O Demônio E O Soldado

13 Capítulo 13 - Ninguém mexe com os Winchesters


- Primeiro vamos preparar um feitiço.

Andando em direção a um velho armazém abandonado. Não havia ninguém na cidade. Estavam em quarentena.

Castiel disse que usaríamos o feitiço para atrair Lúcifer. Assim poderíamos mandá-lo para o inferno.

- Mas como iremos mandá-lo para o inferno Cas? – Perguntou Demi.

Castiel abriu as mãos e mostrou quatro pequenos objetos que brilharam.

- Os anéis dos cavalheiros. Como conseguiu? – Perguntei surpreendido.

- Eu não sei direito. Apareceu comigo, logo depois do Sam ir para o Inferno. Quem vocês acham que entregou para mim?

- Deus?

- Provavelmente. Nenhum outro anjo poderia pegar os quatro anéis, nem mesmo eu.

- Por quê? – Perguntei.

- Por que são objetos de profecias, e esses anéis deviam ir para o inferno com Lúcifer... Mas por algum motivo não foram.

- Então Deus os passou para você

- É o que alimenta a minha fé de que ele ainda está conosco.

- Ok, e qual o plano agora? Miguel diz que ele tem que lutar com Lúcifer.

- Na verdade ele é mesquinho. Nem todas as profecias precisam ser cumpridas. Mas os anjos gostam das coisas certas, em seus mínimos detalhes.

- E o que estamos esperando? – Perguntou Demi.

- Os anéis estão desativados. – Disse Castiel com a voz cansada.

- Que maravilha. – Disse rindo. – Ative-os.

- Não posso. Não tenho poder para isso. Precisamos do Miguel aqui, ele fará isso.

- Ah claro que fará. Com certeza... Vo ligar pra ele, péra aí.

- Não estou brincando Mike. Se quisermos jogar Lúcifer no inferno, precisamos dos anéis ativos.

- E como não jogar o Sam junto?

- Bom, depende do Sam. Não de mim.

- Como assim do Sam? – Perguntei.

- Eu não posso tirar ele do Lúcifer Mike. Não enquanto Lúcifer estiver assumindo o controle do corpo dele.

- Mas ele conseguiu se controlar hoje. – Disse Demi eufórica.

- E na noite que ele foi para o inferno. – Completei.

- Exatamente. – Disse Castiel.

— Então há uma grande chance de ele conseguir. – Afirmou Demi.

- Provavelmente.

- E se ele não conseguir? – Perguntei com medo de ouvir a resposta.

- Ele cai no inferno novamente, junto com Lúcifer.

- Não, melhor não arriscarmos então. – Disse.

Não estava tão disposto a passar por isso de novo, não suportaria perder o Sam, o vendo ele ir para o inferno, o tão temido inferno.

- Você tem um plano melhor? – Perguntou-me Castiel.

- Esse é plano mais estapafúrdio que eu já vi na vida. – Disse Demi dando de ombros.

- Mas é o único que temos. – Disse sem reação. – Ok. Vamos ajudar.

- Mike...

- Não Demi, é o Sam, e se esse é o único plano, vamos fazê-lo.

Demi finalmente concordou. Eu entendia o medo dela. Mas era o que tínhamos para fazer.

- Vamos começar Cas.

Castiel preparou um feitiço com velas negras e símbolos de anjos. Acendeu as velas e começou a murmurar algumas palavras. A vela expeliu fogo para cima e depois se apagou, deixando apenas o cheiro de vela recém apagada.

- Lúcifer vem aí. – Avisou Cas.

- E agora? – Perguntei.

- Agora esperamos ele chegar e chamaremos Miguel.

- Mas Cas, como vai fazer Miguel ativar os anéis? – Perguntou Demi.

- Bom, um anjo pode ativar qualquer coisa quando esta usando um poder. Eu não tenho nenhuma outra idéia de poder que possa ser usado aqui, Então Mike, você terá que dizer sim.

- Sim o que?

- Sim pro Miguel Mike. Presta atenção.

- Mas a idéia não era eu dizer Não? – Perguntei boquiaberto.

