O Circulo
2 Capitulo 2 - A Fuga
Acordei com uma batida leve na porta, me virei na cama tentando olhar o relógio, eram onze horas, meu pai era advogado e trabalhava em uma empresa já minha mãe, era arquiteta, ambos saiam a 13:00 pra ir trabalhar e só voltavam de noite, me sentei em quanto minha mãe entrava trazendo uma bandeja com uma expressão sorridente.
― Bom Dia! ― Largou a bandeja sobre minhas pernas e abriu as cortinas, tapei o rosto pros olhos se acostumarem com a claridade, observei a bandeja com torradas e um suco de laranja.
― Bom Dia, obrigada pelo café da manhã. ― Comecei a comer.
― Eu e seu pai vamos passar a tarde fora, você vai ficar bem sozinha?
― Claro que vou.
― Ok, vou deixar você comer em paz. ― Com isso ela saiu, fechando a porta.
Terminei de comer e tomei meu suco rapidamente, faltava pouco pra acabar a aula na Fallen Angel, peguei meu violão da parede, fazia tempo que não tocava, decidi tocar uma de minhas musicas preferidas da banda Of Monsters and Men – Mountain Sound, comecei a tocar me lembrando da letra e cantando.
― I heard them calling in the distance, So I packed my thing sandran, Faraway from all the trouble… ― Sorri em quanto tocava, era minha musica favorita, quando acabei coloquei meu violão no case novamente e arrumei minha cama, colocando o violão em cima dela, fui para o banheiro e tomei um banho rápido, escovei os dentes e procurei o que vestir, uma calça skynni de couro preta, coturnos e um blusão comprido de cinza e preto, escovei os cabelos e prendi em um rabo de cavalo alto, me fitei no espelho, procurei uma bolsa e joguei a carteira e chaves, larguei a bolsa e peguei meu celular vendo se tinha mensagem.
Conseguimos o GPS.
Perfeito, vou dar uma volta agora ir na cafeteria e fazer uma lista do que temos que comprar.
Coloquei uma agenda e uma caneta na bolsa também, e por fim o celular, peguei meu iphod e coloquei meus fones, procurei por meus óculos escuros e coloquei, tranquei a porta do quarto e desci as escadas.
― Mãe vou sair!― Gritei.
― A onde vai?
― Vou ir na cafeteria.
― Mas já é quase hora do almoço...
― Vou comer por lá, tchau!
Abri a porta e sai as pressas, o tempo estava ensolarado mas continuava frio, fui até o metro e embarquei em um trem, aumentei o volume dos meus fones e olhei pela janela, quando finalmente chegou minha vez de descer, me levantei dando lugar a uma senhora, em pouco tempo estava na cafeteria, sentei-me em uma mesa próxima a janela, olhei para o relógio da parede, 12:00 em ponto. Levantei os óculos e li o cardápio, decidi pedir dois croissant de chocolate e um capuccino, o garçom se aproximou.
― Bom Dia, o que vai querer?
― Dois croissant e um capuccino, por favor.
Ele anotou o pedido com rapidez e me fitou por alguns instantes, arqueei as sombrancelhas, odiava quando ficavam encarando meus olhos.
― Hum, é só.
Com isso ele acabou ficando envergonhado e se foi, peguei o bloquinho e a caneta, comecei a pensar no que deveríamos comprar:
Comidas e bebidas: Bolachas, barrinhas, doces, energéticos, refrigerantes, frutas, sucos.
Disfarce: Barba, peruca, maquiagem e lentes de contato.
Fitei a lista pensando no que mais, peguei o celular e liguei para Mag, ela atendeu no segundo toque.
Hey Lexi! Estou no viva-voz, o Chris ta ouvindo também.
E ai, pessoal?
E ai.
Fiz uma lista do que a gente vai precisar.
Comecei a digitar e mandei por mensagem.
Mandei por mensagem a lista, vejam ai.
Acabemos de ver, é isso, vamos ter que nos revisar no volante, mas isso ta tranquilo.
Ta sim, partiu comprar o que falta hoje?
Vamos ter que ir sacar dinheiro também, tenho uma boa quantia no banco o Chris também.
Tenho uma conta, e um pé de meia em casa, vou limpar elas daqui a pouco.
Ótimo, em frente ao chafariz as 23:30 ta bom pra ti?
Claro, vou dar meu jeito.
Beleza, até mais então.
Até.
Sorri pro visor em quanto colocava o celular dentro da bolsa, baixei os óculos e fiquei olhando as pessoas passarem apressadas na rua, o garçom chegou com meu pedido.
― Obrigada.
