O Confronto dos Deuses
3 Capítulo 3
Notas iniciais
"Mais um casal desaparecido; desta vez, a atenção se concentra no casal Victoria e Edward de LaVitta; os dois foram vistos por último no escritório de sua advogada, Suzane Dudek (a mulher que salvou a América da máfia Stracci [clique para saber mais]). O que deixa suspeitas é que os dois possuíam alto QI, uma fortuna multimilionária e apenas um herdeiro, Paul de LaVitta, 28 anos. Ursula Breckwood, uma delegada local, disse que fará o possível e o impossível para conseguir encontrar o casal, já que a economia da região depende exclusivamente dos de LaVitta. Mais informações em breve." Os olhos de Suzane corriam furiosamente pela tela do aparelho eletrônico, procurando algum motivo para fazê-la acreditar que tudo isso não passava de uma singela e boba brincadeira, infelizmente, não o encontrou.
Suas mãos tremiam e sua cabeça dava voltas e mais voltas: O que vou fazer agora? Paul não pode ficar sozinho, ele é uma criança preso no corpo de um adulto de 28 anos!
– Isso não pode ser verdade. — Ela repetia consigo mesma. Paul a encarou com uma expressão cansada e triste. — Não pode ser verdade! Achei que fosse apenas uma brincadeira de sua parte, Paul.
– Você acha que eu brincaria com tamanha seriedade? Quem você pensa que eu sou? — Paul parou um pouco, como se estivesse refletindo. — Eu sei que não tenho toda a responsabilidade que deveria, e todas essas coisas, mas jamais eu brincaria com um negócio desses. Se tem uma coisa pela qual eu tenho respeito e admiro muito, é a família.
– Ahn... — Suzane falou sem jeito. Merda, Suzane, você tinha que estragar tudo!!– Me desculpe se fiz parecer isso, não foi a intenção.
A gorducha sorridente veio atendê-los novamente, desta vez anotava alguma coisa furiosamente em seu bloco de notas.
– Vão querer mais alguma coisa? — Ela olhou para Suzane e sorriu, a loura retribuiu o sorriso.
Paul tirou uma nota de 50 dólares de sua carteira e colocou no bolso da garçonete, fingiu um sorriso e disse:
– Eu e minha amiga estamos com pressa. Fique com o troco.
Enquanto Vivian ia agradecendo o moço por tamanha generosidade, o jovem casal ia andando de volta para o carro, desta vez, mais abatidos do que nunca. Suzane entrou primeiro, e logo após Paul entrou, ela respirou silenciosamente o ar pesado que enchia o ambiente, com medo de falar alguma coisa e acabar estragando tudo. De novo.
Paul de LaVitta voltou a encarar Suzane, pensando no que voltaria a fazer depois que achasse seus pais, e se um dia, ele tomaria juízo de tudo que estivera fazendo até então. Ele não só admirava a coragem e a sabedoria da doutora, mas também sua beleza.
– O que vamos fazer agora? — A loura lançou a pergunta e ficou encarando as pessoas passando do lado do carro e analisando-o como um bom crítico de cinema.
– O que eu vou fazer agora. — Corrigiu Paul, ligando o carro. — Os pais são meus, doutora, você não tem nada a ver com isso. Só lhe procurei para pedir informações e agora estou indo te levar de volta. Vou conversar com Ursula depois que te levar, tudo dará bem no final. — Ou não. Paul se forçara a acreditar que tudo daria bem no final, mas agora que sua família estava refém de um misterioso bandido, parecia que não havia mais esperanças. Tudo está acabado.
– Isso não é problema só seu! — Disparou a doutora. — Ed e Vic me ajudaram quando mais precisei, por que seria diferente agora? — Paul estava dirigindo em direção á casa da doutora quando encostou numa praça e a encarou.
– Você tem certeza disso? — Ele passou a mão em sua cabeça, alisando seus cabelos. — Tem certeza de que quer ajudar um adulto em formação? — Ambos riram.
– Eu tenho certeza. — Suzane sorriu de forma caridosa. — Vamos para a delegacia.
***
Quando começara a trabalhar como delegada, Ursula Breckwood não pensava que ao passar dos anos, a profissão ia se tornar algo entediante e odioso. Com seus 39 anos e com um marido na marinha, Ursula havia se tornado o cúmulo do ridículo; sem filhos, sem pais, sem família, sem dinheiro, absolutamente sem nada.
Estava entediada no seu escritório quando o telefone tocou. Ela atendeu com um bocejo.
– Diga.
– Tem duas pessoas que querem te ver. — Anunciou o secretário.
– Qual o nome delas?
– Paul de LaVitta e Suzane... Dudek.
Ursula se lembrou dos nomes rapidamente; o herdeiro da fortuna do casal desaparecido que havia falado mais cedo para uma repórter e a jovem Suzane, a moça que tinha se tornado famosa depois de virar refém de uma máfia italiana.
– Deixe-os entrar. A delegada passou a mão em seus cabelos para conter o frizz, e analisou suas pontas: a tinta laranja havia estourado todo seu cabelo. Preciso dar um jeito nisso, pensou ela.
Suzane e Paul admiravam e riam baixinho enquanto a delegada analisava seu cabelo de forma cautelosa.
– Devemos assustá-la? — Perguntou Paul, Suzane negou com a cabeça. O rapaz deu três batidas na porta, e Ursula Breckwood se levantou num pulo. Ela abriu a porta para os dois, e então sentou-se na sua enorme e confortável cadeira.
Analisou bem o rapaz a sua frente: era uma obra dos deuses, sim senhor! Enquanto á moça, sentia-se enciumada por não ter os cabelos louros.
– O que posso fazer por vocês?
– Queremos achar Victoria e Edward de LaVitta. — Suzane anunciou.
– Estamos procurando.
– Mas já tem uma pista de onde poderiam estar? Ou quem os raptou? — Paul disse, assustado.
– Estamos seguindo as pistas.
– Mas não podem falar nada a respeito disse? — Suzane perguntou, Ursula negou com a cabeça.
– Eles são meus pais! — Atacou Paul.
– Sinto muito, senhor de LaVitta, mas estes são os procedimentos padrões. Queria fazer mais por vocês, mas no momento, não posso. Depois da eleição de Goodman, Manhattan virou um verdadeiro inferno. Todos os dias o número de suicídio aumenta, e o de natalidade fica mais baixo.
– Não pode dar nem uma pista de quem pode estar atrás disso? Nós procuramos, não pedimos mais a sua ajuda, mas, pelo amor de Deus, nos dê algo! — Suzane estava desesperada, nesse momento, Paul apertou sua mão e a olhou de uma maneira reconfortante, quase que milagrosa.
Ela se acalmou e respirou fundo. Ursula Breckwood pegou um papel e uma caneta, escreveu algo e esperou alguns segundos antes de mostrar ao casal. Ela mostrou e os dois agradeceram imensamente pela pista, e saíram da delegacia cheios de incertezas.
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