- F-f-f-freddie? Ele continuava imóvel. A voz dela. Chorava como ela. A tonalidade natural de seus olhos estava ali. Ora, ele havia passado tantos anos estudando o rosto de Samantha que sabia todas as suas expressões de cor. E elas estavam ali. Um engano não seria possível dessa vez. Ela soluçava, insegura de levantar-se ao reconhecer o local onde estavam.

- Sam? Temeu a resposta. Ela fez que sim com a cabeça, mordendo os lábios para controlar o choro e levantando-se com cuidado, desequilibrando-se ao fazer isso. Freddie a segurou antes que caísse e a puxou para si, quase explodindo seus ossos com a força que seus braços a apertaram. – SABIA QUE VOLTARIA PRA MIM!!! Gritou, e ela chorou um pouco mais alto, tremendo em seus braços e trincando os pulsos no pescoço do garoto, escondendo a cabeça em seu peito. – Eu nunca mais vou deixar você!!! Eu prometo!!!

- Oh meu Deus, eu amo você!!! Ela gritava em seus braços, desorientada e desesperada, agarrando-se ao que havia sobrado da roupa do garoto.

- Eu amo você, Sam, isso nunca mais vai acontecer novamente, e-eu não... Eu vou cuidar de você. Eu juro pela minha própria vida. Havia dificuldade na sua fala. Ainda era irreal acreditar que a mesma garota a quem ele trocava socos minutos atrás, agora era a sua Sam novamente.

- SPENCER!!! Gritou pelo nome do amigo, soltando-se e olhando em volta, como se o procurasse.

- Lembra de alguma coisa?!

- Eu o matei, Freddie?! Segurou o rosto do rapaz com dor em seus olhos e Freddie a fez voltar para seus braços novamente.

Não havia tempo para muito. Precisava verificar se Spencer resistirá ou não.

Correu junto a Sam até onde a briga havia se iniciado, e mais outros dois corpos estavam ao lado de Spencer Shay. Um deles armou-se imediatamente contra o casal ao notar a presença deles.

- SUA VADIA DESGRAÇADA!!! EU JURO QUE TE MATO!!!

- Carls, não!!! Freddie colocou uma das mãos abertas à frente e passou Sam para trás dele, protegendo-a. – Spencer está bem?!

- Com muita sorte! Se não tivéssemos chegado aqui... EU VOU CHAMAR A POLICIA!!!

- Conseguiu? Spencer sussurrou diretamente para Freddie. Estava com a cabeça apoiada no peito de Gibby, os lábios fracos e esbranquiçados.

Freddie acenou que sim e estendeu uma das mãos para Sam, obrigando-a a dar um passo a frente.

- Eu não queria ter feito nada disso, Spencie!!! Pelo amor de Deus, me perdoe!!!

- FIQUE LONGE DELE!!!

- Carly, não!!! Agora vêem que é verdade, os dois? Que não estava delirando por culpa do sangramento, como falaram? Acreditam no que eu contei? A Sam não teve culpa.

- Você... Contou tudo a Carly e ao Gibby? Perguntou Freddie, aproximando-se devagar.

- Eu precisava... Se as coisas piorassem pra mim e eles não soubessem de nada, vocês dois estariam bem enrascados. Sam... Ele estendeu uma das mãos para a loira, os olhos marejados de emoção. – Venha cá...

- NÃO!!! Eu preciso de uma prova antes.

- Carly!!!

- Calado, Freddie! Como vou saber se essa a Sam mesmo?! Até mesmo você, como pode saber se ainda não estamos sendo enganados?!

- É a Sam. Eu me lembro do que vi minutos atrás, e nem em sonhos se parece com o que estou vendo agora. Spencer fez força para ficar sentado, observando melhor a garota. – Essa é a minha Sam.

A loira esboçou um sorriso aliviado, suas lágrimas eram um turbilhão de sentimentos, todos misturados.

- Mas eu não vi. Você a esfaqueou? Carly direcionou-se a Freddie, fazendo o garoto tremer só de lembrar a terrível sensação.

- Bem no coração.

- Mostre. Mostre e eu acredito.

- Cicatrizou, Carls. No momento em que a Sam acordou.

- Pois quero ver a cicatriz.