Comecei a comer, estava delicioso logo em seguida acabei, em quanto bebericava meu capuccino vi um borrão passar rente o vidro sendo perseguido por algo.
― Mas o que...
E então do nada o vidro explodiu, mal tive tempo de tapar a cabeça, senti minhas mãos arderem por causa dos estilhaços.
― Merda!
Me levantei da mesa, deixando o capuccino pela metade, olhei em volta, os garçons e a atendente pareciam perplexos assim como os clientes.
― Ah, ela esta sangrando! ― Disse uma mulher.
A garota do balcão veio em minha direção colocando minha bolsa sobre o ombro e me puxando pelo pulso.
― Estas machucada em algum outro lugar?
― Acho que só as mãos e o... pescoço, droga.
― Aquilo foi sinistro, o que aconteceu?
― Eu não sei, simplesmente o vidro explodiu do nada.
― Fora isso estas bem?
― Aham... ― Tentei conter minha perplexidade, o que havia acontecido? Ela parou no que parecia ser um depósito.
― Espere aqui, vou pegar alguma coisa pros machucados.
― Espera. ― Peguei a bolsa que ela havia largado ao meu lado e puxei a carteira dando a quantia que devia.
― Ok, já volto.
Me sentei no chão, olhando minhas mãos pingando sangue, estavam cortadas e com alguns poucos cacos em volta, comecei a tirar os cacos aos poucos, um mínimo movimento e sentia dor, a garota voltou segurando uma caixa branca com uma cruz vermelha, sentou-se ao meu lado e começou a tirar o resto do vidro e a limpa-las, com a mão livre tirei os óculos pois o deposito era um pouco escuro.
― Uau, você usa lentes? ― Perguntou ela encarando meus olhos.
― Não.
― São bem... diferentes. ― Dei de ombros em sinal de indiferença.
― Me chamo Sasha, qual seu nome?
― Alexia.
― Leg... ― De repente ela parou, observando minhas mãos com uma expressão de espanto.
― O que foi? ― Baixei os olhos a tempo de ver o ultimo machucado se fechar.
― O que foi isso? ― Perguntou ela tão espantada quanto eu.
― Eu... não sei... eu... preciso ir! ― Peguei minha bolsa e sai correndo, ouvi a garota gritar um “espere” mas não parei para olhar, quando já havia percorrido uma quadra, parei arfando. Entrei em um beco e me deixei escorregar pela parede, sentada no chão fiquei observando minhas mãos, elas realmente estavam machucadas, como se curaram tão rápido? E depois pensei nos vultos os quais havia visto, que diabos era aquilo? Eu precisava sair o mais rápido dessa cidade. Se meus pais sequer soubessem disso me internariam novamente, a verdade é que eu continuava vendo coisas estranhas e tudo o mais, apenas quardava isso pra mim agora, se me perguntassem sobre as visões, sempre dizia que não via mais nada, me levantei respirando fundo, sai do beco e decidi sacar meu dinheiro no banco, economias que vinham fazendo para minha faculdade desde que eu era mais nova, eles planejavam demais, quando finalmente cheguei no banco e passei na fila da porta giratória, fui até um dos caixas eletrônicos, limpei toda minha conta, e coloquei a quantia em envelopes dentro da bolsa, sai calmamente do banco e fui pra casa, tranquei a porta e corri até meu quarto, coloquei o dinheiro dentro da mochila de baixo da cama, procurei meu cofre de porquinho e o quebrei pegando o resto do dinheiro, guardei novamente dentro da mochila, o resto do meu dia foi resumido em tocar violão e ver TV, quando chegou a noite ouvi a porta da frente abrindo e meus pais entrando em silencio, desci as escadas acenando para eles.
― Como foi sua tarde, querida?
― Ah, foi legal e o trabalho?
― Cansativo. ― Suspira ela.
― Hum, mãe... vou sair pra correr daqui a pouco, não espere por mim.
― Mas de noite?
― Ando cansada demais pra correr de manhã, tudo bem?
― Claro, querida... que bom que você está se cuidando. ― Sorri em quanto pegava uma maçã e dava uma mordida, subi as escadas de volta pro quarto, peguei uma mochila preta cheia de bottons que eu não usava fazia tempo, coloquei um gorro preto nela, coturnos, lanterna, quatrocentos reais, canivete, isqueiro, e um colete de couro, fechei ela. Corri para o banheiro tomando um banho rápido, vesti uma camisa xadrez de cinza e preto colocando um moletom grande por cima, jeans rasgado nos joelhos e uma calça de abrigo por cima, coloquei tênis de corrida e prendi cabelo em um coque, olhei para o relógio eram 22:00 horas, o combinado era 23:30, peguei o celular mandando uma mensagem para Chris e Meg.
