Notas iniciais
💙 Olá, meus amores! Se no capítulo anterior Edward descobriu que ama Bella, neste capítulo ele descobre algo ainda mais assustador: aparentemente, todo mundo já sabia. Enquanto nosso médico favorito continua colecionando momentos de covardia, Emmett assume o papel de agente do caos, Jasper vira refém de uma conspiração familiar e a Operação Sabotagem ganha oficialmente vida. Apertem os cintos porque a lerdeza do Edward está prestes a encontrar a determinação de um homem desesperado. Boa leitura! 🍻💍😂

CAPÍTULO 2: O RECRUTAMENTO FORÇADO E A TEORIA DO "CUNHADO DE OURO"

O Bar do Mike tinha aquele cheiro característico de todas as tabernas de Forks: uma mistura de madeira molhada pela chuva eterna, desinfetante barato de pinho e trinta anos de gordura de batata frita impregnada nas paredes. O ambiente estava na penumbra, iluminado apenas por um letreiro de neon azul pisca-pisca da Budweiser que zumbia irritantemente perto da nossa mesa no canto mais isolado.

Eu estava sentado ali, com o meu casaco de couro pendurado no encosto da cadeira de plástico, ainda sentindo a umidade da chuva congelar o tecido da minha camisa social. Na minha frente, o terceiro caneco de chope escuro já estava pela metade. Minha dignidade de médico-chefe tinha ficado em algum ponto da rodovia interestadual.

— Ele é alto demais, Emmett. É uma anomalia esquelética... — resmunguei, batendo a base do caneco na mesa de madeira compensada com força desnecessária. — Ninguém confia em um homem com aquela quantidade de massa muscular que passa o dia inteiro embaixo de capôs de carros cheirando a graxa, óleo de motor e, ainda por cima, consegue sorrir exibindo trinta e dois dentes perfeitos às sete da manhã. É biologicamente suspeito. Ninguém é tão feliz assim sem estar sob o efeito de substâncias psicotrópicas. E aquelas bermudas cargo? Eu não consigo superar o fato de que a minha Bella, a garota que lê Jane Austen no original, vai subir ao altar com um homem cujo guarda-roupa é projetado para carregar ferramentas de encanamento nos bolsos laterais!

Do meu lado esquerdo, Jasper Hale estava tenso, a coluna perfeitamente ereta, os olhos fixos na porta de entrada do bar como se esperasse que uma tropa de elite da SWAT fosse invadir o local a qualquer momento. Na verdade, o medo dele era muito pior do que a SWAT: era a minha irmã, Alice.

— Edward, por favor, baixe o tom de voz — Jasper pediu, a voz saindo em um sussurro controlado e arrastado, típico do seu sotaque sulista que ele nunca tinha perdido totalmente. — Se o radar da Alice captar que nós estamos aqui bebendo enquanto ela está na editora revisando as fontes texturizadas do menu do jantar de ensaio, ela vai usar o meu cartão de crédito para comprar um jogo de malas de grife internacional só de vingança. E ela vai descobrir. Aquela mulher tem sensores quânticos para desobediência conjugal.

— Ah, cale a boca, Jasper! Deixe o doutor sofrer em paz! — Emmett deu uma risada estrondosa, puxando uma porção de amendoins salgados para perto de si e jogando três de uma vez na boca. Ele usava o boné virado para trás e parecia estar se divertindo mais do que um garoto em um parque de diversões. — Olhe para ele! É o colapso do império Cullen. O solteirão de ouro de Forks foi derrotado por um convite com cheiro de lavanda! Eu esperei por esse momento a minha vida inteira.

— Eu não estou sofrendo! — menti descaradamente, sentindo meu estômago dar mais um nó doloroso que nenhuma miligrama de omeprazol seria capaz de curar. — Eu estou apenas fazendo uma análise crítica da viabilidade matrimonial da melhor amiga da minha família. Como médico, eu tenho o dever cívico de intervir quando vejo um desastre epidemiológico prestes a acontecer!

