O Demônio E O Soldado
11 Capítulo 11 - A batalha
Demi estava sozinha novamente. Não tinha a mim, nem ao Sam, e ela estava bem no meio da briga dos cães raivosos. Ou seria briga de cães e gatos? Tanto faz! Demi resolveu que não sairia de perto do meu corpo.
Ela ouviu o estampido estridente cortando o vento e conheceu na hora. Era Castiel. Ele aterrissou majestosamente e caminhou com pressa até Demi. Estava atento e olhava para todas as direções. Chegou perto de Demi, sem falar com ela.
- Cas. – Disse Demi baixinho.
Cas a ignorou e foi direto para cima do meu corpo. Juntos dois dedos e os encostou-se a mim. Uma luz branca saiu dos dedos dele e entrou pelo meu corpo, me eletrocutando. Eu abri os olhos com força e respirava com mais força ainda. Eu estava eufórico e assustado. Demi começou a chorar de novo.
Eu senti Demi me abraçando. Dei um tapa de leve na cabeça dela.
- Ouch.
- Você me matou. – Disse em tom de ironia.
- Desculpa Mike.
- Me ajuda aqui. – Pedi.
Demi se levantou e me puxou pelo braço. Estávamos os dois de pé.
- Será que alguém aqui pode me contar o que esta acontecendo? – Implorei. – E por que cargas da água você me matou? – Disse olhando pra Demi.
Minhas costas ainda estavam doendo. Tudo em mim estava se curando rapidamente. Mas mesmo assim era doloroso. Eu manquei até um troco caído devido ao retorno de Lúcifer. Sentei-me nele.
- Podem começar. – Olhei para Cas e depois para Demi.
- Ok, eu explico. – Disse Cas. – O que houve aqui, pode ser chamado de profecia. Uma em que Demi teria que te matar para libertar Lúcifer.
- Desculpa... – Disse Demi com uma lagrima no rosto.
- Anjos não podem interferir em profecias. Pelos menos até que sejam cumpridas. Tive que esperar... Mas quero que saibam que estava com vocês o tempo todo.
- O tempo todo? – perguntou Demi
— Sim. Na floresta. Sobrevoei sua cabeça sem que percebesse.
- Era você? Você me assustou.
- Desculpa.
Eu interrompi.
- Então Lúcifer esta de volta?
- Sim. – Disse Cas.
- Com o Sam? – Continuei.
- Exatamente.
O silencio prevaleceu durante alguns segundos até ser quebrado por Castiel.
- Vocês precisam sair daqui. Haverá um banho de sangue.
- Mas e o Sam? – Perguntou Demi.
- Faremos o possível Demi.
- Não. Nós vamos ajudar. – Impus.
- Como quiserem. Preparem-se. – Disse Cas.
- Demi, você esta comigo? – perguntei.
- Sim.
- O que farem... ?
Houve uma explosão atrás de nós três. Alguns pedaços de madeira voaram em nossa direção. Eu e Demi fomos dando socos nos galhos antes de nos atingirem e Cas foi desviando os pedaços com movimentos de mão.
- Corram. – Disse ele.
Demi e eu começamos a correr. Por um momento todos esquecemos o porquê estávamos correndo e focamos apenas na nossa sobrevivência. A cena era muito parecida com a noite em que Sam tinha ido para o inferno. Demi e eu saímos correndo em direção ao acampamento, durante o percurso encontramos várias pessoas, homens e mulheres, se não estivessem se matando, poderia dizer que era uma festa.
Levamos uns vinte segundos para chegar ao acampamento. Por sorte, não fomos interrompidos por ninguém. Assim que cheguei ao acampamento, subi em uma árvore e pulei de volta. Segurava uma mala preta, que por sinal, muito pesada. Olhei atentamente para os lados e só pude ver vultos. Alguma coisa estava vindo em nossa direção, alguma coisa não. Algumas coisas! Eu abri a mala e joguei todas as armas no chão. Todas estavam carregadas, para facilitar num caso parecido com esse. Eu peguei uma metralhadora com balas feitas de ferro e banhadas com água benta. Demi pegou um revolver e a colt. Preparamos-nos para a guerra e ficamos de frente para o barulho que estava se aproximando.
