O Caso De Scarle Road
5 Quinto.
Notas iniciais
Tentei fazer o capítulo o mais dinâmico possível, já que era mais uma pá de informação pra dar... não sei se consegui muito, mas. Espero mais uma vez que esteja do agrado de vocês ♥
Eu prometi que das 3.000 não passava e não passarei! u_u
A pequena saleta, além de mal iluminada, não possuía poltronas ou cadeiras para que o garoto se sentasse. Era cercada por prateleiras que continham caixas e mais caixas de diversos tamanhos, e o cheiro local envolvia papéis velhos e limpeza precária. Se o outro indivíduo que estava de pé não fosse Sherlock Holmes, era possível que estivesse incomodado pelo tamanho diminuto e a escuridão do lugar, uma sala de estoque da White Watches, relojoaria diminuta da cidade de Londres.
“Era o único hotel na região mais ampla de Wembley”, afirmou Holmes, em um tom grave. Ele próprio estranhou suas palavras, já que era pelo menos cômico considerar aquele pedaço da cidade amplo. Se houvesse um tiroteio violento no centro do município, era pouco provável que alguém saísse ferido, tão ínfima em número era a sua população. “Devia receber alguns hóspedes”.
Estava à sua frente Johan Boldweiser, sobrinho de Oscar Boldweiser, o dono do estabelecimento no qual havia se dado o homicídio. Era um menino alto demais e magro demais para um bom estado de saúde, mas era também bastante jovem e o seu discurso era convincente, dado que, ao contrário de Oscar, ele parecia muito calmo durante o interrogatório. Para todas as perguntas que Holmes fazia, dava respostas extremamente completas e detalhadas, o que fazia o detetive se perguntar se elas seriam fruto de uma boa memória ou de uma boa imaginação juvenil.
“Sim, alguns hóspedes. Não tantos”, respondeu ele. “Mas consigo me lembrar porque nunca recebíamos nenhum tão novo quanto ele. Tinha mesmo muitas sardas e era baixo”, continuou. “Eu não me recordo do nome, mas deve ter sido no começo do mês...”
“No começo do mês”, repetiu o ouvinte. “Sozinho?”
“Ah, sim, sozinho. Estou certo de que era ele, porque disse que estava olhando algumas propriedades para comprar. Ele perguntava muitas coisas.”
“Perguntava o quê?”
Johan desviou então os olhos como se estivesse buscando algo na memória, e então voltou a fixá-los em Holmes.
“Sobre a propriedade”, respondeu. “Sobre o tamanho e sobre quantos quartos tínhamos. Sobre quantas pessoas se hospedavam aqui por mês. Eu disse que meu tio já queria fechá-lo, e ele pareceu empolgado.”
Pareceu empolgado. Após vinte minutos de interrogatório, o discurso daquela pessoa finalmente começava a parecer relevante. Holmes assentiu.
Para a sua infelicidade, porém, aquela resposta dava margem a conclusões muito desapontadoras. Se o possível comprador havia feito todas aquelas perguntas, era quase certo que Johan havia dado todas as respostas. Em poucas palavras, a sua ignorância certamente fora ponto decisivo e essencial no planejamento do crime que ocorreria dali a alguns dias.
“Claro”, disse. “Você mandou que ele voltasse dali a alguns dias para tratar diretamente com o seu tio. Tempo o suficiente para que ele fosse algumas vezes à cidade e se certificasse de que a frequência no local realmente era pouca. Você mostrou duas chaves-mestras e deixou que ele visitasse alguns outros quartos também?”
Johan direcionou o olhar para baixo e a sua face contraiu-se em uma sutil expressão de desgosto. Coçou algumas vezes o topo da cabeça.
[...]
John Hamish Watson estava no inferno, com certeza. Maldito. Maldito Holmes. Fazia já meia hora que ele estava de pé no funeral de um homem que pouco conhecia, e a quantidade de pessoas ali era tão insignificante – e pessoas tão desinteressadas no funeral em si –, que o médico passava a sentir-se quase um parente próximo de Walter Lloyd. Ofereciam-se algumas bebidas para os indivíduos que chegavam, e o médico jurava que vira algumas daquelas pessoas hesitando em cumprimentá-lo e desejar a ele os pêsames pela morte do homem, já que ele era um dos poucos que aparentavam alguma preocupação.
