite incrível que tive. O lugar ao meu lado está vazio, deduzo que Naruto já deve ter acordado. Ouço mais um xingamento e sinto um cheiro muito bom de comida. Abro os olhos e sento para ver de onde vem tanto barulho, me deparo com Naruto pulando na barraca em um pé só e o rosto retorcido de dor. É um pouco engraçado se ver.
— Mais que droga de banco! — Ele reclama e senta, então seus olhos me fitam e ele sorri — Te acordei, Hina? Desculpe, pequena, eu não queria fazer tanto barulho.
— Não tem problema, já estava na hora de acordar. — Respondo.
Naruto levanta do banco e vem em minha direção, e só o modo dele andar já faz meu coração se descontrolar, acho até que é possível ouvir suas batidas, tão rápidas que estão. Seus lindos olhos azuis, que hoje estão como o mais límpido dos oceanos, me fitam com suavidade, com carinho. Naruto acaricia meu rosto, e minha pele fica abrasada com o toque; ele me beija ternamente, um beijo calmo e cheio de amor, tão puro quanto é nosso sentimento.
— Bom dia, meu amor! — Naruto fala com tanta ternura que meus olhos marejaram — Ei? O que foi? Você está triste, está arrependida?
Sua voz transbordava preocupação, podia ouvir até certo ar de ressentimento, suas feições igualmente. Tratei de lhe tirar essa dúvida logo, não o queria ver triste ou se culpando.
— Não, meu amado, não é isso! — Lhe garanto com toda doçura — Eu apenas estou feliz, mais do que poderia sonhar.
O olhar de Naruto se suaviza e seus lábios brincam em um lindo sorriso. Ele me abraça apertado, e eu fico perdida no calor do seu corpo, é como ter meu próprio sol.
— Eu também estou muito feliz, pequena, acho que nunca fui tão feliz assim. — Ele fala com carinho — Vem Hina, eu fiz o café da manhã.
Olhei para a mesa espantada, Naruto fez tudo isso para mim? Tinha okayu, tamagoyaki, sopa de missô, algumas torradas, peixe grelhado, chá de hortelã, leite e suco de laranja. Ele fez um banquete, mas quando dou por mim, percebo o quanto estou faminta. Visto uma camisa de Naruto, fica parecendo um vestido em mim; lavo-me rapidamente e tento arrumar meu cabelo. Estava tão receosa quanto a essa manhã, como agir; mas vejo que foram todas preocupações tolas, Naruto me ama, eu o amo e não tem nada de errado no que fizemos. Decido agir normalmente como ele está fazendo. Sento-me à mesa para comermos e lhe dou um grande sorriso.
— Isto está com uma cara ótima! — Elogio me servindo de missô — Você fez tudo isso?
— Bom, o café eu sei fazer, tive que aprender, não podia ficar comendo lámen toda manhã! Mas não me peça para fazer natto, é horrível, e o meu arroz fica cru, não tem jeito. — Ele conta rindo — E como pode ver, eu faço um pouco de bagunça.
Não resisto e rio junto com ele. A nossa relação é tão natural, parece que já estamos juntos há anos. Nada é vergonhoso ou incômodo, é tão bom. Quando Naruto termina de se servir, agradecemos. Estávamos em uma conversa sobre os pratos de que cada um gosta, quando ouvimos um chamado do lado de fora.
— Naruto já está acordado? Podemos entrar? — Reconheço a voz de Sakura.
Naruto me olha, faço que sim, não tenho problema nenhum com isso.
— Entre, Sakura. — Ele autoriza tranquilamente.
Ela entra seguida de Sai e se assusta ao me ver, mas não fala nada. Eles nos cumprimentam e Naruto os convida para tomar café conosco.
— Não me diga que a Hinata fez esse banquete para você? — Sakura comenta boquiaberta.
— Ao contrário, Sakura-chan, Naruto-kun fez tudo isso para mim! — Falo com orgulho e vejo Sakura ficar surpresa.
— Hinata, vocês já estão morando juntos? — Sai pergunta.
Eu fico um pouco embaraçada, ele tem uns modos bem estranhos, mas respondo com calma.
