Os alunos iam de lá para cá na casa de Anúbis. Trudy, Julieta e Raina levavam as caixas com os figurinos para a sala, enquanto os outros alunos iam arrumando outras coisas dentro das mochilas.

– Nick! — disse Trudy — É melhor você não ter colocado os pedaços do meu bolo na sua mochila!

– Eu não coloquei! — disse Nick — Peguei apenas um pote e guardei o bolo na mochila.

Nick ficou rindo e Trudy tirou o pote azul da mochila de Nick, cheio de bolo. Alguém bate na porta da frente e Victor vai até lá. Era o professor Flamin.

– Bom dia professor — disse Victor.

Flamin fica olhando o lugar.

– Que lugar incrível — disse Flamin — Nunca tinha entrado nesta casa antes.

– Se o senhor tiver tempo, posso lhe apresentar toda ela — disse Victor.

– Seria magnifico Victor — disse Flamin — Infelizmente, hoje não terei tempo. A peça é hoje e temos muito a organizar.

– William, preciso de sua ajuda para levar as caixas para o auditório — disse Trudy.

Todos pararam.

– William? — perguntou Justin — Seu primeiro nome é William, senhor Flamin?

– É... É... — disse Flamin — Eu só tento esconder esse nome.

– Sem enrolação — disse Trudy — Vamos levar tudo para o auditório.

Cada um foi levando caixas, levando mochilas e outras coisas.

– Victor, não vai ajudar? — perguntou Trudy.

– Não obrigado — disse Victor — Até ajudaria, se as aulas de riverdance que eu comecei a fazer, não tivessem quebrado minhas costas. De um jeito literal.

– Porque você está fazendo riverdance? — perguntou Louis.

– Assunto meu! — disse Victor.

Trudy pegou a última caixa e saiu da casa de Anúbis, deixando Victor sozinho.

– É hoje, Anúbis — disse Victor — Eu prometo não desapontar.

Victor foi embora e nem percebeu uma estranha silhueta no espelho da sala, onde Nut o observava. E... Era o auditório da escola. Todos os alunos entraram, levando as caixas e as mochilas. Sam entrou e observou o lugar.

– Nossa — disse Sam, olhando o lugar — É incrível!

Bruno ficou ao lado dela.

– Achei que você já tinha vindo aqui — disse Bruno.

– Não — disse Sam — Porque nossos ensaios nunca foram aqui?

– O diretor Sweet não gosta de estragar o palco — disse Bruno — É uma idiotice, mas... Ele é o diretor.

Flamin subiu no palco.

– Muito bem! — disse Flamin — Há armários nos bastidores onde vocês podem guardar suas coisas. Arrumem o figurino, guardem as coisas e voltem para cá, onde vamos começar a ensaiar.

Os alunos foram indo para os bastidores. Trudy entra no lugar e coloca uma mochila na última cadeira da última fileira.

– William, aqui tem comida para todos — disse Trudy — Se precisarem, me chamem na casa e eu trago mais.

– Perfeito, muito obrigado Trudy — disse Flamin.

Trudy saiu do auditório. Após todos guardarem as coisas, eles voltaram para o palco e viram Flamin e Mia, lendo o roteiro.

– Muito bem, quero o pai e a mãe aqui — disse Flamin.

Mary resmungou e subiu no palco.

– Ora, onde está o pai? — perguntou Flamin.

– Sr. Flamin, o senhor é o pai — disse Mia.

O professor parou por um momento.

– É verdade! — disse Flamin — Muito bem, vamos fazer a cena inicial. Esqueci! Venha o narrador também!

Louis sobe no palco.

– Vai meu lindo! — disse Raina.

Ele atirou um beijo a namorada.

– Sem demonstrações da platéia no ensaio! — disse Flamin. Ele puxou Mary para fora de cena — Venha.

Louis ficou no meio do palco.

– Essa é uma história antiga — disse Louis, lendo o roteiro — Uma história sobre a origem dos quatro elementos. Há muitos anos, a mãe natureza...

– Vá andando pelo palco! — disse Flamin, fora de cena — Como nós ensaiamos!

O garoto começa a andar pelo palco.

– Posso passar para a parte do livro? — perguntou Louis.

– Pode — disse Flamin, fora de cena.

Ele finge tirar um livro do bolso.

– Esta é a prova dessa história — disse Louis — Com certeza vocês vão achar interessante.

Louis coloca o livro no chão e o abre, saindo de cena. Flamin empurra Mary para o palco. Ela vai se aproximando do livro.

– Oh! — disse Mary, com um jeito mau humorado — Um livro!

– Mais real, Mary! — disse Flamin, fora de cena.

