O Corpo De Samantha
13 Capítulo 13
Ela urrou e voou para cima dele, segurando em seu colarinho e tirando-o do chão. Freddie sobrevoava pelo domínio dela, que lutava em cima dele com a estaca arranhando a costura de seu terno.
- Você vai ver a sua Sam breve breve, queridinho...
- NÃO!!! Usou da força para virar-se por cima dela, girando seu pulso com força e intencionado a quebra – lo. – VOCÊ NÃO É A MINHA SAM!!!
- FREDDIE, ESTÁ ME MACHUCANDO!!! Usava da voz da loira para confundi – lo, os olhos inocentes e chorosos tentavam fragiliza – lo.
- Não é você que eu amo. Não é você quem eu quero beijar, quem eu quero amar. Não é você de quem eu preciso!!!
- Como pode estar dizendo isso pra mim?! Depois de tudo, Freddie!!!
- SOLTE!!! SOLTE!!! Berrava, tentando arrancar a estaca de sua mão. A briga pela navalha fez com que a mão dela corresse pelo pescoço do garoto, arranhando-o e fazendo gritar. Livrou-se rapidamente da direção de sua arma, tremendo de ódio ao sentir a língua dela em seu pescoço ensangüentado. Arrancou por fim a arma de sua mão, mas ela o fez cair, soltando-o no chão e levitando por cima dele, ameaçadora.
- “Eu prometo, Sam... Eu prometo que vou cuidar de você todos os dias.”
- O QUE ESTÁ FAZENDO?! Berrou ao perceber que Freddie recitava o que havia dito a ela dentro de seus olhos, no instante em que haviam acabado de se amar pela primeira vez.
- “Mesmo que não queira, mesmo que me odeie... Eu nunca vou te deixar sozinha. Nunca vou abandonar você.”
- PARE, DESGRAÇADO!!!
- “Isso não acaba aqui. Por favor, me dê uma chance de te provar o quanto eu posso te mostrar que eu...”
O corpo dela atirou-se para longe, fazendo-o parar. Depois de alguns segundos ela levantou-se com a cabeça baixa, deixando-o esperar pelo próximo ataque. Mas o que viria a seguir, o pegou de surpresa.
- Freddie.
Aquilo o fez abrir os olhos. Ele conhecia aquela voz, aquele tom. Suas pálpebras molhadas e esperançosas a encararam. Ela chorava com o rostinho corado, os olhos azuis e embaçados o encaravam, os pés parados no exato local de seu sacrifício. Olhou a sua volta e depois para ele. Seu choro era fraco e inocente. Sincero. De repente, seu peito inflou-se para cima e ela gritou de dor, levando as unhas ao pescoço e arranhando-o com força, deixando-o paralisado.
- POR FAVOR, ME MATE!!! ME MATE!!! Sua voz era sufocada e fraca, sem forças.
- SAM?!
- FREDDIE, POR FAVOR!!!
Era ela. Ele sabia que era ela.
- SAM, FIQUE COMIGO!!! Segundos dela. Logo, as expressões de Samantha a deixaram e o sorriso diabólico tornou a aparecer nos lábios da garota, em uma gargalhada um pouco menos desafiadora. – SAM!!! NÃO!!! SUA BESTA MALIGNA, VOCÊ ESTÁ PERDENDO ESPAÇO!!!
- Acha mesmo que falou com a Sam?! Era apenas eu, bobinho... Odeio quando não entendem o meu senso de humor.
- Mentira!!! Eu pude ver que era a minha Sam!!!
- Você quis dizer... A minha Sam?!
Freddie gritou de ódio e correu para cima do corpo dela, agarrando seu pescoço e forçando sua cabeça de encontro ao chão por pelo menos três vezes, até que um chute dela o acertou, fazendo a estaca cair de suas mãos para longe. Os olhos dela esfoguearam em alegria.
- NÃO!!! Berrou, empurrando-a para longe da estaca e acertando seu rosto com um soco, sendo atirado para longe em seguida. Ela sentou sobre ele e rasgou sua camisa, passando a língua entre os lábios.
- Me foda de novo, Freddieward.