- Mas precisamos do poder que ele vai usar quando de possuir. Transferirei o poder para os anéis. E assim eles ficaram ativos.

- Ah, e como nos livramos dele depois?

- Ele usarei um feitiço de sangue para expulsá-lo. Qualquer anjo que estiver a cem metros de distancia será mandado para longe. Inclusive eu.

- Então ficaremos eu, Demi e Lúcifer aqui?

- Sim, tentem chamar Sam. Faça com que ele se lembre de vocês. Vocês daram conta disso?

- Faremos o possível. – Disse.

- Ok, quando isso acontecer. Liguem-me e digam onde estão exatamente.

- Por quê? – Perguntei.

- Para poder tirar Sam do Lúcifer. Eu não posso rastrear ninguém agora.

- Ok. – Concordei.

Cas passou seu numero de celular. Dá pra acreditar? Um anjo com linha telefônica.

- Certo, preciso do sangue de alguém. – Pediu Castiel.

- Quanto sangue?

- O suficiente.

Olhei torto para Castiel. Observei um frasco vazio jogado no canto do armazém, o peguei e fiz um corte no meu ante braço, o sangue escorreu direto para dentro do frasco, enchi ele e o entreguei a Castiel.

- Da pra me curar agora? – Perguntei com um sorriso nos lábios.

- Claro. – Castiel tocou no meu braço e o ferimento estancou na hora.

- Agora esperamos. – Disse por fim.

- Agora esperamos. – Concordou Cas.

Não sabíamos se o plano daria certo, nem sabíamos se sairíamos vivos. Eu tinha medo de Castiel não conseguir transferir o poder de Miguel para os anéis, e se isso acontecesse, eu a roupa intima de Miguel. Outro medo era que Sam não conseguisse se controlar e ficasse preso a lúcifer, caso isso acontecesse, Sam iria parar no Inferno novamente. O jeito era manter a calma e pensar positivo. Pensar que tudo daria certo e que mais tarde estaríamos em casa, rindo disso tudo.

Demorou uns três minutos para tudo acontecer, o ar mudou derrepente e ficou gelado, nos preparamos para o que estava vindo, fosse o que fosse. Tínhamos um plano, e só precisávamos segui-lo corretamente.

Começou a chover.

As janelas se quebraram e o vento com água da chuva começou a entrar no velho armazém, a porta começou a bater.

Sam entrou pela porta, estava seco e continuava sem nenhum arranhão. Quem dera se fosse o Sam.

- Sabia que não se esconderiam por muito tempo. – Disse Lúcifer.

Ninguém falou nada, mas ele continuou andando em nossa direção.

- Quer dizer que Mike é a espada de Miguel? Se eu soubesse disso eu teria te matado logo rapazinho. – Ele deu um sorrisinho de canto.

- Quer me matar? Entra na fila seu desgraçado. – Resmunguei.

- Calma Mike. – Pediu Demi.

- Você tem razão. Eu te mato aqui e agora, de novo. E Miguel não tem como me matar, o que acha da idéia?

- Vindo de você, parece um plano de uma criança de cinco anos. Falta originalidade.

Lúcifer riu.

- Por que fugiu lá na cachoeira? Não estava disposto a lutar? – Perguntou Demi.

- Estava. Uma hora isso teria que acontecer. Mas eu havia acabado de sair do inferno, seria uma pena não poder aproveitar nada.

Eu não sabia como exatamente Castiel iria trazer Miguel para cá, e na verdade já estava demorando um pouco, eu já estava ficando apreensivo e deixando Lúcifer furioso.

- Você é ingênuo Mik... – Lúcifer foi interrompido.

Miguel entrou por uma das janelas, quebrando tudo. Estava batendo suas longas asas e pousou com força no chão, o fazendo rachar. Ele se levantou, não tinha nenhuma expressão em seu rosto. Arrumou-se e olhou para todos nós, ainda estava sério.

- Chega de brincadeira. Mike, você sabe o que fazer.

Foi meio forçado, mas eu falei. – Sim.