— Ainda não, Sai-kun, eu apenas não pude ir embora ontem, por causa da chuva. — Explico tranquila.
— Então, Naruto, a gente veio te chamar, o capitão Yamato vai começar a reconstruir o clã Hyuuga hoje! E viemos te oferecer ajuda, ele disse que à tarde iria começar a casa de vocês, e todos os nossos amigos disseram que vão ajudar. — Sakura conta animada.
— Obrigado, Sakura, Sai, eu nem sei o que dizer! Hinata e eu ficaremos eternamente agradecidos! — Naruto fala emocionado e eu concordo e dou um abraço em Sakura.
— Nada disso, depois do que os dois passaram naquele dia, e o que você fez pela vila era o mínimo que poderíamos fazer! — Sakura assegura sinceramente.
No fim, nosso café foi bem animado. Quando terminamos, vou pegar a roupa de ontem para ir até em casa me trocar, mas quando chego na cama, fico um pouco constrangida pela mancha de sangue que vejo. Naruto percebe minha inquietação e me abraça.
— Ei, pequena, não fique assim! Isso é normal, não se envergonhe, não de mim. Isso para mim é motivo de orgulho e de muita alegria. Você não sabe como me fez feliz! — Como vinha ocorrendo, minhas emoções vão de um extremo a outro num instante, e a razão é sempre Naruto.
Eu fico mais calma e lhe sorrio em resposta. Saímos de mãos dadas pelas ruas. Realmente estou radiante hoje. O dia está calmo, as árvores cheias de gotas de chuva remanescentes, um sol lindo e um céu sem nuvens, um dia perfeito. Quando chegamos ao meu clã, Neji nos espera um tanto sério, mas sorrio para lhe mostrar que está tudo bem, e sua postura muda e ele fica mais tranquilo. Quando os outros chegaram, eu, Naruto e Neji já tínhamos terminado de arrumar e retirar as coisas das barracas, e estávamos as desmontando. Mais afastado de nós estava Tokuma, por vezes o flagrei encarando Naruto de um jeito nada amigável.
— Não ligue para ele, irmã, ele está assim porque pensava que o tio te daria em casamento para ele! — Neji me fala sério.
— Que história é essa? Como você sabe disso, irmão? — Questiono apavorada.
— Eu ouvi uma conversa dele com os anciãos, pelo que entendi, o Tokuma foi reclamar com eles da atitude do tio. Ele disse que a nossa linhagem sanguínea seria corrompida e que você tinha sido dada para alguém de fora do clã. Os anciãos ficaram furiosos e mandaram chamar o tio. — Neji conta.
— Não me diga que... — Não consegui terminar.
— Calma, irmã, o tio disse aos anciãos que o futuro das filhas ele mesmo decidiria e que eles não interferissem, e também disse que seu futuro marido era alguém muito honrado e respeitado na vila! — Neji me tranquiliza.
— O que os anciãos fizeram? — Peço aflita.
— Bom, eles queriam saber com quem você está comprometida, o tio disse que é com Naruto. Pode imaginar o susto deles, né? Alguns acharam um desaforo, mas o tio disse que isso não seria decidido pelo conselho, mas a grande maioria ficou satisfeita com isso. O vovô disse que isso aumentaria o prestígio do clã. Por isso o Tokuma está com essa cara azeda, ele achou que, recorrendo ao conselho, poderia acabar com seu compromisso. — Neji fala baixinho para ninguém ouvir.
— Eu nem sei o que pensar, irmão, estou aliviada que o papai resolveu tudo! — Digo nervosa.
Vou para junto das meninas para começarmos a pintar as paredes de fora. A nossa sorte é que a casa nos deixa na sombra, porque o dia está muito quente e ainda são nove da manhã. Estávamos pintando concentradas, até que vejo Naruto retirar a camisa, não me contenho e solto um suspiro e fico ofegante, e como se soubesse que estava sendo observado, Naruto olha para mim e me dá um enorme sorriso e uma piscadela. Fico extremamente nervosa, meu corpo reage instantaneamente, meu ventre se contrai e sinto uma satisfação tão grande. Claro que as meninas perceberam minha reação.