Jasper soltou um longo suspiro, largou o seu próprio copo de água mineral na mesa, ele se recusava a beber em horário comercial, e girou o corpo na cadeira para me encarar de frente. Ele adotou aquela expressão séria, analítica e ligeiramente condescendente que usava quando atendia os seus pacientes mais difíceis na clínica de psicologia.

— Edward, me escute com atenção — Jasper começou, batendo os dedos longos na mesa no ritmo de um metrônomo. — Como psicólogo, eu passei os últimos oito anos observando a dinâmica interpessoal de vocês. E, honestamente, eu cheguei à conclusão clínica de que só um imbecil completo como você... e um poço de otimismo cego como o Jacob, não percebem o que a Bella realmente sente em relação a você, e vice e versa.

Eu estanquei o copo a caminho da boca. Meus olhos se arregalaram.

— O que você quer dizer com isso? — perguntei, a minha voz subitamente perdendo a arrogância e assumindo o tom desesperado de um estudante esperando a nota da prova final.

Emmett soltou uma gargalhada ruidosa, batendo a mão espalmada na mesa de madeira, fazendo os canecos chacoalharem.

— O Jazz tem razão, Cullen! Você é um gênio com um estetoscópio, mas é um completo jumento emocional! Pelo amor de Deus, Edward, a minha irmã é virgem! — Emmett soltou a bomba sem o menor pudor, fazendo o Jasper cobrir o rosto com a mão, horrorizado com a falta de filtro do cunhado. — Tu acha mesmo que se ela gostasse pelo menos um pouquinho do Jacob, do jeito que uma mulher deve gostar de um noivo, ela já não tinha liberado para ele nesses seis anos de namoro? O Jacob é um urso, cara! Ele tenta, ele ronda, ele faz cara de cachorrinho pidão, mas a Bella trata ele como se ele fosse um ornamento de jardim muito caro. Ela está guardando a fortaleza para o dono legítimo, que é bom demais para perceber que a chave está no bolso do jaleco dele!

Minha mente entrou em curto-circuito. As engrenagens do meu cérebro de médico começaram a girar tão rápido que quase consegui ouvir o som de metal batendo em metal. Virgem? A Bella? Depois de seis anos com o deus grego da mecânica automotiva de Forks?

— Isso... isso não é possível — gaguejei, sentindo minhas bochechas arderem. — Eles... eles viajam juntos. Eles têm aquela cabana em La Push...

— Cara, você e a Bella são um casal emocionalmente — Jasper interveio, cortando minhas desculpas com a precisão de um cirurgião. — Vocês não fazem sexo e nem se beijam na boca, mas vocês agem como um casal desde que eram crianças. A energia psíquica que vocês gastam orbitando um ao redor do outro seria suficiente para abastecer a rede elétrica de todo o estado de Washington. O Jacob é apenas o plano B estável que ela arrumou porque cansou de esperar que o seu córtex pré-frontal se desenvolvesse e você tomasse uma atitude masculina.

— Exatamente! — Emmett completou, apontando o dedo indicador na minha direção, o rosto brilhando com uma satisfação maliciosa. — Você lembra de quando a gente tinha seis anos, Cullen? No quintal de casa? Você era o pai de todas as bonecas dela, lembra disso? A Bella obrigava você a sentar naquela cadeira de plástico minúscula, tomar chá de mentira em xícaras rosa e carregar a porcaria assustadora da "Amazing Ananda" dizendo que o bebê estava com febre e que o "papai Edward" precisava curar. Você passou a infância inteira fingindo ser o marido dela nas brincadeiras, e agora está chocado porque ela quer que você faça isso de verdade?

Encostei-me na cadeira de plástico do bar, sentindo o ar fugir dos meus pulmões. As imagens da nossa infância e adolescência passaram pela minha mente em um turbilhão violento. As tardes na casa da árvore. O dia em que ela chorou no meu ombro porque o gato dela tinha sumido. O dia em que eu passei a noite inteira acordado na beira da cama dela monitorando a febre que ela teve por causa de uma amigdalite, enquanto o chefe Swan roncava no quarto ao lado.