Estou saindo de casa, encontro vocês em frente ao Instituto.
três minutos depois a resposta.
Beleza, te vemos lá Lexi.
Vasculhei a mochila de baixo da cama pegando a corda e amarrando na outra mochila, abri a janela e comecei a descer a mochila devagar até que ela pousasse no jardim, fechei a janela e desci as escadas colocando o celular no bolso.
― Estou saindo, vão dormir que horas?
― Vamos só ver o jornal e iremos pra cama Ale, boa corrida. ― Disse meu pai.
― Boa Noite! ― Sorri pra eles e sai fechando a porta atrás de mim, corri para o jardim e desenrolei a corda da mochila jogando ela pra dentro e fechando o zíper, olhei pros lados com cautela, a coloquei nas costas e sai correndo, entrei na primeira loja que vi pela frente indo até o banheiro feminino, entrei e tranquei a porta, tirei o moletom e o abrigo os jogando dentro da mochila, coloquei o colete por cima da camisa e troquei os tênis de corrida por coturnos, soltei o cabelo e o penteei com os dedos colocando o gorro por cima, joguei a mochila sobre o ombro e sai, recebi alguns olhares confusos das mulheres que estavam na fila, fiz minha melhor cara de paisagem e voltei para as ruas de Morgan, quando cheguei até o instituto pude ver que as monitoras passeavam de um lado pro outro, com lanternas, corri até uma árvore próxima em frente aos portões e subi, me embrenhando em meio aos galhos, mandei uma mensagem para Chris.
Merda, a saída esta sendo vigiada por várias monitoras!
O que? Ah cara, que inferno! Como vamos sair então?
Pensei por um instante tentando me lembrar de algo que ajudasse.
O Alçapão! Tem um alçapão no porão que funciona como um túnel que sai bem em frente ao muro leste, eu e Meg já percorremos ele uma vez pra ver aonde dava, sejam rápidos, vou dar um jeito de atrair elas pro lado oposto, ok?
Ok, estamos indo pro porão, assim que chegarmos no muro eu mando mensagem.
Desci da árvore com a mochila nas costas, pensando em um plano rápido, deveria chamar atenção com algo que não fizesse elas irem de quarto em quarto depois, um pensamento se formou, comecei a procurar por pedras no chão, peguei cinco e corri pro lado oposto o qual meus amigos surgiriam, fiquei esperando a mensagem.
Conseguimos.
Esperem dois minutos e saiam as pressas!
Me preparei, subi no muro me agarrando em um galho que pendia pra fora, usando ele para me esconder atirei uma pedra na monitora de cabeça raspada, pegou exatamente na perna com um barulho estranho.
― Ai! Quem foi o idiota? ― Disse ela ao mesmo tempo que acertei mais duas, uma no braço e outra no ombro.
― Que porcaria é essa Matilde? ― As três se viraram xingando a outra monitora que não havia sido atingida.
― Do que vocês estão falando? ― Perguntou ela que riu vendo suas parceiras com cara de dor, e assim se iniciou a confusão.
Rápido vocês dois!
Já saímos Lexi, aonde esta você?
Vão para a esquina, rápido! Encontro vocês lá.
Fiquei assistindo a cena por mais um tempo até que o diretor saiu de pijama, xingando as monitoras e mandando elas voltar para suas tarefas, ri baixo e sai ao encontro de meus amigos.
― LEXI! ― Gritaram ambos ao me verem, corri até eles, Chris me levantou do chão em um giro e Meg beijou minhas bochechas, Chris usava um all star e jeans cinza, com um moletom listrado de preto e branco com duas palavras escritas: “Me Processe.” e o capuz puxado pra cima, já Meg usava coturnos de fivela, uma camisa preta com um corpete de cetim roxo e jeans pretos, os cabelos curtos arrumados de um jeito meio bagunçado.
― Prontos? ― Enganchei os braços nos dos meus amigos e eles assentiram, saímos rindo em quanto eu contava qual havia sido a distração, nossa primeira parada foi uma loja de fantasias, você deve estar se perguntando: A essa hora da noite e encontram tudo aberto? É que a cidade funcionava de noite, já que a maioria das pessoas trabalhavam a tarde inteira, por isso o centro sempre era lotado a noite, começamos a experimentar várias perucas, escolhi uma ruiva curtinha e com franja tapando as sombrancelhas, a ajeitei na cabeça, Meg experimentava uma comprida cacheada.
― Que tal? ― Perguntou ela.
― Irreconhecivel.
