O Demônio E O Soldado
12 Capítulo 12 - Rebelação
- Cas. Precisamos de ajuda. – Disse Demi num tom manhoso.
Castiel andou vagarosamente até nós.
- Por favor. – Insistiu ela.
Eu estava desnorteado com tanta informação. Nunca tinha passado por tanta coisa em tão pouco tempo. Há algumas horas atrás eu estava tranqüilo no meio da floresta, pronto para voltar ao trabalho, e do nada fico sabendo de uma tal profecia, morro, Ressucito, luto em uma batalha, vejo meu irmão possuído pelo diabo, descubro que sou o receptáculo de um arcanjo e agora Lúcifer foge. Eu estava entrando em depressão profunda.
- Cas, eu preciso de algumas explicações. – Meu olhar estava fixado nos olhos de Castiel.
- Pergunte. – Disse ele.
- Haverá mesmo uma armagedom aqui na terra se eu disser sim?
- Tenho certeza que sim.
Estava decidido. Eu não ia dizer sim. Mas ainda tinha que salvar o Sam.
- O que vai acontecer agora? – Perguntou Demi.
- Eu ficarei de olho em você para que não fujam. Tenho que prepará-lo para o ‘’sim’’ Mike.
- De jeito nenhum Cas. Você precisa nos ajudar.
- Se eu fizer isso, serei expulso dos céus. – Disse Castiel, que pela primeira vez pareceu representar uma emoção.
- Por favor, Cas. – Pediu Demi. – Precisamos ajudar o Sam.
- Mas... – Castiel mudou de olhar. — ... Eu sei quem pode nos ajudar.
- Então, por favor, nos diga.
- Meu pai.
Deus? Deus... Deus? O que nos criou? Ok. Entrei em depressão profunda.
- A verdade... É que estou começando a desconfiar da verdade. – Disse Castiel.
- Como é que é? – Perguntei.
- Miguel me disse que Deus nos abandou há muito tempo. Que estamos sozinhos nessa. E ando fazendo coisas que não me orgulho, Deus nunca aprovaria isso.
- Você conhece Deus? – Perguntou Demi.
- Nunca vi. Mas conheço anjos que já o encontraram.
- Ainda assim Cas. Precisamos de ajuda. – Meu olhar estava implorando ajuda dele.
- Já disse, se eu ajudar vocês, os anjos superiores me expulsarão dos céus.
- Ok. Eu vou ajudar o Sam sozinho. Eu e Demi. — Disse
- Estão preparando um leito de morte.
- E o que sugere?
- Já disse. Meu pai pode nos ajudar.
- Deus? Ah sim, vamos ligar para o Disk Deus e vamos chamá-lo.
- Não é piada Mike. Eu estou disposto a encontrar meu pai.
- E por que os anjos disseram que ele sumiu?
- Na verdade, disseram que esta morto.
Eu pude ver a tristeza no olhar de Castiel.
- Mas você não acredita nisso, não é?
- Eu ainda tenho fé.
- Ok, vamos atrás de Deus, se você acredita que ele esta vivo, eu e Demi estamos com você.
- Vamos enfrentar muitos problemas. – Disse Castiel.
- Já estamos atolados de problemas. – Eu sorri.
- Então vamos sair dessa floresta. Vamos para a cidade. – Cas também estava sorrindo. O que era estranho; um anjo sorrindo.
- Tenho um plano. – Terminou ele.
Eu e Demi voltamos para o acampamento. Só pegamos o que era útil e saímos de lá. Não tínhamos o que deixar para trás, pois Diego já havia abandonado o acampamento. Demi insistiu que precisava achar alguma coisa na floresta e eu fiquei encarregado de saber se Diego estava bem.
Castiel disse que nos encontraríamos em um hotel, na primeira cidade depois que saíssemos do quartel. Ele tinha um plano.
Eu cheguei ao quartel, onde tinha muita gente chorando. Eu já tinha uma noção do que tinha acontecido. Muitas mortes dentro do quartel e o que estava rolando, é que tinha acontecido uma chuva de meteoros do lado de fora. Que ficassem pensando isso. Poucos dos militares que saíram pra floresta, voltaram com vida. Mas Diego estava lá no meio da multidão. Ele me viu, acenou triste. Eu dei um tchau, que foi entendido como uma despedida. Ele correspondeu.
Saí em direção ao estacionamento, onde o Impala estava estacionado. Encontraria Demi lá.
Quando cheguei, Demi já estava me esperando. Estava segurando o diário do papai.
- Eu tinha perdido na floresta, mas já achei. – Disse ela.
Eu sorri. Talvez fossemos precisar.
- Vamos?
- Vamos.
Embarcamos no carro e eu comecei a dirigir. Na verdade aquela coisa de exército já estava me deixando maluco. Era bom estar fora. Ninguém falou nada durante algum tempo, Demi dava umas espiada para mim e a todo o momento tentava falar alguma coisa.
- Mike.
Olhei para ela. – Sim?
- Eu sinto tanto. – Os olhos dela encheram de lagrimas.
- Não. Nada disso. Nada de remartilização agora ok?
- Mas eu te matei.
Ok. Ela tinha me matado, mas estava sob pressão de demônio. Eu faria a mesma coisa. Eu acho.
- Matou por que me queria morto? – Perguntei.
- Não, o demônio me obrigou.
- Então, não foi sua culpa.
- Eu achei que você iria ficar chateado comigo.