- Sim o que? – Perguntou Miguel quase gaguejando.

- O sim, o grande Sim. – Expliquei. – Por que ninguém entende?

Miguel não sorriu nem fez expressão alguma. Mas seguiu direto para mim. Tocou em meu rosto.

Ninguém fez nada, estávamos todos ouvindo e vendo com atenção.

Senti a mão de Miguel brilhar de leve e começar a aumentar, fechei os olhos com força e quase gritei.

A luz, já bem forte, foi desviada da mão de Miguel e direcionou para a mão de Castiel, que estava segurando os quatro anéis dos cavalheiros.

- Mas que diabos esta havendo aqui? – Gritou Miguel.

Lúcifer pareceu surpreso também, mas ninguém estava entendendo nada.

Castiel jogou os anéis no chão e o buraco abriu.

- Não pode ser. – Disse Lúcifer olhando o buraco com atenção.

Miguel ficou furioso ao ver a porta do inferno aberta e correu em direção a Castiel. Ao ver o arcanjo correndo, fechou a mão com força, que estava pingando sangue, e pressionou um desenho feito de sangue. Assim que ele apertou, uma forte luz saiu da mão de Castiel e os dois anjos sumiram.

Lúcifer ainda estava olhando o buraco no chão. O buraco era profundo e estava aumentando de tamanho, em pouco tempo iria derrubar o armazém, e se demorasse mais levaria a cidade toda.

Eu e Demi começamos a chamar pelo Sam.

- SAMMY. SAMMY. – Eu estava gritando com força. Nem sabia se iria funcionar.

- SAMUEL WINCHESTER! – Berrou Demi.

- O irmão de vocês não esta mais aqui. – Disse Lúcifer com calma.

Eu fiquei com medo, o plano não estava seguindo o correto, estávamos indo para o desastre.

- Seus ignorantes... – Continuou Lúcifer. – Causam o maior rebuliço e nem dão conta do resto do trabalho.

- Sam. – Disse em voz baixa quase desistindo.

Lúcifer fez um movimento de mão, e fez eu e Demi sairmos voando pela janela. A queda foi dolorida, caímos no beco, fora do armazém. Quando redobrei a consciência, vi alguns dos meus ossos expostos. Demi estava toda curada já, e me ajudava a por tudo no lugar. Lúcifer saiu pela porta ainda calmo, e andava de vagar. Eu estava recuperado e me levantei.

Eu e minha irmã fomos recuando para trás até encostarmos-nos ao Impala. O Impala estava lá. Detonado mas estava.

O armazém já não existia mais, e o buraco estava ficando cada vez maior. Lúcifer estava bem atrás dele. Bastava apenas um empurrão para ele cair, mas o Sam ainda estava lá também.

Lúcifer ergueu a mão direita e uma luz branca, muito forte saiu dela. O pára-choque do carro brilhou e alguma coisa aconteceu. O reflexo atingiu os olhos de Lúcifer.

Lúcifer sentiu como se levasse um soco no estomago. Derrepente sentiu como se fosse sugado e não pudesse se mexer. O brilho dos olhos sumiu.

Estávamos Demi, Sam e eu dentro do carro. Parados com o carro numa avenida pouco movimentada.

- Por que paramos? – Perguntou Sam.

- Calma maninho. – Disse Demi pegando alguma coisa no banco de trás ao lado dela.

Demi puxou um bolo caseiro, pequeno e escrito alguma coisa a mão.

- PARABENS SAMMY. – Girou Demi.

Peguei uma língua de sogra, uma apitos e três chapeuzinhos. Enfiei um na cabeça no Sam e comecei a soprar o apito. – VIVA O SAM. – Gritei.

- Ah, não acredito. – Disse Sam boquiaberto.

Peguei um punhado de confete e joguei na cara do Sam. Ele engoliu alguns e se afagou um pouco.

— Ops. Foi mals mano. – Disse abanando ele.

- To bem. – Disse ele tossindo e tirando os confetes da cara.

- Parabéns para o segundo melhor caçador do mundo. – Leu Sam em voz alta.

