Notas iniciais
Meu Deus! Desculpa a demora!! Eu estava com um horrível bloqueio de criatividade... Cheguei a escrever o capítulo várias vezes mais tudo ficava uma bosta haha Peço desculpas mais uma vez e espero que gostem.

Vou dedicar esse capítulo para minha 1ª leitora: Breeh! Obrigada ^^

P.S.: desculpem qualquer erro

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Toc Toc.

–Charlotte?

Acordo com uma voz doce e assustada chamando meu nome. A porta do quarto está entreaberta e de lá, um par de grandes e curiosos olhos negros me observam.

–Charlotte, a Srª Wade está chamando você para arrumar a capela – informa a garota. Ela tem a pele negra, linda. Cabelos encaracolados e volumosos. Um nariz pequenininho. Perece ser um pouco mais nova que eu, quinze anos, eu diria.

–Para que arrumar a capela? – pergunto

–Hoje é domingo, o padre Frederico vem dar uma pequena missa para nós – diz abrindo um pouco mais a porta e assim permitindo que eu a visse por inteiro.

–Ah é... – lembro desanimada – A missa...

–A Srª Wade quer que você desça agora para ajuda-la. Já são 04h00min e o padre chega às 05h00min. – ela fica me observando por um tempo, mas como não me mexo, decide ir embora.

Ainda permaneço lá, sentada naquele colchão fino, procurando coragem para sair do quarto, por mais uns cinco minutos. Suspiro e saio me arrastando até o corredor, onde uma garotinha de cabelos loiros e sardas no rosto esbarra em mim com violência. Jessie Astorn.

–Olha por onde anda, pirralha! – falo rude. Ela me olha tremendo e parece que vai chorar. Sai correndo.

Sigo para o andar de baixo, passo pelo jardim malcuidado em direção à capela do orfanato. Srª Wade está varrendo o chão e sussurra algo como: “Aleluia, Senhor!” a me ver chegar.

–Em que posso ajudar? – pergunto apática

–Nossa, desde quando é tão educada, Charlotte? – fala surpresa

–Desde quando quero acabar o que tenho que fazer para poder voltar a dormir o mais rápido possível – ela revira os olhos.

–Comece passando um pano úmido nos bancos. E tire bem a poeira, trabalho de preguiçoso é feito duas vezes. – manda jogando um pano velho na minha direção.

Obedeço às ordens que me foram dadas sem contestar, mas de muita má vontade.

–Precisa de ajuda, Charlotte?

É a garota negra que havia me acordado há minutos atrás.

–Quer ajudar a mim? – me admiro.

–Quero – ela abre um sorriso simpático.

–Que coragem!

–Por que? Você morde? – me encara segura

–Não, mas é que...

–Eu não me importo, Charlotte.

–Não se importa? – começo a ficar confusa

–Não – sorri mais uma vez balançando a cabeça negativamente – agora você vai querer ajuda ou não?

–Claro que sim – consinto animada. Rasgo metade do pano úmido que se encontra em minhas mãos e entrego a ela, que começa a lustrar os bancos da pequena capela.

–Você é a garota que veio transferida do orfanato de São Francisco, não é? – questiono curiosa.

–Prazer, Trean – confirma.

Ou essa garota ainda não sabe direito quem eu sou ou ela é muito pirada. Me ajudar? Qual o problema dela? A única pessoa que fala comigo de uma forma “normal” neste lugar é a Srª Wade e derrepente essa Trean chega e quer me ajudar a fazer faxina? Qual é? Mas pelo menos arrumei alguém para me ajudar nos afazeres e isso não me parece nada ruim.


Passamos meia hora limpando os bancos e as janelas da pequena capela. Pergunto a ela como é em São Francisco e ela me responde que as pessoas de lá são bem gentis e divertidas, mas o que ela mais gosta é a comida marinha.



–O camarão e a lagosta são os melhores! – lembra lambendo os lábios – Mas eu só tinha a oportunidade de provar um pouquinho dessas delícias no meu aniversário – lamenta.


Eu sinceramente não sei por que ela não se sente satisfeita com sua comemoração de aniversário... No meu nunca há nada de especial, nada de novo. Todos os anos a Srª Wade faz a mesma coisa: Ora por mim pela manhã e me entrega um pacotinho com um par de meias. A cada ano, a cor ou estampa da meia varia. Tenho uma gaveta no armário destinada só a minha coleção de meias dadas pela Srª Wade. Com certeza lagosta e camarão de aniversário são melhores que um par de meias!

(...)

Às 5h00min todos os morados do orfanato St. Jude estavam reunidos na capela. Todos conversavam aos sussurros e esse amontoado de vozes acabava resultando em um grande falatório. Miss McLower, secretária do orfanato, uma mulher de 27 anos, morena, com olhos sedutores e misteriosos e corpo escultural, que obviamente chamava muita atenção dos órfãos mais velhos, subiu ao altar e pediu silêncio. Todos se calaram por imediato e tenho quase certeza de que algum engraçadinho assoviou para ela.

Padre Frederico, um senhor enrugado e vergado, apareceu por uma porta, tomou seu lugar desejando boa noite a todos e iniciou a missa, que se seguiu como todas as outras, entediante e hipócrita.

O sol já se esconde por trás das nuvens carregadas quando finalmente a tortura acaba e todos voltam para o prédio principal. O jantar já está servido, todos se sentam às mesas e se empanturram com frango frito e arroz. Me aproximo de uma das mesas e coloco em meu prato apenas uma coxa magricela e uma colherada do cereal. Os olhos receosos daqueles que estão sentados ali não ousam olha para mim, Maddie Jordan chega a estremecer quando encosto de leve em seu braço ao pegar um copo com suco de laranja.

Aquela situação só se irrita ainda mais, então resolvo fazer a refeição em meu quarto. A Srª Wade passa por mim no corredor e me lança um olhar repreensor, mas finjo que não notei, afinal, o quarto é só meu e ninguém mais irá se importar se eu o sujar.

Estava com sono demais – para não dizer preguiça demais — para levar a louça suja até a cozinha, que apenas deixo o prato e o copo debaixo da cama e afundo a cabeça no travesseiro macio.

“Pelo menos o travesseiro compensa o desconforto do colchão velho”, é a última coisa que penso antes de cair no sono.



“Acordem! Acordem todos! O café está na mesa e o ônibus sai em quarenta minutos!”, grita a Srª Wade do corredor. Como de costume, tento ignorar a sua voz estridente como unhas arranhando o quadro negro, entretanto ela faz questão de espancar a porta do meu aposento para ter certeza de que não voltarei a dormir.



Após enfrentar a imensa fila de um dos seis banheiros disponíveis no prédio, me arrumar da forma mais rápida possível – calças, camisa, moletom roxo preferido e coque no cabelo -, e empurrar um pão com manteiga goela abaixo, finalmente consigo entrar no ônibus, ainda colocando os livros dentro de minha mochila gasta.



Sento ao fundo, em um canto. Com a cabeça apoiada na janela e os olhos fechados. Apreciando a sensação relaxante que o atrito entre meu rosto e o vento da manhã me causa, quando alguém senta ao meu lado. Trean, que apenas sorri simpaticamente para mim e depois se concentra em um livro.

Notas finais
Gostaram? Espero desesperadamente que sim, apesar de eu não ter gostado muito (:

Enfim, deixem reviews POR FAVOR!! Autores respiram a opinião dos leitores, não importa se for negativa ou positiva, apenas opinem... Bom, é isso... Vou fazer de tudo pra postar com mais frequência. Beijos