Sam estava sentada em frente a mesa de Victor, que estava ao telefone.

– Sim, muito obrigado pela atenção — disse Victor. Ele põe o telefone de volta no gancho — Sua mãe irá vir aqui para conversar comigo.

– O que? — perguntou Sam, desesperada — Mas eu não fiz nada!

– Pare de mentir para mim! — disse Victor — E acho melhor você aproveitar seus últimos dias, querida.

Sam desconfia. Bruno, Max e Mia estavam no quarto de Mia e Sam. O iPhone de Bruno começa a tocar.

– Fala tia — disse Bruno.

– Ok, eu fiz as pesquisas e um dos frascos tinha produtos de limpeza — disse Anya, pelo telefone.

– Porque Victor deixaria produto de limpeza em um frasco? — perguntou Max.

– E no outro frasco, tinha uma mistura muito estranha — disse Anya, pelo telefone — Eu não consegui descobrir o que era e nem mesmo outros amigos meus, mas parece ser algum tipo de elixir bem desenvolvido por antigos cientistas que a fórmula foi perdida e nunca mais se soube. Até agora é isso.

– Ok, obrigado tia — disse Bruno.

Bruno desliga o iPhone.

– Bom, já terminou de bolar o plano? — perguntou Bruno.

– Sim! — disse Mia — É brilhante! Brilhante e vai ser feito assim que a mãe da Sam chegar.

– A mãe dela vai vir aqui? — perguntou Bruno, surpreso.

– Você não sabia? — perguntou Max — Victor ligou para a mãe dela. A senhora Jonas vai vir daqui a algumas horas.

– Ótimo! — disse Bruno — Isso vai pressionar ainda mais a Sam!

– Não se preocupa — disse Mia — Eu tenho um plano e a Mary vai se arrepender de ter dedurado a Sam.

E... Alguém bate na porta da frente. Victor vai até lá e a abre, revelando a senhora Maya Jonas.

– O que aconteceu com a Sam? — perguntou Maya.

– Senhora Jonas, obrigado por vir — disse Victor — Quer que eu pendure sua bolsa?

– Não, só responda minha pergunta — disse Maya.

– Por favor, me acompanhe — disse Victor.

Victor levou Maya para o escritório, onde Sam já estava a esperando. Maya sentou-se ao lado da filha.

– Bom, peço desculpas por fazer a senhora vir dos Estados Unidos até aqui — disse Victor.

– Se isso for perda de tempo e minha filha não ter feito nada, você vai pagar minha passagem de volta — disse Maya.

– Eu tenho certeza de que não será perda de tempo — disse Victor — Pois bem, nessa casa, nós temos um porão, onde guardamos coisas essenciais. Sua filha arrombou o porão, o invadiu e roubou alguns frascos que continham experimentos para vários tipos de doenças.

– O senhor é um zelador ou um cientista? — perguntou Maya.

Victor parou.

– Acho que os dois — disse Victor — Bom, foi encontrado entre os pertences dela, um dos meus frascos, já vazios.

– O senhor mexeu nos pertences dela? — perguntou Maya.

– Acho que eu tenho direito, já que ela roubou coisas minhas — disse Victor — Eu conversei com o sr. Sweet, o diretor desta escola e ele me recomendou que colocasse sua filha para fora da casa de Anúbis e ela fosse para o colégio, onde há alguns dormitórios. Assim, ela poderia ser contida, para não fazer mais isso novamente.

– Mais devagar!

Eles olham para a porta, vendo Mia, segurando uma pequena caixa.

– Senhorita Stravinsky, saia já daqui! — disse Victor — Ou irá receber uma punição!

– Victor, se você continuar assim, vai culpar alguém inocente — disse Mia.

– Eu sei muito bem o que estou fazendo! — disse Victor — Agora saia daqui!

– Espere! — disse Maya — Vamos ver o que ela tem a dizer.

Victor se senta.

– Obrigada senhora Jonas — disse Mia — Bom, como o Victor estava tão certo de que foi a Sam que arrombou o porão, eu resolvi abrir minha investigação.

Ela tirou um frasco, com algum líquido dentro.

