O Desaparecido

7 Estou Livre, Leve e Solta


Notas iniciais
Escrito por: Yasmin, Mellyne e Hanna. Participações: Ivana

Estou Livre, Leve e Solta

Principalmente agora que ganhei uma promoção.

Pitelomeu os deixou em uma rua, e disse para andarem para o leste, e logo chegariam a uma cidade. Eles se despediram, e o policial seguiu pela estrada.

Sozinhos, sem dinheiro e com fome eles resolvem andar por ai e perguntar onde eles estavam, já que nem isso, sabiam direito.

– Onde a gente está? – Diz Victoria abraçando Arthur com medo.

– Onde estamos? Essa é a pergunta que todos nós queremos resposta – Diz Nádia.

–Sabe, porque vocês não perguntam para alguém? — Sugere Sebastian.

Eles entram na primeira loja que viram com uma mulher, cabelos castanhos bem escuros e olhos azuis, parecia ser a dona, a gerente ou qualquer outra funcionaria.

– Com licença, queríamos saber onde estamos? – Diz Sebastian.

– Olá, sou a Belly e vocês estão na “Loja de Presentes da Belly” – Ela diz sorrindo.

– Queremos saber que estado ou cidade estamos — diz Nádia.

– Ah, sim vocês estão em Wichita Falls, Texas.

– Muito Obrigada – diz Victoria.

Eles saem da loja e vão andando por ai.

– Ok... Mas, aonde vamos agora? – Pergunta Victoria.

– Vamos em um parque de diversões, para brincar na Montanha Russa — Nádia Brinca, Sebastian e Arthur começam a rir enquanto Victoria fuzilava Nádia pelo olhar.

– Estou com fome – reclama Sebastian.

– Devíamos ter perguntado pra ela onde tinha uma lanchonete — disse Nádia, revirando os olhos.

– Bem, parece ao menos que é tranquilo aqui. — Concluiu Victoria, olhando ao redor. — Sabe, eu costumava morar em uma casinha tipo essas daqui, de interior. Elas são geladas no inverno.

Todos pararam para olhar as casas ao redor, todas de madeira, pintadas de branco, com um telhado marrom, e todas as janelas fechadas.

Nádia estranhou o porque das janelas fechadas, e começou a andar pela calçada, analisando as casas. Depois, sentiu um vento quente de verão, tão forte que a fez perder o equilíbrio, e ela teve de ser segurada por Sebastian para não cair.

Sebastian soltou uma risada fraca e a segurou pelos braços. Arthur também abraçava Victoria, enquanto a poeira e o vento abaixavam.

– Posso segurar sua mão, se estiver com medo. — sugeriu Sebastian.

– Eu não tenho medo — ela o empurrou com força, fazendo Sebastian ser jogado contra a parede.

Victoria riu da atitude da filha de Bia, mas logo calou-se quando um vento gélido veio por suas costas, fazendo-a se arrepiar e abraçar com força Arthur.

Nádia segurou-se em um muro, e espreitou os olhos, avistando alguém no meio da rua, não muito longe deles, e não parecia se importar com os ventos.

O Sol sumiu, dando lugar para as nuvens mais escuras de tempestade. O homem mantinha seu cão guia ao seu lado, cego. Os óculos escuros eram maiores que sua cara, e isso tornava a imagem engraçada.

– Ivana, boa menina. — o homem cego coçou a parte de trás das orelhas do carrocho.

Nádia estreitou os olhos mais ainda, tentando vencer a névoa. Uma garota, de vestido branco em estilo grego, os cabelos presos com ouro puro e os fios castanhos finos, sorria. Os olhos eram redondos e as bochechas recheadas. Os lábios naturalmente rosados e as sobrancelhas arqueadas. Parecia uma deusa.

– Uma musa. — Suspirou Arthur.

Victoria deu-lhe um tapa de ciúmes.

– Não Victoria, é uma musa mesmo — disse Sebastian, dando um passo para o lado, aparentemente ignorando o homem cego ao seu lado.

– Ei, vocês — chamou Nádia, com aparente ciumes no olhar, ficando à frente de Sebastian, como se tentasse escondê-lo. — São vocês que estão causando esses ventos?

A musa, Ivana, virou-se para Nádia. Algo a envolveu, um cheiro familiar á morango e uvas. Algo como laranja. Era delicioso.

– Não. — ela respondeu. — Nádia, certo?

– Como sabe meu nome? — Nádia pegou de seu bolso a miniatura de foice e a segurou fortemente, fazendo a arma crescer e expandir, virando a foice negra feita por Majória.

