O Contrato.
4 Capitulo 3.
Notas iniciais
Capitulo 3.
Ainda era cedo e eu estava pronta para o meu próximo dia. Eu não deixaria a recusa ou até mesmo a proposta de Christian me atingir, eu seguiria em frente e daria um jeito em minha vida. Assim que passei em frente ao quarto de Jack escutei seus gemidos e assim que entrei ele começou a se debater me fazendo correr para segura-lo. Mesmo estando muito debilitado, Jack ainda tinha muita força e segurar ele enquanto estava em uma de suas crises era algo difícil para mim, já que seus braços e pernas ficavam cada vez mais sem controle batendo em qualquer coisa que vinha a sua frente.
—Titia... –O gritinho de Summer fez com que tudo ficasse ainda pior, ela ficava assustada quando Jack tinha seus ataques e infelizmente eu não podia ir até ela nesse momento.
—Querida vá para sala, eu já vou para lá. –Digo á vendo ainda parada na porta enquanto uma das mãos de Jack acerta o meu rosto me deixando com certa dormência no local. –Vá Summer eu já vou. –Digo dando um grito á fazendo correr para longe da porta.
—Jack fique calmo. –Digo tentando o segurar. Eu nunca sabia se ele realmente podia me ouvir, mas em todos os seus ataques eu sempre falava com meu irmão, mas quase nunca adiantava.
Seus movimentos eram brutos e me jogavam junto com ele fazendo com que o soro em seu braço fosse arrancado como sempre acontecia. Eu escutei uma batida em minha porta e logo o grito de Isabel me fez respirar, ela estava avisando que estava entrando e eu sabia que ela cuidaria de minha sobrinha até que meu irmão se acalmasse.
Após alguns minutos os movimentos foram ficando cada vez mais lentos até que cessaram deixando Jack completamente imóvel na cama e se não fosse por sua respiração eu poderia jurar que meu irmão havia morrido. Me levantei de cima dele o arrumando novamente no meio da cama o trocando de posição, e aproveitando para tocar a sua frauda e passar os remédio em seu corpo. Assim que meu irmão estava em sua nova posição e limpo eu voltei o soro ao seu braço tentando deixar ele o mais confortável possível.
—Titia? –Olhei para a porta vendo Summer ali com Isabel logo atrás dela com um olhar de desculpas para mim. –Papai está bem?
Olhei para Jack vendo que ele havia voltado ao seu sono profundo então fui até minha sobrinha a pegando no colo enquanto ela se enrolava em mim fazendo com que eu sentisse todo o seu corpinho tremendo.
—Tudo vai ficar bem querida, não se preocupe, a tia Ana está aqui com você. –Digo a apertando contra mim, eu sabia o quanto Summer ficava assustada quando presenciava os surtos do pai.
—Vamos para a cozinha eu vou fazer um café trouxe, um pão que eu mesma fiz ontem a noite. –Isabel disse me fazendo assentir eu precisava tirar Summer dali.
—Meu papai vai mola com o papai do céu? –A pergunta de Summer me pegou de surpresa fazendo com que eu olhasse para ela assustada, eu sabia que um dia iria acontecer, mas eu ainda não sabia como falar sobre o assunto com ela.
—Se lembra do que a titia falou para você quando você aprendeu a andar e queria subir em cima do papai? –Perguntei a fazendo me olhar com cara de quem não sabia sobre o que eu falava. –Papai está doente querida e papai do céu e o único que sabe sobre isso. –Digo a fazendo me olhar enquanto algumas lágrimas surgiam em seus olhos.
—Ele nunca blinca comigo. –Ela disse tentando se separar de mim para voltar ao seu quarto mais eu a segurei forte e ela parou me olhando. –Pou que eu não tenho mamãe? –Seus olhos me mostram medo, ela era muito pequena para entender que sua mãe era uma desgraçada que somente queria a fortuna de Jack e quando tudo acabou ela o deixou com uma filha e fugiu atrás do próximo golpe.
—Isso é uma historia muito complicada querida e eu vou contar tudo para você quando você for mais velha, agora a única coisa que você precisa saber é que eu amo você e que vou cuidar de você sempre. –Digo beijando o seu nariz a fazendo sorrir.
—Eu amo ocê. –Suas palavras de carinho me davam esperança para que eu pudesse conseguir algo em minha vida.
—Eu também amo você. –Digo indo com ela até a cozinha onde a mesa está posta e seu pratinho com seu café e seu copo de leite está pronto para que ela vá até a sala.
Assim que Summer nos deixou na cozinha, Isabel me lança um olhar me mostrando que eu não tinha outra opção a não ser contar a ela o que havia acontecido no dia anterior quando fui procurar Christian. Eu não queria conversar sobre isso mas eu não conseguiria sair daqui antes de falar e seu olhar me mostrava isso, então me sentei colocando um pouco de café em minha xicara.