– Reconhece isto, Victor? — perguntou Mia.

Victor vai até ela, vendo o frasco.

– Mas... Mas ela... — disse Victor — Onde encontrou isso?

– No quarto da senhorita Evans — disse Mia.

– Mas como vou saber que vocês não armaram para ela? — perguntou Victor.

– Um motivo muito simples — disse Mia — Este frasco estava dentro de uma maleta onde ela guarda tudo mais precioso dela.

– Eu me lembro dessa maleta! — disse Sam — Ela sempre deixava a maleta aberta para pegar maquiagem, jóias e outras coisas!

– Exato — disse Mia — E desde que houve o arrombamento no porão, esta maleta estava fechada. Porque ela iria fechar a mala após isso?

Mia joga o frasco para Victor.

– Admita que você quis culpar Sam por algo que ela não fez! — disse Mia — A Sam não tem nada a haver com isso! E mais, tudo foi recuperado! Para que tudo isso?

Victor olha para Sam e depois para Maya.

– Peço desculpas senhora Jonas — disse Victor.

– E? — perguntou Maya.

– E eu vou pagar sua passagem de volta aos Estados Unidos — disse Victor.

Victor sai do escritório, bufando. Mia e Sam se olham e se abraçam.

– Valeu — disse Sam — Te devo uma.

– Sam — disse Maya. As amigas olham para ela — Quem é essa sua amiga?

– Essa é Amélia Stravinsky — disse Sam — Minha melhor amiga.

– É um prazer conhecer você, senhora Jonas — disse Mia.

Maya balança a cabeça positivamente e sorri para a filha. E... A turma experimentava os figurinos para a peça. Sr. Flamin analisava um texto com Mia.

– Eu gostei — disse Flamin — Ficou muito bom. Podemos tentar encaixar no nosso roteiro.

– Não vai ficar estranho? — perguntou Mia.

– Tenho certeza que não — disse Flamin — Vou analisar com o sr. Sweet.

Assim que a turma chegou na sala, todos sentaram no palco.

– Que lindo! — disse Flamin — O meu natal chegou mais cedo!

– Eu exijo um papel melhor do que mamãe que morre! — disse Mary — Quero ter o papel principal!

– Senhorita Evans, a senhora não tem o direito algum de pedir um papel melhor na peça — disse Flamin — Tudo já está organizado.

Victor entra no lugar.

– Com licença sr. Flamin — disse Victor.

O professor se vira.

– Ah! Victor! — disse Flamin — No que posso ajudar?

– Preciso da senhorita Evans — disse Victor.

Mary olha para todos e se levanta devagar.

– O que eu fiz? — perguntou Mary.

– Muitas coisas — disse Victor — Anda!

Mary sai correndo da sala e Victor tira algo do bolso, alcançando para Sam.

– Dê para sua mãe — disse Victor.

Sam pega, vendo que era uma passagem de avião. Victor sai do lugar e Mia e Sam se olham e riem.

– Muito bem, com a falta da senhorita Evans — disse Flamin — Mia, pode ficar no lugar dela enquanto isso?

– Claro — disse Mia.

– Quero a cena onde Lily e Thiago se encontram — disse Flamin.

Alguns vão saindo, restando apenas Sam e Bruno.

– Ação! — gritou Flamin.

– Mas é teatro ou cinema? — perguntou Nick, de trás da cortina.

– Tanto faz! — diss Flamin — Ação!

Bruno finge que não percebe Sam, que vai chegando devagar e esbarra no colega.

– Opa, desculpa! Eu... — disse Sam. Os dois se olham — Você!

– Você! — disse Bruno.

Sam pára. Ela põe a mão na cabeça.

– Porque parou Sam? — perguntou Flamin.

– Eu não... Não me sinto bem — disse Sam.

Bruno se aproxima dela.

– O que está sentindo? — perguntou Bruno.

Sam não responde. Ela enxerga uma mulher sentada em uma das cadeiras da sala e do nada, desmaia, caindo nos braços de Bruno. Todos vêem correndo até ela.

– Sam! — disse Bruno.