Quando pudemos perceber, vimos umas 30 pessoas em nossa direção. Todas com os olhos negros estavam com raiva e gritavam feito loucos. Eu e Demi miramos e começamos a atirar. As pessoas vieram para cima sem se importar com as armas, atirávamos com precisão e alguns corpos caiam para trás quando recebiam as balas.
Enquanto conseguíamos matar os demônios ao alcance das armas de fogo, foi tranqüilo. Os demônios chegaram até agente e começamos uma briga verdadeira. Levei um soco e cai no chão, derrubando minha metralhadora. Demi fazia o possível para me dar cobertura. Atirava na cabeça dos demônios, um por vez. Eu finalmente consegui pegar a metralhadora, quando percebi que tinha uns cinco demônios em cima de mim, comecei a atirar para cima sem poder mirar. Livrei-me de todos que estavam em cima de mim e me levantei rápido. Demi ainda estava atirando. Ajudei-a matar todos que tinha invadido o acampamento e a área ficou limpa, exceto pelos corpos jogados no chão.
As explosões não paravam, e os riscos no céu estavam aumentando. Começamos a correr de novo em direção a floresta, matando somente quem estava com os olhos negros. Infelizmente todos que encontramos estavam com os olhos negros, mas nenhum sobreviveu. Derrepente os riscos do céu começaram a cair com força no chão, causando um estampido desconfortável para nossos ouvidos. A cada risco que caia no chão abrindo uma cratera, saía uma pessoa, homens e mulheres também, mas todos com uma sombra nas costas que faziam um vento quando batiam. Não sabíamos mais no que atirar, então focamos somente em correr, íamos deixar a batalha para os anjos que estavam chegando a todo o momento. Matávamos só o que tínhamos certeza, nós sabíamos que os anjos não iriam se machucar se acertássemos eles com as balas, mas tínhamos que economizar.
Estávamos correndo tão rápido que só podíamos ver vultos incertos de pessoas e explosões, mas a todo o momento sentíamos o calor na nossa face, estávamos rápidos de mais para ser queimados.
Castiel apareceu em cima de nossas cabeças. Estava voando e sendo seguidos por fumaças negras. Ele desceu um pouco mais e encolheu suas asas, ainda estava sobrevoando nossos corpos. Ele começou a gritar na esperança de que pudéssemos ouvir.
- Vocês precisam ir para a cachoeira, Lúcifer esta lá.
Eu e Demi entendemos o recado e mudamos a direção para a cachoeira. Não estava muito longe, mas o mais difícil no momento era chegar lá, haviam muitos demônios impedido nossa passagem, e não tínhamos piedade com nenhum deles. Enquanto corríamos, matávamos.
Chegamos na entrada da cachoeira que estava sendo guardada por uns trinta demônios, quando nos viram, vieram todos para cima. Eu metralhei todos com a minha arma e Demi foi finalizando com tiros da colt. Íamos entrar.
A cachoeira estava muito clara, a lua estava favorecendo. Enquanto caminhava em direção a queda d’água, vários relances de momentos passaram na minha cabeça, como um pressentindo anti-morte. Havia um gramado na frente da cachoeira, muito limpo e bonito. Havia cinco pessoas lá. Lúcifer, dois demônios e dois anjos. Eu e Demi chegamos de vagar.
- Bem vindos a festa. – Disse Lúcifer assim que nos viu entrar.
Eu segurei a metralhadora com força. Sam estava lá. Estava bem. Mas não era o Sam, era o diabo.
Um dos anjos era muito alto, era forte, pele branca, cabelos negros e os olhos castanhos brilhavam na claridade. Era muito atraente, mas talvez o anjo que o receptou nem se importasse com isso. O outro anjo era um pouco mais baixo que eu, estatura média e estava do lado do anjo forte. Já os dois demônios, eram quaisquer dois homens bêbados que pudessem ser possuídos facilmente. Eram gordos e fortes.
- O que está havendo aqui? – Perguntei.
- Olá Mike. – Disse o anjo forte. – Seja bem vindo.
Eu ainda não sabia o que estava acontecendo, mas mesmo assim dei um sorrisinho forçado.
- Estamos tentando entrar num acordo. – Continuou o anjo.
- Acordo? – Demi pareceu indignada. – Que acordo? Matem logo e fim. Sem acordo.
