O Conto Da Lua

6 Orelhas pontudas


Notas iniciais
desculpa a demora... Muitos trabalhos e provas na escola. Mas aí está, espero que goste.

\"\"


Naquela noite, outro sonho estranho atrapalhou meu sono. Um magnífico castelo de pedras brancas polidas. Grandes janelas de cristal e torres que tocavam as nuvens.

–Charlotte... – aquela voz de novo. Clamando por meu nome como se sua vida dependesse de mim.

Eu observava o castelo de longe. Apenas ouvindo com atenção. Covarde demais para me aproximar.

E então as paredes começaram a rachar, o teto despencava e as janelas foram partidas e milhares de pedacinhos. As ruínas, do que há poucos segundos era um belíssimo castelo, foram perdendo cor e escurecendo gradativamente, e depois se dissolveram em cinzas, que subiram pelo céu e desapareceram através das nuvens escuras.


Abri os olhos, sobressaltada. Estava suada e ofegante – pra variar. Olhei em volta e só o que vi foram Trean e Pearl dormindo tranquilamente na quietude da floresta.

Voltei a dormir, porém, desta vez, o que perturbou meu descanso foi a lembrança de um enorme dragão de gelo destruindo o orfanato Stª Jude e levando a Srª Wade para longe por entre seus dentes.

Foi Trean a terceira – e última — a me despertar.

–Charlotte... Vamos. – Dizia enquanto me sacudia impacientemente.

–Mas cinco minutinhos... – respondi sem abrir os olhos.

–Que cinco minutinhos, o que! Já são 05h30min da manhã, Lote!

–E por qual motivo você está me acordando de madrugada? E que história é essa de “Lote”? – levanto irritada.

–Por que quanto menos tempo ficarmos num só lugar, mais seguro. E percebi que “Charlotte” é um nome de pronúncia muito comprida, então resolvi chamá-la de “Lote” – concluiu com um sorrisinho.

–Sério isso?

–E por que não seria? – dobrou os cobertores e coloco-os de volta na bolsa de coro – agora vamos – E me ajudou a montar em Pearl.

A brisa que banha meu rosto é gélida. As nuvens recebem colorações alaranjadas concebidas pelos raios solares. As asas de Pearl, que batem serenamente, adquirem um efeito cintilante à luz do nascer do sol, sua crina lisa faz cócegas quando se encosta a minha pele.

Descemos em uma clareira, à beira de um pequeno lago para tomar um breve banho, trocar de roupas e, é claro, nos alimentarmos pela primeira vez depois do ataque ao orfanato na noite anterior.

Barras de cereais, maçãs e sucos industrializados saciaram — ou melhor, enganaram – nossa fome matinal, e Pearl se fartou com a relva úmida que rodeava as margens do lago.

Depois de feita a digestão, voltamos ao céu. E lá permanecemos por horas e horas. Sempre nos mantendo acima das nuvens, fora do campo de visão do inimigo. E só descíamos um pouquinho quando a ausência da visão de terra firme incomodava meu bem-estar.

Aquela paisagem fascinante -porém invariável — do misto de nuvens, luz e ventos, me fez refletir sobre tudo o que me foi contado naquela floresta sob a luz da lua. Eu, uma órfã alterada e incompreendida, rainha de todo um reino? Destinada a lutar contra um bruxo das trevas e dar a um povo sua vingança? E designada a tudo isso pelo satélite natural do planeta Terra? (porque para mim é isso que a lua sempre foi, o satélite natural da Terra).

Mas pensando bem, aquele não é, teoricamente, este mundo. Como Trean disse, é um outro mundo, totalmente diferente deste onde vivemos... Seria uma coisa como essa realmente possível? Logo eu que passava o dia inteiro observando tudo e todos ao meu redor com a máxima vigilância nunca reparara que algo tão diferente acontecia por aí? Como seres tão incríveis passaram despercebidos pelos meus olhos? Como fui cega! Mas quem imaginaria que simples pesadelos se originariam em contos de fadas – ou de terror, no meu caso. Mas levando em consideração os acontecimentos das ultimas horas, é meio difícil duvidar que é tudo não passa de um sonho.

Meu momento reflexivo foi interrompido pela brusca parada que Pearl conferiu quando um corvo em alta velocidade cortou nosso caminho, quase me fazendo cair, e desapareceu em uma nuvem. Pelo o que aconteceu em seguida, concluo que o pássaro deu meia volta e aumentou ainda mais a velocidade do voo. E quanto mais se aproximava de nós, mais crescia... E foi ficando grande. Enorme. Gigante. Aterrorizante.

Das penas de sua cauda saía uma fumaça escura e densa, ainda mais asquerosa do que aquela de dióxido de carbono que sai do escapamento de caminhões velhos.

O animal abriu o bico pontudo e emitiu um ganido agudo. Surgiram depois, mais duas feras. Foi iniciada uma espécie de perseguição. Pearl tentava se afastar, mas o peso que carregava dificultava sua movimentação. Trean lançava raios contra os corvos gigantes, que eram ágeis de mais para se deixarem atingir.

A velocidade dos pássaros aumentava cada vez mais, como se ao invés de cansarem, adquirissem energia. E Pearl não tinha esse benefício. As criaturas chegavam mais perto e perto. E derrepente uma das patas traseiras de Pearl estava sangrando. E depois a asa direita.

Começamos a cair e os corvos vinham em nossa direção, dessa vez para nos fazer em pedacinhos. Fechei os olhos esperando a dor excruciante invadir meu corpo. E nada aconteceu.

Ao reabrir os olhos, pude vislumbrar vultos de pássaros ainda maiores, montados por cavaleiros em armaduras prateadas, atacando os corvos. Lutavam ferozmente, golpeando as bestas com suas espadas reluzentes.

Pearl fez um pouso forçado, aos tropeços, em uma grande clareira.

–Lote, você está bem? – inquiriu Trean preocupada, desmontando do dorso do cavalo.

–Estou sim e você? – respondi tocando os pés no chão.

–Bem, bem – suspirou — Pearl, meu anjo! Olhe só para você! Isso não é bom... – exclamou ela avaliando o estado lastimável do animal e alisando sua crina.

–Que animais são aqueles, Trean? – pergunto curiosa voltando à atenção a luta que ainda acontecia no céu.

–Grifos, Lote. Cabeça de águia, corpo de leão. Conhece? – explicou sorrindo.

–Grifos? Ah meu Deus! Grifos...

A feiticeira riu da minha reação.

Segundos depois, os três corvos haviam desaparecido e os quatro pássaros pousavam a alguns metros de nós. Dois cinzentos, um castanho e outro branco.

–São tão lindos... – deixo escapar.

–Espere só para ver os homens por baixo das armaduras haha – disse com um sorriso malicioso nos lábios

–Hã? Como assim? – não entendo seu comentário.

Os cavaleiros desmontaram e se aproximaram. E foi quando tiraram os elmos que compreendi o porquê do semblante animado de Trean. Olhares sedutores. Expressões nobres. Orelhas pontudas. Elfos. Magníficos elfos.

Todavia, apenas um deles despertou um profundo interesse em mim. O que caminhava mais à frente. Olhos verdes, cabelos negros e bagunçados, sorriso encantador.

–Thalion, comandante do 3º batalhão de guerreiros élficos de Mèlbor.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim!
Gente, uma coisa super importante: Se alguém realmente está acompanhado a história, deixe comentários. O número de reviews que recebo é realmente desanimador e isso não é nada bom para a minha auto estima. Preciso saber que vocês estão gostando, então deixem comentários e façam um esforcinho pra divulgar ok?
Beijos, obrigada