Freddie a empurrou de si e virou-se para trás, tentando alcançar a estaca, enquanto voltava a lembrar de tudo que havia dito a ela naquela noite. Sam segurou sua perna, mas ele tentava livrar-se de seu domínio enquanto rastejava para perto da faca.
- “Me dê uma chance de te provar o quanto eu posso te mostrar que eu sou o único homem nesse mundo que vai te proteger...”
- PARE!!!
- “Te fazer sorrir e comprar o quanto de comida você me pedir para comprar...” Lembrar da risada adorável que Sam havia dado quando ele lhe disse aquilo quase o fez sorrir também, mesmo diante de tanto caus.
- CHEGA!!!
- “Me dê uma única chance de provar que eu...” Finalmente. Seus dedos alcançaram a estaca antes que sua mão a segurasse por completo. Virou-se para ela e a segurou pelos cabelos, levantando o objeto pontiagudo e deixando que uma lágrima deslizasse do seu rosto e escorresse pelo dela. – “Amo você...”
Ambos agudos foram os gritos dos dois quando Freddie o fez. Profundo, rápido e bem no meio de seu coração. Ele usou as duas mãos para afundar a estaca em seu peito aos berros, sentindo a mão dela, que antes torcia sua camisa, agora ficando cada vez mais fraca até que finalmente o soltou, pendendo para o outro lado.
- Desculpe, Sam... Me desculpe!!! Arrancou a estaca de seu peito e a atirou para longe, unindo sua testa a dela e segurando o corpo dela em seus braços, molhando o rosto dela com suas lágrimas outra vez. – Acorde... Por favor, acorde!!! Fale comigo! Fale comigo como fez agora mesmo, meu amor!!! Pressionou seus lábios nos dela fortemente, esperançoso. Sim, apelaria até mesmo para os contos de fada. Beijo de amor verdadeiro. Dane-se. O que quer que fosse para trazê-la de volta para ele. – Sammy... Acorda! Acorda, por favor!!! Não!!!
Era a sua ruína. Assassino. Mentiroso. Ele não era amado. Só poderia ser um sonho. Ele acordaria daquela primeira ressaca em seu quarto, e Sam estaria ao seu lado, tão bêbada quanto ele. E aí sim, ele a beijaria sem explicações, numa loucura sem freios e fariam amor no chão. Mas quando abria seus olhos para a realidade, a pele dela ainda estava fria, os olhos ainda estavam fechados, os lábios ainda estavam entreabertos e sem vida. Samantha Puckett estava morta.
O atordoava que seus gritos não eram ouvidos do auditório, pois esbravejava tão alto que apenas a musica mesmo para esconder. Sorte a dele. Alguma sorte tinha que haver em sua vida fodida. Deitou sua cabeça junto ao pescoço dela, aproveitando os últimos instantes de seu corpo em sua temperatura normal, até que esfriasse de vez. Sentiu cócegas em seu punho. O formigamento pela briga acabou com seu corpo, e ele estava miseravelmente destruído, talvez até morto também. Porém, apesar de tudo isso e apesar de ter motivos inúmeros para ter perdido a cabeça, ainda não estava cem por cento louco. Aquele toque era real.
Escutou o soluço daquela voz cortar seus ouvidos, e o que antes eram cócegas em seu pulso, agora era uma pressão forte e agonizante apertando-lhe a circulação. Sam.
Não acreditou e afastou-se, armando-se para continuar o confronto que o havia arrasado. Daria ela por vencida desta vez e cederia ao seu desejo de ter sua alma. Se ele não tinha mais coração, que merda era uma alma? Mas ela tossiu e ajoelhou-se para frente, apoiando as mãos no chão numa posição de engatinhar e vomitou. Vomito normal. Ainda não lhe era convincente. A loira afastou-se do liquido e tossiu mais um pouco, puxando o ar com força da garganta e desabando num choro adorável. Daqueles que as crianças direcionam aos pais quando estão de biquinho por alguma coisa. Ela pousava a mão onde a faca a havia perfurado, encarando o local e espiando entre o vinco de seus seios pela brecha rasgada de seu vestido que a faca havia causado. Freddie aproximou-se, curioso, e encarou aquilo com atenção, até que a mancha se tornasse apenas uma cicatriz pequena e clara. O buraco em seu coração havia ido embora.
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