Tanya tinha razão. Jasper tinha razão. Emmett tinha razão. Até o neon irritante da Budweiser parecia ter mais razão do que eu.

A Bella me amava. Ela sempre tinha me amado. E a única razão pela qual ela estava prestes a cometer a burrada de subir ao altar com o Jacob Black, usando um vestido desenhado pela minha irmã psicótica, era porque eu fui um covarde covarde que passou a vida pulando de cama em cama para evitar o medo de ser rejeitado pela única mulher que realmente importava.

Uma súbita onda de adrenalina pura invadiu o meu sistema circulatório. O pânico desapareceu, sendo substituído por uma clareza fria, calculista e perigosa. Eu não era mais o médico passivo em negação. Eu era o Dr. Edward Cullen, e estava prestes a prescrever um tratamento de choque para essa situação.

Nós não vamos deixar esse casamento acontecer — declarei, minha voz saindo fria, firme, no tom de quem está prestes a comandar uma cirurgia de peito aberto.

Jasper congelou com o copo d'água a meio caminho da boca. Emmett abriu um sorriso tão grande que os olhos dele quase sumiram.

— É disso que eu estou falando, porra! — Emmett comemorou, dando mais um soco na mesa. — O Cullen acordou! CARALHO!

— Espere, parem, abortar missão! — Jasper começou a gesticular freneticamente, o pânico finalmente quebrando a sua fachada de psicólogo controlado. — Edward, você é um cidadão cumpridor da lei. Você tem uma licença médica para preservar! Emmett, você é o irmão da noiva! Se vocês tentarem qualquer coisa ilegal, a Alice vai me rastrear, vai descobrir que eu estava nesta mesa e vai me cortar em pedacinhos milimétricos para usar como adubo no jardim de inverno dela! Eu estou fora. Estou oficialmente me retirando desta mesa de degenerados.

Jasper fez menção de se levantar, empurrando a cadeira para trás, mas ele não foi rápido o suficiente.

Emmett, com a velocidade e a força bruta de um urso pardo de Washington, esticou o braço imenso através da mesa, agarrou a gola do sobretudo bege do Jasper e o puxou de volta para o assento com um solavanco que fez os dentes do meu cunhado baterem.

— Daqui ninguém sai, Jazz — Emmett disse, o tom de voz misturando uma falsa doçura com uma ameaça física muito clara. — Nós somos um time. E em um time de verdade, ninguém deixa o capitão na mão. Além do mais, você já está envolvido até o pescoço.

— Eu não fiz nada! Eu só tomei água mineral! — Jasper protestou, tentando se desvencilhar do aperto de aço do Emmett, os olhos azuis arregalados de terror.

Eu me inclinei para frente na mesa, apoiando os cotovelos na madeira, fixando meu olhar mais intimidador de médico-chefe no Jasper.

— Jasper, meu querido cunhado de ouro — usei um tom de voz suave, quase terapêutico. — Deixe-me lhe apresentar um quadro clínico hipotético. Se eu entrar em depressão profunda por perder o amor da minha vida, eu vou me afastar do hospital. Se eu me afastar do hospital, eu vou parar de pagar a minha parte na manutenção da casa de praia que eu divido com a Alice. Se a Alice descobrir que perdeu a casa de praia porque você não me ajudou a salvar a Bella de um casamento desastroso, quem você acha que ela vai culpar?

Jasper engoliu em seco. O pomo de adão dele subiu e desceu de forma dramática.

— E tem mais, Jazz — Emmett acrescentou, inclinando-se também, o sorriso malicioso voltando ao rosto. — Lembra daquele vaso de porcelana legítima da Dinastia Ming que a Alice comprou no leilão de Seattle no ano passado? Aquele que apareceu quebrado em três pedaços no tapete e você jurou de pés juntos para ela que tinha sido o cachorro do vizinho que entrou pela janela?

Jasper empalideceu instantaneamente. A cor sumiu do rosto dele mais rápido do que se ele tivesse sofrido uma hemorragia maciça.