Eu dei um sorriso de orelha a orelha. – Ficou lindo né?

- Ficou mano. – Sam sorriu.

- Ah, tem mais. – Tirei uma sacola e dei ao Sam. Olhei torto pra Demi. – Não abre aqui não ta? – Falei quase assoviando.

- O que tem aí? Demi puxou a sacola e olhou dentro. – Ah, ta de brincadeira né? Revista de mulher pelada? E o que é isso? – Demi pegou uma caixinha. – Lubrificante? Ah, eu mereço mesmo.

- Mano, é a edição das ‘’Palhaçinhas mais gostosas da Playboy’’ – Sorri.

- Palhaçinhas? Sério?

Eu ainda estava com aquele sorriso arregaçado na cara.

- Adorei Mano. – Sam sorriu.

Lúcifer reabriu os olhos. De vagar.

- M-mike? – Gaguejou ele. – Você esta vivo. – Estava quase chorando.

- Sam. – Uma lagrima escorreu dos meus olhos.

Demi também estava chorando.

- Mike, o Cas. – Avisou Demi.

Peguei o celular o mais rápido possível e procurei o numero do Castiel, estava chamando, mas ele estava demorando em atender.

- Agüenta firme Sam. – Pedi.

- Não sei se vou conseguir por muito tempo Mike. Ele esta lutando para assumir o controle. – Disse Sam fazendo força.

- Aguenta Sam. – Implorou Demi.

Finalmente Castiel atendeu.

- Onde estão? – Perguntou ele.

- Ainda estamos no armazém Cas.

Sam deu um passo para frente, e o buraco estava o seguindo, era lento, mas ainda estava aumentando de tamanho.

Castiel apareceu atrás de mim. Empurrou-me para o lado e seguiu em direção ao Sam, assim que o alcançou, encostou a mão na cabeça dele. Castiel soltou uma luz branca e forte pela mão. Sam abriu a boca e uma fumaça vôlta em fogo saiu de sua boca. Sam gritou de dor, a fumaça estava queimando sua boca. Castiel saltou a uns três metros de distancia e Sam caiu no chão, com metade do rosto queimado. Estava desacordado.

Lúcifer estava sobrevoando o buraco na forma de chama, parecia um meteoro ardente sem direção. Por fim, sem saber onde estava indo, entrou no buraco e mergulhou nas profundezas.

O buraco fechou imediatamente, deixando o local como se uma bomba tivesse caído ali.

- Sammmmmy. – Gritou Demi correndo em direção dele.

Eu dei meia volta e corri em direção à Castiel.

- Cas, acorde, acorde agora.

Castiel estava desacordado. E eu comecei a dar tapas nele para reanimá-lo. Ele finalmente acordou e se levantou rapidamente.

- Cas, ajude o Sam. Ajude ele. – Implorei.

Castiel viu Sam com o rosto queimado, no chão.

- Não posso curar ninguém Mike.

- Como assim? Você precisa curá-lo.

Castiel pareceu desnorteado. Não sabia o que fazer.

- Não posso. – Disse ele por fim.

- Droga Cas. – Gritou Demi. Ela estava com Sam nos braços.

Sam estava morto, com um ferimento grave no rosto e não podíamos ajudar. Do que adiantou esse plano todo?

- Espere. – Disse Castiel olhando para suas próprias mãos.

- O que? – Perguntei.

- Alguma coisa esta acontecendo.

Realmente, alguma coisa estava acontecendo. As mãos de Cas começaram a brilhar.

- O que esta havendo? – Perguntei.

Castiel seguiu em direção a Sam, parecia um tanto quanto confiante. Agachou-se do lado dele e, pois a mão em cima do ferimento de Sam. O ferimento foi se curando rapidamente.

Sam sugou o ar com força e começou a tossir.

- Sam. – Demi abraço-o com força.

Eu fiquei de longe, olhando.

- O que houve? – Perguntou Sam ainda tossindo muito.

- Vamos explicar tudo. – Disse Demi ainda chorando.

Sam se levantou e me viu parado, de pé.

- Mike... – Ele sorriu.