Se recebesse qualquer cumprimento de uma daquelas pessoas, John daria uma boa bofetada na cara do sujeito. Precisava aprender a praticar o desapego e a raiva que tinha dentro de si, era verdade. Mas só estar em mais um caso com Holmes, o seu sangue fervia duas vezes mais rápido. Maldita dependência. Maldito distúrbio psicológico.
Os pensamentos agressivos, entretanto, logo foram interrompidos.
“John Watson?”, perguntou a voz feminina atrás dele. E Watson encarregou-se de fitá-la no mesmo ato.
Agatha Sharpen Lloyd era a viúva. Trajando um longo vestido preto e um véu de mesma cor que era utilizado somente em ocasiões do gênero, Agatha parecia verdadeiramente feliz por vê-lo. Ela tinha uns olhos pequenos e um nariz que apontava o chão; beirava os quarenta anos, e era dito que, antes de casar-se com o falecido, costumava ganhar a vida de forma desonrosa.
“Não imaginei que você viesse ao enterro”, disse, agora aparentando uma felicidade até mesmo estranha. “Mas Walter o considerava um bom amigo, claro.”
Não eram amigos. Watson conhecia o homem apenas por terem apostado em jogos e em lutadores nos mesmos locais; por vezes, haviam trocado algumas palavras. Conhecia a sua esposa por mera coincidência.
“Ele andava tão distante nos últimos dias...”, observou a moça, os pensamentos distantes. “Já não parecíamos marido e mulher. Veja você, ele costumava sair sempre como foi naquele dia. Assistia suas lutas de boxe e voltava tarde... espero que a polícia descubra o culpado. Você está muito bem, aliás. Ainda é casado?”
Watson desviou os olhos daquela aberração e pigarreou. Maldito Sherlock Holmes.
Era melhor pegar uma bebida.
[...]
“Interessado em comprar outros hotéis também?”, perguntou Holmes, terminando por repetir o que o menino, agora visivelmente alterado, oferecia como informação. “Ele disse isso? Quais hotéis?”
O pobre jovem então rasgou, trêmulo, um pedaço de uma folha que se encontrava sobre uma das caixas do estoque e, apoiando-o em seu próprio joelho, escreveu, com a letra bastante incerta os nomes Host Taylor, Bromley e Cattle Village, Chigwell. Entregou-o, por fim, ao homem que o estava pressionando.
“Ele comentou sem maldade que estava pensando em comprar essas propriedades.”
“Comentou por descuido, você quer dizer”, corrigiu o outro, vasculhando meticulosamente aqueles nomes e as regiões nas quais se encontravam.
“Eu espero que ele não seja o assassino. Não parecia uma pessoa ruim.”
Uma pessoa ruim? Holmes pensou em rir alto e até chegou a esboçar um sorriso sincero. A ingenuidade era a maior falha dos seres humanos. Tornava-os tão patéticos frente aos fatos e à ciência. Mas ainda não era o tempo de se divertir com aquelas reflexões – havia muito por fazer.
Verdadeiramente satisfeito com a sua astúcia e as informações valiosas que acabava de conseguir, Holmes caminhou até a porta do estabelecimento. Foi impedido de sair por uma última questão que o intrigava.
“Johan Boldweiser”, anunciou primeiramente, chamando a atenção daquele jovem. “Qual a sua idade?”
“Vinte, senhor.”
Vinte. O criminoso, então, tinha menos de vinte anos.
[...]
O grau de percepção e dedução de Watson aumentara com o passar dos anos a ponto do médico reconhecer uma face a bons metros de distância. Assim, por mais que não tivesse conversado com quase nenhum sujeito no evento, pôde identificar alguns que seriam do seu interesse. Na sua lista mental de suspeitos, apenas dois possíveis; mas havia um a mais, provavelmente do movimento anarquista, do qual ele poderia tirar alguma informação.
Enquanto encarava o homem de cabelos longos e ensebados e roupas simples, Agatha alisando seus braços de forma bastante perturbadora, Watson detectou um novo movimento estranho na cerimônia.