— Emmett... você não faria isso — Jasper sussurrou, a voz trêmula.

— Ah, eu faria, meu amigo. Eu tenho fotos no meu celular dos estilhaços com a marca do seu sapato de camurça perto da estante — Emmett piscou, tirando o aparelho do bolso do moletom e balançando-o no ar como uma arma de chantagem de destruição em massa. — Então, a situação é a seguinte: ou você nos ajuda a bolar e executar a Operação Sabotagem, atuando como nosso espião infiltrado para monitorar cada passo, cada suspiro e cada ataque de pelanca da Alice, ou eu envio essa foto para o grupo da família no WhatsApp em cinco segundos. O que vai ser, doutor Hale?

Jasper olhou para o Emmett. Depois olhou para mim. Ele parecia um homem que estava calculando as chances de sobrevivência em uma queda livre sem paraquedas. Ele fechou os olhos, respirou fundo três vezes, adotando uma postura de total derrota existencial.

— Eu odeio vocês dois — Jasper declarou, a voz sem vida. — Eu odeio o dia em que decidi me casar com uma Cullen e entrar para essa família de psicopatas. O que vocês querem que eu faça?

Emmett soltou a gola do sobretudo do Jasper e bateu palmas, radiante.

— Excelente! Temos um plano! — Emmett pegou um guardanapo de papel borrado de gordura da mesa, arrancou a caneta que a Bella tinha deixado atrás da minha orelha e começou a desenhar linhas caóticas no papel. — Muito bem, rapazes. A Operação Impedir a Burrada da Bella começou. Edward, pegue mais um chope. Nós temos exatamente duas semanas para transformar o casamento do ano no maior fiasco da história do estado de Washington.

Os dias seguintes não foram apenas uma corrida contra o tempo; foram um exercício em larga escala de guerrilha urbana, sabotagem logística e terrorismo psicológico de baixa intensidade. Nosso quartel-general era o almoxarifado dos fundos da oficina do Emmett, um lugar cercado por pneus velhos, calendários de borracharia e um quadro-negro onde desenhamos o organograma do casamento da Bella com grandes X vermelhos em cima de cada fornecedor.

— Muito bem, homens — Emmett declarou na manhã da segunda-feira seguinte, usando um boné de fita isolante na cabeça e segurando um rádio transmissor que ele tinha roubado do depósito do chefe Swan. — A Alice dividiu as forças dela em três pilares: a comida, a estética e os mimos idiotas que os convidados jogam no lixo no dia seguinte. Jasper, qual é o status do pilar estético?

Jasper, que estava sentado em cima de um galão de óleo de motor de dois mil litros, parecia ter envelhecido dez anos em quarenta e oito horas. Ele estava com olheiras profundas e segurava o celular com a ponta dos dedos, como se o aparelho fosse uma granada sem pino.

— A Alice está no terceiro ataque de pânico do dia — Jasper relatou, a voz sem vida. — Ela passou a manhã inteira gritando com o florista de Port Angeles porque metade das orquídeas raras importadas de Madagascar que ela encomendou para o altar simplesmente... desapareceram do sistema de entregas.

— Excelente! Ponto para a equipe Cullen-Hale-Swan! — Emmett comemorou, batendo a mão espalmada na mesa de ferro.

O "desaparecimento" no sistema tinha sido obra minha. Eu usei o meu registro médico e um carimbo oficial do Hospital de Forks para enviar um e-mail formal para a transportadora biológica da região, alegando que o lote de flores vindo de Madagascar continha suspeitas de uma infestação de Anopheles gambiae, o mosquito transmissor da malária. O carregamento de flores da Alice foi retido pela vigilância sanitária estadual para "quarentena de trinta dias". Eu quase me senti mal pelo florista, mas o desespero de perder a Bella justificava qualquer quebra de ética médica.

— E os brindes, Edward? Como foi a operação no porto? — Emmett me instigou, os olhos brilhando com malícia.

