O Contrato.
2 Capitulo 1.
Notas iniciais
Capitulo 1.
Eu estava o arrumando novamente na cama, Jack havia tido mais uma de suas crises durante a noite fazendo com que eu corresse para o seu quarto para impedir que ele se machucasse como acostumava acontecer. Isso era algo recorrente em minhas noites já que eu cuidava de meu irmão desde que descobrimos sobre sua doença, Jack não a aceitou no começo e tentou viver como se nada estivesse acontecendo em sua vida.
Mas infelizmente isso não durou muito tempo, já que tudo mudou quando seus movimentos, sua falta de equilíbrio e até mesmo o seu desenvolvimento sexual foi ficando cada vez mais precário fazendo, com que meu irmão notasse que mesmo ele tentando fugir, a doença estava cobrando mais do que ele estava desposto a dar.
O medico nos explicou que Esclerose Múltipla é infelizmente uma doença sem cura mas podemos dar ao paciente o maior conforto possível com os medicamentos certos, isso foi fácil no começo minha mãe havia se casado com um dos empresários mais ricos de Seattle que infelizmente havia falecido nos deixando em uma boa situação financeira, Carrick era um homem bom que cuidou de mim e de Jack mesmo já tendo um filho.
Mas infelizmente minha mãe e Jack não souberam dar valor em todo o dinheiro que receberam de meu padrasto e gastaram tudo em festas, e no caso de meu irmão mulheres que somente queriam estar ao seu lado pelo dinheiro, e por isso hoje estávamos nessa situação, no começo do tratamento Jack ainda tinha algo guardado, mas esse dinheiro foi gasto rapidamente com medicamentos, e com sua filhinha Summer já foi deixada comigo assim que Leila sua namorada na época descobriu sobre a sua doença.
Então assim que completei vinte e um anos eu tinha um irmão doente, uma sobrinha de meses e uma mãe desaparecida, já que segundo Helena, ela não podia lidar com a perda do filho que ela tanto amava.
Olhei mais uma vez para a cama vendo que meu irmão havia caído novamente em seu sonho e com isso seria muito difícil que ele acordasse novamente, então sai do quarto e fui para o de Summer que dormia tranquilamente agarrada em seu coelho enrolada em seu cobertor rosa.
Respirei fundo e fui para a cozinha. O dia estava amanhecendo e não havia nada que eu pudesse fazer para que Summer comesse quando se levantasse, isso estava sendo rotineiro em nossos dias e estava acabando comigo, minha sobrinha tinha apenas dois anos e precisava se alimentar para que nada atrapalhasse o seu crescimento.
Olhando em cima da mesa a pilha de contas fez com que mais um medo surgisse em mim, já que nosso aluguel estava atrasado assim como o agiota com quem eu havia pegado dinheiro para os remédios que Jack precisava.
Uma batida em minha porta fez com que eu pulasse para trás, eu estava fugindo do proprietário da casa já que nosso aluguel estava atrasado á dois meses, mas assim que ouvi a voz doce de Isabel, a senhora que morava ao lado, fez com que eu relaxasse.
—Ana querida sou eu abra a porta quero tomar café com você. –Isabel disse me fazendo relaxar instantaneamente indo para a porta e a abrindo.
—Querida me desculpe pelo horário mais sabe como é velho acorda cedo. –Ela diz sorrindo para mim entrando em minha casa com varias sacolas em suas mãos.
—Sabe que não ligo para isso. –Digo a ajudando com as sacolas que estavam em seus braços, e assim que as coloco sobre o balcão eu me viro para ela. –Sabe que não precisa trazer comida todas as vezes que vem aqui não é? –Digo a fazendo sorrir.
—Eu não iria vir aqui sem nada nas mãos Ana. –Ela diz sorrindo me indicando o pacote de café. –O que acha de um café? — Ela me pergunta enquanto guardo os ovos, o leite e colocava o jornal de lado indo pegar uma panelinha para ferver a água.
