O Cálice do Desejo e o Desmoronar de um sonho - 6ª
8 A Lista de Desejos - Final
Vários anos atrás
* * * Noruega — Tromsø — Hotel Union Royal * * *
Dite arrumava sua mochila.
Lune estava em cima da cama, deitado de lado e o olhava.
(Lune) – Tem certeza de que tem mesmo que ir?
Dite olhou para ele e sorriu.
(Afrodite) – Como eu disse, eu não poderia passar mais de uma semana, sinto muito.
Lune assentiu.
(Lune) – Sim, você havia dito isso... e os itens da sua lista de desejo?
Dite sorriu e balançou a cabeça em negativa, arrumando sua mochila disse.
(Afrodite) – Não se preocupe, eu já sabia que casar seria algo improvável, ainda mais com a vida de ser um cavaleiro.
(Lune) – O beijo também era improvável e ainda assim você o realizou.
Dite sorriu.
(Afrodite) – Sim, graças a você, mas casamento é bem mais complexo e além do mais, a vida de cavaleiro é solitária... não se preocupe, eu tenho plena consciência disso.
(Lune) – Qual a probabilidade de que se case no futuro?
(Afrodite) – Bom, a probabilidade é zero! Cavaleiros não se casam e eu serei um cavaleiro!
(Lune) – Claro que vai, não tenho nenhuma dúvida quanto a isso.
Dite sorriu.
(Lune) – Dite, como se sentiu nesses dias ao meu lado?
Dite sorriu sem jeito.
(Afrodite) – Para ser bem sincero, eu nunca imaginaria que esses dias seriam tão perfeitos!
Lune sorriu e se levantou da cama indo na direção dele.
(Lune) – Faço das suas palavras as minhas, Dite!
Lune tocou no rosto do Dite, nos cabelos, no sinal que ele tinha abaixo do olho esquerdo.
(Lune) – Eu nunca imaginei nada parecido em toda a minha vida, eu nem sabia que alguém como você pudesse existir, pensei que a perfeição era algo somente dos deuses, mas aqui está você, derrubando todas as minhas crenças...
Dite olhou nos olhos em tons de roxo do Lune.
(Afrodite) – Eu queria te agradecer por algo em especial.
Lune ficou prestando atenção.
(Afrodite) – Além de você, me ajudar com a minha lista em itens que eu não tinha mais esperanças em realizar, agradeço por você ter me respeitado todos esses dias em que estive ao seu lado.
Lune acariciava a lateral do rosto do Dite.
(Lune) – Dite, eu jamais o tocaria de outra forma, você me relatou que seu sonho seria se casar e se entregar para o seu esposo, eu não tiraria isso de você.
Afrodite sorriu tímido.
(Afrodite) – E sou grato por isso, por você me entender.
Lune aproximou os seus lábios dos dele e o beijou, com calma, com doçura, queria guardar o sabor a sensação em sua memória, queria relembrar do efeito eletrizante que isso causava no seu corpo, o aumento da temperatura, da necessidade de ar que o deixava ofegante. Ele terminou o beijo e os dois estavam ofegantes.
(Afrodite) – Pelos deuses...
Olhou nos olhos azuis-celestes do Dite e disse com um sorriso.
(Lune) – Eu precisava registrar o seu beijo na minha mente, Dite, não quero esquecer de nada!
(Afrodite) – Eu também não esquecerei.
Lune o olhou.
(Lune) – Vai se lembrar desses dias ao meu lado.
Dite sorriu.
(Afrodite) – Claro que sim, foram dias incríveis!
Lune sorriu.
(Lune) – Preciso te mostrar uma coisa.
Lune tirou do seu bolso duas lindas alianças cravejadas em esmeraldas e as colocou na sua palma da mão.
(Lune) – Essas alianças que eu comprei são feitas de esmeraldas, para lembrarmos que nos conhecemos vendo a aurora boreal juntos e mais importante, elas servem para me lembrar de que você é a pessoa quero me casar um dia. Eu seria essa pessoa para você, Dite?
Dite colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha.
(Afrodite) – Eu acho que sim.
Lune continuou.
(Lune) – Você me permite cumprir o seu último item da lista?
(Afrodite) – Lune, provavelmente nunca mais nos veremos, não posso pedir que faça isso por mim.
(Lune) – Dite, você não entende que eu não vou me apaixonar por mais ninguém? Eu nem sabia que eu poderia me apaixonar por alguém! Você despertou esse desejo em mim, no primeiro instante que eu o vi. Não percebe que é um sinal para mim de que você é único!
Dite ficou pensativo.
(Lune) – Se você de fato se sente tão bem ao meu lado quanto eu me sinto ao seu, vai me permitir te encontrar, não importa o tempo que demore, e eu vou realizar o seu sonho de se casar e viveremos juntos. Consegue imaginar realizando isso comigo?