— Cinquenta caixas de mini-garrafas de champanhe personalizadas com as iniciais "J&B" e duzentos chinelos de borracha com o monograma deles estampada foram devidamente desviados — anunciei, cruzando os braços com um orgulho doentio. — Eu subornei o motorista da van de entregas oferecendo três consultas pediátricas gratuitas vitalícias para os sobrinhos dele e uma cirurgia de hérnia prioritária para o cunhado dele. Toda a mercadoria está trancada no porão da minha casa de praia neste exato momento.

— Genial! O Jacob vai ter que dar bem-casado amanhecido e nozes de Forks para os convidados! — Emmett ruidosamente gargalhou.

O ápice do nosso caos, no entanto, foi o pilar gastronômico. Duas noites antes do ensaio, o Emmett usou um aplicativo de alteração de voz para ligar para o buffet Le Petit Gourmet de Seattle, passando-se pelo próprio Jacob Black. Com o sotaque mais caipira e arrastado que conseguiu forjar, Emmett disse ao gerente do buffet que a noiva tinha "descoberto uma intolerância severa a glúten, lactose, frutos do mar e sofisticação em geral", e que eles queriam cancelar o menu de cinco pratos franceses. No lugar, ele exigiu que o buffet servisse um legítimo "churrasco de lombo de porco com farofa de feijão e maionese de batata morna".

Quando o gerente ligou para a Alice para confirmar a alteração no cardápio, Jasper relatou que a minha irmã soltou um grito tão agudo que todos os cães da rua começaram a uivar em sincronia. Ela passou a noite inteira tomando calmantes e ameaçando capar o Jacob com uma faca de cortar bolo.

O plano estava funcionando perfeitamente na teoria da confusão, mas o meu coração continuava sendo uma bomba-relógio prestes a explodir. E o detonador foi acionado no final daquela semana, na tarde em que fomos convocados para a sala de estar da casa dos meus pais.

A atmosfera na mansão dos Cullen parecia a de um santuário de alta-costura misturado com um comercial de margarina. As cortinas de linho estavam abertas, deixando a luz pálida da tarde de Forks iluminar o tapete persa que tinha sido empurrado para o canto. No centro da sala, em cima de um pequeno tablado de madeira circular, havia uma montanha de tule, seda e renda branca.

Eu e o Emmett entramos na casa de mansinho, trazidos pela necessidade de buscar algumas caixas que a minha mãe tinha guardado. Mas assim que pisamos na soleira da sala, nós dois travamos.

Bella estava de pé no tablado.

Ela estava usando o vestido de noiva definitivo. Era uma peça desenhada pela própria Alice: as mangas eram de uma renda tão fina que pareciam desenhadas na pele dela, o decote nas costas descia em um "V" profundo e elegante, e a saia de cetim fluía até o chão como uma cascata de neve pura. O véu de três metros estava preso no coque alto, emoldurando o rosto dela de um jeito que a transformava completamente. Ela não era mais a garota esquisita de moletom que morava na casa ao lado. Ela era uma aparição. Uma obra de arte.

Minha mãe, Esme, estava sentada no sofá com as mãos cobrindo a boca, as lágrimas já rolando livremente pelas suas bochechas. Ao lado dela, a dona Renée soluçava alto, segurando um lenço de papel amassado como se estivesse assistindo à coroação de uma rainha. Até a Alice, que geralmente parecia um sargento de saltos altos, estava com os olhos marejados, ajustando a cauda do vestido com uma delicadeza quase religiosa.

Ao meu lado, ouvi um som estranho. Olhei para o Emmett. O homem de um metro e noventa de altura, com braços do tamanho de troncos de árvore e que conseguia levantar um motor de carro sozinho, estava com o lábio inferior tremendo. Os olhos dele se encheram de água instantaneamente.

— Oh, cara... — Emmett fungou alto, o som ecoando pela sala silenciosa. Ele limpou o nariz com a manga da jaqueta jeans, chorando igual a um bebê de colo que perdeu a chupeta. — Minha... minha irmãzinha... ela parece uma princesa da Disney, Edward. Olha para isso. Eu vou quebrar a cara do Jacob se ele amassar esse vestido!