Assim que liguei o fogo rezei para que ele durasse até que a água fervesse para que pudéssemos pelo menos tomar nosso café, Isabel sabia sobre minha situação financeira era ela quem muitas vezes me socorreu para que Summer não ficasse sem o seu leite quando acordava.
—Como Jack passou a noite? –Me virei para a senhora que sempre me ajudou e lagrimas vieram aos meus olhos eu estava chegando ao meu limite e mesmo assim toda a situação parecia não se resolver.
—Calma querida, sabe que sempre vou estar aqui para te ajudar. –Ela disse me envolvendo em seus braços. –Venha sente aqui enquanto eu passo o café e você me conta o que estava acontecendo.
Olhando para a mulher que podia ser minha mãe eu chorei ainda mais, como eu resolveria todos os meus problemas se nem ao menos tinha um trabalho? Já que o nojento do meu antigo chefe havia me chantageado para não me mandar embora.
—Meu aluguel está vencendo nos próximos dias e já tenho dois meses atrasado, tenho agiotas em minha porta e se não fosse por você, Summer não teria o que comer quando acordasse. Eu não sei mais como levar essa vida. –Digo contendo um soluço que teimava em sair.
—Querida me desculpe á pergunta mas já pensou em levar Jack de volta para o hospital? Tenho certeza que sua vida seria mais fácil. –Ela disse me fazendo negar, eu havia prometido ao meu irmão em um de seus poucos dias lúcidos que o tiraria do hospital.
Jack sofria horrores já que nenhuma enfermeira o trocava então ele sofria com constantes assaduras e por estar sempre em seu sono eu sou obrigada a movimenta-lo para que seu corpo não fique ferido mas nada disso era feito enquanto ele estava no hospital, então diante do seu pedido eu fui abrigada á traze-lo para casa novamente, mas isso fez com que eu perdesse meu emprego já que não conseguia alguém que cuidasse dele.
—Não sei mais o que fazer, já tentei ligar para minha mãe, soube que ela está de volta a cidade mas todas as minhas chamadas caem na caixa postal, e ela nunca me retorna, Summer está crescendo e não posso comprar roupas para ela, estamos quase sem comida e ela parece não se importar com isso. –Digo soltando tudo em cima da única pessoa em que realmente confiava.
—Me desculpe não poder fazer mais nada para ajudar mas minha pensão é tão pequena. –Ela diz desligando o fogo e começando a passar nosso café.
—Você me ajuda mais do que mereço, mas tenho que dar um jeito de fazer dinheiro, já peguei roupas para passar e para lavar mas mesmo assim isso não cobriu nem mesmo o primeiro aluguel atrasado. –Digo assim que ela coloca um copo de café quente em minha frente.
Levanto-me indo colocar a mesa, Isabel havia trazido algumas coisas então teríamos um café, assim que terminei escutei passinhos pelo corredor e logo a pequena menina de olhos verdes apareceu ao meu lado sorrindo.
—Tia Ana. –Summer estava com o rosto completamente amassado e ainda segurava seu coelhinho. –Papai acodo? –Essa era sempre sua pergunta quando acordava, Summer nunca pode conhecer o pai já que quando nasceu Jack já estava em um estagio avançado de sua doença.
—Não princesa ele não acordou mas o que acha de tomar o seu leite enquanto assiste o seu desenho? –Pergunto a fazendo sorrir, Summer amava desenhos e isso era infelizmente o único luxo que eu podia dar a ela.
Preparo seu leite e levo até ela que está deitada em nosso único sofá assistindo algo na televisão, assim que volto á cozinha Isabel está como jornal em suas mãos mas ao olhar para ele meu coração pulou como ámuito tempo não fazia, era ele ali seus olhos cinza e frios nunca haviam saído das minhas lembranças.
—Ana tudo bem? –Isabel me perguntou abaixando o jornal mais eu me aproximei vendo o que estava escrito ali.
“O jovem Bilionário Christian Grey parece não se importar com casamentos e muito menos com as mulheres, segundo uma fonte anônima o homem mais desejado de Seattle estava a ponto de se casar, mas ele mesmo desmentiu dizendo que casamento não é algo que estava em seus planos.”
