O Caso De Scarle Road
14 Décimo quarto.
Notas iniciais
Gente, mil desculpas. Falei que não ia atrasar mais do que duas semanas e atrasei 20 dias. Mas olha, parando pra pensar por esse lado, 20 dias é menos do que três semanas, então... hehe.
Bom, ao menos tenho uma notícia: TÔ DE FÉRIAS, HUHU. Passei no semestre da faculdade sem pendências e vocês terão que me aguentar em dobro por aqui agora (haja paciência pra vocês, minha gente). Então, vamos acelerar a historinha.
Quanto ao capítulo: o número um pouco menor de palavras se explica pelo fato de não termos mais caso investigativo agora... mas capítulos cheios de informações pra serem digeridas nós ainda temos, e este está aqui justamente pra provar isso. Tentei fazê-lo o menos monótono possível, juro. E... acho que só tenho a dizer isso por enquanto.
Bom, boa leitura ♥
Deixem reviews ♥ ♥
Desculpem de novo pela demora, ela não há de se repetir ♥ ♥ ♥ ;;
A virada do ano seria dali a três dias.
Talvez não houvesse pior data inventada pelo homem do que a virada do ano.
Pior até mesmo do que o Natal, a virada do ano vinha não apenas com a intenção de aproximar parentes e amigos, mas sugeria também algo que as pessoas definiam como uma renovação. Renovação de sentimentos, de espírito, de esperanças. Mas pouco Sherlock Holmes poderia entender daquelas intenções – acreditava nem mesmo ter sentimentos, espírito e esperanças primários para serem renovados.
Quando finalmente deixou o seu quarto e mancou com o pé mutilado até a mesa das refeições, encontrou um Watson já sentado, já disposto e já ocupado. Estreitou os olhos avermelhados na sua direção (Holmes nem sequer os havia pregado naquela noite) e identificou nas mãos alvas uma seção do jornal que era composta por anúncios. Aquela imagem trouxe-lhe um mau pressentimento.
Na noite anterior, Watson não aparecera. Na última vez que o havia visto, o assistente fazia um curativo improvisado no ferimento do seu pé; e bem, não era que Holmes fosse mal-agradecido – muito devia ao médico por mais aquela ajuda –, mas precisava do outro para curá-lo por completo, e não em apenas um ferimento.
Evidentemente, essas conclusões não apareciam com tanta clareza na sua mente. Tudo o que sabia com certeza era que a ausência do maior no seu quarto, estando ambos na mesma casa, o havia desagradado até mais do que o tiro que levara no pé.
“Holmes. Que bom vê-lo”.
Com sua chegada, o mais alto reuniu as folhas soltas e pousou o jornal sobre a mesa. As suas palavras causaram alguma estranheza no amigo. Era bom vê-lo? Mas logo a situação explicou-se:
“Preciso resolver algumas pendências e vou passar o dia fora”.
Ah, passar o dia fora. Depois de estar folheando a seção de anúncios em uma jornal, a informação de passar o dia fora tinha um só significado. O peito de Holmes murchou e suas costas encurvaram-se sutilmente. A voz saiu como a de um gato moribundo:
“Pendências, sim. Claro”.
“Estarei de volta ao entardecer”, continuou o doutor, precipitando-se para a porta com o seu casaco em mãos.
“Sim, o entardecer”.
“Volto com notícias.”
“Notícias?”
E a porta fechou-se. Pela segunda vez em um período de tempo menor que vinte e quatro horas, John Watson tinha batido a porta na sua cara sem dar mais respostas.
Sumir por uma noite inteira, sendo que antes estavam próximos, e sair evidenciando que estaria à procura de um novo apartamento naquele dia... As provas todas indicavam que algo havia acontecido depois da resolução do caso investigativo, momento em que o médico começara a agir com alguma frieza.
Talvez alguém tivesse dito alguma coisa a seu respeito. Algo realmente negativo... Lestrade. Talvez Gregson. Mas o que poderia ser tão negativo a seu respeito? Watson o conhecia como a palma da própria mão; conhecia Holmes melhor do que todas aquelas pessoas, e não havia nada que o detetive pudesse esconder dele. Afinal, era fato conhecido não só pelo médico como por toda Londres que a sua vida girava única e exclusivamente em torno de Wat... ah, em torno de seu trabalho. Não havia nenhum segredo. A não ser que...