– Sou uma musa, é meu dever saber. — Ivana sorri gentilmente. — Sou eu quem cuida da fertilidade da terra. Deve ter ouvido falar em mim.

– Não. — Ela revirou os olhos.

– Já ouvi muito sobre você! — Sebastian exclama, dando alguns passos para frente. — Gosto muito de todas as suas aventuras.

– E quem é esse ao seu lado? — Questionou Nádia, puxando Sebastian para trás dela, e segurando seu pulso.

– Este é Aristeu, meu amado — ela murmurou, sorrindo, e beijou-lhe a bochecha, enquanto o cego parecia não saber ao certo o que acontecia.

– Acho que já ouvi história sobre você... Aristeu — disse Arthur, coçando o queixo. — Você não teve algo a ver com Orfeu?

– Estudamos isso em Histórias de Dormir — comenta Victoria, relembrando.

– Eu falto nessas aulas. — Nádia dá de ombros.

A musa sorri.

– Acampamento? — ela solta a gola da camisa de Aristeu e se dirige para eles. — Estão em missão?

– Sim. — concorda Sebastian, ainda admirado.

– Aristeu por acaso sempre foi cego? — perguntou Arthur.

– Não. — Ivana suspira, ligeiramente irritada. — Meu amado é um tanto teimoso demais e... Não aceitou morrer. Ele queria passar a eternidade ao meu lado, mas os deuses não lhe permitiram. Então ele fugiu para o Monte onde o mais terrível dos monstros está aprisionado. Hades nunca teria coragem de ir para lá.

– Mas não entendi a parte do cego. — Nádia cruzou os braços.

– Hades rogou uma praga sobre meu amado: Ele nunca mais poderia contemplar minha beleza.

– Olhe, o monstro de lá não era muito dócil, muito menos com a praga de — Explicou a musa, parecendo mais irritada. — Ele atacou Aristeu assim que o viu, e quando ele estava à beira da morte, já cego, Dionísio apareceu, e o salvou com suas parreiras.

– Sim, Dionísio é um bom deus, principalmente com seus seguidores. — Ela sorriu, acariciando o rosto de Aristeu. — Ele sempre foi grato ao deus, que até então estava ajudando-o a fugir... Mas...

– Ele sumiu, e vocês não tem mais proteção, certo? — Perguntou Nádia, sentindo algo formigar dentro de seu ser.

"Você queria uma resposta, não é? Aqui está", uma voz forte e assustadora tomou conta de sua mente. Era a voz da violência, dos gritos de dor. De Bia.

Nádia balançou a foice, ainda entendendo o que tudo aquilo queria dizer. O vento passou mais forte, novamente, enquanto seus cabelos eram jogados para o ar. Ela tinha os batimentos descompassados, a respiração pesada. A adrenalina já a tomava. Uma alma que Hades queria. Uma alma que Hades tinha corrido atrás mas que não conseguira pegar.

Olhou uma última vez para Ivana, pensando que o amor era uma droga, enquanto se preparava para estrear sua foice.

Ivana se remexeu, parecia tensa, e seus olhos focaram em Nádia. A mesma apenas segurou com mais força a foice, girando-a na mão, e a levantou, pronta para atacar. Sebastian a encarou sem entender, e quando abriu a boca para protestar, a menina já havia avançado.

Primeiro, ela tentou separar os dois, afinal, só precisava da alma de um, e a musa não havia nada a ver com isso. Passou a foice entre os dois, e Ivana se afastou no último segundo, empurrando Aristeu, que caiu no chão, desorientado.

Victoria gritou, e Arthur sacou seu revólver, gritando para a garota parar. Mas Nádia não ouvia, não queria ouvir, queria apenas sobreviver.

Seu instinto dizia que esse era o certo a fazer, salvar sua pele. Mas... Aristeu tinha a vida ele. Era amaldiçoado por um deus e tudo por sua amada. Dava pra ver que ele faria qualquer coisa por Ivana.

De repente o casal se tornou Arthur e Victoria. "E se fossem eles, você ainda os mataria só para viver?". Ficou atordoada, perdendo a força da foice, mas ainda com ela levantada. Uma mão a segurou fortemente. Ela se virou e então socou a pessoa que a segurava, jogando-a longe e fazendo-a quebrar a parede de madeira.

– A a amaldiçoo, Nádia Hana! Você nunca será feliz no amor!

– Que se dane o amor.

