O Começo de Tudo
2 O Expresso de Hogwarts
Notas iniciais
James observava a Plataforma aglomerada de pessoas, seus pais acenando para ele e a mãe sorria com lágrimas nos olhos. O trem fez a curva e as casas passaram num relâmpago pela janela. O garoto sentiu uma grande excitação. Não sabia aonde estava indo, mas parecia ser melhor do que o lugar que estava deixando para trás.
O garoto foi andando pelo vagão e as cabines iam passando. 76, 75, 74, 73, 72... Ele via pessoas conversando com os amigos dentro das cabines, viu um o garoto alto e com aparência cansada que havia visto na plataforma, ele estava sozinho, lendo. Resolveu não interferir.
Quando James chegou perto das cabines 65 e 64, avistou uma pequena roda de pessoas envolta de um garoto de cabelos negros e oleosos e roupas que pareciam grandes demais para a sua idade. O garoto de cabelos pretos e compridos que ele tinha visto com a família na plataforma caçoava:
– Ei, garoto, porque você não tira esse casaco gigante horrível? Ah, é, não quer que vejam a bata da sua mãe que está por baixo!
Uma onda de risos de todos que estavam por perto invadiu o vagão, a garota de cabelos cor de fogo já conhecida dele deu uma risadinha tímida e subitamente parou, depois, olhou para o amigo que estava sendo caçoado no meio da roda com um olhar de indecisão e indignação, como se quisesse ir lá defendê-lo, mas não podia.
James pensou que aquela era a sua chance de aparecer, ser popular já no primeiro dia sem esforço algum. Passou a mão nos cabelos negros, pulou para dentro na roda ao lado do garoto de cabelos ondulados e pretos, e disse:
– E aí, Ranhoso, conhece duas coisas chamadas xampu e condicionador? Porque pelo visto, esses seus cabelos sebosos estão precisando!
Todas as pessoas riram novamente, James procurou a garota de cabelos ruivos e olhos verdes que ele tentava impressionar, mas ela já havia ido há tempos. O garoto ao lado de James olhou para ele com um olhar de cumplicidade e perguntou num sussurro:
– Qual o seu nome?
– James, e o seu?
– Sirius, muito prazer – depois, Sirius desviou o olhar e perguntou para o garoto de cabelos oleosos:
– Qual o seu nome, garoto?
– Severo Sn-n-nape – ele gaguejou inseguro.
– Depois conversamos melhor, Ranhoso – James disse e logo em seguida saiu ao lado de Sirius.
Os dois andaram por todo o percurso que James tinha feito antes, até entrarem na cabine 77. O motivo? A menina que depois eles descobririam ser Lily Evans estava lá, sozinha e encolhida no canto ao lado da janela, o rosto colado na vidraça. Sirius sussurrou:
– Ei, vamos entrar, mas não vamos falar com ela, pois, afinal, parece triste...
– Mas... Está bem, está bem – ele passou a mão nos cabelos e os dois entraram.
James estava feliz, finalmente havia conseguido um amigo e popularidade. Mas por outro lado, ele não estava tão feliz, pois a garota devia ser amiga de Snape, então achou melhor não fazer brincadeirinhas enquanto estava na presença da ruiva, mas quando não... Aquele garoto que se prepare, pois será atormentado pelo resto da vida, ou pelo menos só até a estadia em Hogwarts acabar, aquele fracassado não iria roubar a sua garota.
Saindo de seus devaneios, James percebeu que Snape estava entrando no compartimento e sentando à frente da menina. Quando Sirius estava prestes a começar com as gozações, o amigo fez um sinal para que os dois não interferissem, pois ele não queria arranjar problemas com a garota.
~*~
Lily lançou um breve olhar a Severo e tornou a voltar sua atenção para a janela. Estivera chorando.
– Não quero falar com você — disse, em tom crispado.
– Por que não?
– Tunia me od... odeia. Porque vimos aquela carta do Dumbledore.
– E daí?
Ela lhe lançou um olhar de profundo desagrado.
– E daí que ela é minha irmã!
– Ela é só uma... – ele se refreou depressa; Lily, ocupada demais em secar os olhos discretamente, não o ouviu – mas nós vamos! – exclamou ele, incapaz de conter a exaltação na voz – isso é o que conta! Estamos viajando para Hogwarts!
Ela concordou, enxugando os olhos, e, apesar de não querer, deu um meio sorriso.
– É melhor você entrar para a Sonserina – disse Snape, animado ao vê-la menos triste.
– Sonserina?
Um dos garotos que dividia com eles o compartimento, e até aquele momento não mostrava o menor interesse em Lily e Snape — ao menos era o que parecia -, olhou para o lado ao ouvir aquele nome.
– Quem quer ir para a Sonserina? Acho que eu desistiria da escola, você não? – perguntou para o menino que estava a sua frente, que não riu.
– Toda a minha família foi da Sonserina.
– Caramba – replicou o amigo -, e eu pensei que você fosse legal!
O outro riu.
– Talvez eu quebre a tradição. Para qual você iria se pudesse escolher?
O de óculos ergueu uma espada invisível.
– “Grifinória, a morada dos destemidos!” Como o meu pai.
Severo deu um muxoxo de descaso.
– Algum problema? – perguntou o mesmo garoto.