Gladstone, aquela criatura abobalhada e sem utilidade, encarava o dono com um sentimento de pena. Parecia persegui-lo. Todas as vezes que Holmes se pegava refletindo sobre a sua relação com Watson (e seus pensamentos automaticamente eram tomados por um pessimismo sem fim), lá estava ele, o cão, dando mentalmente a sua opinião petulante. Daquela vez, porém, Holmes também parecia sentir pena de si mesmo.
Estava explicado o motivo pelo qual o doutor o estivera evitando.
[…]
Elliot Marshall Bahman havia feito pouco na vida. Nas últimas duas semanas, mudara totalmente o curso de seu destino – tendo cortado, espancado e estrangulado um homem com mais do que o dobro de sua idade, passava agora um bom tempo excluído do convívio comum. Mas para John Hamish Watson, que estava acostumado a ver de perto os piores crimes e atrocidades, nenhum dano era tão fatal ao homem quanto o verbal. O motivo? Muito simples.
Enquanto os danos físicos eram diretos e geralmente tinham pouca duração, com um resultado sempre decisivo como a morte, os verbais eram discretos, lentos e levavam indivíduos a um estado mental que podia ser mesmo pior do que o descanso eterno.
No dia anterior, aquele jovem criminoso havia plantado uma semente na sua cabeça. Nas últimas horas, a semente crescera. Crescera até ocupar todo o espaço que antes continha a sua racionalidade. De súbito, não havia mais racionalidade alguma; tudo o que sabia era que precisava sair de Baker Street. Sair antes que o seu relacionamento com Holmes ultrapassasse a última barreira e não se enquadrasse mais no de uma amizade. Sair antes que ele, Watson, perdesse o seu posto de fiel assistente e passasse a ser como todas as outras pessoas com quem Holmes se relacionara; porque se realmente refletia sobre o assunto, concluía que era justamente a distância entre eles que os havia mantido juntos por tanto tempo.
O vento frio da cidade formava minúsculos cortes sobre o seu rosto, mas as pernas recusavam-se a diminuir o ritmo da caminhada. O desespero o apressava e guiava para um endereço próximo e recolhido recentemente da seção de anúncios do jornal. Alugar. Alugar um apartamento qualquer, um sótão qualquer, um cubículo qualquer até que arrumasse uma nova propriedade e clamasse pelo retorno da esposa. Evitar ter um caso afetivo com Holmes, evitar que ele se cansasse e o dispensasse como havia feito com todos os demais era agora o seu único plano. Se retomasse o antigo posto de apenas fiel assistente, aí sim teriam novamente uma relação segura.
Fiel assistente. Quão patética e hipócrita era aquela definição?
A verdadeira vontade que tinha era de se jogar sobre um veículo qualquer que estivesse passando, mas a neve na cidade era tanta, que os veículos rareavam sobre o asfalto; ademais, uma atitude passional como aquela resultaria em danos não apenas para ele próprio, mas também para uma terceira pessoa que nada tinha a ver com o caso. Então, seriam duas pessoas prejudicadas por Sherlock Holmes.
Ah, se ao menos não fosse tão dramático.
Talvez precisasse apenas da sua mulher ou de uma boa dose de uísque.
[…]
O edifício a que chegou já era seu conhecido. Localizado em Clay Street, uma rua que ficava a cerca de cinco minutos da rua de Holmes, o prédio singelo, menor, de muitos tijolos, parecia ser ideal para um homem que desejava apenas um aluguel e por tempo limitado. Não havia condições de trazer Mary Morstan a um lugar como aquele.
Identificou-se na portaria como interessado e logo lhe foi permitida a entrada no local. Na área comum, estendia-se um tapete longo e inúmeras portas com diferentes numerações; a iluminação era pouca e a decoração falhava em alguns aspectos, mas assim que Watson chegou à frente da porta de numeração 12 – o pequeno apartamento que viera visitar – um sentimento bom tomou o seu espírito.
Bateu algumas vezes. A voz, do lado interno, era também conhecida. Ordenou:
“Entre”.
Watson abriu a porta.
