Notas iniciais
"O homem para ser completo tem que estudar, trabalhar e lutar."
- Sócrates

Você começa a entender a vida quando já enganou a morte.

Esses foram os primeiros pensamentos de Suzane enquanto caminhava lentamente entre as ruas de Manhattan. O perigo á cercava rotineiramente, e isso a deixava mais alerta do que jamais estivera. Nervosamente ela deu uma olhada em seu relógio e apressou o passo. Daqui a cinco minutos terei uma reunião com os de LaVitta! Tenho que ser rápida.

Felizmente, naquele dia, o universo conspirava á seu favor, jamais teria pensado que pudesse pegar um táxi tão rápido em horário comercial. Entrou no carro e entregou uma nota de 50 dólares para o motorista.

- Por favor, dirija o mais rápido que puder para a Dudek Advogacia. — O taxista pareceu hesitar, quase que como a pressa de Suzane estivesse o assustado. — Por favor, tenho menos do que cinco minutos para chegar á reunião mais importante de minha vida!

O taxista assentiu e pisou no acelerador. Observando a cidade pela janela, Suzane se lembrou carinhosamente de sua casa em Las Vegas, na qual passava as datas festivas com sua irmã, cunhado e sobrinhos. A saudade a atingiu como um soco, ela sentiu seu coração murchar no mesmo minuto; ela sentia falta da inocência e da alegria das suas crianças, Spencer e Pete.

Suzane continuava distraída quando o motorista parou em frente ao seu escritório. William Gomez olhou pelo retrovisor de seu carro e admirou aquela bela moça. Ela me pagou mais do que o dobro da corrida, e eu sou eternamente grato, pensou ele. Ela percebeu que ele á encarava, então ela deu um sorriso e saiu do carro apressada.

Seus passos eram firmes e rápidos, ela estava decidida que iria fechar negócio com a poderosa família. Quando chegou á recepção, ninguém estava esperando-a. Suzane arqueou as sobrancelhas e se perguntou o por quê, os de LaVitta nunca se atrasavam, nunca. Teresa Masters, sua nova secretária, lixava a unha freneticamente, e nem percebeu quando sua chefe havia chegado.

- É para isso que eu estou lhe pagando? — Teresa a encarou com o pavor nos olhos, Suzane soltou uma gargalhada. — É brincadeira, Teresa, relaxe. Não deixe com que os clientes passem despercebidos, eles odeiam isso, acham grosseria. Falando em clientes, Edward e Victoria de LaVitta já chegaram?

- Não, ainda não. Liguei para eles cinco minutos antes da reunião, mas só caía na caixa postal. E além disso, não é muito seguro falar sobre esses assuntos no telefone... — Ela apontou para os lados. — Eles nos vigiam 24 horas por dia! Dá pra acreditar?

Teresa estava falando do novo governo do "homem bom", Louis Goodman. Apesar de investir mais na educação e saúde, ele deixava de investir em empresas, comércios exteriores. Além de tudo, seu governo era absolutista, se alguém fosse contra ele, amanhecia morto no outro dia. A grande maioria dos norte-americanos o odiavam por isso, pois, assim como Stracci — Goodman lhe falava como agir, sentir e até mesmo pensar. Suzane riu com o comentário de sua secretária, se ele fosse um pouco menos idiota, quem sabe como seria como presidente? ela pensou.

— Uhn, ok, Teresa. Quando chegarem, me ligue antes. — A secretária assentiu com a cabeça e voltou a lixar as unhas.

Suzane andou lentamente até sua sala e se jogou no sofá de couro que tinha ali. Ficou lá deitada sem fazer nada por uns três minutos, talvez cinco. Ela se levantou e foi conferir as notícias do dia-a-dia.

Uma reportagem chamou a sua atenção: "MAIS UM EMPRESÁRIO FOI RAPTADO, O QUE FAREMOS AGORA?", ela arregalou os olhos, pensando em Giovanni Stracci e em sua mais nova família, então clicou na matéria.

"Hoje, 06 de abril de 2015, foi descoberta mais uma vítima de um sequestro. De acordo com o policial Zuc Green, as vítimas foram levadas sem nenhum arranhão, a porta da frente da casa estava aberta — para o azar do casal, eles conheciam o sequestrador, que suponhamos que seja um amigo próximo da família. O empresário, Isaak Reymonds e sua mulher, Jacqueline, uma dentista renomada mundialmente, encontram-se desaparecidos. A polícia já descartou a presença de uma máfia, já que quem fez isso é muito mais poderoso que eles.

