O Demônio E O Soldado
6 Capítulo 6 - O primeiro treinamento de Demi
E daí que ela era uma vampira? O que estava acontecendo ia além dos limites de qualquer vampiro. E é claro que Demi sabia disso, que qualquer demônio é mais poderoso que um vampiro. Eu não sei por que eu não desconfiei disso. Mas estava muito ocupado na cachoeira, me limpando para pensar nisso. O sangue estava impregnado na minha roupa, era um sangue espesso, vivo e vermelho. Um vermelho quase ofuscante.
Não demorou muito para Diego voltar. Ele aparentava estar cansado, mas mesmo assim persistia em bancar o durão. Na verdade não era só ele quem estava cansado. Demi também não aguentava mais isso. A persuasão do demônio, ou o que ele estava planejando. E saber sobre uma profecia, onde toda a sua família participa, tendo uma, que matar seu irmão parar abrir a porta do inferno e libertar Lúcifer, era muita informação para uma cabeçinha como a de Demi.
Diego estava sentando, descansado. E Demi estava do outro lado, sentada na frente da barraca. Atenta se caso tivesse outro ataque animal. O misterioso ataque animal. Aquilo não foi por acaso. Primeiro, por que eram três onças machos. E quem caçam são as fêmeas, não são? Ou são os leões? Que seja! Mas aquelas onças eram oficialmente sobrenaturais. E Demi sabia disso.
- Eu lembro. – Disse Diego com calma.
- Lembra de que?
Demi franziu o cenho.
- De tudo.
Demi parou de prestar atenção em tudo que estava prestando, e direcionou sua atenção para Diego. Sobre o que ele estava falando? Ele se lembrara da possessão? O demônio o deixou acordado enquanto brincava com Demi?
- Seja mais especifico Diego. – Perguntou Demi com medo de saber a resposta.
- O demônio. – Respondeu ele. – Eu estava lá, quando ele falou com você.
- Mas eu apaguei sua memória Diego.
Demi estava realmente preocupada. Nunca tinha falhado. Nunca.
- Alguma coisa aconteceu. E você me deve algumas explicações. – Disse Diego.
- Por que você não me disse antes?
- Por que os fragmentos de memórias vieram aos poucos.
Demi ficou desnorteada com mais essa informação.
- Diego, você não pode contar nada ao Mike. – Implorou Demi. – Nada.
- Eu quero saber com o que estou lidando Demi, um demônio? Eu nunca vi isso antes...
- Presta atenção, eles estão entre nós, ok? Mas enquanto estiver comigo, você estará a salvo. – Disse Demi.
- A salvo? Eu estava a salvo quando fui possuído?
- Olha, você não entende, nem entenderia.
- Então me explique. – Diego alterou o tom de voz.
- Não posso. – Demi chegou perto dele, olhou em seus olhos.
- Preste atenção. Você vai esquecer tudo que viu sobre o demônio. Vai esquecer que foi possuído e também vai esquecer que tivemos essa conversa.
Diego parecia estar hipnotizado. Bom, ele estava. Mas a pergunta no momento era saber se deu certo. Diego estava vidrado nos olhos de Demi e logo depois que ela terminou o hipnotismo ele começou a repetir.
- Esquecer tudo... Esquecer que fui possuído.
- Isso, e também que tivemos essa conversa. – Repetiu Demi.
Diego saiu do transe
- Que conversa?
Demi sorriu.
- Isso. Agora vá, encontre o Mike e diga para ele que precisamos de comida. Fique com ele, o ajude e voltem só ao escurecer.
Diego repetiu as palavras de Demi e saiu em direção a mata. Pelo que tudo parecia, o hipnotismo tinha funcionado agora. Mas por que estava falhando? Já que quando chegou ao acampamento do quartel, enfeitiçou o guarda e tudo mais. Mas ela tinha mais coisas com as quais se preocupar. O demônio que queria que me matasse. E ela precisava focar nisso, arranjar alguma maneira de se safar de uma vez por todas disso. Mas como? Se ela contasse para mim, o demônio iria matar muita gente inocente. Faltam quatro horas para escurecer, então Demi teria muito tempo para pensar em alguma coisa, na verdade ela estava esperando a visita do demônio, ela esperou, esperou... E nada.
Já estava cansada, já havia passado uma hora. Ela resolveu deitar sobre um tronco, pois também estava cansada. No momento seguinte ela não conseguia controlar as pálpebras dos olhos que se fechavam com freqüência.
Ela fazia força para se manter acordada, mas estava difícil. O cansaço tomou conta do seu corpo.
Ela fechou os olhos uma última vez e pegou no sono. Estava tão cansada que não conseguia mais controlar seu próprio corpo. Sonhou.
Estava em um hotel velho. Estava aflita. Andava de um lado para o outro. Quando ouviu um baque na porta e eu entrei por ela.
- Mike. – Gritou Demi, correndo para me abraçar.
Eu havia saído a umas duas semanas para caçar um lobisomem com Sam. Ele estava aterrorizando Nova York.