Ivana bufou, odiando ser contrariada, e vendo que não conseguiria nada apenas com isso, concluiu sua maldição.

– Então, eu lhe digo, que quando descobrir a pessoa que você ama, ela irá morrer, na sua frente, assim como tentou fazer com Aristeu! — Gritou ela, fazendo com que o vento mudasse de curso, e parecesse empurrar Nádia contra a parede.

Sebastian se apressou, e empurrou Ivana, fazendo com que o vento parasse, e Nádia pudesse se mover. A garota estava borbulhando de ódio, e sacou sua foice novamente, agora estava tão enfurecida, que seria capaz de matar os dois sem pensar.

Victoria aproximou-se dela correndo, e a segurou no pulso, implorando para ela parar, mas fora apenas arremessada por Nádia. Athur a segurou, antes de se machucar em algum lugar.

Nádia arremessou sua foice no ar, e com a ponta dos dedos a rodou, tomou impulso no chão e golpeou o ar, pulando e decapitando o cego caído no chão. Ela sentiu-se poderosa, enquanto a benção de Bia lhe era colocada sobre os ombros. Com o pé arrastado para trás, ela golpeou o lado, decepando a perna de Ivana.

A musa exclamou de dor, enquanto seu sangue dourado se esvaía de seu corpo. Ela gemeu enquanto se arrastava para longe de Nádia e então se transformou em pó, numa explosão dourada e grossa de chuva ardente.

Todos pareciam chocados com o que acontecera ali. Nádia mantinha um sorriso em seus lábios, e guardou a foice, aproximando-se do pó de Aristeu. Sebastian aproximou-se dela e a abraçou, afastando-a do morto, contendo sua fúria, e fazendo-a relaxar.

Mas Nádia continuava sentindo a fúria, a vontade de socar alguém mas se conteve. Já era o suficiente. Victoria estava chorando, descontrolada nos braços de Arthur, murmurando algo como "somos assassinos" e "matamos duas pessoas".

A filha de Bia se apressou, indo até uma das casas, e descobrindo que a mesma estava vazia. Os outros a seguiram, e se instalaram naquela pequena sala, com o dia já acabando.

Ninguém comentou nada sobre o ocorrido, e Nádia se ofereceu para ser a primeira vigia, enquanto os outros dormia. Assim que a lua predominou no céu, algo estranho começou a acontecer com as sombras, o que fez a única semideusa acordada se agitar, pegando sua foice.

As sombras dançaram, em meio a única luz pálida da lua, que entrava pela janela, e as sombras pareciam comemorar algo. Nádia franziu o cenho, e se afastou, agarrando o braço de Sebastian, e o sacudindo.

– O que...? — Questionou o menino, bêbado de sono.

– As sombras, estão estranhas — murmurou ela, encolhendo-se. — Tem algum deus das sombras? Um monstro?

Sebastian negou com a cabeça, pegando uma flecha e a armando, quando as sombras pararam de repente, e um par de olhos surgiu nela, tão brancos quanto a lua.

– Boa noite, semideuses. — Uma voz fria e áspera saiu das sombras, e os olhos subiram pela parede. — Sou eu, o deus do mundo inferior, vim pessoalmente parabenizá-los pela alma tão desejada... De Aristeu.

Um calafrio percorreu a espinha de Nádia, enquanto a mesma se sentava, arrumando-se.

– Então... Estou livre da morte?

– Claro, já pedi à Thanatos para lhe tirar da lista, pode ficar tranquila.

Sebastian agarrou a mão de Nádia, estava tremendo.

– Então...? — Perguntou Nádia.

– Apenas isso, gostaria de agradecer. — Um olho sumiu — aliás, irei dar algo a mais para vocês. A morte de vocês, independente de qual seja, nenhum de vocês irá para os campos de punição.

– Isso é bom? — Perguntou Sebastian, encarando Nádia.

– Se contar o quão bom é os Campos de Asfódelos, claro, é ótimo. — Murmurou Nádia sarcástica, ouvindo o riso de Hades.

Assim que a risada acabou, tudo voltou ao normal. A filha de Bia sentia-se estranha, algo dentro dela dizia "você fez o certo", mas o outro gritava "matou um casal apaixonado!", e isso a matava por dentro.

Sebastian logo dormiu sobre seu ombro, e ela irritou-se em como ele poderia dormir tão tranquilo, mesmo depois dela matar os dois, e pior, ainda continuar com a benção de sua mãe, sentindo-se com vontade de bater em alguém.

Talvez amanhã, o dia fosse melhor.

Notas finais
:3