— Emmett! Não quebre a magia do momento! — Alice ralhou, embora a voz dela também estivesse embargada.

Eu não conseguia falar. Literalmente. Meus pulmões se recusavam a expandir. O ar entrou pelas minhas vias aéreas e ficou preso na garganta. Olhar para a Bella daquele jeito foi como levar um soco direto no esterno. Ela estava maravilhosa. Uma beleza dolorosa, limpa, que fazia o meu peito arder com uma intensidade que quase me fez cair de joelhos no tapete.

Bella ouviu o choro do Emmett e virou o rosto na nossa direção. As bochechas dela coraram instantaneamente quando os olhos castanhos dela encontraram os meus. Ela segurou a barra do vestido com as duas mãos, parecendo subitamente tímida.

— Vocês... vocês acham que ficou bom? — ela perguntou, a voz saindo pequena, ansiosa.

— Bom? Bella, você está maravilhosa — consegui finalmente expelir as palavras, a minha voz saindo em um sussurro rouco, desprovido de qualquer um dos meus sarcasmos habituais. Eu dei um passo à frente, os olhos fixos nela, esquecendo completamente que o Emmett estava soluçando ao meu lado. — Você está... absolutamente perfeita.

Renée soltou mais um suspiro dramático e abraçou a minha mãe de lado.

— Ah, Esme, veja se eu aguento uma coisa dessas! — Renée choramingou, apontando para nós dois. — Olhe para eles. Sabe, eu preciso confessar uma coisa... eu passei os últimos vinte e sete anos da minha vida convicta de que eu ia ver essa cena acontecer, mas com o Edward esperando por ela no Altar. Eu sempre achei que a Bella iria casar com o Edward desde que eles eram cotocos de gente correndo pelo quintal de fralda.

Esme sorriu com ternura, limpando uma lágrima do canto do olho e balançando a cabeça em concordância.

— Eu também, Renée — minha mãe confessou, o tom de voz cheio de uma nostalgia doce e melancólica. — No meu coração, eles sempre foram o par perfeito. O Edward cuidando dela, a Bella controlando o gênio dele... parecia o destino escrito. Mas o Jacob é um bom rapaz, nós temos que ficar felizes por ela.

A sala ficou em silêncio por um segundo, guardando o peso daquelas palavras. E foi nesse segundo de calmaria que eu vi os olhos da Bella se desviarem dos meus por uma fração de segundo, baixando para as próprias mãos espalmadas no tecido do vestido. Os ombros dela caíram ligeiramente e, em um sopro de voz que só eu, pela proximidade física, fui capaz de captar com clareza clínica, ela sussurrou para si mesma:

Eu também...

Aquilo foi o meu limite. O "eu também" dela ecoou nos meus ouvidos como um tiro de canhão. Ela ainda queria que fosse eu. A fortaleza não estava apenas guardada; ela estava esperando que eu arrombasse as portas.

— Alice, mãe, dona Renée... — falei, a minha voz subitamente assumindo uma autoridade firme que fez o Emmett parar de fungar por um instante. — Vocês importam se eu conversar com a Bella a sós por cinco minutos? Prometo não amassar o vestido.

As mulheres se entreolharam. Alice franziu o cenho, o instinto de sargento apitando, mas Esme tocou no braço dela, dando-lhe um olhar compreensivo.

— Claro, querido. Vamos até a cozinha tomar um chá e tentar acalmar o seu irmão, que está prestes a inundar a minha sala de estar — Esme disse, levantando-se e puxando o Emmett pela orelha, enquanto Renée e Alice a seguiam, fechando a porta de correr de madeira atrás de si.

Ficamos sozinhos. Apenas eu, a Bella e os três metros de tule que pareciam uma barreira intransponível entre nós.

Aproximei-me do tablado de madeira. Bella continuava ali, de pé, olhando para mim com uma mistura de expectativa e medo. O perfume de morango do xampu dela parecia mais forte agora, lutando contra o cheiro de tecido novo do vestido.

