O Demônio E O Soldado

7 Capítulo 7 - O segundo treinamento de Demi


- Nem pensar. – Afirmou Demi.

O demônio cerrou o olhar para Demi. Ergueu a mão e fechou o punho com força. Demi se preparou para ser jogada longe. Mas nada aconteceu. Ela olhou para os lados para ver se alguma coisa tinha acontecido.

- Seu sargento acaba de morrer. – Disse o demônio rindo. – Alguém mais vai precisar morrer? O Diego?

- Não! Não... – Demi disse chorando.

- Ah Demi, pare de se lamentar. Você fica tão feia quando chora. E, além disso, a culpa nem é sua... Ah... A quem estou querendo enganar... É claro que a culpa é toda sua.

- Quando isso tudo acabar, eu vou arrancar sua cabeça. – Demi ainda estava chorando.

- Chega de cena ok? Você atua muito mal.

- Já esta escurecendo, meu irmão esta voltando. Você já me fez matar um vampiro. Vai embora. – Demi estava soluçando agora.

- HAHAHA. Quem disse que você faz as regras aqui?

O demônio deu um passo para frente, parecia estar pensando, curvou a cabeça para o lado. Enquanto se aproximava de Demi, ele olhou para o céu. Ergueu sua mão novamente e Demi achou que mais alguém ia morrer. Mas dessa vez ele abriu a mão e a fechou, deixando apenas um dedo; o dedo indicador. Ele murmurou alguma coisa, baixo o suficiente para Demi não escutar. Riscou o dedo no ar, fazendo uma calda de faísca por onde levava o dedo. Agitou o dedo mais uma vez, com força e rapidez. O demônio olhou novamente para o alto e um monomotor passou riscando o céu e atropelando algumas árvores da floresta. Depois de alguns segundos Demi ouviu um estrondo e viu um clarão.

- Seu irmão é todo sensível não é? Ele vai querer ir ver se há algum sobrevivente. Temos tempo de sobra.

- Seu...

- Olha a boca suja Demetria. – O demônio riu novamente. – Vamos, temos trabalho a fazer. – O demônio saiu andando.

Demi seguiu-o quase por instinto.

- Para onde estamos indo? – Perguntou.

- Ah, logo você vai saber.

Demi ficou em silêncio.

Os dois caminhavam rápido agora. O demônio parecia estar com pressa. Os dois andaram uns dois km e chegaram a um prédio muito velho, era pequeno e estava quase em ruínas.

- Bom Demi, esse será seu teste mais difícil. Você sabe que eu quero que você beba sangue hu...

- Não diga ‘’humano’’ – Interrompeu Demi.

- HUMANO!

- Eu não vou beber.

O demônio estalou o dedo.

- Em que quarto você se instalou no quartel mesmo?

- O que isso importa? – Perguntou Demi.

- Não importa. Só quero avisar que vai ter que mudar de quarto... Todas que estavam lá acabaram de morrer. Estranho né? – Sarcasmo, agora?

Demi percebeu que se não obedece ao demônio, mais gente ia morrer. E o sangue estava nas mãos dela.

- Ok, eu faço.

- É claro que faz. Como eu estava dizendo, no último andar. Esta sua presa. Você irá se alimentar dela, e com certeza ficara mais forte. Depois quero que desça aqui, e pronto. Vai ser moleza.

- Por que não trás a vitima até aqui? – Perguntou Demi.

- Ah, qual a graça teria se fosse assim, tão fácil? Agora entre.

Demi olhou para o alto do prédio. O vidro das janelas era escuro. O que provavelmente queria dizer que não havia luz la dentro. Ela olhou para o demônio e foi andando em direção a porta de vagar. Ela abriu a porta e deu um passo para frente, assim entrando no prédio. Pegou a colt que estava na cintura. A porta se fechou com força atrás dela.

Demi deu alguns passos para frente, mas não conseguia enxergar absolutamente nada. A escuridão tomava conta do lugar como se nunca houvesse luz ali dentro. Demi não sabia o que estaria enfrentando. O que o demônio quis dizer com ‘’ tão fácil ‘’? Ela estava mesmo com medo. Apavorada.

Deu mais alguns passos para frente e deslizou em alguma coisa no chão, quase caiu, mas se segurou em uma parede. Ela passou a mão no chão e sentiu alguma coisa quente, e molhada. Pegou logo uma lanterna da cintura e acendeu, iluminou o chão. A poça era grande, o elemento era espesso e vibrante. Era sangue humano. De alguma vitima ferida. Demi ficou atenta.

Ela só tinha a lanterna para ser guiada, e só podia ver o que estava ao alcance da esfera luminosa.

Ela continuou andando com calma até chegar a uma escada, ela iluminou o alto dos degraus e tinha mais sangue lá. Ela deu passos curtos e começou a subir a escada. Estava ofegante e suava frio. O medo tomava conta de seus músculos e ossos. E por dentro ela tremia inteira. Enquanto subia as escadas, caiu algumas vezes por conta de escorregar nas inúmeras possas de sangue.