Há alguns metros de distância, estava sentado sobre uma pequena escrivaninha ninguém menos do que o bom e velho Stamford, amigo do médico desde tempos muito remotos; amigo mais antigo até mesmo do que Sherlock Holmes.
O tempo não havia poupado Stamford. Apesar de ainda ser um sujeito relativamente esguio, muitos fios de cabelo ausentavam-se do topo da sua cabeça, e as rugas acumulavam-se sobre as sobrancelhas e nas laterais da boca. A expressão bondosa, mesmo após tanto tempo, ainda não tinha abandonado o seu rosto. Watson o havia visto pela última vez há pouco mais de uma semana.
À sua chegada, Stamford endireitou a coluna, mas não ergueu-se da cadeira. A princípio, pareceu surpreso; no momento seguinte, apoiou um cotovelo sobre a mesa a qual se sentava, escondeu o rosto em uma das mãos e murmurou, desapontado:
“Essa não”.
John Watson estava distante o suficiente para não ter ouvido aquele comentário. Assim, iniciou, com um sorriso:
“Stamford! Como é bom revê-lo”.
“Ah... é bom ver você também, Watson”, corrigiu-se o amigo, voltando a encará-lo. Tentava sorrir em retorno, mas parecia lutar contra alguma dificuldade. “Sabia que você viria, mas não achei que seria tão depressa”.
“Vim assim que soube que seu último inquilino tinha liberado a propriedade”.
“Percebo...”
Percebo. Não era uma típica resposta vinda de Stamford. Então, o médico passou a estranhar aquela reação. Era bem possível que o amigo estivesse cansado, já que vinha trabalhando na procura de um novo inquilino para o pequeno apartamento. Ainda assim, não era de seu feitio não cumprimentá-lo com um largo sorriso, um abraço, uma demonstração de afeto.
“Você já deve ter conhecimento dos últimos acontecimentos”, sugeriu o mais alto.
“A perda da sua casa? Sim... Claro... Não tem uma pessoa na cidade que já não tenha comentado sobre isso”.
Watson assentiu com a cabeça. A hostilidade gratuita daquele homem tinha que significar alguma coisa.
“John, o apartamento não está em aluguel pra você”.
[…]
Sherlock Holmes afastou-se um pouco da sua obra-prima para examiná-la. Tanto tempo convivendo com Watson servira para algo, afinal.
Do seu lado esquerdo, pousado sobre a mesa principal da sala de estudos, estava um documento redigido pelo próprio médico há alguns dias. Nele, liam-se algumas palavras direcionadas a Mary Morstan; Watson explicava brevemente a perda da casa e pedia à mulher que adiasse o seu retorno até que tudo se ajeitasse.
A carta havia sido concluída exatamente em 25 de dezembro do ano de 1891. Devia ter sido postada no correio por volta do dia 26 e chegado sem demora às mãos da senhora Watson. Mas já era dia 28 de dezembro e o documento não estava em suas mãos porque... bem, porque estava nas mãos de Sherlock Holmes. E estava sob o seu domínio desde o início do dia 26 quando, depois de descobrir ter sido enganado por Watson, furtara o documento da caixa e o mantivera na gaveta da mesa à qual estava agora sentado.
Quanto aos motivos do furto, eram dois. Analisou o animal, que o encarava de olhos arregalados como se compreendesse o que se passava ali. Então, explicou-se:
“Você sabe, Gladstone”, iniciou, em tom baixo. “Por que as pessoas cometem crimes?”
Gladstone não respondeu verbalmente, mas deixou que a sua cabeça pendesse para o lado. Parecia de fato refletir sobre a pergunta.
“As pessoas cometem crimes porque não sofrem do mal que estão causando”, concluiu, enquanto direcionava agora os olhos muitos negros para as linhas da carta do assistente. “Mas a partir do momento que sofrem de um mal similar, elas aprendem a lição”.
O cão grunhiu.
“Watson me enganou no dia do Natal e roubou algo que era meu”, murmurou Holmes. Referia-se às mentiras do amigo relacionadas ao composto preparado pelo próprio detetive e ao furto de seu caderno. “Mas eu roubei algo seu também”.