– Não – retrucou Severo, embora o seu sorrisinho de deboche dissesse o contrário – se você prefere ter mais músculo do que cérebro...
– E para onde está esperando ir, uma vez que não tem nenhum dos dois? – interpôs o de cabelos ondulados.
Os dois amigos deram gostosas gargalhadas. Lily se empertigou, ruborizada, e olhou os dois com ar de desagrado.
– Vamos, Severo, vamos procurar outro compartimento.
– Oooooo...
Os meninos imitaram o seu tom de superioridade; o de óculos tentou fazer Snape tropeçar quando ele passou.
– A gente se vê, Ranhoso! – uma voz gritou quando a porta do compartimento bateu...
~*~
Os dois garotos se entreolharam e riram à beça da confusão que tinham acabado de aprontar, mas James não pôde deixar de ficar um pouco decepcionado...
– Mas e aí, Sirius, qual seu nome completo?
– Sirius Orion Black, Orion é o nome do meu pai. E o seu?
– James Black Potter. Que legal, somos parentes distantes!
– Então, perfeito, daqui em diante seremos irmãos.
– Boa ideia — James sorriu — você já tem um irmão, né?
– Sim, o Regulus, meu irmão mais novo, mas ultimamente estamos um pouco afastados...
– Por quê?
– Bem, ele fica se achando demais com esse negócio de ser puro-sangue, ser sonserino e tudo mais. Eu não ligo muito para isso. Mas minha família inteira se importa demais, desde pequeno eles falam muito disso para mim.
– Entendo, eu sou puro-sangue também, mas meus pais e eu não nos importamos muito com esse tipo de coisa, acho que o fato de minha mãe ter casado com o meu pai ajudou.
– Por enquanto, a Grifinória é a minha casa favorita mesmo, não sei por quê. Só os corajosos vão para lá.
“Tomara que Sirius vá para a mesma casa que eu” pensou James “mas provavelmente irá se meter em problemas com a família”.
Depois de alguns instantes, os dois amigos ouviram um grande barulho no corredor e uma mulher toda sorrisos e covinhas abriu a porta e perguntou:
– Querem alguma coisa do carrinho, queridos?
A mulher empurrava um carrinho cheio de doces; feijõezinhos de todos os sabores, balas de goma, chicletes de bola, sapos de chocolate, tortinhas de abóbora, bolos de caldeirão, varinhas de alcaçuz e vários outros.
– Sim, por favor. Queremos dois de cada! — Sirius diz esfomeado.
A mulher ergueu-lhes uma sacola com os doces e cada um pagou onze sicles de prata e sete nuques.
Os dois comeram muitos doces em silêncio até que James resolve perguntar para Sirius o nome da garota ruiva, talvez ele pudesse saber. E, aliás, o garoto poderia ter acabado de conhecê-lo, mas já confia muito no amigo.
– Sirius? Sabe aquela garota ruiva, que estava aqui agora pouco com o Ranhoso? — ele pergunta enquanto mastiga uma varinha de alcaçuz.
– Claro que sei James, como não deixaria de notar uma coisa tão óbvia?! — o garoto ironiza, comendo uma tortinha de abóbora.
– Há, há, há, muito engraçado. Mas é sério, você só deixaria de notar uma garota tão gata se fosse muito idiota, ou gay.
– Nunca divide da minha masculinidade! — Sirius brinca, levantando uma varinha de alcaçuz para o alto — é claro que eu notei, o nome dela é Lily.
– Como você sabe?
– Eu ouvi ela se despedindo da irmã, que, aliás, é muito irritante, e da família lá na plataforma. Depois, entrou no trem com o Ranhoso.
– E por que você não me disse isso antes seu idiota?!
– Ué, achei que você não se importasse — Sirius disse indiferente, mascando um chiclete.
– Mas é claro que eu me importo, aquela é a minha garota! E o Ranhoso não vai roubá-la de mim.
– Vish, então você se ferrou cara. Ele já roubou. Você vai ter que lutar muito.
– E vou mesmo, Lily Ruiva que me aguarde! Nenhuma garota irá resistir a James Potter.
James espiou pela janela. Estava escurecendo. Viu montanhas e matas sob um céu arroxeado. O trem parecia estar diminuindo a velocidade.
Ele e Sirius tiraram os paletós e puseram as vestes longas e pretas como símbolo de Hogwarts nas gravatas.
Uma voz ecoou pelo trem:
– Vamos chegar a Hogwarts dentro de cinco minutos. Por favor, deixem a bagagem no trem, ela será levada para a escola.
O estômago de James revirou de nervoso, ele finalmente vai ver o magnífico castelo do qual seus pais sempre falaram. Os dois amigos encheram os bolsos com o resto dos doces e se reuniram à garotada que apinhava aos corredores.
O trem foi diminuindo a velocidade e finalmente parou. As pessoas se empurravam para chegar a porta e descer a pequena plataforma escura. James estremeceu ao ar frio da noite. Então apareceu uma lâmpada sobre as cabeças dos estudantes e James ouviu uma voz vinda de um homem enorme que aparentava ter uns 40 anos com uma barba imensa:
– Alunos do primeiro ano, bem vindos à Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts! Primeiro ano aqui!
Chegou a hora.
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