O Confronto dos Deuses
4 Capítulo 4
Notas iniciais
A imaginação de Suzane Dudek se provou ativa no momento em que pôs os pés pra fora da delegacia, onde estava o casal? Ela deu uma olhada em Paul, e pôde ver o quão cansado estava.
— Pode parecer que não, mas eu sei como é ter o mundo despedaçando á medida que respira. Não é fácil. — Paul continuava a andar em direção ao carro, sem falar uma palavra. Suzane agarrou seu braço e o fez olhar em seus olhos. — Você quer parar de fingir que não é com você?
— Me desculpe, eu não estou com cabeça pra isso. Vamos, suba no carro, vou te levar de volta.
— Não. — Suzane recuou três significativos passos. — Me entregue a chave do carro, sei de alguém que pode nos ajudar a encontrar seus pais. Não pense que estou brincando, é sério! Paul de LaVitta ficava com receio de entregar a chave á Suzane, mas ela tinha o ajudado desde o primeiro minuto que resolveu procurar seus pais sem nenhuma pista, sem nenhum recado.
Ele entregou a chave mais lentamente que podia, os olhos da doutora provaram o quanto ela estava ansiosa a isso. Como um tigre, ela agarrou tal objeto, e foi saltitante até o banco do motorista, Paul sentou-se ao seu lado, paciente.
Suzane ligou o carro e discou algum número em seu celular, antes que pisasse no acelerador, deixou o aparelho no viva-voz:
— Sede do F.B.I. nos Estados Unidos da América, aqui quem fala é Ella Rovere, em que posso ajudar?
— Boa tarde, gostaria de falar com Valentina Rockfeller, diga á ela que é uma velha amiga que precisa muito da sua ajuda. — Enquanto ia falando, Suzane aumentava a velocidade e ia numa parte da cidade que Paul nem sabia que existia. — Meu nome é Suzane Dudek.
— Oh, senhorita Dudek! — Um tom de reconhecimento veio, e a voz foi se tornando mais doce. — A agente Rockfeller não trabalha mais aqui, ela foi transferida para Las Vegas. Peço perdões por isso.
— Não, eu que peço perdões por ligar no meio da tarde — Ella Rovere a cortou com um ar entusiasmado.
— Mas a senhorita Rockfeller disse que ia ligar qualquer dia, porque "você é casada com a confusão — Todos riram —, ela mandou você procurar por Frederich Morrison aqui na sede. Ele certamente irá ajudá-la.
Suzane parou o carro bruscamente em frente á um prédio cinza, sem movimentação, e o mais importante: sem vida. Paul de LaVitta estava prestes a questionar a doutora, quando ela falou ao aparelho celular:
— Pois bem, mande alguém de sua confiança vir aqui buscar eu e um amigo. Há suspeitas de que os pais dele foram sequestrados pelo novo governo de Goodman. Aproveite e chame o senhor Morrison, diga a ele que temos de tratar assuntos — Suzane deu uma olhada para Paul, que a encarava com tamanha surpresa e admiração. — burocráticos.
Ouviu-se uma série de cochichos e de botões sendo apertados desesperadamente. Muito bem, Rovere.
— Já mandei dois seguranças irem até aí, aguarde-os, por favor.
— Obrigada. — Suzane desligou o aparelho e olhou para os cantos, procurando qualquer sinal de vida.
Naquele imenso prédio cinza, tinha uma porta de vidro escuro que dava direto pra rua, e de lá saíram dois homens, um alto mais novo de aparência honesta e outro mais velho, aparentando o contrário de seu colega. Paul ficou aliviado de vê-los ali, cada passo dos dois homens significava uma nova dose de esperança para ele, suspirou feliz.
De repente, os dois homens foram ao chão, e antes que pudessem registrar o que tinha acontecido, vários homens de cima de um prédio vizinho estavam usando armas com silenciadores para provocar tamanho terror.
— Fique abaixado! — Suzane gritou entre o barulho de tiros. Tampou os ouvidos com as mãos, e se lembrou de quando sua mãe se fora desta vida. Aquele cenário era realmente assustador.