— O que foi isso, Hinata? Por que está assim? — Ino pergunta, os olhos brilhando de curiosidade, seu rosto virando de mim para Naruto.
— Me diga uma coisa, Hinata, o Naruto não...? — Sakura pede preocupada.
— Não é nada disso que está pensando, Sakura-chan! — Nego envergonhada.
Não quero que ninguém saiba, esse momento é só meu e do Naruto, não quero dividir nem com minhas amigas. Sakura parece não acreditar e me olha desconfiada, mas não vou falar nada. Me concentro na pintura da parede. No final da manhã meu pai chega com Hanabi, parece que eles dois conseguiram adiantar tudo. Ele fica muito contente quando vê a casa, conversa com o Capitão Yamato, então ele vê Naruto e vai falar com ele.
— Naruto, como está? — Ouço meu pai dizer.
— Oh, Hiashi-sama, eu não o tinha visto chegar, então o que achou da nossa força-tarefa? — Escuto Naruto lhe perguntar.
— Ah, sim, está ficando muito bom! — Meu pai comenta satisfeito — Mas você não devia estar envolvido com a casa em que vai morar com Hinata, meu filho?
— Não se preocupe com isso, meu sogro, hoje à tarde mesmo vamos começar a construir! Nossos amigos vão nos ajudar. — Naruto está muito feliz.
— É muito bom ter amigos assim, amigos em que se pode confiar. — Papai comenta pensativamente.
Enquanto eles conversam, eu me aproximo timidamente, e meu pai me abraça apertado. Ele tem andado muito contente, demonstra mais carinho por nós, trata Neji como um filho e agora faz o mesmo com Naruto. As coisas estão mudando para melhor no nosso clã, não somos mais fantoches dos joguinhos dos anciãos. Papai convida todos os nossos amigos para almoçar, eles ficam um pouco receosos, mas ele insiste e o pessoal acaba ficando. As meninas me ajudam com a mesa. Papai insiste que ao seu lado sentem Neji e Naruto, logo após Hanabi e eu, seguidas de nossos amigos, do capitão Yamato e na outra ponta da mesa o vovô. Os outros membros do clã ficam furiosos, meu pai fez nada menos que pôr Neji da família secundária, e Naruto que nem do clã é, acima de todos os outros. Papai ri e conversa com todos, o pessoal fica meio constrangido, mas logo se inicia uma conversa animada. Chouji pouco fala, ele está atento aos pratos; Shikamaru não reclamou ainda, não tem nada problemático; Sakura e Ino competem entre si; Tenten e Lee querem comprar mais kunais; Kiba e Shino alimentam o Akamaru; Sai e o capitão Yamato discutem qual o melhor lugar para meu jardim; Konohamaru e Hanabi cochicham baixinho; Neji e Naruto conversavam animados com meu pai, enquanto eu observava tudo satisfeita igual ao vovô.
Quando o almoço acabou, terminado o trabalho no clã, já que o mokuton do capitão Yamato é muito útil, fomos todos ao local que seria minha casa. Não pude evitar me emocionar, instantaneamente me imaginei vivendo ali com Naruto. Kiba começou a preparar o local onde se ergueria o alicerce, ele e Akamaru ficaram muito felizes por poderem cavocar o chão, logo o capitão Yamato usou seu Jutsu e eu vi minha casa se erguer do chão, incrivelmente cheia de detalhes. Naruto me puxa pela mão para que eu veja o interior, a sala espaçosa, uma cozinha enorme, no fim do corredor um escritório pequeno e logo após um banheiro; no andar de cima tinha quatro quartos e no final uma área de lazer que dava de frente ao monumento dos Hokages. Olho tudo admirada e com uma felicidade mal contida, Naruto me chama para ver o nosso quarto, bem espaçoso e com um banheiro só para nós. Está tudo perfeito, ele não tinha me deixado ver o projeto.
— Mal posso esperar para morar aqui, Naruto-kun! — Lhe digo empolgada.
— Agora vamos pintar e essa semana eu começo a mobiliar. — Naruto segue fazendo planos, muito animado.
— Mas não ia demorar? —Pergunto confusa.