Dite acenou que sim.
(Lune) – É só isso que eu te peço, você me disse ontem que se apaixonou por mim e eu me apaixonei desde o primeiro dia por você, precisamente no nosso primeiro beijo, nos demais beijos eu só aumentei mais essa paixão, você não?
(Afrodite) – Sim, eu também.
Lune pegou sua corrente e a tirou do pescoço, abriu e colocou as duas alianças no colar e o fechou, levantou a corrente para o Dite mostrando as duas alianças juntas.
(Lune) – Eu te prometo que vou encontrá-lo e nesse dia eu te entrego a sua aliança e depois poderemos nos casar.
Lune colocou a corrente no seu pescoço.
(Lune) – Eu nunca vou te esquecer, Dite. É uma promessa do meu amor por você.
Ele aproximou o seu rosto e o beijou para selar a promessa.
(Lune) – Ficaria feliz em me rever algum dia?
(Afrodite) – Sim, muito feliz.
AGORA
* * * Centro – Atenas, Grécia * * *
Hotel Primórdio – Restaurante — Terraço
Lune então se ajoelhou e pegando a mão direita do Dite colocou a aliança cravejada em esmeraldas e disse olhando nos olhos azuis-celestes dele.
(Lune) – Dite, aceita se casar comigo?
Dite ficou sem palavras olhando a cena do pedido de casamento na sua mente.
Lune se levantou e se aproximou do amado olhando o rosto de surpresa do Dite.
(Lune) – Por que ainda não me respondeu? A resposta é muito simples, não é?
Dite estava pensando qual seria a forma certa de dizer o óbvio!
(Afrodite) – A resposta é simples, mas não é fácil. Eu não posso me casar com você, Lune, eu sinto muito.
Dite tirava a aliança, quando sentiu seu corpo paralisar. Dite olhou chocado para o Lune.
(Afrodite) – Porque está fazendo isso? Usando o seu poder em mim?
(Lune) – Me desculpe por isso, meu amor, não posso permitir que faça isso.
Lune colocou a aliança de volta no dedo do Dite.
(Lune) – Dite, essa aliança é sua, meu amor. Eu a guardei por todos esses anos para que um dia eu pudesse te entregar, então não pode tirá-la. Entendeu?
Lune retirou o poder da paralisia de cima do Dite.
(Lune) – Te machuquei, amor?
Dite mexeu a cabeça sinalizando que não.
(Afrodite) – Por favor, não use mais isso em mim.
Dite respirou fundo.
(Afrodite) – Lune, eu não posso me casar com você por que eu já sou casado com...
Lune rapidamente tapou a boca do Dite.
(Lune) – Shiiii, não prossiga. Você não vai mais falar isso, entendido?
Dite ficou sem reação. Lune tirou a mão da sua boca e continuou fazendo o sinal de silêncio, para que ele não falasse.
Dite passou os dedos nos lábios que machucaram com a velocidade da mão do Lune na sua boca.
Lune o viu e se aproximou mais, dando um selinho nos lábios rosados do Dite.
(Lune) – Me perdoe, não tive a intenção de machucá-lo, meu amor.
Lune passou a mão na lateral do rosto do amado.
(Lune) – Por que está tentando estragar a nossa noite perfeita com assuntos irrelevantes?
(Afrodite) – Meu casamento não é irre....
A mão que Lune estava acariciando o rosto do amado, rapidamente ele a abriu e apertou com força o rosto do Dite como forma de repreender. Com os olhos em fúria disse friamente.
(Lune) – Ninguém vai estragar a nossa noite perfeita! Entendeu.
Dite em choque o olhava sem reconhecer.
Lune retirou sua mão e as marcas dos dedos ficaram marcados no rosto do Dite. Ele se aproximou e beijou os dois lados.
(Lune) – Olha o que você está me obrigando a fazer, meu amor.
Lune olhou nos olhos assustados do Dite, acariciou o rosto onde estavam as marcas.
(Lune) – Sua pele é delicada, Dite, não deve ser tocada assim...
Aproximou os lábios no do Dite e falou enfático.
(Lune) – Portanto não me obrigue a fazer isso de novo!
Dite piscava para saber se de fato estava acontecendo isso.
(Lune) – Não se preocupe, meu amor, temos uma noite agradável pela frente e nada e nem ninguém irá nos atrapalhar.
Lune ofereceu a mão para o Dite que hesitou em pegá-la, mas acabou pegando.
(Lune) – Vamos jantar, meu amor. Temos muitos planos para fazer ainda e muitos assuntos para colocarmos em dia.
Ambos saíram do terraço e foram em direção as mesas do restaurante.
* * *
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