Estreitou os olhos na direção de um homem de meia-idade, costas muito encurvadas e trajes extremamente pesados que acabava de entrar. O sujeito parecia fazer questão de manter o anonimato, já que o chapéu estava enterrado na cabeça de forma que não era possível enxergar seus olhos ou seus traços. Com passos rápidos e mancos, ele se dirigiu à mesa de copos servidos e pegou dois de uma só vez, virando-os goela abaixo em sequência. Foi quando Watson disse à moça que precisava se ausentar por um momento e caminhou discretamente ao seu encontro.
Era ao menos peculiar a presença tão descarada de alguém que não queria ser reconhecido, e o doutor evidentemente precisaria de cautela se quisesse abordar aquela pessoa. Quando estavam a poucos centímetros de distância, o anônimo terminou ambas as taças que tinha em mãos, suspirou satisfeito pela bebida e recuperou o ar. Sem nem ao menos virar-se na direção do médico, ele sussurrou:
“Me dê um briefing.”
Sherlock Holmes.
Watson procurou controlar a intensa alegria que o dominou de súbito.
Três homens”, respondeu, em murmúrio similar. “Adolf Weinberg aposta em lutas de boxe e ganha quase todos os palpites. Lloyd certamente...”
“Devia-lhe alguma coisa”, completou o mais baixo. Direcionou seus olhos a um homem alto e loiro, o olhar sombrio e as mãos grandes o suficiente para estrangular um homem em poucos segundos.
“Robert Boucher”, começou o médico mais uma vez. “Também aposta e parece ter sido visto nos últimos dias com a vítima. Mas eu também o conheço e...”
“Nunca imaginou que eles fossem amigos?”, perguntou Holmes. Fitou então um homem a um canto, de sorriso reluzente e discurso contagiante. Falava em uma roda de pessoas provavelmente sobre o falecido, mas certamente não estava abatido pela sua morte.
“Por último, Charles Hoover”, disse, indicando o homem de cabelos sujos e roupas simples que antes encarava de forma direta. “Ele com certeza faz parte...”
"Do movimento anarquista. Isso já é certo.”
Watson então franziu o cenho, sem conseguir esconder a própria surpresa por aquelas últimas palavras:
“Você o conhece?”
Holmes bufou:
“Por que eu conheceria alguém do movimento anarquista? Agora disperse. Você chama muito a atenção”, concluiu. E caminhou na direção de uma adorável senhora de roupas pretas que atendia pelo nome de Agatha.
O mais alto permaneceu imóvel, incrédulo. Holmes chegava a um funeral vestido de espantalho, com um chapéu grande e a perna manca, então pegava e bebia o líquido de dois copos de uma só vez e ele chamava a atenção? Mas enquanto continuava parado, refletindo, não pôde deixar de notar mais uma vez o brilho da genialidade do amigo.
Ele próprio não procuraria em um funeral os suspeitos do homicídio, simplesmente porque a chance do assassino se encontrar em uma cerimônia tão íntima – e ter uma alma cínica o suficiente para fazê-lo – era muito pequena. Sherlock Holmes, por outro lado, havia percebido, em um período tão curto de investigação, que Lloyd era um homem de poucos amigos... e que a maioria dos convidados da cerimônia estaria ali, então, por algum motivo. Qual motivo? É claro que o médico jamais descobriria por conta própria. Mas Holmes... Ah, Holmes... às vezes, a sua genialidade trazia ao parceiro sentimentos... confusos.
[...]
Não demorou muito para que deixassem o evento. Ainda não era a hora de agir.
O detetive acreditava ter conseguido informações suficientes para planejar seus próximos passos. Passos esses que, tinha certeza, envolveriam alguma violência da sua parte; mas passos necessários. Mas já que os momentos desagradáveis sobre os quais pensava ocorreriam somente após o final daquele dia, imaginou que convinha tomar algo com o seu mais adorado (e coincidentemente o seu único) companheiro.
