O Conto Da Lua
7 Ainda mais incrível...
Notas iniciais
Capítulo novo, nada demais mas espero que gostem.
O elfo cravou sua espada no chão e se ajoelhou em uma reverência. De pé, dirigiu-se a Trean:
-Trean, há quanto tempo, não minha velha amiga? – saudou com um sorriso entusiasmado no rosto.
-Bom te ver, Thalion. – retribuiu ela com o mesmo sorriso.
- Vocês se conhecem? – pergunto curiosa
-Claro. Bons tempos aqueles em que escutávamos as reuniões secretas de batalhas dos nossos pais por trás da porta, não? – Thalion prontificou-se a responder.
-Sim, tempos memoráveis esses, mas me digam... O que trás vocês aqui? – inquiriu Trean indiferente.
-Salvamos sua vida e é assim que nos agradece, feiticeira? – o mais robusto dos elfos se pronunciou.
-Para a sua informação, Bargon, estávamos nos virando bem sem vocês. Eu ia despistar os corvos sem nenhum problema... – afirmou ela dando a sua voz um tom de superioridade.
-Duvido muito – ele contrapôs.
-Ora, vocês não vão querer discutir por um motivo banal como este, não é? Ainda mais na frente de Nossa Majestade. – interviu Thalion lançando-me um olhar galante.
-Ah não. Não sou majestade de ninguém aqui. Sou só Charlotte, por favor... – peço envergonhada.
-Como não és nossa majestade? Não és tu Charlotte, a escolhida da Lua? – outro elfo, o mais baixo e novo de todos, diz confuso. Trean riu da expressão presente no rosto dele.
-Sim, Caladiel. Mas não se dirija a ela desta forma. Ela não está acostumada com tudo isso ainda. Charlotte é uma simples humana, esqueceu? – explica Trean.
-Você pode até ser humana, Charlotte. Mas se me permite dizer, não há nada de simples em você. – Thalion diz a mim num tom misterioso.
Ficamos todos em silêncio até que Trean resolve falar:
-Vocês ainda não disseram o que fazem aqui no mundo humano, Thalion.
-Bom, depois que vocês não apareceram no acampamento ontem a noite como planejado, Red ficou preocupado e nos mandou vir atrás de você. Chegamos ao orfanato e estava tudo em ruínas, então viemos rastreando vocês desde lá. Por sorte chagamos a tempo de impedir uma tragédia.
-Eu já disse que estava tudo sobre controle! – Trean responde ríspida.
Bargon solta um risinho irônico e ela o fita irada.
-Espera aí... Red... Aquele Red? Da história? – pergunto a Trean.
-Sim, esse Red.
-Mas aquilo não foi há trezentos anos? – digo desatinada.
-Essa é uma das nossas características, Lote. – afirma ela sorrindo e depois se dirigindo aos elfos– agora meninos, Pearl está muito machucado e não conseguirá nos levar até o acampamento nestas condições. Então que tal uma carona?
-Podem subir a bordo – brinca Thalion. – Assim que chegarmos ao acampamento, mandamos uma equipe de resgate para busca-lo.
-Ótimo! – exclama Trean indo na direção do cavalo e beijando seu focinho.
-Esse Caladiel fala sempre assim mesmo? – questiono Trean enquanto nos aproximamos dos grifos.
Ela ri.
-Sim haha. Mas não se pode esperar menos do que isso do filho do rei de Mèlbor. – conta.
-E o que há entre você e Bargon?
-Nada. Pelo menos não mais – faz uma pausa breve – Te conto essa história mais tarde. – conclui e sobe em um dos animais, segurando-se firmemente a cintura de Caladiel.
Encaro o grifo branco com certo receio. Seu olhar é sombrio e penetrante. Não pisca. Não emite som.
-Voraz é muito simpática, apesar desta cara de malvada. – Thalion diz se aproximando do grifo e acariciando lhe as penas.
-Então é “ela”? – falo sorrindo.
-É sim. E se sente honrada em poder transportá-la, Majest... Charlotte. – alega solene.
-Pois eu me sinto ainda mais honrada em poder desfrutar deste grande privilégio, fique sabendo Voraz. – retribuo dirigindo-me a ela.
Thalion monta primeiro e depois estende a mão para me ajudar a subir.
-Só não puxe as penas, por favor. – pede ele.
