O Começo: O Que Aconteceu Antes da Escolhida?
7 Sim, eu sou você
Sam estava sentada em frente a mesa de Victor, que estava ao telefone.
– Sim, muito obrigado pela atenção — disse Victor. Ele põe o telefone de volta no gancho — Sua mãe irá vir aqui para conversar comigo.
– O que? — perguntou Sam, desesperada — Mas eu não fiz nada!
– Pare de mentir para mim! — disse Victor — E acho melhor você aproveitar seus últimos dias, querida.
Sam desconfia. Bruno, Max e Mia estavam no quarto de Mia e Sam. O iPhone de Bruno começa a tocar.
– Fala tia — disse Bruno.
– Ok, eu fiz as pesquisas e um dos frascos tinha produtos de limpeza — disse Anya, pelo telefone.
– Porque Victor deixaria produto de limpeza em um frasco? — perguntou Max.
– E no outro frasco, tinha uma mistura muito estranha — disse Anya, pelo telefone — Eu não consegui descobrir o que era e nem mesmo outros amigos meus, mas parece ser algum tipo de elixir bem desenvolvido por antigos cientistas que a fórmula foi perdida e nunca mais se soube. Até agora é isso.
– Ok, obrigado tia — disse Bruno.
Bruno desliga o iPhone.
– Bom, já terminou de bolar o plano? — perguntou Bruno.
– Sim! — disse Mia — É brilhante! Brilhante e vai ser feito assim que a mãe da Sam chegar.
– A mãe dela vai vir aqui? — perguntou Bruno, surpreso.
– Você não sabia? — perguntou Max — Victor ligou para a mãe dela. A senhora Jonas vai vir daqui a algumas horas.
– Ótimo! — disse Bruno — Isso vai pressionar ainda mais a Sam!
– Não se preocupa — disse Mia — Eu tenho um plano e a Mary vai se arrepender de ter dedurado a Sam.
E... Alguém bate na porta da frente. Victor vai até lá e a abre, revelando a senhora Maya Jonas.
– O que aconteceu com a Sam? — perguntou Maya.
– Senhora Jonas, obrigado por vir — disse Victor — Quer que eu pendure sua bolsa?
– Não, só responda minha pergunta — disse Maya.
– Por favor, me acompanhe — disse Victor.
Victor levou Maya para o escritório, onde Sam já estava a esperando. Maya sentou-se ao lado da filha.
– Bom, peço desculpas por fazer a senhora vir dos Estados Unidos até aqui — disse Victor.
– Se isso for perda de tempo e minha filha não ter feito nada, você vai pagar minha passagem de volta — disse Maya.
– Eu tenho certeza de que não será perda de tempo — disse Victor — Pois bem, nessa casa, nós temos um porão, onde guardamos coisas essenciais. Sua filha arrombou o porão, o invadiu e roubou alguns frascos que continham experimentos para vários tipos de doenças.
– O senhor é um zelador ou um cientista? — perguntou Maya.
Victor parou.
– Acho que os dois — disse Victor — Bom, foi encontrado entre os pertences dela, um dos meus frascos, já vazios.
– O senhor mexeu nos pertences dela? — perguntou Maya.
– Acho que eu tenho direito, já que ela roubou coisas minhas — disse Victor — Eu conversei com o sr. Sweet, o diretor desta escola e ele me recomendou que colocasse sua filha para fora da casa de Anúbis e ela fosse para o colégio, onde há alguns dormitórios. Assim, ela poderia ser contida, para não fazer mais isso novamente.
– Mais devagar!
Eles olham para a porta, vendo Mia, segurando uma pequena caixa.
– Senhorita Stravinsky, saia já daqui! — disse Victor — Ou irá receber uma punição!
– Victor, se você continuar assim, vai culpar alguém inocente — disse Mia.
– Eu sei muito bem o que estou fazendo! — disse Victor — Agora saia daqui!
– Espere! — disse Maya — Vamos ver o que ela tem a dizer.
Victor se senta.
– Obrigada senhora Jonas — disse Mia — Bom, como o Victor estava tão certo de que foi a Sam que arrombou o porão, eu resolvi abrir minha investigação.
