O Décimo andar

31 O Edifício da Liberdade


A inauguração da Cavalcante & Meirelles Associados parou a Avenida Rio Branco, no coração financeiro e jurídico do Rio de Janeiro. O escritório ocupava os dois últimos andares de um dos prédios mais icônicos e modernos da cidade, com uma fachada de vidro que refletia o Pão de Açúcar e a Baía de Guanabara.

​A fusão não era apenas de nomes, mas de dois impérios que, agora unidos, tornavam-se a maior potência advocatícia do país.


​O coquetel de inauguração estava repleto de magistrados, celebridades e a elite do Direito. Eloah e Arthur caminhavam pelo salão de mármore branco, recebendo os cumprimentos. Eles não eram mais "mentor e aluna", mas sócios majoritários e parceiros de vida.

​— "A placa ficou perfeita lá fora, não acha?" — Arthur sussurrou, aproximando-se de Eloah enquanto observavam a movimentação.

​— "Cavalcante e Meirelles... Tem um som de justiça, você não acha?" — Ela sorriu, segurando a taça de champanhe. Ela usava um vestido de alfaiataria azul-marinho, exalando uma autoridade que fazia todos na sala se calarem quando ela passava.

​— "Tem som de destino, Eloah." — Arthur pegou a mão dela, levando-a até a varanda privativa da diretoria.

​Lá fora, as luzes do Rio brilhavam. Arthur se aproximou dela, o olhar mais suave do que nunca.

​— "Sabe o que meu pai disse quando soube da fusão?" — Arthur perguntou, rindo baixo.

​— "Que você estava cometendo uma loucura?"

​— "Não. Ele disse que, pela primeira vez na vida, o sobrenome Meirelles estava subindo de nível ao ser colocado ao lado do nome Cavalcante. Ele finalmente entendeu que você não era alguém que eu ia estragar a vida... você era a pessoa que ia salvar a minha."

​Eloah sentiu o peito aquecer. Ela olhou para o horizonte, lembrando-se da menina que chorava no nono andar em São Paulo.

​— "Nós conseguimos, Arthur. Construímos o nosso próprio prédio. Sem andares que nos separem."

​— "Exatamente," — Arthur concordou, puxando-a para um abraço firme. — "Deste andar em diante, só existe o topo. E eu não quero estar lá com mais ninguém."

​Eles se beijaram sob o luar do Rio de Janeiro, enquanto lá dentro, os convidados brindavam ao novo gigante do Direito. A história que começou com um elevador travado e um colar de ouro agora estava selada em letras de aço na fachada do prédio mais imponente da cidade.

​O veredito final havia sido dado: o amor, quando é real, sempre encontra uma brecha na lei do tempo para se tornar eterno.

​FIM