O Corvo

12 Capítulo 11 - Sequestro


As pessoas do Vilarejo estavam em partes destintas fazendo coisas diferentes. Mas a todas elas podia-se dizer que estavam apenas vivendo suas vidas monótonas e sofridas. Elas estavam sempre à espera... À espera de um milagre, de que algo acontecesse. De que alguém as salvasse daquele inferno. E exatamente quando o sol estava no centro do céu, ou seja, na metade do dia, algo aconteceu. Avistou-se uma figura negra, usando a máscara respiratória, um chapéu, botas, cinto de guardar facas, calças, blusa com manga que chegava até as mãos e nestas, luvas.

No mesmo instante reconheceram que era aquele que tanto causava polêmica. Uns diziam que era um salvador, outros que era apenas um lunático exageradamente esperançoso, havia opiniões distintas sobre ele. Também era conhecida sua ajudante, aprendiz, companheira, namorada, ou seja, o que for que ela foi dele. Mas nem todos davam muita importância a ela. Eles não sabiam que se não fosse por ela, o Corvo não teria forças para continuar, que ela era a fonte de inspiração dele.

Curiosos para ver qual seriam as próximas palavras e ações dele, aglomeraram-se no Centro do Vilarejo, onde ele havia subido ao palco e sua companheira estava ao seu lado. No início estavam todos calmos, querendo saber o que o homem de preto iria falar. Assim que uma boa parte das pessoas chegou até ele, começou:

— Caros habitantes do Vilarejo do Oeste, como sabem eu sou aquele que chamam de Corvo, cujo objetivo é aniquilar a podridão deste lugar. Eu não desejo o mal para vocês, inocentes pessoas do povo. Eu apenas desejo oferecer ajuda Amanda entregou-lhe um cartaz que ele abriu exibindo-o, onde estava um retrato-falado do Corvo e Amanda, escrito PROCURADOS RECOMPENSA DE 70 MOEDAS. E é assim que alguns de vocês me retribuem?! Vocês realmente acreditam que essas moedas vão salvar suas vidas?! Se acabarmos com o Gubner, não haverá mais fome nem mortes desnecessárias! A pergunta é: de que lado vocês estão?

Como resposta, obteve um murmúrio.

— Do seu, Corvo! um deles gritou.

— Você é nosso herói! outro concordou.

— Juntos contra o Gubner! disse uma voz feminina.

Até então, tudo estava sob controle e o planejado e até mesmo o lógico. Mas foi preciso apenas uma palavra para destruí-lo. Destruir as forças do Corvo e a sua esperança.

— Mentiroso! essa foi a palavra. Pronunciada por uma das pessoas ali reunidas.

Corvo não pôde ver quem havia feito. Mas foi neste momento que começaram os outros.

— Traidor, se você está contra o Gubner, então está contra nós!

— Assassino! Vai matar a todos nós assim como mata os homens-da-lei!

— Morte ao Corvo!

E assim continuaram as acusações. Mas também o defenderam:

— Isto é um absurdo! Não falem besteiras! – a voz de um idoso que se manifestou.

— Vocês perderam a cabeça... outro os reprovou.

Mas isso não impediu que fizessem o que alguns fizeram.

Começam a atirar coisas num Corvo absolutamente perplexo por conta das pessoas que estão contra ele. Pedras, comidas podres, e até areia do solo. Amanda também está espantada com aquela atitude contra a revolução. Ela não pode deixá-lo ser apedrejado, então o puxa para fora do palco. Porém ele mal se move. O maior pesadelo dele havia acontecido: as pessoas estavam contra ele. Até que finalmente uma das pedras o faz voltar ao presente, a pedra que atinge a sua perna. Ele não demostra dor, mas parece estar mais consciente. Amanda também é atingida, porém na cabeça e desmaia.

Algumas pessoas aproveitam a situação, e puxam o corpo caido dela. Logo começam a brigar para decidir quem ficará com ele. Enquanto isso, o restante da população está tentando deter os agressores do Corvo, e este está tentando alcançar Amanda, porém os rebeldes o impedem, puxando-o. Em uma atitude desesperada, Corvo saca de seu cinto duas facas que segura em cada mão. A multidão afasta-se dele, mas já é tarde. Amanda foi pega por um deles que segurava uma pistola e apontava para as pessoas.