Soltou um longo suspiro. A seguir, mordeu os próprios lábios: estava enganando a si mesmo novamente. Pensar que havia roubado a carta de Watson para a esposa apenas para ensinar-lhe uma lição seria hipócrita demais da sua parte. Havia roubado, em verdade, para controlá-lo. Desejara saber que palavras o amigo havia colocado no documento. Desejara saber se Watson clamava pelo retorno da mulher ou se ele, Holmes, vinha sendo o suficiente para satisfazê-lo.
Tinha violado uma correspondência. E agora, mantinha-na ainda consigo porque queria controlar a data do retorno de Mary Morstan. Mandaria àquela pessoa uma carta (passando-se pelo seu marido, é claro) quando bem entendesse; quando Watson estivesse cansado da situação e quisesse voltar à vida normal. E tudo indicava que o dia maldito havia enfim chegado.
Leu para si as palavras de Watson. A seguir, leu as suas próprias. Havia grande diferença de significado entre elas. Mas o papel, o envelope, o tipo da caneta, a caligrafia... eram idênticos. Tantos anos vivendo ao lado do médico serviram-lhe para absorver com propriedade até mesmo a sua caligrafia.
E queria ter absorvido tanto mais.
[…]
“Stamford, isso é... ridículo”, disse o mais alto, incrédulo. “O que você está dizendo?”
“Ridículo?”, repetiu Stamford. Depois de alguns minutos de discussão, o homem estava claramente alterado e o seu rosto mantinha um tom de vermelho peculiar. “Eu te vi há um pouco mais de uma semana, John. Bêbado, cansado...”, disse, deprimido pela lembrança. “Você estava acabado”.
“E você está sugerindo que eu estou bem agora por causa...”
“Baker Street é o seu lugar”.
“Passe-me esse orçamento”.
“Não tem orçamento pra você. Não tem orçamento, não tem aluguel...”
“E você espera que eu more com ele até quando?”
Ao som daquela pergunta, o bom e velho Stamford parou. Desviou os olhos por um momento e fixou-os no chão, pensativo.
“Veja isso”, continuou o doutor, tirando do dedo anelar esquerdo a aliança de ouro que o condenava. “Eu sou um homem casado, Stamford. Tenho uma esposa e tenho uma vida. Vou construir uma família”.
“Família”, repetiu o outro, enquanto fazia um sinal negativo de cabeça. “Você vai dispensá-lo por medo que ele o dispense, John. Você...é mais doente do que ele”.
Um instante de silêncio tomou a sala.
“Você vai voltar a beber e eu não ajudá-lo dessa vez”.
Era um bom apartamento, pensou Watson. Não se ouvia absolutamente nada vindo dos corredores ou do lado externo às janelas.
“Passe o orçamento, Stamford...”
Quando John Watson chegou ao número 221B em Baker Street, Holmes estava desfalecido sobre o sofá que lhe servia de cama ocasionalmente. O relógio batia cerca de quatro da tarde.
A cena era rara. Holmes era um homem hiperativo, com certeza. E apenas ficava deprimido a ponto de deitar-se no meio da tarde por duas razões: uma delas era a falta de casos investigativos ou experimentos para realizar; a outra dizia respeito a Watson e os assuntos que os envolviam. Mas John, é claro, só tinha conhecimento da primeira razão.
Ao vê-lo deitado sobre aqueles estofados em plena luz do dia, o doutor sentiu um forte aperto no peito, seguido de uma vontade súbita de embalá-lo e não deixá-lo. Não queria deixá-lo. Ainda assim, era preciso. Se queria que Holmes não se cansasse da sua companhia, se queria manter-se seguro na categoria de amigo, então era necessário abandonar Baker Street. Retomar a vida e deixar que Holmes retomasse a sua.
A virada do ano se aproximava, trazendo uma grande tristeza. Se ao menos o médico tivesse a coragem de estufar o peito e perguntar-lhe se, de fato, corria o risco de se tornar mais um dentre todos os seus relacionamentos falidos... se ao menos pudesse pedir-lhe, implorar-lhe para que não o deixasse como deixara todas as outras pessoas que se haviam aproximado demais... Mas uma raiva o tomou; se dissesse aquilo, era capaz de Holmes rir da sua cara. Afinal, ainda se tratava de Sherlock Holmes.