- Demi, eu te conheço. Eu tenho certeza que teve fortes motivos.
- Ele ameaçou matar a todos do quartel. Incluindo Diego.
- Você salvou muitas vidas então. E o Diego esta bem, esta vivo.
Ela suspirou.
- Ainda vou te compensar mano.
- Eu quero uma torta de chocolate. – Pedi a ela.
- Também quero. – Ela gargalhou.
Estávamos quase chegando à próxima cidade. O carro chegou a uma velocidade de 150km/h e a pista estava bem vazia. A ordem era não sair de casa por causa da chuva de meteoros.
- Castiel disse qual o plano? – Perguntou Demi.
- Sinceramente? Acho que ele não tem um plano não. Ele esta diferente em relação aos anjos. Parece que esta se rebelando.
- Espero que ele possa nos ajudar... – Demi deu um grito.
Castiel estava no meio da pista. Freei o caro e Demi bateu com a cabeça no vidro. Lembrei de quando eu bati a cabeça antes de chegar ao exército. Não estava me cobrando, foi sem querer. Mas ainda assim, Castiel estava no meio da pista. Ele levantou o braço e parou o carro a tempo de não atropelá-lo.
Eu bati no volante e comecei berrar.
-Ta maluco mermão?
- Sem gracinha Mike. Temos que sair da cidade agora. – Disse Castiel.
- Por quê? – Perguntei.
- Os anjos descobriram que os traí. Se nos pegarem, vão me matar.
- E por que você não sai voando? – Perguntou Demi.
- Assim que descobriram que me rebelei, tiraram alguns dos meus privilégios. Só posso me teletransportar, mas tenho receio de que eles me rastreiem.
- E o que quer que façamos? – Perguntei.
- Eu tenho um plano. – Disse Cas já entrando no carro. – Agora dirija.
Acelerei novamente. Mas parece que foi tarde de mais. Olhei pelo retrovisor e vi dois vultos voando atrás da gente. Um deles era aquele anjo mais baixo que Miguel.
- Miguel e Rafael. – Disse Castiel.
- Droga. Não posso acelerar mais. – Disse nervoso.
- Os despistem. Agora.
- Eu não sei se você percebeu Cas, mas eles podem voar.
Eles já estavam em cima do carro, pareciam gritar, mas só o que escutávamos era um agouro e gemido. Miguel ficou em pé em cima do carro e começou a agitar as mãos para cima, se levantou e voou para cima, levando o carro com ele por uns 5 metros acima do asfalto. O carro despencou em queda livre e caiu na pista novamente.
- Mike... – Demi gritou alguma coisa que não pude escutar.
Eu não parei de acelerar um só instante. Virei o volante com muita força e o carro atravessou a pista capotando, pelo menos umas três vezes. O barulho se propagou no vácuo da rua, fazendo um estrondo perturbador. Senti meus ouvidos vibrarem e os cacos de vidro cair sobre meu rosto. O carro estava de ponta cabeça sobre a pista, e todos estavam presos com o sinto de segurança. Demorei um pouco até me soltar. O carro ainda estava deslizando pelo asfalto e finalmente parou.
- Demi, você esta bem? – Falei com muita força de vontade.
- Sim, já estou me recuperando. – Os ferimentos de Demi cicatrizaram quase imediatamente. – E você?
- To bem, logo vai curar. – Eu estava fazendo um pouco de força para os ferimentos cicatrizarem. A cura foi dolorida.
- Cas? – Perguntei tentando olhar para trás, logo que me soltei. – Cas?
Ninguém respondeu.
- Ajudei Demi a se soltar.
- Cadê ele? – Perguntou ela olhando pro banco traseiro.
Cas apareceu fora do carro e nos arrancou do chão com um movimento de cabeça, colocou uma mão na minha barriga e outra na de Demi. Senti um leve choque e Castiel limpou a boca suja de sangue.
— Assim que vi que você era um ótimo motorista Mike, saí do carro e atrasei os anjos.
Dei um sorriso forçado, um sorriso sujo de sangue.
- Vamos, temos que ir logo. – Concluiu ele.
Já estávamos na cidade, era pequena, mas havia bastante prédios. Entrei num beco mancando e acompanhado por Demi e Castiel.
- O que aconteceu? – Demi perguntou.
- Não seria melhor perguntar o que não aconteceu? – Eu ri de vagar, com dor.
- O que você acabou de fazer Cas, o que foi aquilo?
- Eu marquei vocês com selos eloquianos. Os anjos não podem encontrá-los, inclusive eu.
Eu fiz uma careta. Mas pelo menos não íamos ter criaturas celestiais com cabelinhos encaracolados. – E meu carro?
- Ninguém vai pega-lo, não há ninguém nas ruas, por pelo menos a noite toda.
- Por quê?
- Os telejornais falaram para as pessoas ficarem em casa por causa da ‘’chuva de meteoros’’
- Ah! – Exclamou Demi.
- E agora Cas?
- Iremos chamar Lúcifer.
- Iremos? – Perguntei.
- Sim. E você Mike. Vai mandá-lo para o inferno.
- Mas o Sam esta com ele.
- Iremos tirar o Sam antes. Irei explicar tudo a vocês. Vamos descer.
- Ah sim, como sempre nos explicam tudo né?
- Eu vou explicar. – Reafirmou Castiel.
- Aposto que irá. – Debochou Demi.
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