Ela tirou um frasco, com algum líquido dentro.
– Reconhece isto, Victor? — perguntou Mia.
Victor vai até ela, vendo o frasco.
– Mas... Mas ela... — disse Victor — Onde encontrou isso?
– No quarto da senhorita Evans — disse Mia.
– Mas como vou saber que vocês não armaram para ela? — perguntou Victor.
– Um motivo muito simples — disse Mia — Este frasco estava dentro de uma maleta onde ela guarda tudo mais precioso dela.
– Eu me lembro dessa maleta! — disse Sam — Ela sempre deixava a maleta aberta para pegar maquiagem, jóias e outras coisas!
– Exato — disse Mia — E desde que houve o arrombamento no porão, esta maleta estava fechada. Porque ela iria fechar a mala após isso?
Mia joga o frasco para Victor.
– Admita que você quis culpar Sam por algo que ela não fez! — disse Mia — A Sam não tem nada a haver com isso! E mais, tudo foi recuperado! Para que tudo isso?
Victor olha para Sam e depois para Maya.
– Peço desculpas senhora Jonas — disse Victor.
– E? — perguntou Maya.
– E eu vou pagar sua passagem de volta aos Estados Unidos — disse Victor.
Victor sai do escritório, bufando. Mia e Sam se olham e se abraçam.
– Valeu — disse Sam — Te devo uma.
– Sam — disse Maya. As amigas olham para ela — Quem é essa sua amiga?
– Essa é Amélia Stravinsky — disse Sam — Minha melhor amiga.
– É um prazer conhecer você, senhora Jonas — disse Mia.
Maya balança a cabeça positivamente e sorri para a filha. E... A turma experimentava os figurinos para a peça. Sr. Flamin analisava um texto com Mia.
– Eu gostei — disse Flamin — Ficou muito bom. Podemos tentar encaixar no nosso roteiro.
– Não vai ficar estranho? — perguntou Mia.
– Tenho certeza que não — disse Flamin — Vou analisar com o sr. Sweet.
Assim que a turma chegou na sala, todos sentaram no palco.
– Que lindo! — disse Flamin — O meu natal chegou mais cedo!
– Eu exijo um papel melhor do que mamãe que morre! — disse Mary — Quero ter o papel principal!
– Senhorita Evans, a senhora não tem o direito algum de pedir um papel melhor na peça — disse Flamin — Tudo já está organizado.
Victor entra no lugar.
– Com licença sr. Flamin — disse Victor.
O professor se vira.
– Ah! Victor! — disse Flamin — No que posso ajudar?
– Preciso da senhorita Evans — disse Victor.
Mary olha para todos e se levanta devagar.
– O que eu fiz? — perguntou Mary.
– Muitas coisas — disse Victor — Anda!
Mary sai correndo da sala e Victor tira algo do bolso, alcançando para Sam.
– Dê para sua mãe — disse Victor.
Sam pega, vendo que era uma passagem de avião. Victor sai do lugar e Mia e Sam se olham e riem.
– Muito bem, com a falta da senhorita Evans — disse Flamin — Mia, pode ficar no lugar dela enquanto isso?
– Claro — disse Mia.
– Quero a cena onde Lily e Thiago se encontram — disse Flamin.
Alguns vão saindo, restando apenas Sam e Bruno.
– Ação! — gritou Flamin.
– Mas é teatro ou cinema? — perguntou Nick, de trás da cortina.
– Tanto faz! — diss Flamin — Ação!
Bruno finge que não percebe Sam, que vai chegando devagar e esbarra no colega.
– Opa, desculpa! Eu... — disse Sam. Os dois se olham — Você!
– Você! — disse Bruno.
Sam pára. Ela põe a mão na cabeça.
– Porque parou Sam? — perguntou Flamin.
– Eu não... Não me sinto bem — disse Sam.
Bruno se aproxima dela.
– O que está sentindo? — perguntou Bruno.
Sam não responde. Ela enxerga uma mulher sentada em uma das cadeiras da sala e do nada, desmaia, caindo nos braços de Bruno. Todos vêem correndo até ela.
– Sam! — disse Bruno.