– Pelo amor de Anúbis! — disse Mia — Leva ela para a enfermaria, Bruno!

Bruno pega Sam no colo e sai com ela do lugar. E... Sam acorda. Era apenas ela na enfermaria. Tudo estava escuro.

– Olá? — perguntou Sam.

Ela levanta da maca e vai para o corredor.

– Bruno? — perguntou Sam — Mia? Alguém?

Sam vê a borboleta azul voando pelo corredor.

– É você! — disse Sam — Você está viva!

A borboleta entra na sala de teatro e Sam a segue. Assim que ela chega na sala, vê que a borboleta pousa na mão de uma mulher que ela tinha visto antes de desmaiar. A mulher estava sentada no sofá.

– Está perdida, criança? — perguntou a mulher.

– Quem... Quem é você? — perguntou Sam.

A mulher nem se mexeu.

– Engraçado — disse a mulher — Você não sabe quem você é.

– Como assim? — perguntou Sam.

A mulher se levantou. Ela tinha longos cabelos pretos compridos e olhos azuis como a borboleta. Sam olha a borboleta, que continuava na mão da mulher.

– Sim, Sam — disse a mulher — Eu sou você. Até o dia chegar, eu vou pertencer a você e você a mim.

Sam pára e pensa.

– Nut? — perguntou Sam — Você é Nut?

Nut pega algumas mechas do cabelo de Sam e vai mexendo.

– Acalme-se criança — disse Nut — Cuidado com Anúbis, ele a quer. E quando chegar o dia, apenas traidores vão saber onde você está.

– O que você quer dizer? — perguntou Sam — Porque você não pode me contar tudo simplesmente?

– Quando você acordar, não pode falar do que viu aqui para mais ninguém, a não ser suas pessoas mais confiáveis — disse Nut.

Nut tocou sua testa e Sam vai dormindo novamente. Do nada, Sam se levanta da maca, quase tendo um ataque. Bruno percebeu que Sam havia acordado e vai até ela, junto com Mia.

– Graças aos Deuses! — disse Mia, abraçando a amiga — Ela acordou!

– Você está bem? — perguntou Bruno.

Sam percebe que voltou a enfermaria e não havia mais sinal de Nut.

– Há quanto tempo eu apaguei? — perguntou Sam.

– Duas horas — disse Bruno — O sr. Sweet queria te levar para o hospital, mas o sr. Flamin não deixou e disse que nós precisávamos te vigiar.

– Parece que foi menos tempo — disse Sam.

– Porque? — perguntou Mia — Você teve algum sonho?

Sam olha para a enfermeira que anotava algo em uma prancheta.

– Acho melhor falar em outro lugar — disse Sam — Aqui não é seguro.

E... Sam, Bruno e Mia entram na casa de Anúbis.

– Então...

Eles olham para o topo das escadas e viram Victor.

– Você melhorou, senhorita Jonas? — perguntou Victor.

Sam percebe algo estranho.

– Cuidado com Anúbis, criança! Ele a quer!

– Como? — perguntou Sam.

– Eu soube que desmaiou por duas horas — disse Victor — Agora está melhor?

– Ele a quer!

– Sim, eu estou melhor, Victor — disse Sam — Posso ir para meu quarto?

Victor balançou a cabeça positivamente. Os três sobem as escadas e chegam no quarto de Mia e Sam.

– Algo errado? — perguntou Mia.

– Ela falou comigo! — disse Sam.

– Quem? — perguntou Bruno.

Sam abre a porta, vendo se havia alguém no corredor. Apenas Justin e Julieta estavam por ali, indo para o quarto de Julieta. Sam fecha a porta e senta na cama.

– Eu sonhei com Nut — disse Sam.

– Nut? — perguntou Mia — Você tem certeza?

– Absoluta! — disse Sam — Eu estava no colégio, tudo escuro e então eu vi... Eu vi a borboleta azul! Ela foi até a sala de teatro e lá estava Nut! Ela disse que ela era eu ou... Ou vice versa! Ela disse ela fazia parte de mim agora!

– Parte de você? — perguntou Bruno — Quer dizer... Você é Nut?

