O Cobrador

1 Tudo mudou...


Notas iniciais
Oi gente. Eu resolvi postar esta história por 2 motivos:
-Eu realmente me "apaixonei" por um cobrador de ônibus. [Véei, não dá risada]
-E minha cabeça já estava começando a doer de tantos pensamentos que surgem com esse cara. Tenho que colocar as idéias para fora, ou vou explodir.
Agora, anúncio rapidin!
"Você viu? O quê? NÃO VIU? Como assim, você não viu? Vá correndo ver!
Monster, a fic que irá mexer com você."

POV Chaerin

Acordei com o despertador de Dara soando alto ao meu lado. Sem abrir os olhos, tateei-o pela mesa de cabeceira e quando o encontrei desliguei. Depois de alguns segundos, tomei coragem e me levantei. Abri os olhos e ainda estava tudo escuro. Levantei da cama, e andei sem direção certa, colocando a mão na frente para não esbarrar em nada. Assim que achei o interruptor, liguei a luz causando irritação em meus olhos, os quais fechei imediatamente.

-CL! Desliga essa luz! — Dara gritou e jogou um travesseiro em mim. Por um segundo, pensei em realmente desligar a luz e voltar a dormir. Mas lembrei que tinhamos aula, e da nossa casa até chegar á escola é muito chão.

-Levanta Dara! Temos que ir pra escola. — Bocejei e abri meus olhos, já acostumados com a claridade. Fui até o nosso banheiro, lavei o rosto e olhei o meu reflexo no espelho. Apesar da cara de sono, eu não estou um total desastre como sempre. Tirei meu pijama multicolorido e joguei na cesta de roupa suja. Soltei meus cabelos loiros e reparei que eles cresceram um pouco mais essas semanas. Já estavam na metade das minhas costas. Entrei no box e liguei o chuveiro. Assim que minha pele entrou em contato com a água gelada senti um choque térmico correr por toda a minha espinha. Eu odeio isso, você está toda quentinha acabou de acordar e dá de cara com água gelada.

Tomei um banho rápido, não posso ficar me dando ao luxo de demorar tanto tempo no chuveiro. Saí do box, peguei minha toalha amarela desbota e me sequei. Só agora reparei que o banheiro realmente está precisando de uma pintura nova. As paredes em leves tons de salmón estavam descascando, especialmente a que estava ao lado da pequena pia de mármore. O velho vaso sanitário coberto por "capas" específicas para isso, ficava um pouco mais para o lado esquerdo em frente á porta branca. Olhei para o teto e o pequeno lustre empoeirado, já dava sinais de que a lâmpada estava prestes a queimar.

Respirei fundo e saí do banheiro, voltando ao quarto e encontrando Dara ainda jogada na cama. Suspirei pesadamente indo acordá-la.

-Dara. Dara acorda! Nós temos aula daqui a 3 horas e você fica aí dormindo! — Sacudi-a fortemente já prevendo a bronca que ia levar. Ela sempre acorda de mau humor.

-Mas que porra Chaerin! Será possível que eu não posso mais dormir em paz, na minha casa?! — Ela esbravejou levantando-se bruscamente, me empurrando para que saísse de seu caminho até o banheiro, onde quando entrou bateu a porta.

-Bom dia pra você também. — Me levantei e fui vestir meu uniforme. Depois de arrumada, toda pronta, cabelos penteados, sapatos calçados, desci até a cozinha para preparar o café da manhã. Meu pai e minha mãe já haviam saído para trabalhar, então deixaram a mesa quase toda arrumada. Tive que fazer apenas o café, que havia acabado. Depois de pronto, coloquei-o no bule e deixei em cima da mesa. Cheguei ao pé da escada e gritei por Dara. -Você por acaso resolveu morar no banheiro foi? Desce logo para tomar café, já estamos atrasadas! -Assim que terminei a frase ela apareceu no topo da escada com a sua costumeira cara de "não tô nem aí". Seu uniforme estava totalmente irregular como de costume. A saia estava envolvida por um cinto preto todo tachado e com uma caveira prata ao lado. Seu blazer preto estava aberto e sua blusa branca estava totalmente amarrotada. O tênis fazia par com o cinto, também tachado e com uma caveira prateada ao lado. As mãos envoltas por luvas pretas, que deixavam apenas os dedos á mostra. Os cabelos amarrados em um coque mal feito, deixando escapar fios e mais fios pelos ombros. A maquiagem preta, dava o ar de menina problemática, a imagem pela qual ela zelava com seu amor torto.

-Por quê você leva a escola tão á sério?

-Por que eu quero ser alguém na vida. — Respondi e me sentei á mesa, passando manteiga no pão.

-Um dia você vai se arrepender do que está dizendo.

-Por quê você pensa assim? — Esse é o único assunto do qual falamos no café da manhã.

-Por que eu quero curtir a vida ao máximo, e não terminar trancada em um quarto estudando dia e noite pra ser alguém sem vida social.

-Mas eu tenho vida social. — Retruquei já sabendo a resposta.

-Tem por quê é minha irmã. Se não fosse isso, você seria apenas mais uma aluna qualquer da qual ninguém se importa nem em saber o nome. — Sua típica resposta grosseira, dessa vez veio com uma certa preocupação, disfarçado de deboche.