***
Enquanto isso, na sede do F.B.I. nos Estados Unidos, a veterana, Ella Mitchell Rovere, aguardava Paulsen e Ross chegarem com as duas vítimas. Estava demorando demais, pensara ela. Decidiu ligar ao senhor Morrison, desconfiava de que algo estava errado.
— Senhor Morrison?
— Pois não?
— O senhor poderia vir aqui — Ella ouviu o som dos tiros e se abaixou. — Senhor Morrison, vá para fora da sede! Repito! Vá para fora da sede!
— O que está acontecendo?
— Temo que Suzane Dudek possa estar morta. E não é só isso, ela está com o único herdeiro dos de LaVitta.
Ella ouviu uma respiração alarmada do outro lado da linha, e Frederich Morrison interrompeu a ligação. Alarmada, Ella Rovere ligou para todos os soldados disponíveis e os mandou urgentemente para fora.
Silenciosamente, ela rezava para que Suzane ainda estivesse viva.
***
Apesar dos 52 anos de Fred Morrison, ele estava em boa forma. Seus cabelos grisalhos e seus olhos acizentados davam lhe um charme de um verdadeiro cavalheiro. Abriu a gaveta de sua escrivaninha e pegou sua .40, pronto pra matar qualquer um que viesse pela frente.
Assim como a maioria dos americanos, Morrison não apoiava o governo de Goodman e deixava isso claro. Sua aluna, Valentina Rockfeller, o pediu que cuidasse para que a doutora Suzane Dudek ficasse viva, assim como muitos apresentadores de TV, o governo quer botar as mãos na loura. E se conseguirem capturar Suzane, vão fazer de tudo para que seja presa com o nome de Claricce Stracci.
Morrison estava á segundos de quebrar a promessa que fizera a agente junior, quando se deu conta de que precisava correr. Saiu de sua sala alarmado, e atrás dele dois seguranças se olharam, confusos.
— Pete! Stan! Venham comigo agora! Tentativa de assassinato e conspiração no portão principal. — Morrison corria o mais rápido que podia. Passou por todas as salas da sede, e percebeu que vários olhares desconfiados e confusos seguiram os três homens.
Quando chegou na secretaria, parou e recuperou o fôlego. Viu que Ella Rovere estava deitada no chão com lágrimas no rosto, ao seu redor, estavam todos os soldados disponíveis.
— Estão esperando o quê? — Morrison disparou. — Vamos salva-los!
O pequeno exército movia-se rapidamente, e quando o sargento Harris abriu a porta, os tiros cessaram. Eles só queriam chamar atenção, pensou Morrison. O carro vermelho estava em pedaços, e todos temiam pela vida do casal. Morrison correu de encontro do veículo com mais quatro agentes, enquanto o resto olhava ao redor, esperando um movimento suspeito para atirar.
Frederich Morrison abriu a porta do motorista, e viu Suzane Dudek encolhida como uma garotinha. Vazava um líquido vermelho de sua testa e seus olhos estavam voltados para o chão. Ele tentou puxá-la, mas ela resistiu.
— Suzane, eu sou Frederich Morris — Ela o interrompeu bruscamente.
— Salvem Paul primeiro! Ele precisa de ajuda! — Suzane o encarou com lágrimas nos olhos. — Por favor.
— Handford, Arnald, peguem-o e o levem o mais rápido possível para a enfermaria, digam á doutora Evans que deve ser tratado imediatamente.
Os agentes Thomas Handford e Simon Arnald nunca tinham visto tanto sangue em suas longas carreiras. Eles carregaram o jovem e com passos apressados, o levaram imediatamente para a enfermaria da sede. Enquanto isso, o sargento Harris tinha dado ao agente Morrison uma dose de tranquilizantes que faria Suzane desmaiar.
Os tiros ecoavam na cabeça de Suzane, fazendo com que ela ficasse com medo dos homens que continham arma e exibiam orgulho por tê-la, perdida em pensamentos, nem percebeu quando Morrison injetou tranquilizantes em seu pescoço. Imediatamente, sentiu um sono, uma paz profunda, e se permitiu ficar naquele estado, entregando-se totalmente ao efeito da droga.
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