O Cruzar das Espadas
2 Capítulo 2 - Nirvana
Nirvana corria por dentre os troncos que tombavam como se tivessem realmente a intenção de machucá-la. No entanto, seu medo de ser encontrada era tanto que sua voz não se manifestaria em um grito de pavor.
–Nirvana! –ela ouviu uma voz conhecida chamá-la, mas não atreveu a parar Domenica, a égua da qual se apossara durante a fuga, até ser forçada a fazê-lo quando o corcel negro bloqueou seu caminho.
–Acidália, pra onde...? –mas Acidália, adivinhando a pergunta, respondeu antes que a mesma fosse completada:
–Há um vilarejo fantasma, dois dias daqui a cavalo, e é pra lá que iremos.
–O quê? –indagou Nirvana, checando o único pedaço de mapa que restara em sua mochila. –Lá é Hiperbórea! –Acidália pareceu não compreender a gravidade de dirigirem o grupo sobrevivente para aquele local, então Nirvana, um pouco impaciente, apressou-se a explicar, temendo uma decisão errada da líder. — Hiperbórea não é um vilarejo fantasma, mas sim um vilarejo morto! Os moradores faleceram com o mal da peste há vários milênios e desde então seus poltergeists vagam soltos...
–Sério que você acredita nessas histórias de terror? –perguntou Silena, intrometendo-se, portanto, divertida. –Sua mãe devia contar isso para você não fugir de casa.
–Não, eu...-falou agoniada, tentando mais uma vez, impor o que sabia, mas foi interrompida por um suspiro incrédulo e irritado de Acidália que a fez se calar.
Por que Acidália precisava ser tão impaciente e prepotente? Pra isso, Nirvana já não possuía resposta.
Acidália disparou com o corcel novamente e Nirvana viu-se sozinha em meio ao canto dos grilos. Aparentemente, o barulho da batalha cessara e a impressão de que os que se atrasaram não tiveram a menor chance lhe dava calafrios na espinha.
Por um momento, hesitou em continuar, mas os barulhos dos animais selvagens agitaram a égua, e a ela mesma, o que a forçou trotar na direção para qual o vilarejo estava localizado, a caminho de vários quilômetros e dias mantendo aquele mesmo ritmo.
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