Corvo imediatamente reconhece seus olhos negros e raivosos pelos sofrimentos, tendo num deles uma cicatriz, pele bronzeada, e compridas sujas unhas, que mais se assemelhavam a garras de aves. Porém desta vez, não usava uniforme e sim uma roupa rasgada comum para uma pessoa do povo. Philip, aquele de quem Corvo uma vez teve piedade e o deixou viver, agora estava infiltrado em meio à multidão apontando a arma contra ele e segurando o pescoço de uma Amanda desmaiada com a outra mão.

— Prezado Corvo– Philip começou – a piedade é algo que não pertence a nossa época. Ela é uma arma que pode ser usada contra você. Espero que algum dia me perdoe – falou, porém com nenhum rastro de remorso na voz.

Em seguida, ele atirou em seus pés, incapacitando-o de prosseguir. Corvo tentou andar, mas a dor não permitia. Cedeu e caiu ajoelhado no chão, tentou arrastar-se, mas não chegou muito longe. A população apenas observava-os com reações diferentes: espanto, curiosidade, confusão, medo. Ninguém ousou desafiar o homem que carregava a pistola. Então ele prosseguiu segurando Amanda e entregou-a para outro homem que o esperava em uma carruagem levada por cavalos. Para uma breve encenação, o homem entregou a quantia de dinheiro proposta pelo Gubner. Ele saiu na carruagem junto ao corpo inconsciente que foi deixado na carruagem que tinha grades, que rapidamente foi levada pelos cavalos e o homem-da-lei.

Corvo ainda tentava arrastar seu corpo até Philip, mas ele já havia partido. Logo a atenção de todos voltou-se para ele. Rapidamente apontou as facas para todos. Tentaram lhe atacar, alguns empediram-nos, outros conseguiram e foram recebidos com facadas. O sangue espirrou neles e foi o suficiente para fazê-los desistir. Uma das pessoas, um jovem fez sinal para que ele abaixasse as armas brancas e aproximou-se. Segurou-o pelo braço e ajudou-o a locomover-se. Outro viu seu exemplo e juntou-se. Em pouco tempo, várias pessoas demonstraram apoio a ele, auxiliando-o a sair dali. Depois que estava afastado da maioria, juntaram-se formando um círculo em volta dele que estava sustentado pelo rapaz que o segurou por primeiro.

— Corvo, estamos do seu lado! – falou o jovem que tinha o cabelo claro, quase branco.

— Eu agradeço a ajuda. Mas saibam que eu vou vingá-los. Acabarei com o Gubner algum dia, eu prometo!

As pessoas envolta dele gritaram em concordância e esperança.

—Eu quero que saibam mais uma coisa: o tumulto não foi iniciado pela população, mas sim por homens que trabalham para o Gubner assim como aquele que entregará minha parceira para ele. Ou seja, vocês foram enganados, talvez nunca pagasse os que colaborassem com ele.

Eles se surpreenderam com aquela informação.

— Agora, se me permitem, eu preciso partir.

Montou no cavalo mais próximo ajudado por aqueles que estavam do seu lado. E sem delongas, foi-se. Como o combinado, ele andou até as montanhas no Sul. Levando consigo os suprimentos que salvaram de seu antigo lar. E lá conseguiu sobreviver por um bom tempo até sua próxima aparição.


***


Philip não tinha escolha. Um lado seu estava sentindo culpa por ter feito o que fez, enquanto o outro sentia orgulho. O lado da culpa, dizia a ele que não devia fazer aquilo, pois Corvo foi o homem que o deixou viver tendo a oportunidade de matá-lo, e o outro lado dizia que agora ele seria o homem-da-lei mais privilegiado de todos, visto que contraiu a simpatia do Gubner e agora havia conseguido raptar Amanda, a fiel companheira do Corvo. Mas de uma coisa estava certo: ele lhe havia retribuido o favor deixando Corvo vivo, ja que poderia tê-lo matado quando deu os tiros, porém atirou apenas em suas pernas impedindo-o de se mover. Pensava tudo isso no caminho para o palácio do governador sentado na parte da frente da carroça junto ao homem-da-lei que o conduzia. O mesmo que o havia acompanhado até a caverna do Corvo havia um tempo. A mulher estava atrás, numa espécie de jaula grande o suficiente para um ser humano. Só lhe restava saber o que o Gubner faria com aquela pobre coitada.

Chegaram lá após um tempo no deserto. Os homens-da-elite abriram os portões e eles passaram já com Amanda amarrada nos pés e mãos, e aos poucos acordando. Caminharam até a sala principal do Gubner.