Demi chegou no primeiro andar. Estava apalpando a parede para ser guiada e não acabar caindo e se quebrando toda. Mas adiante, ela viu uma luz. Seria a luz no fim do túnel? Não. Estava longe disso. Era uma pequena fogueira, alguém teria colocado fogo em uma pequena escrivaninha, mas era o suficiente para Demi se orientar, além do mais era luz e calor, tudo o que ela estava precisando naquele momento de angustia e pavor. Enquanto ela seguia em direção à escrivaninha, ela viu mais sangue no chão, era sangue de mais, impossível a pessoa que estivesse ferida e perdesse tanto sangue assim, ainda estivesse viva. Ela continuou andando e viu uma porta batendo com força, o que era engraçado, pois não havia ventilação nenhuma lá dentro, e as janelas nem ficavam perto dessa porta. Mas mesmo assim, a porta estava batendo. Abria, e fechava. Fazendo um barulho assustador que a cada vez que batia, Demi se assustava. O que a deixou com mais medo é que não havia outro lugar para passar, então ela teria que entrar. Ela colocou a mão na porta, que era de ferro maciço, parecia que estava soldado e alguém tinha aberto. Se realmente estava soldado, era para ninguém poder entrar. Ou seria para ninguém poder sair? Ela entrou na sala escura, pois as chamas da fogueira não chegavam ao alcance da sala. Ela entrou olhando atentamente, quando ela foi pegar a lanterna para iluminar o lugar, sem querer, deixou cair. Ela se abaixou e procurou por alguns instantes, apalpando o chão, até que encontrou a lanterna. Ela estava agachada e ligou a lanterna ali mesmo, iluminou o chão e procurou alguma coisa. O alcance da lanterna chegou a uma bota, ela se levantou e ficou observando a bota de borracha. Quando subiu mais para cima, para ver o que havia, viu um pedaço de perna vestindo a bota, ela deu um passo para trás pensando ser algum vampiro ou demônio. Ela iluminou e viu que era uma perna decepada, ainda bem calçada, mas só ia até o alcance do calcanhar. Havia um osso exposto que ainda pingava sangue. Ela pensou que todo aquele sangue la em baixo poderia ser da pessoa que deixou essa perna para trás. Ela começou a ilumina toda a sala e viu alguns armários velhos e uns galões azuis. Ela percebeu que a sala era bem profunda, grande e fria.

Enquanto dava alguns passos tímidos para dentro da sala. Ouviu um som diferente. Parecia que alguém estava mastigando alguma coisa. Talvez houvesse moradores. Ela iluminou o chão novamente, que estava cheio de poeira. Esperou alguns instantes para ver se ouvia o barulho novamente. Enquanto iluminava o chão, ficou-o observando. Algumas gotas vermelhas pingaram no local onde Demi estava apontando com a lanterna. Ela apontou a luz para cima para ver o que era. Era um homem. Um homem vestido com a roupa do exercito. Ele estava mancando, mas ainda tinha os dois pés. Estava muito ferido, no rosto. E para o pavor de Demi, ele estava segurando um fêmur. Um fêmur humano. O osso estava todo ensangüentado e o homem do exército o lambia com prazer. Na ponta ainda havia um pedaço de carne, e o homem tentava puxar com verocidade.

Demi estremeceu e uma lágrima desceu seu rosto. Estava assustada, Queria estar comigo ou Sam, naquele momento. Ela não sabia o que fazer. Mas não conseguiu tirar a lanterna da cara do canibal.

O homem do exército percebeu a luz em sua cara e virou o rosto lentamente para Demi, seu rosto era muito pálido, era como se estivesse entrando em decomposição. Mas ainda estava andando, por algum motivo. Demi pode perceber os olhos do homem brilharem ao se encontrar com a luz da lanterna. Seu olhar mudou na mesma hora, ele parecia estar com raiva de Demi por estar atrapalhando o lanchinho da noite. Ele começou a andar em direção da Demi, e ela jurou que ele rosnou para ela. Mostrou os dentes que estavam sujos de sangue. Começou a correr em sua direção. Demi deu um passo para trás, apontou a colt na cabeça do homem e atirou. O corpo dele foi para trás com a pressão da bala e voltou para frente, o furo na testa começou a sangrar e ele caiu ajoelhado no chão. Logo depois estava caído, sem se mexer. Parecia que realmente estava morto.

Demi se recuperou muito rápido e começou a andar depressa pela sala. Ela iluminou um armário aberto, e lá estava cheio de armas e balas. Ela guardou a colt e seguiu para lá. Ela pegou uma metralhadora e começou a procurar munição. Encontrou um cinto repetitório com as balas nele. Enquanto carregava a arma, ouviu mais barulhos no fundo da sala. Ela iluminou o lugar e pode ver o que tinha no fundo da sala escura.

Enquanto passava a lanterna, viu um homem com as entranhas jogadas no chão, ele não se mexia. Mais a esquerda viu uma mulher, gorda, sentada e estava comendo uma mão. Seus cabelos eram negros e cumpridos, tampavam o rosto da mulher. Demi só percebeu que era uma mão, por que ainda estava grudado ao resto do corpo de outro homem que estava do lado da mulher carnívora. Continuou passando a lanterna e viu um homem com a cara enfiada dentro da barriga de outra pessoa. O sangue transbordava pelo chão.

