* * * Centro – Atenas, Grécia * * *

Hotel Primórdio – Térreo — Camarim

Atena

Eu estava sentada, enxugando as minhas lágrimas quando senti que o camarim foi tomado do cheiro mais delicioso de todos, lírios e com ele o cheiro de maçã verde e sândalo. Levantei o olhar e vi no mesmo lugar surgir os dois amores da minha vida. Em segundos Mu desapareceu, me deixando sozinha com o meu imponente cavaleiro de 1,88m de altura e de longos cabelos azuis, seus olhos azuis estavam me olhando com preocupação. Eu me levantei e corri na sua direção, coloquei meus braços em volta do seu pescoço. Ele me abraçou forte, me levantando do chão, eu coloquei a minha cabeça no seu ombro na direção da sua cabeça, encostei meu nariz no seu pescoço. Sentindo seus braços fortes ao redor de mim eu senti o cheiro delicioso da sua pele. Como eu amava esse cheiro delicioso! O abraçava de volta apertado. Como eu precisava disso!

Chorei nos seus braços. Escondi meu rosto no seu pescoço, precisava liberar toda a dor da perda guardada no peito. Ele passava a mão nas minhas costas, me acalentando em seus braços quentes. Depois de um tempo assim, abraçada, recebendo carinho, eu estava mais calma, mas me recusava a sair dos seus braços. Fechei os olhos aproveitando todo o conforto que ele me proporcionava. Com a minha cabeça no seu ombro, sussurrei.

(Atena) – Eu preciso tanto de você...

Ele me abraçou mais forte.

(Kanon) – Eu estou aqui, princesa. Você quer que eu a leve embora?

Respirei fundo.

(Atena) – Era tudo o que eu queria, mas não posso fazer isso com o Julian, ele está me esperando a muito tempo, não seria justo com ele.

Ele me desceu dos seus braços, o olhei nos olhos, passei a mão no seu rosto. Aproximei os meus lábios e o beijei.

(Atena) – Obrigada por estar aqui, eu não sabia que precisava tanto de você como eu precisei.

Ele puxou um sorriso e me deu um selinho.

(Kanon) – Eu precisava igualmente de você.

Eu tinha que perguntar.

(Atena) – Estou preocupada com o Saga, como ele está?

(Kanon) – Não se preocupe, eu o mandei de volta para a mansão, ele vai ficar bem, dentro do possível, é claro! Ele tem muito o que pensar.

De fato tínhamos muito o que processar desse assunto ainda...

(Atena) – Fico mais tranquila. Obrigada.

Sentando de volta para a frente do espelho, rapidamente fiz uns retoques com a maquiagem para amenizar o rosto depois de tanto choro. Virei ficando de frente para ele e perguntei:

(Atena) – Melhorou?

Ele me olhou e sorriu e que sorriso!

(Kanon) – Está linda como sempre!

Sorri.

(Atena) – Acho que seus olhos já estão comprometidos pela nuvem do amor, cavaleiro.

Ele se aproximou e colocou suas mãos na minha cintura e me olhando disse com um sorriso.

(Kanon) – Não tenho culpa de ter me apaixonado pela mulher mais linda que conheci.

Dei um beijo nos seus lábios.

(Atena) – Te amo tanto.

(Kanon) – Te amo mais, princesa.

Com relutância eu me afastei.

(Atena) – Tenho que ir.

Ele percebeu.

(Kanon) – Não se preocupe, o evento já está acabando.

Concordei. O olhei mais uma vez.

(Atena) – Obrigada, meu amor.

Saí do camarim e fui recepcionada pelo Julian que se levantou e me ofereceu a sua mão e eu coloquei a minha mão sobre a dele e recebi um beijo no dorso dela.

(Julian) – Está tudo bem, Saori?

Falei sem jeito.

(Atena) – Sim, mas eu lhe devo desculpas por fazê-lo esperar tanto!

Ele soltou um sorriso gentil.

(Julian) – Não se preocupe, o importante é que agora estaremos juntos, podemos?

(Atena) – Sim, podemos.

Fomos em direção ao elevador. Iríamos para o terraço.

Hotel Primórdio – Cobertura — Restaurante

(Shaina) – Olha quem resolveu voltar!

Shaina de braços cruzados e pernas cruzadas olhava o Milo se aproximar, ele puxou uma cadeira desabotoou o terno e se sentou. Olhando para a mesa disse:

(Milo) – Me desculpe pela demora.

Ela balançou os pés e disse irônica.

(Shaina) – Quem diria que você seria liberado! Ela te deu quantos minutos de liberdade??? Cinco talvez?

Milo respirou fundo e a olhou, ela estava zangada. Ele falou com calma.

(Milo) – Você melhor do que qualquer pessoa aqui sabe que não existe isso de tempo! Meu tempo é cem por cento da deusa Atena! Assim como o seu também é!

Ela resmungou.