Discutiram-se também, a possibilidade de haver um serial killer nos arredores Manhattan, sequestrando homens e mulheres que tenham uma boa posição social. O motivo? Não sabemos, mas tudo nos leva a pensar que a ação foi meticulosamente planejada.

Aqui vai os nomes de todas as vítimas..."

Atônita, Suzane leu tudo aquilo e pareceu incrédula. O pior animal do mundo era o ser humano, e disso ela tinha a mais absoluta certeza. Ouviu três batidas na porta, e rapidamente a cabeça de Victoria de LaVitta invadiu a sala.

- Podemos entrar, doutora?

- Claro que sim! — Suzane abriu um sorriso enquanto os de LaVitta enchiam o lugar da graça de sua presença. — Prontos pra fechar negócio?

- Prontos. — Desta vez, foi Edward que falou.

***

A reunião foi longa e bastante cansativa. No meio da conversa, Edward me perguntou quantos anos tinha, e assim que lhe dei uma resposta seus olhos brilharam.

- Meu filho tem 28 anos! O que acha, hein? — Todos nós rimos. O casal me contou bastante sobre Paul — o único herdeiro do imenso patrimônio que tinham -, e que assim como os adolescentes, não dava a mínima para estudar, ou até mesmo trabalhar. Sua vida se resumia em sexo, bebidas e as vezes, drogas.

Edward era bom em fazer os outros rirem, era tudo o que um filho sonharia, enquanto Victoria ficava lá em seu canto, passando as mãos em seu cabelo castanho claro e trocando olhares de repreensão para o marido.

Suzane chegou em casa com os pés latejando de dor; o salto fazia com que seus pés se quebrassem em pequenos pedacinhos e com que ficasse com uma dor insuportável nas costas. Estou parecendo velha, ela ria consigo mesma. Banhou-se e colocou um pijama confortável, e quando estava prestes a dormir, uma pergunta ecoava em sua cabeça: Onde estaria Giovanni Stracci?

***

Suzane acordou com batidas impacientes na porta e com berros "Senhorita Dudek, tenho que falar com você!", "Por favor, abra logo essa merda de porta!", ela colocou um roupão por cima de seu pijama e foi ver quem era o homem que fazia de sua manhã de folga um inferno.

Ela abriu a porta, ainda passando a mão nos olhos, na tentativa de se despertar. A visão com que tinha em sua frente era maravilhosa: O homem em sua frente tinha cabelos castanhos e uma barba que fazia com que ele parecesse maduro e poderoso.

- Wow! Desculpe, mas, eu pensei que você fosse uma velha... — Ele a encarou, Suzane arqueou uma sobrancelha. — Perdão! Meus pais falam como se realmente você fosse velha, quer dizer, você é muito linda, e é nova. E eu não sei o que estou dizendo!

- E quem é você?

- Sou Paul de LaVitta, você deve conhecer meus pais. — Suzane assentiu. — Então, posso entrar?

- Já roubou meu sono mesmo, entre.

Paul entrou e observou as obras de arte penduradas na parede e as diversas fotos de dois meninos espalhadas pela casa. Merda, ela deve ser casada! Por que eu a cantei desse jeito? ele pensou, se praguejando. Ele sentiu sua nuca queimar e se virou e encarou a loira de volta, ela estava com um sorriso carinhoso no rosto.

- São lindos, né?

- São seus filhos? — Ele perguntou, nervoso.

- Quem me dera ter filhos incríveis assim um dia! São meus sobrinhos. — Suzane percebeu que ele reparava em suas curvas, então teria que fazer isso o mais rápido possível. — Então, o que o traz aqui?

- Meus pais não vieram pra casa ontem. Você tem uma ideia de algum lugar que poderiam ir? — Paul mordeu a parte inferior de sua boca. — Desculpa, estou realmente nervoso.

- Eles saíram as oito horas ontem. Desde então, não entrei em contato. — Suzane o encarou: Seus pais tinham razão, o rapaz era imaturo e bobalhão o suficiente para a fazer duvidar sobre seus 28 anos.

- Onde será que estão? — Paul estava perdido.

- Se me der alguns minutos, eu poderei me trocar e assim poderemos ir á algum restaurante para tomar um café, o que acha?

- Eu acho ótimo!

Notas finais
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