— Não vai mais, não gastei o dinheiro que eu tinha guardado para comprar o terreno por causa da última missão, então vou utilizar para mobiliar, amanhã mesmo vamos às lojas. — Ele conta feliz.
Nossos amigos entram também para ver, todos muito felizes por nós, meu pai olha tudo emocionado. Num instante nos juntamos para pintar tudo, enquanto os rapazes fazem a colocação das janelas e dos vidros. No quarto que seria o nosso, optei por pintar uma parede de laranja e as demais de lilás, a sala ficou com um laranja mais fraquinho e o restante da casa com uma cor bege, dando um ar de aconchego. Estávamos tão entretidos que nem vimos Kiba voltar do centro correndo montado no Akamaru.
— Naruto?!! — Ele chama — Eu não tenho notícias muito boas para te dar.
— O que aconteceu? — Yamato pede.
— Como Tsunade-sama não acorda do coma, o senhor Feudal do País do Fogo nomeou Danzou como Hokage provisório! — Kiba revela afobado.
— Bom, pelo menos é provisório. — Chouji comenta esperançoso.
— Não, isso não é bom! — Sai rebate, o rosto contorcido com uma expressão de asco.
— Mas o pior é que parece que o Sasuke atacou o irmão do Raikage da Vila Oculta da Nuvem e se juntou a Akatsuki, então ninjas da Nuvem vieram até aqui e pediram permissão para eliminar Sasuke, e Danzou deu permissão. Eles estão agora colhendo informações de Sasuke. — Kiba fala tudo de uma vez.
Sakura desmaia e é amparada por Sai, Ino chora convulsivamente, os outros ficam espantados e Naruto fica estático no lugar. Todos olham para ele esperando uma reação, e me dói vê-lo passar por isso.
— Hina, desculpa, mas eu preciso resolver isso, você me perdoa? — Ele pede angustiado.
— Não se preocupe, faça o que tem que ser feito! — Digo afagando seu rosto angustiado — Eu cuido de tudo por aqui.
Ele me dá um beijo rápido, se despede do meu pai e do pessoal e sai em disparada.
— O que será que ele vai fazer? — Shikamaru pergunta.
— Eu realmente não sei, mas confio no Naruto-kun! — Afirmo convicta.
— Sai, é melhor você o vigiar, Naruto pode precisar de ajuda. — Yamato ordena e Sai vai atrás de Naruto.
Sinto uma apreensão tão grande, mas a afasto rapidamente. Terminamos tudo e o Capitão Yamato me dá as chaves para fechar a casa. Me despeço de todos e agradeço muito por toda a ajuda que nos deram. Vou para casa com meu pai e Hanabi, tomo um banho, preparo o jantar. Peço ao meu pai para ver como Naruto está e ele concorda comigo, mas quando chego à barraca dele, tomo um susto. Encontro Sai, capitão Yamato e Kakashi-sensei com ele. Naruto está todo machucado, o rosto inchado, os lábios cortados. Ele me conta o que aconteceu, que a ninja da Nuvem lhe bateu quando ele não quis dar informações sobre Sasuke, e que ele deixou como forma de os recompensar pelo seu mestre. Fico indignada com isso, Sasuke não merece a amizade de Naruto, chego até a desejar que o capturem logo para acabar com esse sofrimento. Não digo nada ao Naruto, sei que ele ficaria triste, tudo que faço por ele é abraçá-lo apertado, enquanto curo suas feridas abaixo de lágrimas. Sei de toda bondade que Naruto é capaz, ele suporta toda essa dor e sofrimento, por um amigo que nem o reconhece direito ou se importa com ele.
— Hina, eu vou falar com o Raikage, pedir que perdoe o Sasuke! Se isso continuar, logo estaremos em guerra, é assim que tudo começa e depois não sobrará mais nada de bom! — O escuto.
— Eu sei que você vai achar uma solução, Naruto-kun! — Garanto docemente para ele.
Naruto me abraça forte, e ficamos assim até a hora de nos despedirmos. Se tem alguém que pode mudar as pessoas, esse alguém é o Naruto. Volto para casa triste, mas no fundo sei que as coisas darão certo no fim.
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