– Ainda não é a hora da peça — disse Mary — Quando for, eu vou fazer que isso pareça mais real.

– Continua! — disse Mia.

Mary finge que pega o livro.

– Incrível — disse Mary, mau humorada — A Origem dos Quatro Elementos, com certeza irei ler.

Ela sai de cena, ainda mal humorada. Louis volta ao palco.

– Essa é Ellen — disse Louis — Ela é a rainha de uma cidade. Essa cidade é muito antiga, mas ao contrário do que todos pensam, é uma das cidades mais avançadas que existiam. Essa cidade ficava em baixo da terra, sendo que o rei era um sujeito medonho e terrível.

– Louis, porque está cortando o texto? — perguntou Flamin, fora de cena.

– Sr. Flamin, eu prometo ler todo o texto na hora da peça! — disse Louis — É que é muita coisa!

– Ok, continue — disse Flamin, fora de cena.

– Este rei, Wallace, queria ter um filho que pudesse transformar no príncipe perfeito, mas nem tudo eram flores no inicio — disse Louis.

Flamin e Mary entraram ao mesmo tempo no palco.

– Querido, eu estou grávida — disse Mary, de mau humor.

Dava para ouvir algumas risadas da platéia.

– Grávida? — perguntou Flamin — Não! Não é possível! Porque agora? Eu precisava descobrir o segredo dos quatro elementos e então... Eu poderia ser o perfeito rei!

– Bom, você vai ter um herdeiro — disse Mary, de mau humor.

– Herdeiro? — perguntou Flamin — Um príncipe! Sim! Sim! Perfeito! Eu preciso arrumar o castelo para a chegada do meu herdeiro... Meu filho!

Flamin saiu de cena e Mary saiu um tempo depois. Louis entrou em cena novamente.

– O herdeiro que Wallace tanto queria, acabou sendo uma herdeira — disse Louis — Uma garota que sua mãe a deu o nome de Lily.

– Pegue o pano — disse Mia.

– Não, não está na hora da peça — disse Mary, fora de cena.

– Pega o pano! — disse Mia.

Nick joga o seu casaco para Mary.

– Valeu — disse Mary.

Mary enrolou e fingiu que o casaco era um bebê. Louis troca de lugar com Mary, que entra em cena.

– Minha filha, ela é perfeita — disse Mary, de mau humor — Logo, você vai ser mimada com o amor de seu pai e eu. Isso é ridículo!

– Continue Mary! — disse Mia.

Ela finge cair no chão.

– Mas o que? — perguntou Mary, de mal humor — Eu me sinto mal... Eu não sinto nada...

Mary finge dar de cara no chão e Flamin pegou o casaco de seus braços.

– Sim! Sim! — disse Flamin — Minha filha! Ela vai ser o futuro dessa cidade e eu sei que ela tem mais. Tem algo mais com minha filha e eu vou usar isso a meu favor.

Flamin saiu de cena. E foi passando o tempo... Era meio dia. A turma havia parado para almoçar e eles estavam espalhados no auditório, quando sr. Flamin e o diretor Sweet entraram no lugar, carregando várias caixas de pizzas.

– E eu não quero nenhuma sujeira no meu auditório — disse Sweet — Vão almoçar ali na praça.

Cada um foi pegando algumas fatias e colocando em um prato de plástico, depois indo para a praça que havia em frente ao auditório. Bruno, Sam, Mia e Max sentaram em uma mesma mesa, enquanto Julieta e Raina foram até seus namorados. Elas estavam de braços dados. Os garotos estranharam.

– Ju, o que foi? — perguntou Justin.

– Queridos, eu e a Raina nos perdoamos — disse Julieta.

– Nós percebemos o quão ridículo é essa briga, já que somos melhores amigas — disse Raina — Então resolvemos: Vamos ser os casais modelos da escola.

– Como é? — perguntou Louis.

– Bom, toda escola nos filmes tem um casal de populares e nós vamos ser — disse Raina — Vocês precisam se vestir bem, estar perfumados e claro, serem bem musculosos. Por isso, agora vocês vão começar a fazer educação física mais vezes.

Os garotos se olharam.

– Mia! — disse Louis — Mia!

Ela olhou para Louis.

– Você que sabe de cinema, me diz, existem os casais populares nas escolas? — perguntou Louis.

– Bem, sim — disse Mia — Por exemplo, no filme Grease, mostrava os casais populares da escola. Normalmente os casais populares sempre esnobavam os outros e só aceitavam outras pessoas no grupo se fossem ricas ou engraçadas.

Louis e Justin se olharam e depois olham para as namoradas.