– Pelo amor de Anúbis! — disse Mia — Leva ela para a enfermaria, Bruno!
Bruno pega Sam no colo e sai com ela do lugar. E... Sam acorda. Era apenas ela na enfermaria. Tudo estava escuro.
– Olá? — perguntou Sam.
Ela levanta da maca e vai para o corredor.
– Bruno? — perguntou Sam — Mia? Alguém?
Sam vê a borboleta azul voando pelo corredor.
– É você! — disse Sam — Você está viva!
A borboleta entra na sala de teatro e Sam a segue. Assim que ela chega na sala, vê que a borboleta pousa na mão de uma mulher que ela tinha visto antes de desmaiar. A mulher estava sentada no sofá.
– Está perdida, criança? — perguntou a mulher.
– Quem... Quem é você? — perguntou Sam.
A mulher nem se mexeu.
– Engraçado — disse a mulher — Você não sabe quem você é.
– Como assim? — perguntou Sam.
A mulher se levantou. Ela tinha longos cabelos pretos compridos e olhos azuis como a borboleta. Sam olha a borboleta, que continuava na mão da mulher.
– Sim, Sam — disse a mulher — Eu sou você. Até o dia chegar, eu vou pertencer a você e você a mim.
Sam pára e pensa.
– Nut? — perguntou Sam — Você é Nut?
Nut pega algumas mechas do cabelo de Sam e vai mexendo.
– Acalme-se criança — disse Nut — Cuidado com Anúbis, ele a quer. E quando chegar o dia, apenas traidores vão saber onde você está.
– O que você quer dizer? — perguntou Sam — Porque você não pode me contar tudo simplesmente?
– Quando você acordar, não pode falar do que viu aqui para mais ninguém, a não ser suas pessoas mais confiáveis — disse Nut.
Nut tocou sua testa e Sam vai dormindo novamente. Do nada, Sam se levanta da maca, quase tendo um ataque. Bruno percebeu que Sam havia acordado e vai até ela, junto com Mia.
– Graças aos Deuses! — disse Mia, abraçando a amiga — Ela acordou!
– Você está bem? — perguntou Bruno.
Sam percebe que voltou a enfermaria e não havia mais sinal de Nut.
– Há quanto tempo eu apaguei? — perguntou Sam.
– Duas horas — disse Bruno — O sr. Sweet queria te levar para o hospital, mas o sr. Flamin não deixou e disse que nós precisávamos te vigiar.
– Parece que foi menos tempo — disse Sam.
– Porque? — perguntou Mia — Você teve algum sonho?
Sam olha para a enfermeira que anotava algo em uma prancheta.
– Acho melhor falar em outro lugar — disse Sam — Aqui não é seguro.
E... Sam, Bruno e Mia entram na casa de Anúbis.
– Então...
Eles olham para o topo das escadas e viram Victor.
– Você melhorou, senhorita Jonas? — perguntou Victor.
Sam percebe algo estranho.
– Cuidado com Anúbis, criança! Ele a quer!
– Como? — perguntou Sam.
– Eu soube que desmaiou por duas horas — disse Victor — Agora está melhor?
– Ele a quer!
– Sim, eu estou melhor, Victor — disse Sam — Posso ir para meu quarto?
Victor balançou a cabeça positivamente. Os três sobem as escadas e chegam no quarto de Mia e Sam.
– Algo errado? — perguntou Mia.
– Ela falou comigo! — disse Sam.
– Quem? — perguntou Bruno.
Sam abre a porta, vendo se havia alguém no corredor. Apenas Justin e Julieta estavam por ali, indo para o quarto de Julieta. Sam fecha a porta e senta na cama.
– Eu sonhei com Nut — disse Sam.
– Nut? — perguntou Mia — Você tem certeza?
– Absoluta! — disse Sam — Eu estava no colégio, tudo escuro e então eu vi... Eu vi a borboleta azul! Ela foi até a sala de teatro e lá estava Nut! Ela disse que ela era eu ou... Ou vice versa! Ela disse ela fazia parte de mim agora!
– Parte de você? — perguntou Bruno — Quer dizer... Você é Nut?