Sam pôs um pé à frente do outro, temerosa em relação à atitude da amiga. Spencer a encorajava com um sorriso fraco no rosto e um aceno de cabeça amistoso. A loira inclinou-se a frente da Shay, abrindo um pouco seu vestido onde havia um corte, mostrando sua cicatriz a ela. Carly deu um passo para trás e levou à mão a boca, encarando Sam com a mesma cara de angustia que ainda jazia no rosto da loira.

- Sam, eu sinto muito!!! E jogou-se nos braços da amiga, abraçando-a com uma força grande comparada a fragilidade de seu corpo. – Eu juro que vamos fazer esses desgraçados pagar por tudo!!!

Sam assentiu com a cabeça e retribuiu o abraço por alguns segundos a mais, até que naturalmente o abraço se desfez.

- Eu preciso contar umas coisas a vocês. Sam pôs-se de pé de modo que todos os rostos podiam encara — lá, enxugando os olhos. – Eu não lembro tudo depois do que me fizeram naquela noite. Consigo lembrar algumas coisas, mas o resto é um borrão. Mas de duas, eu tenho absoluta certeza. Como eu contei ao Freddie, eu matei um de nossos professores. E ele não foi à única pessoa.

- Do que está falando, Sammy? Freddie aproximou-se, assustado.

- Lembro que precisava matar pessoas e tomar a alma delas para ficar forte. E estava ficando fraca para a noite de hoje. Eu conseguia fazer outras coisas além de tomar almas. Como vocês dois viram, eu levitava. Mas também conseguia farejar e correr tão rápido que poderia chegar de um estado a outro em minutos se estivesse bastante alimentada. Os caras daquela banda estavam em um hotel caro próximo a um vilarejo uma cidade depois daqui. Eu os achei, e a única coisa que lembro é que acabei com todos eles.

- O que fez, exatamente?

Sam apertou os olhos, tentando expulsar os pensamentos com um aceno negativo de cabeça.

- Eu os esfaqueei, também. Havia sangue nas paredes e janelas. Eles não podiam com a minha força, nem mesmo estando em um numero maior contra mim. Então de certa forma, já pagaram pelo que fizeram. E eu me tornei uma assassina.

- Não era você! Carly tentou argumentar, aproximando-se. – Não pode ser presa por isso.

- Policiais vão acreditar que um demônio tomou minha alma através de um sacrifício?

- Sam... Disseram que a causa da morte do professor Hempkins foi uma parada cardíaca, nem mesmo suspeitaram de homicídio depois que a vistoria não encontrou nada em nosso campus! E os caras dessa banda nem foram reclamados, nem devem ter família. Pelo amor, deixe as coisas como estão. O que vai fazer, se entregar para as autoridades? Vai provocar uma coisa desnecessária. Estão todos conformados, então deixe que fiquem e isso ficará apenas entre nós cinco, para sempre. Não vamos tocar nesse assunto nunca mais. Freddie descruzou os braços e aproximou-se de Sam, focando no grupo em geral depois. – Combinado?

Todos acenaram que sim, deixando-o aliviado.

- Gibby e eu vamos levar Spencer a algum hospital e vamos dizer que ele se meteu em alguma briga pra explicar essa facada. Carly disse, ajudando o irmão a levantar-se.

- Vamos com você!

- Não, Sam! Não precisa. Porque não vai curtir a festa?

- Não acho uma boa idéia. Disse a loira, aproximando-se de Freddie e cruzando seu braço ao dele. – E olhe nossas roupas!

- Quer o meu vestido?

- Não, Carls... Tudo bem. Você está linda.

Carly sorriu amigavelmente e a abraçou novamente, aproximando-se de sua orelha para cochicha – lá.

- Então porque você e Freddie não fazem uma festinha lá em cima, menina não virgem?

- CARLY!!!

A morena sorriu com o protesto e piscou o olho esquerdo, afastando-se de volta para perto dos garotos. Spencer também piscou para os dois e virou-se, apoiado nos ombros de Gibby e Carly até a saída da universidade. E outra vez, eram Freddie e Sam, sozinhos. Sem brigas, sem agressões, sem estacas. A velha e boa normalidade da qual eles reclamavam tanto nos dias de tédio, agora era uma boa e velha amiga. Muito bem vinda, por sinal.

- Legal minha virgindade ter se tornado um assunto tão explicito.

- Sua não-virgindade, você quer dizer. Freddie sorriu, levando um tapa em seu rosto em seguida. — Au!!! Vai com calma, seu ferimento cicatrizou mais o meu ainda está aqui, sabia disso?