– Isso vai fazer que vocês fiquem de boa? — perguntou Louis.

– Sim! — disse Julieta.

– Por mim não tem problema — disse Louis.

– Por mim também não — disse Justin.

Todos os casais se abraçam, enquanto Mia, Max, Bruno e Sam os olhavam e comiam.

– Eles sabem que só pode existir um casal popular na escola? — perguntou Max.

– Não — disse Mia — Mas vão descobrir quando a Bette e o Kyle os virem no refeitório.

– A Bette e o Kyle, da casa de Tot? — perguntou Bruno.

– Quem são esses? — perguntou Sam.

– Um casal que namora há dois anos aqui na escola — disse Mia — Eles se acham os populares.

– Mas eles são — disse Bruno.

– Diz isso para as notas deles — disse Max.

Eles veem alguém saindo da escola. Eram quatro pessoas.

– Tem gente nova na escola — disse Sam.

– Não é gente nova — disse Max. Ele olha Mia — Mia?

Mia percebe quem são as pessoas e pára.

– Ah, não — disse Mia.

– O que foi? — perguntou Sam.

– São meus irmãos e minha mãe — disse Mia.

Ela abaixa a cabeça e deita na mesa. As pessoas vão chegando perto dos alunos. O diretor Sweet estava junto com a mulher e mais três homens.

– Mia? — perguntou Sweet.

Mia levanta a cabeça.

– Sua família está aqui — disse Sweet.

– Eu percebi, senhor — disse Mia.

– Bom, oi querida — disse a mulher.

Mia se levanta e vai cumprimentar a mulher e os homens.

– O que fazem aqui? — perguntou Mia.

– Você vai se apresentar hoje! — disse a mulher — Não posso perder a chance de ver minha filha no palco novamente!

– Mãe, eu te disse! — disse Mia — Eu sou a diretora! Eu não vou dar um passo no palco!

– Irmãzinha, não podemos vir te ver aqui? — perguntou um dos homens.

Sam se levanta.

– Eu me lembro de você — disse Sam — Você é o Charles, o irmão arqueólogo da Mia.

– Exatamente, prazer te conhecer ao vivo, Sam — disse Charles.

– Querida, não vai nos apresentar aos seus amigos? — perguntou a mulher.

– Gente, essa é minha mãe Elsa e meus irmãos Charles, Cody e Thiago, por ordem de idade — disse Mia.

– Você é a mais nova? — perguntou Bruno.

– Sou — disse Mia.

Cody puxa a irmã e a escabela toda.

– Você sabe que nós te amamos, irmãzinha — disse Cody.

Mia empurra o irmão.

– E esses são meus amigos, o Bruno, o Max que vocês já conhecem — disse Mia.

– Max, você está mais bonito do que antes — disse Elsa.

– Eu agradeço o elogio, sra. Stravinsky — disse Max.

– Eu ainda acho que você é perfeito para nossa irmã — disse Thiago.

– Eu consegui o box de todos os filmes do Star Wars — disse Max.

– Com comentários do George Lucas? — perguntou Thiago.

– E dos atores — disse Max.

– Ele é perfeito para nossa irmã — disse Thiago.

– Eu te disse — disse Cody.

Todos riram.

– E essa é minha melhor amiga, Samantha Jonas, que é nova na escola — disse Mia.

– Muito prazer Samantha — disse Elsa — Você é uma adorável garota.

– Obrigada sra. Stravinsky — disse Sam.

– Cadê o papai? — perguntou Mia.

A família se olhou.

– Bom, ele ficou em Londres, querida — disse Elsa.

– Ele tinha um caso para defender de um importante político — disse Cody — E mandou dizer que sente muito e deseja boa sorte.

Mia suspirou e Max a abraçou.

– Acho melhor deixar os nossos alunos voltarem ao ensaio — disse Sweet — Sra. Stravinsky, que tal me acompanhar para eu lhe mostrar a escola?

– Eu adoraria — disse Elsa — Vamos queridos.

Elsa foi indo atrás de Sweet, enquanto os irmão se olham e olharam para a irmã, que estava sentada no colo de Max. Logo depois, eles seguiram a mãe.

– No que seu pai trabalha? — perguntou Sam.

– Ele é advogado — disse Mia — Ele me prometeu que iria vir.

Flamin sai do auditório e percebe toda a festa.

– Muito bem! — gritou Flamin — O almoço acabou! Vamos começar a montar o cenário e quero todos com as falas decoradas!

Todos foram entrando. Max e Mia dão as mãos e vão entrando junto com Bruno e Sam. E... Era noite. Os alunos se preparavam no auditório, já vestidos e com o cenário montado. Flamin, vestindo um elegante terno antigo, passava mais uma vez as falas.

