O Conto Da Lua

5 Uma história para dormir


Notas iniciais
E aí, galera? Espero que gostem desse capítulo, ele é muito importante!

Subimos mais uma vez e sobrevoamos a floresta a procura de um lugar seguro para acampar. Trean ordena a Pearl que pouse bem no meio da floresta, por entre as árvores. Desmonto o animal com uma dificuldade notável, agradecendo a Deus por meus pés estarem firmes no chão.

–Que lugar é esse? – é a primeira frase que sai da minha boca.

–Nosso acampamento esta noite – responde ela com tranquilidade enquanto retira do pescoço de Pearl uma bolsa de couro que eu ainda não notara até agora.

–Esta noite? E pra onde vamos amanhã? – Ela pensa um pouco para responder.

–Vamos tentar chegar à entrada de Lunnary vivas. – falou. Pude perceber uma pontinha de insegurança em sua voz confiante.

–Lunnary? O que é isso? Onde é a entrada? Como assim “tentar chegar vivas”? – explodi em perguntas, mas ela só me encarou calada – Quem é você?

Trean – se é que este nome é mesmo o dela -, abriu a bolsa de couro e tirou de lá dois grossos cobertores de lã. Um ela jogou em minhas mãos e com outro se enrolou sentando em uma raiz. Permaneci de pé, fitando-a.

–Daqui a pouco você vai sentir frio, então acho melhor você ir se acomodando, porque a história é meio longa... – eu obedeci sentando ao chão e me recostando em um tronco. Fiquei observando-a atenta e curiosamente, então ela continuou – Bom, há trezentos anos, se meus cálculos estão corretos, havia um reino. Um reino muito próspero e pacífico... Não, não, isso está parecendo um conto de fadas – ela diz, concordo com a cabeça.

“Há trezentos anos, havia um lugar, ou melhor... Um mundo, um mundo totalmente diferente deste aqui, pois havia magia nele.

Neste mundo existia um reino, Lunnary, o maior e mais prestigioso de todos. O reino recebeu esse nome em homenagem ao seu maior guardião, a Lua, que era quem escolhia os governantes. Diz a lenda que toda vez que um rei ou rainha saía do poder, ou seja, morria, renunciava ou era dominado, a Lua julgava a pessoa indigna de continuar governando, então escolhia outra para ocupar o lugar dando a ela a Luz da Lua, o poder celestial mais poderoso do universo, capaz de salvar e ao mesmo tempo de iniciar o fim de tudo o que conhecemos.

Quando tudo aconteceu, quem possuía o trono era Trillian, a magnífica rainha branca, avaliada pelo povo como sendo a melhor escolha da Lua nos últimos cinco séculos. Ela era perfeita e tudo estava perfeito... Então ele chegou. Helltrax, o Senhor das Sombras. Ele invadiu o reino junto com o maior exército de criaturas das trevas que o mundo jamais viu. Foi um massacre. Só havia desespero. Famílias sendo exterminadas, casas em chamas, crianças chorando. Nossos aliados, na maioria elfos e duendes, tentaram nos ajudar, mas qualquer esperança possível desapareceu quando o castelo foi invadido e Helltrax, de alguma forma, tomou para si a Luz da Lua e assassinou Trillian. Depois disso, ele enfeitiçou a Lua, lançando-a em um sono de trezentos anos.

Desde aquela época, ele vem governando Lunnary. É um caos. Uma ditadura. Todos os Lunnarianos vivem escravizados. E cada vez mais, Helltrax domina novos reinos, aumentando seu império das sombras e seu poder maligno.”

Depois de concluir a história, Trean se calou e acariciou a crina de Pearl que cochilava no chão ao seu lado, esperando que eu me pronunciasse. E foi o que fiz.

–OK, digamos que sua história seja verdade...

–É verdade! – retrucou

–Muito bem, digamos que é verdade... Eu ainda não entendi o que eu, Charlotte, tenho haver com essa maluquice toda.