– Não faço ideia! — disse Sam — E ela também disse que era para eu ter cuidado com Anúbis, porque ele me queria!
– Sam, olhe para a janela!
– O que? — perguntou Sam.
– O que o que? — perguntou Mia.
– Olhar para a janela? — perguntou Sam.
– Eu não disse nada! — disse Bruno.
– Nem eu! — disse Mia.
Sam olha para a janela e viu a borboleta azul atrás do vidro. Ela vai até a janela e os dois a seguem.
– É ela — disse Sam.
– Ok, isso está muito estranho — disse Mia.
Alguém bate na porta.
– Vocês tem cinco minutos! — gritou Victor, de trás da porta.
– Acho melhor você ir, Bruno — disse Sam.
– Sam, eu acredito em você mas acho melhor tomar mais cuidado — disse Bruno — Tem algo estranho nessa casa e eu não quero que nada ruim te aconteça.
– Obrigada — disse Sam.
Os dois se abraçaram e Bruno foi embora.
– Vocês fazem um belo casal — disse Mia.
– Você e o Max também — disse Sam.
Mia riu.
– Pode ser — disse Mia — Mas eu conheço o Bruno bem, você é especial para ele.
Sam abre a janela e deixa a borboleta pousar em sua mão.
– Faz um favor para mim? — perguntou Sam.
– Claro, o que? — perguntou Mia.
– Não quero que ela seja morta novamente — disse Sam — Pode distrair o Victor enquanto eu coloco ela em um lugar seguro lá fora?
– Ok — disse Mia.
Victor estava no escritório, Mia vai até a escada e finge que caiu dela.
– Meu joelho! — disse Mia.
Victor olha para Mia e desce até o saguão, onde a garota estava, segurando o joelho.
– Mia! — disse Victor — O que você fez?
– Eu caí! — disse Mia — Quer melhor resposta?
– Vamos para a sala! — disse Victor — Eu te ajudo.
Mia põe o braço no pescoço de Victor e ele a leva para a sala. Sam, com a borboleta na mão, sai da casa e vai até o jardim ao lado. Ela senta em um banco e abre a mão. A borboleta sai voando, deixando Sam pensativa.
– Fez um bom trabalho, criança.
– É você, Nut? — perguntou Sam.
– Sim, me escute, agora, você precisa se virar sozinha. Nem mesmo seus amigos vão poder lhe ajudar agora. Anúbis lhe quer, Victor a quer.
– Porque? — perguntou Sam.
– Para seu elixir da vida. Você é a alma pura que ele tanto quer.
Sam deixa uma lágrima cair.
– Eu vou morrer? — perguntou Sam.
Nut aparece em sua frente.
– Não vai — disse Nut — Eu não vou deixar. Você é minha filha agora e eu sou a mãe de todos os deuses. Nada vai acontecer com você.
Ela beijou a testa de Sam e sumiu. Sam entra novamente na casa de Anúbis e vê Victor, Trudy e Max em volta de Mia. Ela olha a colega, que sobe as escadas.
– Victor, amanhã eu vou na enfermaria e vejo isso — disse Mia.
– Tem certeza? — perguntou Victor — Isso me parece feio.
– Não se preocupe, vou ficar bem — disse Mia — Max, me ajude a subir as escadas.
Max pega Mia no colo e a leva para o quarto.
– Obrigada querido — disse Mia.
Ela o beija e entra no quarto. Sam olhava a janela.
– Belo trabalho — disse Sam.
– Obrigada — disse Mia — Acho melhor irmos dormir, o sr. Flamin quer um ensaio geral amanhã.
Sam pula na cama e em seguida dorme. E... Passam-se duas semanas de muito ensaio, brigas de amor, lugares na peça e discussões. O sol nasce e já aparece na janela do quarto de Mia e Sam. Sam abre os olhos e observa o quarto. Havia o figurino dela para a peça pendurada em uma arara em um canto do quarto e seu calendário marcava 17 de Agosto.
– É hoje — disse Sam.
Victor acorda em seu escritório e sorri.
– É hoje — disse Victor. Ele olha para Corbierre — É hoje, Corbierre.
O pássaro continua parado.
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