O Começo de Tudo
1 King's Cross
O outono pareceu chegar de repente naquele ano. A manhã do dia primeiro de setembro de 1971 estava revigorante e dourada como uma maçã, e, quando a pequena família atravessou saltitante a rua, em direção à grande estação encardida, a fumaça que os carros expeliam e a respiração dos pedestres cintilavam como teias de aranha no ar frio. Uma grande gaiola sacudia em cima do carrinho cheio que o garoto dos cabelos negros empurrava; a coruja alva como a neve piava indignada e Charlus Potter fazia tentativas fracassadas de tentar acalmá-la.
– Essa coruja irritante não vai parar de piar, não? — dizia o homem, frustrado — James, por favor, faça-a parar!
– Pai, ela está tão excitada quanto eu, estou finalmente indo para Hogwarts! — respondeu o menino.
– Charlus, deixe o menino se divertir, não seja tão arrogante — disse Dorea, a mãe de James.
– Tudo bem, tudo bem — o pai deu-se por vencido — não sou eu quem vai ter que aturá-la o ano inteiro!
James não deu atenção às palavras do pai, estava realmente muito ansioso. Ele cresceu ouvindo falar de Hogwarts, um imenso castelo com muitas torres e torrinhas, as janelas cintilam à luz da lua, era como seu pai o descrevia. Lá, ele iria encontrar seus verdadeiros amigos, disso ele tinha certeza.
– Vamos logo! — exclamou o menino, apressado — não quero me atrasar.
Os passageiros olharam curiosos para as corujas quando a família se encaminhou em ziguezague para a barreira entre as plataformas nove e dez. Os três Potter se aproximaram da barreira, James segurou firme em seu carrinho e saiu correndo. Um instante depois tinha desaparecido; antes mesmo que os pais pudessem dizer para que ele fosse devagar.
– Esse garoto não tem jeito! — exclamou a mulher. Logo em seguida, seu marido segurou-a pela cintura e os dois atravessaram a barreira lentamente.
Uma locomotiva vermelha a vapor estava parada a plataforma apinhada de gente. Um letreiro no alto informava Expresso de Hogwarts, 11 horas. James olhou para trás e viu um arco de ferro forjado com os dizeres Plataforma nove e meia. Conseguira.
Logo depois seus pais chegaram. O menino viu um grande relógio de ouro pendurado no alto, ele marcava que eram quinze para as dez, estava na hora de ir. Mas naquele momento ele teve uma imensa vontade de abraçar-se à mãe e não soltar-se mais. Ele iria sentir saudade dos pais, mas tinha que entrar no trem.
– Tchau pai, tchau mãe! — ele disse. E logo sem seguida, abraçou o pai.
– Cuide-se, não se meta com o Pirraça. Não duele com ninguém até aprender como se faz — Charlus disse.
– Eu vou ficar bem — o menino respondeu. E a mãe lhe deu um beijo de despedida.
– Vemos você no Natal, James.
As portas estavam começando a se fechar ao longo do trem vermelho, e os contornos indistintos dos pais se aglomeravam ao avançar para os beijos finais, as recomendações de última hora. James pulou para o vagão e Dorea fechou a porta do compartimento dele.
James olhou pela janela e viu um menino de cabelos negros compridos e o irmão se despedindo da família.
– Adeus Sirius e Regulus, fiquem na Sonserina! — disse a mãe deles, com uma aparência pomposa.
Outro garoto alto e de cabelos castanhos claros com uma aparência cansada entrava no trem. Seu pai exclamou:
– Já conversei com Dumbledore, Remus, vai dar tudo certo! — Remus se virou, deu-lhe um sorriso e embarcou.
Um menino gorducho comia alguma coisa e despedia-se rapidamente dos pais.
– Não se meta em confusões, Peter — a mãe avisava-lhe.
– Tudo bem, mãe... — respondeu o garoto, indiferente.
Mas o que realmente lhe chamou a atenção foi uma garota de cabelos cor de fogo e olhos verde-vivos embarcando, quem sabe ela não faça sua estadia em Hogwarts valer à pena...
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