-Será que dá pra você adiantar logo? Nós precisamos ir. — Disse perdendo a fome como todas as manhãs depois dessa nossa mesma conversa. Subi para o quarto e escovei meus dentes, peguei minha mochila azul marinho e desci abrindo a porta.

-As vezes eu penso que o mundo seria melhor se a escola não existisse. — Dara passou por mim, esbarrando-se de propósito em meu ombro, como ela sempre faz. Apenas revirei os olhos com o ato infantil e tranquei a porta de casa, guardando a chave em um dos bolsos da mochila. Andei apressadamente pela calçada, acompanhando as nuvens cinzentas que se formavam no céu. Parece que o dia hoje será de chuva, como muitos outros.

Assim que chegamos no ponto de ônibus, Dara encostou-se em um dos pilares que sustentava a pequena cobertura de metal amarelo, apoiando o pé esquerdo no mesmo. Preferi ficar em pé, mesmo que o banco estivesse vazio. Se eu fosse depender da minha irmã para pegar o ônibus, com certeza perderíamos o horário. Minutos e mais minutos arrastaram-se lentamente, fazendo essa espera se tornar cada vez mais torturante. Assim que percebi faróis se aproximando, apertei os olhos para ter certeza de que era o nosso ônibus. Assim que me certifiquei disso, dei a mão para que o mesmo parasse e arrastei Dara, porque se não fizesse isso ela ficaria parada ali mesmo onde estava.

Assim que subi no ônibus, me senti aliviada, por ter a certeza de que em 1 hora e mais alguns minutos estaria na escola. Mesmo tendo sido a última á entrar, Dara passou em minha frente e girou a catraca buscando rapidamente um lugar para se sentar.

-Ei, garota, você não pagou a passagem. — O cobrador gritou para ela, que nem se deu ao trabalho de virar para encará-lo.

-Nem pretendo pagar. — Ela gritou de onde estava. O cobrador pousou o olhar sobre mim, que finalmente o olhei. Quando meus olhos entraram em contato com aquelas belas orbes acastanhadas, borboletas fizeram um protesto em meu estômago, eu estava em um transe momentâneo.

-Ér... — Eu disse desviando o olhar e tentando entender o que havia acontecido. — Eu pago a passagem dela. — Entreguei á ele o dinheiro da minha passagem e a da irresponsável que se diz minha irmã. Girei a catraca e sentei ao lado da inconsequente, que parecia totalmente distraída com a paisagem. Olhei mais uma vez para o cobrador daquele ônibus e tentei memorizar cada traço do rosto dele. Nossos olhares se encontraram de novo e imediatamente virei o rosto, tentando fugir de seu campo de visão o que seria impossível, á menos que eu fosse invisível.

-Gostou dele não foi? — Dara disse me surpreendendo, ainda sem desviar o olhar da janela.

-Gostar? D-de quem? — Eu disse tentando disfarçar o meu nervosismo.

-Chaerin, se tem uma coisa que você não consegue fazer, é mentir. Ainda mais pra mim, que te conheço desde que nasceu. Eu sei que você gostou dele.

-E-eu não gostei. Na verdade s-só um pouquinho. — Ei disse tentando me convencer disso.

-Você está tentando se convencer de que não gostou dele não é? — Ela sorriu sarcástica, agora olhando diretamente para meus olhos.

-Tá, tá. Eu não consigo mentir pra você e sim, eu gostei dele. Satisfeita?

-Eu vou te ajudar com isso. Mas agora não, eu estou com muito sono. — Ela disse bocejando. Dara pegou no sono, e eu continue pensando se eu realmente havia ou não gostado daquele homem. Seilá, ele deve ser muito mais velho que eu, já deve ter família e tudo mais. Mas mesmo assim, eu não conseguia me convencer de que apenas o achei bonito. Ao longo da viagem eu ainda dei umas olhadinhas discretas para ele. Tá, talvez não tão discretas, as vezes ele me pegava olhando-o e sorria. O olhar dele era tão penetrante e intenso que eu não conseguia manter um contato visual por mais de 3 segundos.

-Acorda Dara, o nosso ponto. — Disse apressada percebendo que, por estar viajando nessa nova sensação, acabei perdendo a noção de tempo.

-Como é que você nos fez perder o ponto sua doida? — Ela disse irritada, já se levantando.

-Ah, foi um acidente. — Eu disse em um sussurro. Me levantei também e o motorista parou no terceiro ponto depois do nosso. Dara desceu sem ao menos agradecê-lo, e muito menos olhá-lo. -Obrigada.

-De nada. — O motorista, aparentemente já idoso respondeu gentil, ajeitando o quepe em sua cabeça. Antes de descer, olhei mais uma vez para aquele cobrar, que me encarava de volta com o mesmo olhar. Desviei o rosto e desci do ônibus, correndo atrás da rockeira que já sumia em uma das curvas. Enquanto corria, virava para trás, apenas para constatar que o ônibus se distanciava cada vez mais. Esse amor nunca irá dar certo. Ele é um cobrador, nunca estará em um só ônibus. Sacudi a cabeça e corri ao máximo que pude para tentar alcançar Dara, que já sumiu totalmente do meu campo de visão.

Notas finais
E então? Gostaram? Essa história, realmente é baseada em fatos reais, e eu vou postar aqui, ao decorrer do que acontecer comigo.
Kissus e comentem!