Suas pernas compridas, endurecidas, levaram-no até as proximidades do amigo adormecido. Temeu acordá-lo, mas não pôde evitar o gesto: tão logo o cheiro do âmbar entrou-lhe pelas narinas, precisou sentar-se sobre o sofá e apenas sentir o calor daquele corpo que já não teria sempre. Talvez fosse a sua última noite em Baker Street.
Aproximou uma das mãos do tórax de Holmes até quase tocá-lo; ao invés disso, somente sentiu-o expandir-se e relaxar ao ritmo da respiração do menor. Logo, a sua respiração também acompanhava a dele.
Os olhos claros estavam fixos na sua imagem como em um tipo de hipnose. Se ao menos nunca fosse preciso deixá-lo...
De repente, assustou-se e afastou a mão. Holmes acabava de se mover.
“Ah... Watson...”, grunhiu ele, a voz ainda sonolenta. Uma voz fingida, é claro, já que Holmes não conseguira dormir um só minuto em toda a tarde e vinha percebendo todos os movimentos do assistente. “Você voltou”.
“H...Holmes... Fiquei de avisá-lo. Não vou ficar aqui por muito tempo. Vou alugar um apartamento...”
“Sim... claro. Em Clay Street...”, mas de súbito, Holmes abriu os olhos. Acabava de se dar conta de que Watson não havia contado onde era o apartamento. Pigarreou e procurou corrigir-se: “Quero dizer... onde você disse que era?”
Mas oras, a culpa não era sua se o homem havia deixado o jornal sobre a mesa das refeições antes de sair de casa naquela manhã. A propriedade mais próxima era em Clay Street e estava sendo anunciada, coincidentemente, por ninguém menos que o amigo Stamford.
“Sim. Em Clay Street”.
“Desculpe”, murmurou o detetive. Sabia que Watson detestava ser investigado.
“Talvez essa seja minha última noite aqui”.
O músculo cardíaco do mais baixo deu um tranco. Lentamente, Holmes abaixou as pálpebras:
“Watson...”
John Watson, entretanto, não deu tempo para a réplica. Como uma voz abalada pela falta de coragem e pelo sentimentalismo que corroía seu cérebro, interrompeu, erguendo-se:
“Você não vai me impedir, Holmes”.
[...]
Depois de ser brutalmente deixado sozinho no cômodo, Sherlock Holmes permaneceu imóvel, as pupilas dilatas e fixas no teto. Aquela realmente seria a última noite de Watson. Apesar de sentir os braços fracos, os punhos encontravam-se fechados sobre o manto que usava. A culpa de estar sendo abandonado recaía sobre a sua própria pessoa.
Palavras erradas. Apenas algumas palavras mal escolhidas.
Se não tivesse tentado proteger o amigo no dia anterior quando ele estava sob a ameaça de Bahman... se não tivesse se exposto e mostrado tanta afetividade, Watson não estaria indo embora. Porque foi desde aquele momento que o assistente se tornara tão frio. Por medo, era certo. Provável que estivesse assustado. Assim, mais uma vez, Holmes tinha estragado tudo: declarar-se e expôr o outro na frente de Lestrade, Gregson e o próprio criminoso certamente não havia sido boa ideia.
Agora, o que mais desejava era voltar no tempo e reparar o seu erro. Evitar que o único amigo que tinha, a única pessoa com quem se importava fosse embora. Não podendo fazê-lo, restava-lhe uma última escolha: fazer valer a maldita última noite em que teria John Watson a seu alcance.
Notas finais
Aí alguns de vocês vão se perguntar: QUANDO FOI QUE HOLMES ROUBOU A CARTA DO CORREIO?. E eu vou responder que: no capítulo nove, o Holmes descobre a farsa do Watson quanto àquele certo composto ingerido e quanto ao furto do seu caderno. O capítulo dez se inicia com uma entrevista de Charles Hoover; logo em seguida, temos uma cena do Watson empacotando mais alguns pertences e recebendo uma correspondência do Sherlock pra que fossem juntos em uma luta de boxe. Teoricamente, teria sido nessa manhã, a manhã do dia 26, que o nosso detetive teria mexido na caixa e... a partir daí, acho que vocês já imaginam. Se restar qualquer dúvida, não hesitem em vir falar comigo.
Muito obrigada pela leitura até aqui e a paciência.
E ah, cadê minhas lindas reviews? Hihi.
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