—Ele não quis me ajudar Isabel, e eu não sei porquê Christian me odeia assim, como á todos que estão ao meu lado. –Digo a vendo se sentar em uma cadeira próxima a minha.
—Você morou com ele durante anos Anastácia, alguma coisa deve ter acontecido. –Ela disse me fazendo querer lembrar-me do passado em que morei com ele.
—Eu me lembro de algumas coisas mais nada com que faça ele nos odiar tanto. Eu sei que minha mãe se casou com seu pai algum tempo depois de Carrick se separar de sua mulher, Christian também parecia sentir muito ciúmes da relação de Jack e Carrick, mas eu acho que o ódio principal dele era minha mãe, ele não suportava ter Helena ao seu lado em qualquer lugar. –Digo a fazendo me olhar.
—Você já pensou que sua mãe pode ter sido a causadora da separação dos pais dele e por isso todo esse ódio gratuito dele com a sua família? –Sua pergunta não era nova para mim, eu algumas vezes também já havia me feito essa pergunta a mim mesma.
—Eu não sei, mas isso não importa mais, ele não me ajudou e eu vou esquecer ele assim como fiz durante todo esse tempo. –Digo me levantando. –Você pode olhar Summer para mim enquanto eu vou procurar um emprego? –Pergunto a fazendo assentir.
—O que vai fazer com Jack quando estiver trabalhando novamente? –Sua pergunta fez com que eu sinta uma pontada dentro de mim, eu havia prometido á ele e não iria cumprir o que ele havia me pedido.
—Vou leva-lo para o hospital, eu não posso colocar Summer em risco mais do que ela já está. –Digo a vendo assentir.
—Não se preocupe eu olho os dois. Tenho certeza que depois do surto dessa manhã seu irmão não ira acordar tão cedo. –Ela diz enquanto eu caminho até a sala para dar um beijo em Summer que sorri para mim enquanto continua a comer.
Assim que saio pela porta posso ver os olhos do dono da casa sobre mim, eu andava me escondendo dele o máximo possível desde que não consigo pagar nosso aluguel, mas eu daria um jeito, rodaria toda Seattle atrás de um emprego para que pudesse resolver esse problema. Corri para o ponto vendo que um ônibus se aproximava, eu tinha visto durante a noite em um jornal algumas vagas para emprego.
Infelizmente minha experiência no mercado de trabalho era pouca, já que passei toda a minha vida estudando e no único estagio em que fui contratada não durei muito tempo, já que me chefe me assediou. Então eu estava procurando qualquer coisa que me pagasse o máximo de dinheiro para que eu pudesse pagar meu aluguel, o agiota e manter Summer.
Eu sabia que não seria fácil. Assim que desci do ônibus caminhei de loja em loja, e assim que as vendedoras olhavam para mim e minhas roupas ela negavam dizendo que nenhuma vaga estava disponível, mas eu não podia desanimar, Summer dependia de mim e eu estava fazendo por ela. Caminhei mais algumas quadras vendo o grande salão com uma fachada imponente que anunciava que estavam precisando de uma atendente.
—Em que posso ajuda-la? –Fui parada pelo segurança que ao olhou para mim negou minha entrada.
—Eu vim me candidatar á vaga de atendente. –Digo o fazendo soltar meu braço na mesma hora que um sorriso debochado surgiu em seu rosto.
—Me desculpe moça, mas você não tem chance alguma de trabalhar aqui. –Disse apontando para que eu saísse dali. –Até os funcionários do salão tem que ter uma certa classe. –Suas palavras foram como um balde de água em mim, eu havia rodado vários lugares e nada havia adiantado.
Continuei com a minha procura, mas nada adiantou em todos os lugares as portas foram fechadas para mim me fazendo perder toda a esperança com que sai de casa durante a manhã. Caminhei até o ponto, eu havia passado todo o dia na rua e estava morrendo de fome já que eu somente tinha dinheiro para a passagem, e ainda enfrentaria um ônibus lotado até minha casa, mas eu não podia desistir meu prazo estava acabando.
Minha viajem de volta foi longa e exaustiva e assim que cheguei a minha rua o medo voltou á mim, eles podiam estar aqui esperando por mim nada me garantia que eles cumpririam o acordo de uma semana, caminhei rapidamente olhando para todos os lados vendo que ninguém estava vindo atrás de mim, assim que cheguei a minha porta á abri correndo vendo Isabel e Summer assistindo algo na televisão.
—Titia. –Summer pulou do seu lugar vindo até mim me abraçando fazendo com que eu sentisse o seu cheirinho de bebê. –Ocê demolo. –Sua voz dengosa foi á única coisa que me fez sorrir durante todo o dia.