Demi deixou cair outra lágrima. Parecia que sabia o que estava enfrentando.

- Eu não acredito. – Pensou ela.

Eram muitos, na verdade uma multidão. E estavam devorando carne humana. Não eram vampiros, vampiros eram limpos e eles não pareciam se importar com limpeza. Enquanto Demi fazia o tour com a lanterna pelo fundo da sala, viu outro homem mastigando a perna de outro soldado. E mais para cima, viu outro homem arrancando uma das tripas da barriga de um soldado, arrancava com força, parecia estar com muita fome. Assim que arrancava, enfiava tudo na boca e mastigava muito rápido, tão rápido que às vezes se engasgavam.

Demi pensou com ela. – Zumbis!

Por último ela viu mais um zumbi. Outro homem. Enfiando a mão dentro da boca de outro militar, arrancou sua língua e imediatamente enfiou na boca, mastigando rápido, como os outros que estavam ali comendo.

Ela iluminou o resto da sala e viu que só havia zumbis ali naquela área, no fundo da sala. Ela não queria alarmar os mortos vivos, então trocou a metralhadora pela colt, e começou a atirar na cabeça de cada um, O mais rápido que podia, sem errar uma única bala.

Demi saiu da sala, correndo e fechou a porta de ferro. Desceu uma tranca e selou a porta. Ela foi para perto da fogueira e começou a pensar rápido. O demônio estava brincando com Demi. Era tudo um planinho dele. Mas Demi sabia de uma coisa, Não podia ser mordida ou seria infectada. O plano era chegar no último andar, atacar a vitima e sair dali o mais rápido possível. Era hora de manter a calma e salvar algumas vidas. E foi isso que deu forças à Demi de continuar.

O prédio não era tão grande, havia três andares. Mas Demi tinha que subir para o segundo. Ela teve a idéia mais insana que alguém poderia ter. Ela preparou a metralhadora e subiu as escadas correndo e gritando.

Enquanto subia, alguns zumbis apareceram nas escadas, todos atraídos pelo barulho de Demi, e ela, sem piedade começou a atirar na cabeça de todos. O sangue jorrava para todos os lados. Enquanto passava pelos corredores, correndo, ela ouvia batidas fortes nas portas, algumas mãos atravessavam as portas, e eram zumbis famintos, tentando pegar um pedaçinho de Demi. Ela continuou correndo e atirando.

Passou pelo segundo andar a mil, e finalmente chegou ao terceiro andar. Que estava muito calmo. Só havia uma porta lá. E ela entrou. Quando entrou, se deparou com uma criança, chorando.

- Não. – Pensou ela.

A criança olhou para Demi.

- Você veio me ajudar? – As lagrimas da criança se misturam junto com as de Demi.

- Me desculpa. – Disse Demi chorando.

Os zumbis começaram a bater na porta atrás de Demi. Enfiavam a mão na porta fazendo buracos por toda a porta. Estavam prestes a entrar.

Demi correu para a criança e a atacou. Bebeu o sangue e sentiu seus fluidos vibrarem. Era uma sensação maravilhosa. Ela não saberia se conseguiria se controlar. Mas tudo em que Demi pensou naquele momento foi em mim e no Sam, e em como não queria ajudar o demônio a completar seu plano. Demi agarrou a criança com força e correu em direção à janela. Jogou-se com força e os estilhaços voaram por todo o apartamento. Demi posou no chão, com delicadeza. Segurava a criança desmaiada e a colocou em cima uma árvore, num local bem confortável. Mordeu seu próprio pulso que começou a sangrar e deu o sangue para a menina beber. Se o sangue entrar no sistema de alguém, ele pode facilmente curar a pessoa de qualquer ferimento. Se ela não morrer com o sangue dentro de seu sistema, ela não se torna vampiro.

Demi só precisava esperar o sangue sair do sistema da Menina para depois ir levar ela para algum lugar seguro. Mas não agora.

Demi deu um salto e voltou para dentro do apartamento no último andar. Os zumbis ainda estavam tentando entrar. Ela guardou as armas e se preparou.

Os zumbis entraram.

Demi começou a lutar com todos de uma só vez. Com um soco arrancava a cabeça deles. E foi assim que ela fez até chegar ao primeiro andar e no térreo.

Ela abriu a porta do prédio e saiu. Estava escuro. Ela tirou o sangue de cima do relógio e viu que eram dez horas da noite. Estava coberta de sangue e respirava com força.

O demônio ainda esperava por ela ali.

- Isso, isso mesmo minha garota. Essa é a minha Demetria. – Ele estava tomando um Milk Shake. – Missão cumprida. Só tenho mais um teste para você agora. Desse jeito meu senhor voltará logo logo.

- Me deixa em paz. – Demi gritou.

- Vou deixar. – O demônio estalou o dedo, e o prédio atrás dela simplesmente sumiu. O demônio também desapareceu.

Demi correu para a árvore, pegou a criança e levando-a em seu colo. Foram para o acampamento.