-Pode deixar. – digo – mas nesse caso, vou ter que lhe segurar bem forte – arqueando uma das sobrancelhas, articulo.
-Sem problemas. – seus lábios adquirem um sorriso malicioso. As rédeas são agitadas suavemente e as quatro aves levantam voo.
Admiro as penas de Voraz acariciando-as suavemente. A revoada plana por entre as nuvens. Lado a lado. Serenos. Olhos fixos no horizonte.
-E eu que pensei que não haveria nada mais fantástico do que voar em um cavalo-alado... – murmuro estupefata. Thalion vira o rosto sorridente para olhar-me.
-Já estamos chegando? – pergunto.
-Sem querer ofender, Majestade. Mas este questionamento é típico de uma criança – afirma Caladiel, fazendo Bargon soltar uma curta risada, porém debochada.
-Peço desculpas se minha mentalidade não atende as suas expectativas, Caladiel. – digo seriamente olhando para Bargon. – Mas o que mais vocês esperavam? Não passo de uma órfã com uma infância ruim. – concluo com um semblante rígido.
-Oh, eu que peço perdão se pareci menos prezar Vossa Majestade. Não foi minha real intenção. Apenas uma mera observação. – explicou envergonhado.
-Não faz mal. Eu entendo – sorrio para mostrar-lhe que está tudo bem, o que parece tranquiliza-lo.
Seguiu-se um silêncio. Cortado apenas pelo som do vento colidindo contra nós.
-Mas respondendo a sua pergunta, Charlotte, já estamos chegando sim. Não podíamos montar o acampamento muito perto do orfanato, mas também não muito longe. Viemos ao mundo humano com a missão de leva-la em segurança até A Fortaleza. Enquanto Trean conhecia você melhor, estávamos preparados para lidar com qualquer imprevisto que poderia vir a acontecer – conta ele.
Durante os próximos quinze minutos, ninguém profere uma palavra, entretanto, noto uma sutil troca de olhares entre Bargon e Trean. Hora hostil hora abatida.
Só agora percebo que o quarto cavaleiro ainda não enunciou uma palavra sequer. Imagino se não poderá ser mudo. Mas será que elfos podem possuir esse tipo de deficiência? Me ocorre perguntar a Thalion sobre o motivo daquele longo silêncio do elfo, porém a vergonha fala mais alto e permaneço com minhas dúvidas só para mim.
(...)
Abaixo de nós, o terreno vai ficando cada vez mais íngreme e altas montanhas vão surgindo. Começamos a descer cada vez mais, até que sou capaz de ver, lá embaixo, num vale de poucas árvores, largo mas não muito profundo, um pequeno acampamento: Algumas tendas na cor bege estão armadas; cavalos pastam e grifos descansam na relva alta; em uma fogueira, esquilos estão sendo assados por um homem baixinho e gorducho (um anão que, mais tarde ficarei sabendo, se chama Bhrodir); um mastro fino está fincado ao chão no centro do vale, uma *bandeira triangular agita-se em seu topo.
O som do bater de asas dos grifos atrai todo o acampamento para fora das tendas. A maioria lá são – ou parecem – humanos, noto alguns elfos e anões, mas há também faunos e uma centauro.
Pousamos e Thalion me ajuda a desmontar de Voraz. Trean se aproxima de mim e põe uma das mãos em meu ombro. Uma pequena multidão se forma ao nosso redor. Olhares curiosos e maravilhados me encaram fixamente, e repentinamente, todos se ajoelham em uma longa reverência.
-Sigam-me. – pede Thalion.
Todos abrem caminho para que eu, Trean e Thalion possamos passar. Pude ouvir alguns “Bem-vinda, Majestade”, “Vivi para ver este momento, Majestade”, “Estou honrado em vê-la, Majestade”, enquanto o elfo nos dirige a maior das tendas. Ele passa pela abertura e seguimos atrás dele.
Lá dentro, de costa para nós, admirando uma armadura prateada, se encontrava um homem muito alto, de cabelos lisos e levemente grisalhos na altura dos ombros.
-A missão foi concluída com sucesso, Red. – notifica Thalion.
O mago dá meia volta e nos lança um olhar grave. Depois passa a somente me admirar. E um sorriso se forma em seus finos lábios.
-Como vai, pequena Charlotte?
Notas finais
Espero que sim! Não esqueçam dos reviews please!É muito importante!
Beijos
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