– Todos prontos? — perguntou Flamin — Vou pedir ao diretor que abram as portas.

Mia sobe no palco, com o roteiro em mãos. Ela estava vestida elegantemente.

– Acho que tudo está pronto, senhor — disse Mia — O senhor está bem?

– Nervoso, mas isso é normal — disse Flamin.

Os dois riem e os atores começam a chegar no palco, todos já de figurinos.

– Muito bem, vamos ver — disse Flamin — A mãe, o narrador e mago, a princesa, o garoto corajoso, o melhor amigo, a irmã do melhor amigo, o chefe e a ajudante do chefe. Muito bem, todos estão aqui. Bom, vamos abrir as portas e todos fora de cena.

Flamin desce do palco e Sam vai até Mia.

– Eu estou nervosa! — disse Sam.

– Se acalma! — disse Mia, rindo — É nervosismo de primeira vez atuando e pior que você é a principal.

– É para ajudar, Mia! — disse Sam.

– Desculpa — disse Mia, rindo — Vai dar tudo certo. Você sabe as falas.

Max fica ao lado de Mia.

– Vou ficar lá atrás cuidando dos efeitos e da música — disse Max — Você vai lá?

– Daqui a pouco — disse Mia — Tenho que contar ao público sobre a peça.

– Ok, te vejo lá — disse Max.

Os dois se beijam e Max entra na cortina ao lado.

– Porque vocês dois não namoram? — perguntou Sam — Sempre te vemos com ele e vocês dois se amam!

Mia riu.

– Não como você e o Bruno — disse Mia — Quando eu estava em outra escola, eu conheci o Max e atuamos na mesma peça. No final, nós precisávamos nos beijar e ele tinha uma namorada chata. Ele terminou com a aquela chata e me pediu em namoro após ele me beijar na peça. Mas ele é meu melhor amigo, não posso reclamar. E você, você não pode largar o Bruno. Vocês são perfeitos um para o outro.

– Sério? — perguntou Sam — Você também acha? Mas espera, você não respondeu minha pergunta!

– Você vai descobrir no final da peça — disse Mia.

Mia desceu do palco e Sam ficou pensando. Flamin abriu as portas, onde várias pessoas começaram a entrar. Mary abre um pedaço da cortina e observa quem ia chegando. Ela vê alguém muito familiar.

– Nathalia? — perguntou Mary.

A garota de cabelos vermelhos compridos sentou na primeira fileira com seus pais. Ela vê Mary, sorri e acena. Mary retribui, estando meio confusa. Ela volta para dentro dos bastidores, encontrando Nick.

– Que estranho — disse Mary.

– O que? — perguntou Nick.

– A Nathalia está ali na primeira fileira — disse Mary.

– Sério? — perguntou Nick. Ele olha para fora e volta — É verdade! E você achando que ela tinha sumido e ainda culpou a Sam. Que feio, Mary.

Nick vai embora e deixa Mary pensativa. Ela vê Sam e vai até ela.

– Sam, quero falar com você — disse Mary.

– O que é? — perguntou Sam — Veio me azarar?

– Não — disse Mary — Quero pedir desculpas. Eu percebi que eu estava ficando louca e que... A Nathalia não sumiu. Pelo contrário, ela está ali fora. Eu fui uma idiota. Você me perdoa?

Sam pensa e sorri.

– Mas é claro que sim — disse Sam.

As duas se abraçam e chega o sr. Flamin.

– Meninas, em seus lugares — disse Flamin — A Mia já vai dar a introdução.

Todos foram se arrumando, enquanto Mia estava na ponta do palco, vendo que todo o auditório estava cheio.

– A todos, muito obrigada pela presença — disse Mia — Hoje, os alunos da casa de Anúbis, juntamente com o professor Flamin, de teatro, vão apresentar a peça chamada “A Origem dos Quatro Elementos”, adaptada de uma história. E sem mais delongas, vamos começar.

Tudo ficou um silêncio no lugar. Louis foi para o centro do palco, que estava fechado com as cortinas. Começou a tocar uma música de coro, onde Louis ficava esperando. Sem ninguém ver, Victor entra pela porta dos fundos, levando consigo, uma mala. Ele coloca a mala em cima de uma mesa e tira vários aparelhos.

– Chegou a hora — disse Victor.

A música vai acabando e as cortinas vão se abrindo. Uma luz só aparece em cima de Louis.

– Ouçam! — disse Louis — Ouçam irmãos! Essa é uma história antiga e graças a escritores e historiadores, essa história nunca irá se perder! Agora, todos em silêncio para que eu conte a história!