- Não é bem assim que a coisa funciona Demi. – Lúcifer estava bem calmo. O corpo de Sam não tinha nenhum arranhão.
- Que acordo? – Perguntei por vez.
O anjo forte olhou para mim e tornou a palavra.
- Uma luta.
- Eu não sei se vocês não perceberam, mas a luta já ta acontecendo. – Falei entre um sorriso.
- Uma luta entre mim, e Lúcifer.
O anjo mais baixo olhava e escutava com atenção. Os demônios guardavam Lúcifer para que não fosse atacado.
- Ótimo, iremos assistir daqui. – Disse sarcasticamente.
- Não Mike, não posso lutar com esse receptáculo, ele não é forte o bastante para enfrentar Lúcifer...
Eu interrompi.
- E por que Lúcifer iria aceitar esse acordo?
- Por que eu ainda sou um anjo, e infelizmente temos regras. – Disse Lúcifer ainda calmo, mas parecia admirar aquilo que estava acontecendo ali. – No começo, foi Miguel quem me derrubou do céu e me pois no inferno. Assim tem que ser agora. Estamos cercados por profecias.
- Espera... Miguel? – Demi olhou para o anjo forte que retornou o olhar para ela.
- Prazer. – Disse ele.
Estávamos perto de um dos arcanjos mais bravos do senhor. Miguel, aquele que com cuja espada expulsou Lúcifer dos céus e prendeu no Inferno. Miguel. Arcanjo Miguel. Seria uma honra? Não.
- E por que não lutam logo? Eu estou cansado dessa batalha.
- Como eu disse Mike. Preciso do meu verdadeiro receptáculo. Esse não agüentaria nem um minuto na luta.
- E quem é esse seu verdadeiro receptáculo? – Perguntei.
- Você Mike.
- Eu o que?
- Você é meu receptáculo original. Por que acha que te tiramos do inferno?
Comecei a movimentar o dedo fazendo sinal que não. Não podia ser.
- Nem pensar. Não mesmo.
- Eu preciso do seu sim Mike.
- Espera, eu sei o que estão tentando fazer. É passagem bíblica. Assim que começarem a luta, vão fazer o inferno na terra, muita gente inocente vai morrer.
- Aí ele tem razão. – Disse Lúcifer com um humor seco.
- Então a resposta é não. – Meu não foi convicto. Meio apressado e distorcido, mas convicto
- Você não tem o direito de decidir. – Disse Miguel.
- Eu tenho todo o direito do mundo.
- Não. Não tem. Se quisermos mandaremos você para o inferno agora mesmo! – Tornou Miguel.
- Não vão. Por que vocês precisam de mim.
Miguel estava totalmente distraído enquanto conversava comigo. Parecia um pouco alterado e estava começando a ficar realmente bravo.
Lúcifer deu um sinal de cabeça para os dois demônios que imediatamente ergueram os braços fazendo o anjo mais baixo voar para fora da cachoeira.
Miguel se assustou com os gritos do anjo, e assim que se virou, correu até os demônios e os tocou com a mão, uma forte luz branca saiu dos dois e caíram mortos. Agora éramos somente eu, Demi, Lúcifer, Miguel e uma multidão de anjos.
A cachoeira havia sido invadida por uns 50 anjos e demônios. Alguns voando, alguns sobre terra, muita fumaça negra e muito sangue. Estavam vindo para cima. E os demônios da luta estavam perdendo.
Lúcifer se envolveu em uma fumaça negra de demônios e desapareceu.
Miguel ardeu em raiva e soltou um berro tão forte que os demônios que estavam ali pegaram fogo e morreram. A calma tomou conta do lugar. Aquela calma que não representava calmaria alguma, era apenas o começo do desastre.
Lúcifer havia fugido. Eu era a espada de Miguel. E o apocalipse estava vindo. De novo.
Eu olhei para a multidão de anjos que estavam ali. Castiel estava no meio.
- Castiel, fique e de as ordens. – Ordenou Miguel à Castiel que aprovou com a cabeça. – Vou encontrar Lúcifer e assim que achar lhe darei o sinal para vir até mim.
Os anjos começaram a sair aos poucos, fazendo aquele espetáculo de asas e vento. Era melhor que show birotécnico. Por fim, Miguel saiu voando também. O único anjo que estava ali era Castiel.
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