— Olá, olá! Sejam bem vindos! Vejo que trouxeram uma visita – ele sorria, como se tivesse acabado de ganhar um prêmio na loteria, mas havia uma profunda malícia escondida em seus olhos. – Quem diria?! A acompanhante do pássaro negro!

Amanda estava acordada na frente dele ajoelhada e não tinha como reagir estando presa. O único que pode fazer foi cuspir em sua face. Ele limpou e aumentou o sorriso, como se estivesse satisfeito em vê-la irritada. Os dois homens-da-lei incluindo Philip estavam prestes a intervir, porém Gubner fez sinal de que estava tudo bem.

— Como está sua mão? disse em tom de provocação.

— Ah, você quer dizer a lembrança que o pássaro me deu?! –ele mostrou a mão que Corvo lhe feriu com a faca, tirou o tecido que a amarrava para exibir a cicatriz: foi um corte profundo praticamente atravessando a mão e causando uma cratera na pele. – Bem, isto não é importante. O que importa é que agora eu tenho o meu troco. Homens, estou muito satisfeito com vocês! Principalmente você, jovem Philip. Por ter exercido sua função como homem-da-lei e ter se destacado dos outros disse sem preocupar-se com os sentimentos do outro que estava do seu lado. Por ter planejado e executado sozinho o plano de acabar com o Corvo, provocando a população para ficar contra ele, infiltrando-se como um deles e detonando assim psicologicamente o principal inimigo do governo, eu lhe promovo para homem-da-elite!

Philip teve que ter muito autocontrole para não pular de alegria na frente do Gubner, seu colega e a prisioneira. Aquele significava um enorme progresso: além do título, havia as armas bem mais potentes, funções mais importantes, realização de um sonho e um salário mais alto.

—Estou extremamente grato, meu Senhor ele conteve a euforia.

— Ótimo. Vá pegar seu uniforme e armamento com os outros. Deixem-me só com esta vadia

Philip queria perguntar a ele o que faria com Amanda, mas não queria correr o risco de perder o novo cargo. Saiu junto de seu colega calado.

Vamos ao começo. Qual o seu nome mesmo?

— Amanda Jones. Não vejo como isso pode ser...

— E como o Corvo lhe chamava? Jones? ele a interrompeu. Ela não respondeu, apenas olho-o furiosa. Eu lhe chamarei assim, ou se preferir pode ser vadia, qual prefere?

—Amanda! – ela disse.

Muito bem, Jones. Você o ama certo? Responda apenas sim ou não.

— Isto é um interrogatório? Você está a tempos tentando me capturar para fazer um...

— Sim ou não! ele gritou.

— Sim! ela gritou de volta.

— Ele já disse que te ama?

— Não.

—Interessante... Será um amor não correspondido ou um espírito vingativo que não se deixa amar?!

— O que você sabe sobre amor, governador sádico?

— Muito pouco. Ou até nada. Nunca amei ninguém. Nem meus pais! Mas foram eles que me ensinaram a ser assim: um verdadeiro vencedor! – falou a palavra sentindo prazer. – Por que você acha que ele nunca falou que te ama? Por que ele prefere ser um vencedor, a ser um apaixonado. Ele tenta me vencer assim como tenta não lhe amar. Mas agora eu o ganharei! Afinal, tenho a melhor arma que poderia: você!

Soltou uma gargalhada baixa e que soava o orgulho devido ao fato de ter ela como arma. O sentimento de Amanda passou de nojo para pavor.

— O-o que você vai fazer comigo? – perguntou gaguejando.

Ela não queria demonstrar, mas suas pernas e suas mãos tremiam.

— Não se preocupe, só vou jogar com você!

Os olhos dele brilhavam como ela nunca havia visto. E foi então que ela que percebeu o objetivo dele não era matá-la para provocar o Corvo. Pelo visto, ele era bem mais inteligente. Iria aprisioná-la e provavelmente torturá-la para dizer a localização dele ou pior: atraí-lo.

Notas finais
Não sei se me sinto infeliz ou aliviado! Mas o fato é que pelos meus cálculos faltam em média uns quatro capítulos para terminar. Triste né? hehe enfim, espero que tenham gostado deste e o próximo vou logo avisando que é preciso ter estomago para ler! Por que vai ter torturas físicas, psicológicas e estou pensando em até mesmo sexuais :D bom comentário! Obs.: falta uma fiel leitora e comentarista desta fic, a bela Thais comentar o capítulo anterior! Da próxima vez que alguma fiel leitora e comentarista não comentar vou avisar que não posto, ok? Abçs!