O Décimo andar
32 Epílogo: O Veredito da Felicidade
O desfecho dessa jornada não poderia ser em outro lugar senão onde tudo começou a se transformar: no aconchego da família. Mas agora, o cenário era a luz radiante do Rio de Janeiro e a paz de um ciclo que se fechou com perfeição.
A Visita e a Promessa
A viagem para visitar Ricardo e Marta em São Paulo foi diferente de todas as outras. Arthur e Eloah entraram no antigo prédio não mais como vizinhos, mas como o casal mais influente do país. À mesa, durante o café, Arthur colocou uma caixa de veludo sobre a toalha de renda de Marta.
— "Ricardo, Marta... cinco anos atrás eu pedi permissão para namorar a filha de vocês. Hoje, eu não peço permissão, mas a bênção para dar a ela o meu nome e construir uma família que nenhum tribunal poderá separar."
Ricardo limpou uma lágrima teimosa, enquanto Marta abraçava a filha. O casamento, meses depois, na Igreja da Candelária, foi o evento da década. Eloah caminhou ao altar sob o olhar de um Arthur que, pela primeira vez na vida, chorou abertamente ao ver sua "menina" tornar-se sua esposa.
Um Ano Depois: A Mansão na Barra da Tijuca
O sol da manhã entrava pelas imensas paredes de vidro da mansão no Jardim Oceânico. O som das ondas do mar, ao longe, misturava-se com um som novo, doce e vibrante: o balbucio de um bebê.
Arthur, vestindo apenas uma calça de moletom, estava na varanda do quarto principal, segurando nos braços a pequena Rebeka, de apenas seis meses. A bebê tinha os olhos prateados do pai e o sorriso radiante que era a marca registrada de Eloah.
— "Veja, Rebeka... aquele é o oceano," — Arthur sussurrou, beijando a testa da filha. — "Um dia você vai ser tão forte e indomável quanto ele, igual à sua mãe."
Eloah apareceu na porta, usando um robe de seda branca, observando a cena com o coração transbordando. Ela se aproximou, abraçando Arthur por trás e repousando a cabeça em seu ombro.
— "Ela já é indomável, Arthur. Especialmente às três da manhã quando quer mamar," — Eloah brincou, fazendo o marido rir.
Arthur se virou, envolvendo Eloah em seu braço livre, formando um círculo perfeito.
— "Você imaginava isso? Quando a gente se encontrava naquele elevador, com medo do mundo?" — ele perguntou, a voz carregada de emoção.
— "Eu sempre soube que o nosso destino era grande, Arthur. Eu só não sabia que ele seria tão bonito," — ela respondeu, estendendo o dedo para que Rebeka o segurasse com sua mãozinha minúscula. — "Olhe para nós. O Dr. Meirelles e a Dra. Cavalcante... rendidos por uma pequena de seis meses."
— "Eu me renderia mil vezes se o resultado fosse este," — Arthur admitiu, olhando para a mansão, para a carreira de sucesso e, finalmente, para as duas mulheres de sua vida. — "Sabe, meu pai me disse uma vez que eu estragaria a sua vida. Ontem ele ligou pedindo para ver a neta e admitiu que o maior erro da carreira dele foi ter subestimado o que nós dois poderíamos construir juntos."
Eloah beijou o ombro de Arthur, sentindo a paz que só a plenitude traz.
— "O passado foi o nosso melhor mestre, mas o presente é a nossa melhor sentença. Vamos entrar? Beatriz e Ricardo chegam para o almoço daqui a pouco e eu quero que a Rebeka esteja bem acordada para ver o vovô."
Eles caminharam para dentro da casa, deixando para trás o horizonte do Rio. Na mesa da sala, ao lado dos processos mais importantes do país, repousava um pequeno sapatinho de tricô e o antigo colar de ouro com o coração.
A história que começou entre andares de um prédio em São Paulo encontrou sua morada definitiva sob o sol carioca. Não havia mais processos a serem julgados, nem provas a serem produzidas. O amor de Arthur e Eloah era a prova final e irrefutável de que, quando o destino escreve o roteiro, nem o tempo, nem a distância, nem os medos podem mudar o ponto final.
O caso estava encerrado. E a felicidade era a sentença perpétua.
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