Quanto a Watson, ele realmente tentara negar o programa exaustivamente, mas também nisso suas tentativas falhavam quando iam de encontro às de Holmes. O peso da sua companhia já o estava incomodando, principalmente porque o médico sabia que ir a um bar com o antigo companheiro lhe traria mais sentimentos nostálgicos e mais insatisfação frente a tudo o que vinha vivendo.
Suspirou pesadamente quando enfim chegaram. Mal haviam adentrado o local e Watson já planejava freneticamente uma forma de sair dali. Afastar-se do caso, afastar-se do apartamento em Baker Street, afastar-se de Holmes e tudo o que ele envolvia – a tristeza e a adrenalina, a incerteza, o nervosismo, o desleixo, aquela atração perturbadora –, tudo. Precisava deixar tudo e voltar à sua vida pacata e segura. Uma vida sem riscos e sem desejos impuros. Mas como?
Sherlock Holmes foi o único a se alterar pelo efeito do álcool.
“O anel dela”, dizia, indicando o próprio anelar esquerdo. As sobrancelhas arqueadas e a língua enrolada indicavam alguma dificuldade na conclusão da ideia. “O dele devia ser igual. Quanto custa?”
“O anel?”, perguntou o médico. Via agora o amigo misturando o líquido do uísque com o próprio dedo e sentia-se incomodado. “Você é quem deveria saber”.
“Mas você é casado”, respondeu Holmes com muita astúcia, o indicador molhado agora na sua cara.
Watson deu-se ao trabalho de dar um tapa naquele dedo.
“Comprei uma aliança há mais de quatro anos, Holmes”, relembrou, irritadiço. “E você sabe melhor do que eu que a jóia deles não pode ter sido cara”.
“De fato.”
O detetive estava com o olhar distante, fixo em alguns homens que falavam e riam alto no balcão. Watson percebeu as intenções daquele olhar e logo a aflição o tomou mais uma vez. Tão atento. Tão absolutamente atento a tudo e a todos em tempo integral. Holmes nunca descansava. Talvez nunca se sentisse exausto. Nunca tinha incertezas. E tais pensamentos surgiram no médico tão logo ele começou a sentir no ar o cheiro da bebida misturando-se ao cheiro do âmbar já conhecido.
Hipnotizado por aquele odor, já não sabia discernir se quem transpirava o uísque era ele próprio ou o mais baixo. Mais provável que fosse ele próprio, já que agora literalmente suava frio.
“Estranho...”, murmurou Holmes, ainda parecendo atento àqueles movimentos alheios à presença do médico.
“O que é estranho?”
De súbito, então, as grandes íris negras fixaram-se nas suas. E, displicentes, vieram as palavras:
“Onde está a sua mulher, Watson?”
“Como?”
“Onde está a sua mulher?”
Incomodado, o doutor remexeu-se sobre a cadeira:
“Na casa de campo da tia, já lhe disse.”
“Não diga”, foram as palavras seguintes, agora sarcásticas. “Conte algo que não sei. Ela não volta até o Natal, volta?”
As gotículas de suor acumulavam-se nas suas mãos e na nuca. Holmes estava percebendo. Era evidente que tinha percebido. Tão atento, tão crítico.
“Evidente que volta”, respondeu mais uma vez, concentrado em manter ao menos o tom de voz uniforme. “Ela foi apenas resolver as pendências da família...”
“Não diga!”, repetiu o outro, agora batendo um punho fechado sobre a mesa e causando um grande ruído. Alguns olhares do recinto recaíram sobre a sua pessoa. “Pendências com quem? Com você, imagino.”
Watson, então, desistiu de segurar aquela máscara. Reagiu, por fim, da única forma que conhecia, apesar de todo a sua cultura e o seu estudo: ainda sentado, trouxe-o para perto de si pelo colarinho, utilizando-se de alguma violência.
“Você não quer causar isso”, sussurrou em seguida, os dentes rangendo para que não avançasse sobre a vítima. Teve, porém, a impressão de que o sorriso de Holmes apenas aumentou pela sua brutalidade:
“Que agressivo, Watson”, sussurrou de volta o mais baixo. “Foi isso que você fez pra tirá-la de casa?”
Não devia tê-lo recebido. Foi o único pensamento que passou pela sua mente naquele instante.