(Shaina) – Ela não tem só a você, Milo! Ela pode perturbar mais onze cavaleiros! E é exatamente isso que não entra na minha cabeça!!

Ela descruzou os braços e as pernas e se aproximou mais da mesa para falar mais perto.

(Shaina) – Não percebe o quanto estou puta com tudo isso??? Me explica o que é que eu vou fazer aqui com você??? Se eu vim aqui apenas para transar com você e isso é exatamente o que você me diz que eu não posso fazer!

Milo colocou um pouco de vinho na sua taça e bebeu o líquido em apenas um gole. Mantendo seu olhar na taça respondeu.

(Milo) – Você sabe o porquê eu não posso fazer isso...

Ela voltou a cruzar os braços e puxou um sorriso sarcástico.

(Shaina) – Porque você está noivo.

Ele acenou que sim.

Ela colocou vinho na sua taça e bebeu em um único gole. Balançando a cabeça em negativa disse sorrindo.

(Shaina) – Isso só pode ser uma grande piada de mal gosto!

Ela o olhou e se levantou.

(Shaina) – Eu não vou ficar aqui sentada vendo a minha noite ser arruinada pela a Atena e a sua noiva! Levante-se, quero dançar.

Milo se levantou, fechou o botão do terno e ela o olhou por completo. Ele ofereceu a sua mão e ela o aceitou. Foram em direção ao salão onde poucos casais estavam.

Ela ficou de frente para ele, se aproximou até o seu corpo colar no dele. O olhou nos olhos e aproximando os seus lábios dos dele, sussurrou.

(Shaina) – Dança comigo, Escorpião...

Eles começaram a dançar lentamente, ela aproveitava e deslizava as mãos suavemente por todo o corpo dele. Mordiscou a sua orelha e falou baixinho.

(Shaina) – Quero te deixar cheio de tesão, Milo!

Ele olhou nos olhos dela.

(Milo) – Por que está fazendo isso? Eu já disse que não posso!

(Shaina) – É, eu já ouvi isso, mas não é justo que só eu fique com tesão aqui! E além do mais, se você ficar com muito tesão, talvez não pense tanto na sua noivinha...

Milo aproximou seu rosto do dela e disse com um sorriso puxado.

(Milo) – Se eu ficar com muito tesão vou ter que chamar a minha noiva para resolver o meu problema, não entendeu isso?

Ela se afastou dele.

(Shaina) – Já chega! Quero ir logo para a mansão! Não faz sentindo nenhum eu ficar nesse evento cheia de tesão em você e além do mais...

Ela puxou a gravata preta dele fazendo o rosto dele se aproximar do seu e disse com um sorriso malicioso.

(Shaina) – Quero muito conhecer essa sua noiva que você insiste tanto em dizer que tem!

Ela deslizou a língua nos lábios dele.

(Shaina) – Por que se eu não conhecer a sua noiva ainda hoje, eu garanto que vou te amarrar na minha cama e vou passar a noite inteira cavalgando em você! Até você me implorar que eu pare!

(Milo) – Ah, caralho!

Ela soltou a gravata e pegou na mão dele.

(Shaina) – Vamos!

*

O elevador abriu, o Julian me ofereceu seu braço e eu coloquei a minha mão nele, saímos em direção as mesas.

(Atena) – Quero agradecer por estar sendo tão gentil apesar de todos os problemas que surgiram essa noite!

Ele beijou a minha mão.

(Julian) – Não entendeu que nada me faria desistir de esperá-la?

Sorri sem jeito.

(Julian) – Infelizmente, nosso prato principal esfriou, mas posso solicitar outro sem problemas.

Sem jeito respondi.

(Atena) – Não se preocupe, por favor, para ser bem sincera não estou com tanta fome estou mais interessada na sobremesa, se não se importar.

Ele sorriu.

(Julian) – Eu concordo, tenho certeza de que a sobremesa irá surpreendê-la.

O que os meus olhos viram, fizeram eu parar de andar na hora, fui surpreendida, mas não foi pela sobremesa, olhando em direção ao salão vi o que só podia ser alguma alucinação. A Shaina estava puxando a gravata do Milo e em segundos deslizou a língua toda nos lábios dele, depois o soltou pegou a mão dele e vinham na nossa direção.

Eu tive que respirar fundo, não podia perder a calma, mas eu sentia que ela estava me abandonando.

(Atena) – Julian, podemos esperar um instante, por favor, preciso resolver uma situação.

Julian respondeu alguma coisa que não faço ideia do que seria, porque toda a minha atenção ficou voltada para os dois que se aproximavam. Soltei o braço do Julian, fiquei de costas para ele, dei uns passos para a frente e cruzei os meus braços e fiquei de frente para os dois.

(Atena) – Shaina, que surpresa, não sabia que estava aqui.

Ela me olhou fez uma pequena reverência.

(Shaina) – Atena.

Ela se ergueu.

(Atena) – Estão de saída?

(Shaina) – Hãm, sim estamos voltando para a mansão, já estamos cansados.