Christian parecia estar me encarando como sempre fazia quando éramos mais novos e vivíamos na mesma casa, ele parecia poder ver dentro de mim e isso sempre me incomodou profundamente, seu rosto podia estar mais velho mas isso só o deixou ainda mais bonito do que á sete anos atrás.
—Você o conhece? –Isabel perguntou me fazendo assentir enquanto ainda olhava para o homem que parecia ter investido muito bem todo o dinheiro que o pai havia lhe deixado.
—Ele é o filho do meu padrasto. –Digo ainda olhando para a foto e soltando um suspiro pesado. Por que Jack e minha mãe não fizeram como ele? Por que não investiram seu dinheiro ao invés de gastar como se não houvesse amanhã?
—Peça ajuda á ele Ana, ele é rico pelo menos é o que diz aqui e vocês já foram da mesma família tenho certeza que ele pode ajudar você. –Isabel parecia esperançosa mais eu não estava Christian sempre havia nos odiado e eu ainda podia me lembrar de suas palavras quando seu pai havia morrido.
—Eles nós odeia Isabel, quando seu pai morreu minha mãe herdou metade de tudo o que era do seu pai e ele nunca aceitou isso, disse que ia recorrer da decisão mais depois desistiu ele nunca me ajudaria e muito menos ao Jack. –Digo cansada.
—Ana se passaram anos vocês eram, crianças quando tudo isso aconteceu ele pode ter mudado assim como você mudou, não custa tentar. –Ela disse me mostrando o nome de sua empresa. –Ligue ou apareça lá, tenho certeza que ele não irá negar ajuda a uma pessoa que já foi sua parente e que hoje está em uma situação difícil. –Ela diz parecendo feliz.
Eu já não tinha a mesma esperança. Christian sempre foi uma pessoa fechada e nunca havia me tratado bem enquanto eu estive em sua casa, primeiro eu pensei que nossa diferença de idade era a causa, mas Christian também odiava Jack e os dois eram da mesma idade, e com o tempo eu percebi que o problema dele era com toda a nossa família e por isso me mantive o mais afastada dele possível, até o dia em que ele se mudou.
Depois de sua mudança ele nunca mais veio a nossa casa e Carrick falava muito pouco sobre o filho, fui voltar a vê-lo no velório de seu pai e na leitura do testamento e isso já havia se passado alguns anos, e eu duvida que o homem frio que me encava pela foto me ajudasse.
—Titia. –Olhei para Summer. –Minha barriguinha está com fome, posso come? – Sua pergunta me quebrou e Isabel percebeu isso já que se levantou rapidamente a levando novamente para a sala.
—Ele é sua melhor opção Anastácia. –Ela disse voltando enquanto preparava o pão deSummer.
—E se ele se negar? E se ele não me ajudar? Eu não posso contar com nada que venha dele. –Digo a vendo assentir.
—Você também não pode ficar aqui e esperar tudo ruir em sua cabeça menina, vá. E se essa for sua única opção? –Ela me disse caminhou para a sala novamente, mas assim que voltou Isabel parecia muito mais preocupada e com um papel em sua mão.
—O que é isso? –Perguntei pegando o papel vendo que estava endereçado a mim.
“Você tem mais uma semana e não quero atrasos ou terei que receber o meu pagamento de uma outra maneira.
Eu sabia quem havia escrito essas palavras e Isabel também já que me olhou com medo em seus olhos e foi ai que tomei minha decisão, eu iria atrás de Christian essa podia ser a pior decisão de toda a minha vida, mas pelo menos eu tentaria.
—Eu vou Isabel. –Digo a fazendo sorrir parecendo completamente animada com que o eu havia acabado de lhe falar.
—Eu espero que você consiga menina. –Ela disse dando um beijo em minha testa antes de se afastar. –As pessoas mudam Ana vá de coração aberto. –Ela disse batendo a porta atrás dela.
As pessoas realmente podiam mudar, mas olhando novamente para aquele jornal eu duvidava muito que Christian Grey havia mudado, mas mesmo assim eu me arriscaria, já que todos dependiam de mim.
Fale com o autor