- Seu canalha. Por que demorou tanto? Podia ter me ligado, não podia? Cadê o Sam?
- Calma Demi. Uma pergunta de cada vez. – Eu disse sorrindo.
Sam apareceu logo atrás de mim, carregando as malas. Demi pulou e abraçou-o.
Depois estávamos todos em outra cena. No mesmo quarto de hotel, em uma mesa comendo pizza.
- ... Então a dona do Bordel era um lobisomem. Ela liderava um grupo de vadias que se transformavam. – Eu disse histérico.
Sam continuou contando.
- Você tinha que ver, ficamos presos na boate e todas elas se transformaram. De uma só vez. Foi a maior matança de lobisomens que eu já vi na vida. – Sam deu uma gargalhada enquanto mordia mais um pedaço da pizza.
Demi pegou uma fotografia de mim e do Sam posando na frente da estatua da liberdade e riu.
- Pelo menos vocês chegaram sãos e salvos aqui. É o que importa.
A conversa foi extrovertida, todos riam e por fim parecíamos uma família normal.
Demi acordou. Assustada.
Deu um pulo e olhou no relógio, viu que tinha dormido trinta minutos. Sentou-se de novo no tronco e ficou pensando. Depois se levantou. Lavou o rosto com um pouco de água que restava e continuou pensando sobre o demônio.
Demi ficou pensando em alguma coisa para fazer. Já que tinha deixando o diário em qualquer lugar da selva e não conseguiria rastrear a tempo. Estava caminhando de um lado para o outro e se perguntando o que sabia sobre demônios, mas nada que ela lembrava a ajudava naquele momento.
- Francamente, você é pior do que eu pensava.
Demi se virou e viu o demônio.
- Nem conseguiu dar conta das onças que mandei de presente para você.
- Por que esta fazendo isso? – Demi perguntou.
O demônio virou a cabeça.
- Eu podia jurar que tinha explicado isso. – O demônio fez uma careta. – A profecia...
- Foda-se a profecia.
- Não Demi. Preciso de você forte pra não falhar quando for matar seu irmão vampiro. Quero que tudo dê certo. Não sei se você reparou... Seus poderes estão falhando. Por que acha que eu possuí o guarda do quartel? Ele se lembrou de tudo depois que vocês saíram, e ia avisar ao sargento que vocês estavam infiltrados no exército. Felizmente eu o impedi a tempo de fazer isso.
- E o que quer que eu faça? – Demi já estava quase desistindo de tudo. Suas forças eram inúteis perto das do demônio. E ela tinha medo de muita gente inocente morrer.
O demônio segurava outro homem pelo colarinho. Era mais velho que Demi, pelo menos aparentava. Ele estava assustado e se debatia com muita força.
- Esse cara, é vampiro há cem anos, há mais anos que você, com certeza. E também muito mais forte.
- E daí? – Perguntou Demi
- É simples. – O demônio soltou o vampiro. – Mate-o.
O outro vampiro olhou sério para ela. Estava mesmo furioso.
- Não te dei motivos para me matar, e não tenho nenhum para te matar. Mas se você me ferir eu vou ser obrigado a ignorar esses argumentos.
- Vamos Demi, mate-o logo. – O demônio continuava a tentar a Demi.
- O que? Não. Não mesmo. Eu não vou matar alguém da minha espécie.
- Então, ele vai te matar. – O demônio soltou o vampiro que correu em direção a Demi. Seus olhos ficaram pretos e suas presas apareceram.
Demi se inclinou para frente. Estava na hora de mostrar tudo que tinha.
Ela segurou o vampiro pelos ombros e o empurrou para longe, ele voou uns três metros do chão e caiu. No meio tempo que o vampiro levantava-se, Demi correu em direção a uma árvore muito alta, deu um pulo e correu horizontalmente árvore acima. Quebrou um galho da árvore e se jogou para baixo, caiu no chão se apoiando com a mão direita e segurando o galho na mão esquerda.
O vampiro levante-se e correu em direção de Demi novamente.
Demi suspirou e correu em direção ao vampiro, enfiando o galho em seu coração. O galho atravessou o corpo de vampiro, que secou na mesma hora. Demi sabia que o vampiro já estava morto, mas mesmo assim continuou enfiando o galho até ele atravessar todo o corpo dele.
O vampiro caiu no chão. Morto.
Demi estava ofegante. Virou-se para o demônio que assistia tudo. Ele começou a bater palmas.
- Essa é a Demi que eu queria. – Ele riu.
- Satisfeito? – Demi perguntou.
- Muitíssimo.
- E agora? – Perguntou Demi ainda ofegante.
O demônio levitou uns 30 centímetros do chão.
- Bom, agora que sei que você é capas de cumprir a profecia... Tenho que deixá-la mais forte.
- Como?
O demônio olhou para Demi, sério e calmo.
- Sangue...
Demi engoliu a seco.
- Sangue humano. – Terminou ele, voltando para o chão.
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