Eu olhei para o Milo.

“(Atena) – Pode me explicar o que está acontecendo, Milo? Eu a vi claramente deslizando a língua dela na sua boca!!”

“(Milo) – Ai, caralho! Olha, eu não sei nem por onde começar, Linda! A Shaina veio aqui porque estava com saudades de mim e... ah, merda! Ela está tentando transar comigo! É isso!”

Surpresa nenhuma! É claro que ela quer!!! Quem não queria?

“(Milo) – Mas eu juro que não fiz nada!”

“(Atena) – Eu acredito em você, Milo, mas por amor a sua deusa, solta a mão dessa mulher agora!!!”

Ele soltou a mão dela e ela olhou feio para ele sem entender o porquê de ele ter soltado.

Respirei fundo, tinha que manter minha voz calma.

(Atena) – Shaina.

Chamei o nome dela para fazê-la olhar para mim.

(Atena) – Eu não me lembro de ter autorizado a saída do Milo deste evento. Se você está cansada, posso providenciar um taxi para você, mas o Milo não sairá desse hotel!

Ela fechou a cara e logo deve ter percebido porque tentou fazer uma cara de paisagem em seguida.

(Shaina) – Atena, eu entendo, mas como ficariam outros onzes cavaleiros para protegê-la, eu pensei que não se importaria em o Milo me fazer companhia, até porque eu não saberia onde ficar naquela mansão.

Eu sei bem onde você quer ficar! No quarto do Milo!

Fingi um sorriso.

(Atena) – Nisso você tem razão, um cavaleiro a menos não seria um problema, não é?

Ela ficou surpresa e o Milo assustado.

(Milo) – Atena, com todo respeito eu acho que não é uma...

Interrompi.

(Atena) – Eu vou repetir Milo, você NÃO sai desse hotel sem a minha presença. EU te quero aqui!

Ele respirou aliviado e fez uma reverência.

(Milo) – É claro, Atena.

Shaina ia falar alguma coisa quando meu lindo cavaleiro apareceu fazendo uma reverência para me salvar de fazer besteira!

(Shaka) – Me chamou, Atena?

(Atena) – Sim, Shaka, preciso muito de um favor.

“(Atena) – Meu amor, pela minha sanidade mental, leve a Shaina para longe daqui, para a casa oeste!”

Ele puxou um sorriso.

“(Shaka) – É claro, meu amor!”

(Atena) – Poderia levar a Shaina para a casa oeste na mansão Kido? Ela não sabe onde fica, não quero que ela se perca na propriedade.

(Shaka) – Sim, Atena.

Ela olhava demais para o Shaka para o meu gosto.

(Atena) – Quero que retorne o quanto antes, Shaka, preciso de você aqui.

(Shaka) – Retorno o mais rápido possível.

Olhei para a Shaina que estava possessa.

(Atena) – Em questão de segundos poderá descansar! Tenha uma excelente noite, Shaina!

E em segundos os dois sumiram. Olhei para o Milo que respirou fundo.

(Milo) – Obrigado, Atena.

Me aproximei dele, e de fato ele estava muito gostoso nesse smoking, comecei a arrumar a gravata dele que a outra ousou tocar.

(Atena) – É impressionante o imã que você tem para esse tipo de situação, Milo.

Ele aproximou a boca no meu ouvido.

(Milo) – Eu juro que só tenho olhos para você, minha deusa.

Me deu uma mordiscada me fazendo arrepiar. Era melhor eu me afastar, ou não responderia por mim.

“(Atena) – Para o meu bem, evite contato com as mulheres pelo resto da noite!”

Ele sorriu com aquele sorriso de menino travesso.

“(Milo) – Vou tentar.”

O Milo foi em direção as mesas.

Meu lindo Shaka tinha voltado, me virei para ele e o agradeci.

“(Atena) – Obrigada, meu amor! Salvou sua deusa.”

Ele sorriu.

“(Shaka) – Disponha, meu amor!”

Ele se teletransportou.

E só aí percebi que tinha me esquecido com-ple-ta-men-te do Julian, me virei sem jeito na sua direção.

(Atena) – Hãm, me desculpe pela situação que presenciou.

Ele arrumava os punhos da sua camisa social e me falou sério.

(Julian) – Não pude deixar de notar que você é requisitada em demasiado para resolver demandas e situações criadas pelos seus cavaleiros.

Ele olhou para mim.

(Julian) – Se fossem da minha equipe, eu já os teria demitido por tamanha imperícia.

Ele puxou um sorriso.

(Julian) – Mas isso não é da minha alçada, foi apenas uma observação franca sobre seus subalternos, Saori.

Ele pegou a minha mão e beijou o dorso dela.

(Julian) – Podemos?

Ele me ofereceu o seu braço e eu coloquei a minha mão nele.

(Atena) – Sim.

Essa situação abriu o meu apetite.

* * *

Notas finais
Continua...