—Sua tia deve estar cansada,o que acha de á deixar comer alguma coisa e tomar um banho? –Isabel perguntou a ela a fazendo assentir, mas antes de sair do meu colo Summer olhou para mim e segurou o meu rosto.
—Eu amo ocê. –Ela disse me fazendo segurar as lagrimas.
—Eu também amo você. –Digo a soltando para que ela voltasse para a televisão.
—Você não conseguiu não é mesmo? –Isabel me perguntou enquanto caminhávamos para a cozinha.
—Não, mais eu não vou desistir, em algum lugar eu vou conseguir um emprego. –Digo a fazendo assentir.
—Coma alguma coisa e tome um banho, eu estou indo embora, amanhã eu volto querida. –Ela deu um beijo em meus cabelos antes de sair batendo a porta.
Comi algo e caminhei para a sala vendo que Summer estava quase dormindo enquanto assistia seu desenho então tranquei a porta e verifiquei as janelas e depois caminhei até o quarto vendo que Jack dormia tranquilamente. Eu não cumpriria a minha promessa, mas isso era para o bem de Summer e eu esperava que algum dia meu irmão me perdoasse por isso. O deixei ali e fui para o banheiro para tomar um banho rápido somente para descansar o corpo e assim que sai fui para o quarto de Summer onde nossas roupas ficavam e me troquei.
Assim que voltei á sala vi minha sobrinha dormindo e isso me fez rir, desliguei a televisão e a peguei no colo a levando para sua cama dando a ela o seu coelhinho de estimação. Assim que sai de seu quarto uma batida em minha porta da frente fez com que eu congelasse em meu lugar. A batida forte me mostrava que era um homem ali, mas eu não podia abrir, eu ainda tinha um prazo ele não podia cobrar nada antes disso.
—Abra, eu sei que você está ai. –Disse uma voz grossa fazendo o meu medo crescer ainda mais. –Eu posso arrombar se você preferir assim. –Caminhei até a janela a abrindo, eu não abriria a porta.
—Pois não? –Digo tentando ao máximo não parecer nervosa e desesperada.
—Eu disse a porta não á janela. –O homem negro e corpulento sorria para mim fazendo meu estomago se revirar pelo nojo. –Não se preocupe não irei fazer nada com você. –Ele disse fazendo com que eu alivio crescesse em mim. –Pelo menos não hoje. –Seu sorriso se ampliou quando ele pode ver o pavor em maus olhos.
—Por que veio até aqui? –Perguntei vendo ele se aproximar ainda mais da janela fazendo com que eu me afastasse. –Minha divida ainda não... –Ele não me deixou terminar e sorriu abertamente.
—Vim dar um recado, não iremos mais dar um prazo a você. Ou você nos paga na data combinada ou teremos que receber de um outro jeito e pelo que vejo vai ser uma delicia. –Seus olhos passaram por todo o meu corpo me fazendo gelar.
—Eu não sei se posso... –Fui começar a falar mais sua gargalhada me cortou fazendo com que o medo crescesse ainda mais.
—Não me importa as suas desculpas, se não nos pagar eu posso vir visitar a sua linda sobrinha e tirar logo o seu irmão desse estado de merda dele. Está me ouvindo vadia? –Ele esbravejou tentando se aproximar, mas para a minha surpresa o homem foi puxado para trás sumindo de minhas vistas fazendo com que eu corresse para a janela.
De todas as possibilidades aquela que eu estava vendo era á única que nunca se passaria em minha cabeça, Christian estava ali com seu segurança que me carregou para o seu escritório e mais dois que seguravam o homem corpulento enquanto Christian se aproximava de minha porta. Ele olhou para mim e eu não sabia decifrar o que se passava em seus olhos, Christian sempre havia sido um mistério.
—Abra a porta. –Sua voz grossa e despreocupada me fez arregalar os olhos, ele parecia entediado enquanto os seus seguranças obrigavam o homem que á pouco tempo estava me ameaçando por minha divida. –Vamos Anastácia, eu não tenho o dia inteiro abra essa maldita porta antes que Taylor a coloque a baixo.
Seus olhos estavam em mim e seu tom de voz fez com que o homem que se debatia parasse para olhar qual seria a minha reação, mas eu não tinha reação eu somente o olhava com varias coisas em minha cabeça. Eu havia negado a sua proposta
e mesmo assim ele estava aqui, ele havia me ajudado e eu não intendia o motivo de tudo isso.
—Taylor. –Christian chamou o homem que logo estava ao seu lado e isso me mostrou que ele estava falando serio quando disse que derrubaria minha porta.
—Eu vou abrir. –Digo fechando a janela e caminhando até a porta a destrancando, eu não sabia qual era o motivo de sua visita, mas eu sabia que nada de bom sairia dela, então respirei fundo abrindo á porta dando de cara com seus olhos cinza em mim.
Fale com o autor