– Não faço ideia! — disse Sam — E ela também disse que era para eu ter cuidado com Anúbis, porque ele me queria!

– Sam, olhe para a janela!

– O que? — perguntou Sam.

– O que o que? — perguntou Mia.

– Olhar para a janela? — perguntou Sam.

– Eu não disse nada! — disse Bruno.

– Nem eu! — disse Mia.

Sam olha para a janela e viu a borboleta azul atrás do vidro. Ela vai até a janela e os dois a seguem.

– É ela — disse Sam.

– Ok, isso está muito estranho — disse Mia.

Alguém bate na porta.

– Vocês tem cinco minutos! — gritou Victor, de trás da porta.

– Acho melhor você ir, Bruno — disse Sam.

– Sam, eu acredito em você mas acho melhor tomar mais cuidado — disse Bruno — Tem algo estranho nessa casa e eu não quero que nada ruim te aconteça.

– Obrigada — disse Sam.

Os dois se abraçaram e Bruno foi embora.

– Vocês fazem um belo casal — disse Mia.

– Você e o Max também — disse Sam.

Mia riu.

– Pode ser — disse Mia — Mas eu conheço o Bruno bem, você é especial para ele.

Sam abre a janela e deixa a borboleta pousar em sua mão.

– Faz um favor para mim? — perguntou Sam.

– Claro, o que? — perguntou Mia.

– Não quero que ela seja morta novamente — disse Sam — Pode distrair o Victor enquanto eu coloco ela em um lugar seguro lá fora?

– Ok — disse Mia.

Victor estava no escritório, Mia vai até a escada e finge que caiu dela.

– Meu joelho! — disse Mia.

Victor olha para Mia e desce até o saguão, onde a garota estava, segurando o joelho.

– Mia! — disse Victor — O que você fez?

– Eu caí! — disse Mia — Quer melhor resposta?

– Vamos para a sala! — disse Victor — Eu te ajudo.

Mia põe o braço no pescoço de Victor e ele a leva para a sala. Sam, com a borboleta na mão, sai da casa e vai até o jardim ao lado. Ela senta em um banco e abre a mão. A borboleta sai voando, deixando Sam pensativa.

– Fez um bom trabalho, criança.

– É você, Nut? — perguntou Sam.

– Sim, me escute, agora, você precisa se virar sozinha. Nem mesmo seus amigos vão poder lhe ajudar agora. Anúbis lhe quer, Victor a quer.

– Porque? — perguntou Sam.

– Para seu elixir da vida. Você é a alma pura que ele tanto quer.

Sam deixa uma lágrima cair.

– Eu vou morrer? — perguntou Sam.

Nut aparece em sua frente.

– Não vai — disse Nut — Eu não vou deixar. Você é minha filha agora e eu sou a mãe de todos os deuses. Nada vai acontecer com você.

Ela beijou a testa de Sam e sumiu. Sam entra novamente na casa de Anúbis e vê Victor, Trudy e Max em volta de Mia. Ela olha a colega, que sobe as escadas.

– Victor, amanhã eu vou na enfermaria e vejo isso — disse Mia.

– Tem certeza? — perguntou Victor — Isso me parece feio.

– Não se preocupe, vou ficar bem — disse Mia — Max, me ajude a subir as escadas.

Max pega Mia no colo e a leva para o quarto.

– Obrigada querido — disse Mia.

Ela o beija e entra no quarto. Sam olhava a janela.

– Belo trabalho — disse Sam.

– Obrigada — disse Mia — Acho melhor irmos dormir, o sr. Flamin quer um ensaio geral amanhã.

Sam pula na cama e em seguida dorme. E... Passam-se duas semanas de muito ensaio, brigas de amor, lugares na peça e discussões. O sol nasce e já aparece na janela do quarto de Mia e Sam. Sam abre os olhos e observa o quarto. Havia o figurino dela para a peça pendurada em uma arara em um canto do quarto e seu calendário marcava 17 de Agosto.

– É hoje — disse Sam.

Victor acorda em seu escritório e sorri.

– É hoje — disse Victor. Ele olha para Corbierre — É hoje, Corbierre.

O pássaro continua parado.