O Céu de Calebe
1 Minha Vida
Notas iniciais
Bem, antes de começar, quero dizer que minha vida atual tá melhor do que nunca! Consegui um lugar pra morar e finalmente conquistei o amor da minha vida, conquistei minha lady — como devem imaginar.
Enfim, vou contar como aconteceu essa história tão... Catastrófica que foi a infância, a minha infância.
Pois bem, tudo começou no fim do verão e a chegada do Outono. Lembro ainda como as folhas da Trilha da Floresta de Dentes que era a passagem de nossa tribo para o Reino Purple Eye, eu tinha sete anos antes de acontecer o que mudou minha vida por completo. Antes dela ter ido do topo para a miséria e vice-versa, sim, sou tão sortudo que me aconteceu duas vezes, estou aguardando ansioso a terceira.
Enfim, vínhamos da tribo: Alopex, que seria a famosa "raposa-do-ártico", vivemos no frio e por isso temos um porte mais... Como poderia dizer? Fortes? Não, não chegamos á ser de aparência bruta, mas temos físicos bons o suficientes para aguentar "de boa" o frio do ártico. Nossa característica que define quem nós somos, são nossos olhos e mãos. Somos a tribo "Alopex" por apresentar olhos doces quando vemos sangue sendo retirados de nossos inimigos no campo de batalha — somos uma tribo um tanto avançada. Nossas mãos são brancas e medianas, porém as mulheres de nossa raça já tem mais delicadas, em nossa tribo quanto menores forem, mais perigosas são. Minha sorte foi ter nascido com mãos de tamanho normal. Temos a pele branca como havia em nossa terra e olhos negros que firma ainda mais que temos sangue frio. Sim, eu já me odiei — ainda mais quando criança. Temos os cabelos compridos e enrolados, mas decidi cortá-los assim que foi decidido que iríamos para Purple Eye. Ficou bom, chamei bastante atenção pelo menos. Apesar de sermos tão brancos, ao menos conseguíamos tolerar o sol e o calor dos infernos que fazia assim que atravessamos a fronteira. A linha dela era clara, um lado neve e o outro terra, árvores e pássaros cantando.
Assim que soubemos, nós da família Eli, que havia grande abundância no Reino Purple Eye, minha mãe não pensou duas vezes em querer nos colocar em Áustria, nossa égua manchada e passar pela fronteira. Tínhamos tudo pra ir, menos a aprovação do nosso chefe, Maki, que queríamos que ficássemos não importa como. Como podem ver, sou muito esperto e entendi bem porque ele negava. Lembro de sua face se tornar vermelha como as manchas de Áustria naquela pele branca.
— Chefe Maki, eu sei o motivo do senhor não deixar, mas não se preocupe...
— Me preocupar? E você sabe é? — perguntou ele me interrompendo com uma expressão de que "sabe de nada moleque".
— Sim, senhor. Sei de tudo, mas não se preocupe com a minha mãe, eu vou cuidar dela e mantê-la solteira para tu. — falei com um sorriso animalesco que sabíamos dar, pra vocês entenderem melhor antes de pensarem em algo maligno e por em meu belo sorriso anomalias, pensem num sorriso largo travesso. Pronto, é esse.
O chefe ficou tão vermelho que minha mãe achou que ele iria desmaiar, porque num minuto ficou vermelho como Áustria e no outro a cor havia sumido, até a brancura de sua pele. Como se tivesse congelado, até que ele voltou a si dizendo:
— Não é isso. Sua mãe é uma das melhores arqueiras de nossa Tribo sem falar que é a que ensina as crianças, dá a educação que elas merecem. Como eu poderia deixa-la ir?! — falou firme e alto pra mim e, provavelmente, toda a tribo nos escutava. Até parece que iria cair naquilo. Minha mãe era bela como um cisne negro, notável e única. Mesmo assim, depois de tanta insistência — por parte dela — o chefe deixou. E assim partimos para minha vida nova.
Fale com o autor