–É muito simples...

–Duvido – interrompi.

–Antes de Helltrax tomar o poder, um grupo de Lunnarianos conseguiu fugir para a floresta e com a queda de Trillian, acabaram tendo que continuar suas vidas a partir dali e esquecer o passado. Porém, Red, irmão mais novo de Trillian, que naquela época ainda era um jovem mago, decidira vingar a morte da irmã.

“Red reuniu os Lunnarianos restantes e juntos eles construíram A Fortaleza, um lugar seguro e escondido onde eles poderiam viver a salvo de Helltrax e seu exército e planejar uma forma de recuperar seu verdadeiro lar.

Mas após anos de planejamentos, a esperança de voltar ao lar foi esmagada pela crescente e irredutível força de Helltrax e a vingança do povo Lunnariano ficou guardada somente em seus inconscientes.

Depois de trezentos anos, o Senhor das Sombras esqueceu de que um dia a Lua despertaria de seu sono, e o mais provável que acontecesse é que ela se revoltasse contra ele, já que tinha roubado sua Luz de uma forma desonesta. E foi exatamente o que aconteceu. No dia 01 de março de 1995, a Lua acordou e imediatamente declarou que Helltrax era indigno do trono de Lunnary, tirou o poder que ele havia roubado e presenteou outra pessoa com ele.

Há quase dezessete anos, os Lunnarianos vêm procurando por seu novo governante, aquele que será seu salvador. Até que enfim o encontraram. E há mais ou menos uma semana, eu, Trean Platium, feiticeira aprendiz — 3ª nível, fui mandada para busca-la e leva-la à Fortaleza em segurança como prova final de meu treinamento.”

Pude sentir meus olhos de arregalarem e minha garganta secar. Me pus de pé num salto.

–Você está querendo dizer que eu sou a escolhida da Lua? – exclamei

–Cala a boca! Quer que a floresta toda escute? Não sei se você sabe, mas temos que ficar escondidas. Como eu já te disse, tem uma legião de dragões de gelo e espectros atrás de você! – olhei-a assustada e tornei a sentar.

–Vocês se enganaram, Trean. Eu não posso ser... ser a rainha de vocês. Não posso. Eu sou só eu, Charlotte. Só Charlotte. – ri inconscientemente ao meu lembrar de uma sentença parecida no livro Harry Potter e a Pedra Filosofal.

–Sabe como te encontramos? – fez uma pausa me encarando – Seus sonhos, Charlotte. Visitamos o hospital da cidade e descobrimos que uma garota ia frequentemente lá, com convulsões e alucinações, dizendo que a lua estava chamando por ela, que precisava ir até a lua – é verdade, minhas piores noites ocasionalmente terminavam no hospital.

Trean me olha atenta percebendo que estou começando a aceitar a teoria, depois finaliza:

–É melhor dormimos agora. Tivemos um dia cheio e amanhã continuaremos a jornada bem cedo. – Ela se levantou e apanhou uns cinco ou seis gravetos e folhas do chão, reuniu-os aos seus pés e apontou o cajado na direção deles — Scintillae – disse firmemente, e o monte de folhas e gravetos começou a queimar, esquentando minha pele, o calor invadindo meu corpo.

Foi com essa apreciando essa sensação que eu, Trean e Pearl nos acomodamos na terra fria da floresta e adormecemos.

–Com sorte, os espectros não vão notar essa fogueira – foi a última coisa que a feiticeira disse.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim!
Pois é, um aviso: vocês devem ter reparado que eu coloquei nomes nos capítulos agora (porque fica mais legal). Mas queria informar que o conteúdo dos capítulo continua o mesmo.
Também queria pedir desculpas pelas fotos dos capítulos. É que não tenho muito tempo para ficar procurando imagens, então as vezes não fica muito legal.
Bem, é isso. Não esqueçam dos reviews ok? Beijo