Nessa hora, Chris chegou com um cabelo estilo “bagunçado” um pouco comprido e loiro, eu e Meg nos olhamos, caindo na risada.
― Que foi? ― Perguntou ele ajeitando a peruca.
― Você está ridículo! ― Disse Meg entre risos.
― Obrigado. ― Chris revirou os olhos
Pagamos por nossas perucas, e saímos, próximo passo era comprar lentes de contato, chegando a loja começamos a experimentar, Chris acabou com lentes azuis, Meg castanhos, e eu verdes. Quando chegamos no banco tive que esperar no lado de fora por causa do canivete, eles entraram as pressas e quando voltaram ambos estavam com os bolsos cheios, abri a mochila e eles despejaram a montanha de dinheiro, fechei o zíper e deixei a mochila com Chris.
― Eu tive uma ideia meia louca. ― Falou Meg, sorrindo.
― Todas as suas ideias são loucas. ― Falei.
― Ai! Essa doeu. ― Disse ela rindo.
― Qual é? ― Perguntou Chris de sombrancelhas arqueadas.
― Vamos embora hoje! Arrecem é 00:30.
― Mas e o supermercado?
― Cronometramos o tempo, vamos lá pessoal! É a melhor chance, Chris é bom de volante, conseguimos fazer em seis horas! E mais, duas horas no mínimo é só pelo chão de terra, porque aquela cidade é cercada por florestas, certo? É nossa melhor chance.
Pensei por um tempo, Chris abriu um lento sorriso.
― Vamos correr pra pegar o carro do Chris logo, e vocês as malas. ― Falei por fim.
― Ah, meio que já cuidamos disso, Lexi. As nossas malas já estão no porta-malas.
― Isso poupa tempo, é perfeito. Vamos lá!
― Comam poeira, bobões! ― Gritou Meg em quanto disparou correndo, assim como eu e Chris, ambos tinham um bom físico, e apesar de eu ser pequena depois de alguns metros passei deles, rindo em quanto eles xingavam e diziam que eu estava com tênis de rodinhas, por fim paramos em frente a um casarão sem portões nem muros, a garagem estava logo no lado, tudo foi bem rápido, estávamos ofegantes por causa da corrida, Chris usou seu pequeno poder de entrar furtivamente e pegar a caminhonete preta, entramos e Chris deu partida, chegamos voando até minha casa, Chris estacionou a caminhonete uma quadra antes de forma que fomos os três caminhando, pulei a janela apressadamente, peguei mala por mala e as joguei lá em baixo, Chris as pegava e largava no chão, depois joguei meu violão e por último a mochila de baixo da cama, dei uma última olhada no quarto, passei as pernas pela janela e pulei, coloquei a mochila nas costas e enganchei o case do violão no braço, peguei uma mala, Meg pegou mais duas e Chris correu para pegar a caminhonete, largamos tudo no imenso porta-malas, e fomos nos sentar na frente, Chris era o motorista, Meg sentava no meio e eu pro lado da janela, colocamos os cintos e seguimos para o supermercado, rabisquei uma lista pra cada um, em seis minutos precisávamos estar de volta, fiquei com a parte da comida, Meg da bebida e Chris os doces. Corremos cada um para um lado oposto, com um carrinho diferente quase jogando tudo que víamos pela frente, vi Chris gritar algo como “Marshmallows! Alcaçus! Chocolate! “ Meg em determinado tempo passou correndo por mim com cara de louca e uma cesta de garrafas com conteúdo azul, peguei o que faltava: maçãs e morangos e corri para o caixa, Meg e Chris estavam em caixas diferentes, peguei o do meio, entreguei as coisas a moça e esperei ela passar tudo, entreguei o dinheiro e a ajudei a empacotar as coisas. Sai correndo ao mesmo tempo que eles, ouvi o grito delas dizendo algo como “ O Troco! “ quase me choquei contra Meg quando ela parou em frente ao porta-malas esperando Chris abrir, jogamos tudo lá dentro e entramos no carro novamente, tomei a lista e a medida que havíamos pegado os itens dizíamos “confere”, por fim não esquecemos de nada, e começamos a nos caracterizar, Meg tirou o corpete e os coturnos ficando de pés descalços, entreguei um abrigo pra ela por em quanto eu vestia o meu, colocando um moletom por cima, coloquei um all star e a peruca, depois as lentes verdes, o que mais demorou foi Chris na hora de por a barba falsa, quando todos estávamos caracterizados e caindo na gargalhada, Chris pisou fundo no acelerador e partimos pelas ruas de Morgan, deixando as casas, a cidade e todo o resto pra trás.
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