Tendo concluído que a violência não mais o satisfaria, Watson ergueu-se da cadeira convicto de levar embora a ofensa sem nem sequer revidá-la com palavras. Também, tinha a certeza de que nenhuma palavra atingiria Holmes como aquelas o haviam atingido. Era o suficiente.
“Espere.”
Ao levantar, sentiu a mão do amigo sobre o seu pulso e chegou a encará-lo por instinto. Pela primeira vez em algum tempo, Holmes tinha a expressão realmente preocupada – a tomada de ar e a abertura dos olhos indicavam que desejava falar algo; mas a articulação e a voz não chegaram a acompanhar a vontade do cérebro, de forma que tudo o que o homem conseguiu fazer foi prolongar alguns segundos de constrangimento para ambos.
Finalmente, o maior soltou-se. E caminhou a passos largos até a saída do recinto.
[...]
Incômodo.
Tudo o que Sherlock Holmes podia sentir agora era o incômodo. As coisas andavam mal.
Sabia do desejo de Watson esquivar-se do caso; sabia que o que o antes o prendia no bar era apenas a sua própria insistência. Mas se tinha conhecimento de todo aquele desconforto, por que ainda o havia exposto daquela forma? Por que o desejo de atingi-lo tão diretamente sem motivo algum? Em seu interior, ele sabia. Mas preferia não saber.
Estava pensando emocionalmente, e apenas pessoas vulneráveis pensavam emocionalmente. A dor do abandono do médico ainda doía em seu peito, mas aquilo não servia de motivo para que ele o tivesse atacado de tal forma. Em verdade, nada servia como motivo. E ainda dar a entender que ele realmente pensava que o médico fora violento com a esposa... Lastimável. Um homem da sua estirpe não ergueria jamais a voz, quanto mais um dedo sequer contra uma mulher. E agora estava ofendido.
Na escuridão absoluta da sala de estudos, Holmes refletia. Era uma das poucas vezes que, por mais que tivesse conseguido um bom caso, permanecia cabisbaixo. Enquanto a silhueta dos móveis rodava um pouco por conta do efeito da bebida, ele encarava seu adorado aracnídeo de perto e chegava à conclusão de que talvez fosse melhor ser um animal como ele. Suas únicas preocupações seriam a alimentação, a excreção e a reprodução ocasional. Então, franziu o cenho ao pensar que ele, na verdade, não diferia tanto assim do artrópode – exceto, é lógico, pela necessidade do dinheiro e da ciência, que estava acima de todo o resto.
Ciência acima de todo o resto. Estava mesmo?
Desde que havia chegado do bar, dedicara algum tempo em acabar o estimulante que pretendia usar em si mesmo. Teve algumas dúvidas em meio ao processo (principalmente porque o uísque não permitia visão tão clara ou pensamento linear), mas acreditava que estava perto do resultado desejado. Assim, distribuiu-o em pequenos frascos para posterior análise; acabava de resolver que não o testaria no momento. Sendo a primeira vez, preferia estar sóbrio e anotar no caderno os efeitos produzidos.
Conforme despejava o líquido transparente nos pequenos recipientes, a dor no seu peito aumentava de forma exponencial. Precisava livrar-se de toda aquela agonia, ou então terminaria sentimental e depressivo como Watson. A depressão estava bem, mas o sentimentalismo... aquilo não poderia permitir.
Cansado pela noite mal dormida e pelo álcool, andou, trôpego, até a porta que o separava da sala de entrada. Focou então o pequeno sofá no qual, por vezes, resolvia deitar-se para dormir. E apesar de agora na sua mente correrem os mais diversos nomes – Johan Boldweiser, Agatha Sharpen Lloyd, Adolf Weinberg, Robert Boucher e Charles Hoover –, atordoou-se com a conclusão de que, no seu âmago, tinha interesse em apenas um.
Adormeceu em meio a tentativas exaustivas de afastar do seu subconsciente as palavras que compunham o nome de John Hamish Watson.
Notas finais
E muito obrigada por todas as reviews até agora e pela leitura.
Tô querendo mais algumas, hihihihihi. ;;
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