- Ela está segura, garoto. Volte para as suas bonecas.

- Sam, não faça isso... Venha aqui, agora!!!

- Você não manda em mim.

- SAM, ESTÁ LOUCA?!! VOCÊ NEM MESMO CONHECE ESSE CARA!!!

- ME DEIXE EM PAZ, FREDDIE! Gritou, e virou-se junto ao homem em direção a van da banda.

- Não!!! Correu em direção até ela, mas o ardor em sua barriga o fez parar, deixando-o de joelhos. O homem limpou a faca em sua calça e sorriu, gesticulando para que Sam continuasse a andar.

A loira olhou para Freddie com uma preocupação desesperadora em seus olhos, mas seguiu em frente. Afinal, quem era Freddie Benson para dizer a ela para não fazer algo? O moreno fechou as duas mãos em seu pequeno sangramento e esvaziou-se de lágrimas, conforme a porta daquela van se fechava. Ele tinha certeza... Certeza da sensação que estava vendo Samantha com vida pela ultima vez.

Gemeu em frente ao espelho de seu banheiro, tocando de leve na gaze e chiando com a ardência do remédio. Por sua sorte, o corte não havia sido profundo, mas aquela não era a preocupação de Freddie. Ligaria para o celular dela, mas ela havia deixado a bolsa em seu carro, e ele olhava suas fotos com lágrimas embaçando sua visão. Não tinha coragem de avisar a alguém sobre o acontecido. Faziam-se exatamente quatro horas desde o desaparecimento de Sam, e aquilo perturbava sua mente de modo enlouquecedor. “Foi culpa minha. Tudo culpa minha.” Repetia em sua mente, enquanto remexia-se na cama, pensando no pior. Tudo o que ele mais queria era ver aquele sorriso maligno outra vez... Abraçar seu corpo... Beijar seus lábios doces e carnudos. Fez um punhado de remédios em sua mão e engoliu todos de uma vez, forçando-se a dormir. Talvez, dormir para sempre.

Um gemido gélido cortou o sono do moreno, e ele levantou tonto pelos entorpecentes. Sua vista estava embaçada, mas ele conseguia ver. Cachos loiros apoiados sobre a pia de seu banheiro, e aquilo o livrou de qualquer tontura imediatamente. Saltou e caminhou até o banheiro, porém seus pés travaram na porta ao encará-la pelo espelho.

Seus olhos estavam avermelhados, como se algo ardente houvesse caído sob eles, as mãos fincadas na pia como se precisasse de controle. Encarava o espelho com um olhar desfocado, de sua boca esvaia o som mais horripilante que Freddieward já ouvirá. Era como se duzentos pregos estivessem rasgando a garganta dela. Puxava o ar seqüencialmente com dificuldade e seu queixo estava borrado por algo vermelho. Sangue.

- Sam... Os olhos dele se apertaram em lágrimas e ele correu até ela, virando-a para si. Estava em um estado deplorável, com as mãos e pés arroxeados, seu tom de pele mais branco que o normal. – O que... O que eles fizeram com você, Sam? A loira segurou os ombros do amigo e revirou os olhos em agonia, deixando o ruído ainda mais perturbador. – Meu Deus, olha pra mim, meu amor. Olha aqui. Sou eu. Seu Freddie. Eles... Te tocaram? Disse, olhando em seus olhos e examinando-a em cada detalhe. – Por favor, me responda algo!

Sam girou o pulso em um ultimo grito de agonia e seus joelhos tornaram-se fracos, fazendo-a cair aos braços de Freddieward, junto ao chão. Por mais que ele chamasse seu nome, ela não parecia ouvir. Não parecia estar neste mundo. Parecia estar numa realidade totalmente aleatória e catatônica. Desistiu de tentar acordá-la quando ela levantou-se e ajoelhou-se, apertando a própria garganta com as duas mãos.

- Você quer vomitar?!

O rosto dela abaixou-se exageradamente, de modo que seu queixo tocava seu peito. Sorriu por baixo dos olhos, monstruosamente, mostrando que seus dentes também estavam sujos de sangue, e um liquido saiu de sua boca, inundando quase todo o chão e sujando o rosto e o corpo do garoto. Não havia sido vomito. Não havia sido nada que ele já virá alguém expelir. Foi quase como um jato forte e morno, preto como graxa e viscoso. Pesado. Os olhar da moça apertou-se em uma expressão melancólica e ela levantou-se, correndo e jogando-se para fora da janela do moreno. Ele queria ter ido atrás dela, queria ter lhe perguntado sobre tudo aquilo, queria cuidá-la. Mas os segundos atrás o haviam deixado completamente imóvel e histérico. Era como se o liquido houvesse criado raízes que o fincavam no chão. Se consideraria sortudo se conseguisse ao menos piscar. Estático. Era como ele se encontrava no chão daquele banheiro imundo.

O peraphone em cima do criado mudo despencou ao chão, depois de várias dançadas devido à vibração, e aquilo fez Freddieward pular assustado, procurando por ela. O mesmo vazio que o havia posto para dormir o frustrou, e ele levantou-se desesperado ao perceber que eram quase dez da manhã. Havia perdido três aulas. Ou pior, a chance de caminhar pelo campus e perguntar se alguém havia visto Samantha antes que o sinal tocasse, e cada qual se recolhesse para seus devidos cursos. Admirou suas mãos. As unhas pretas e as palmas avermelhadas como conseqüência do esforço que havia feito para tirar toda aquela porcaria do chão enquanto gritava no silencio de sua angustia. Ele deveria estar em um sonho. Aquilo não era real. Concentrou-se em esvaziar a mente e por fim, mergulhou num banho frio. Vestiu suas roupas e jogou seus livros na mochila, correndo até seu andar e sala. E tamanho foi o seu susto quando a viu ali, sentada na cadeira junto a que ele sempre sentava, batucando baixo com a caneta em sua banca enquanto encarava o professor com tédio. Precisou fazer força para andar até lá.