— Edward... — ela começou, a voz falhando. — O que foi? Você veio aqui criticar mais alguma coisa? Vai dizer que o véu é longo demais para o clima de Forks?

— Bella, por favor, cala a boca por um minuto — pedi, parando bem na beira do tablado, ficando quase na mesma altura que ela. Minhas mãos subiram, pairando no ar por um segundo antes de eu criar coragem para tocá-la. Meus dedos envolveram os braços dela, sentindo a pele macia sob a renda do vestido. — Eu preciso te dizer uma coisa. E eu preciso que você me escute sem me interromper com a sua teimosia habitual.

Os olhos dela se arregalaram. Ela prendeu a respiração, o peito subindo e descendo contra o espartilho do vestido. Ela estava esperando. Eu conseguia ver nos olhos dela, naquela dilatação sutil das pupilas, que ela estava implorando para que eu dissesse as palavras certas. Aquela era a minha última chance clara antes do dia do casamento. O cenário estava perfeito. Nós estávamos sozinhos. A verdade estava batendo na minha glote, arranhando a minha garganta para sair.

Eu sou o homem certo para você. Eu sou o pai das suas bonecas de mentira. Eu te amo desde que tenho cinco anos de idade e sou um imbecil que levou trinta e dois anos para perceber que o meu mundo não faz sentido se você não estiver nele. Não casa com o Jacob. Casa comigo.

Abri a boca. O ar saiu. Mas as palavras... as malditas palavras simplesmente congelaram de novo.

O pânico da rejeição, a imagem do Jacob sorrindo com os seus trinta e dois dentes perfeitos, a responsabilidade de ser o padrinho, o medo de estragar a vida dela dali a duas semanas se eu estivesse errado... tudo isso formou um bloco de concreto na minha garganta. Minha mente de médico, acostumada a calcular riscos, calculou o pior cenário possível e me paralisou.

Eu amarelei. De novo. Limpamente.

— Edward? — ela instigou, os lábios dela entreabertos, um vinco de frustração e dor começando a se formar entre as sobrancelhas dela ao ver o meu silêncio prolongado. — O que você quer me dizer? Fala de uma vez!

Engoli em seco, sentindo o gosto amargo da minha própria covardia. Meus dedos escorregaram pelos braços dela, soltando-a lentamente. Forcei o melhor sorriso de amigo prestativo que consegui simular, embora por dentro eu estivesse sangrando.

— Eu só... eu só queria dizer que você vai ser uma noiva linda, Bella — menti, a minha voz saindo vazia. — E que... o Jacob é um cara de sorte. Eu estou feliz por você.

O efeito das minhas palavras foi quase físico. Vi o momento exato em que a luz de expectativa nos olhos da Bella se apagou, substituída por uma frieza opaca e uma mágoa profunda. Ela deu um passo para trás no tablado, afastando-se de mim, e soltou uma risada curta, amarga, idêntica àquela que a Tanya tinha dado no restaurante em Port Angeles.

— Obrigada, Edward — ela disse, a voz saindo fria como o inverno de Washington, enquanto ela dava as costas para mim e fingia ajustar o véu no espelho. — Vindo do meu melhor amigo e padrinho... isso significa muito. Agora, se me dá licença, eu preciso tirar esse vestido antes que eu comece a sufocar de verdade aqui dentro.

Saí da sala de estar sem olhar para trás, sentindo que cada passo que eu dava no tapete persa me afastava mais do único futuro que realmente importava. A Operação Sabotagem nas mãos do Emmett não era mais apenas uma brincadeira de bar; tinha se tornado a minha única e desesperada chance de sobrevivência.

Notas finais
E pela segunda vez em poucos dias, Edward Cullen teve a oportunidade perfeita de confessar seus sentimentos... ...e desperdiçou completamente. Enquanto isso, Bella está cada vez mais machucada, o casamento continua se aproximando e a Operação Sabotagem agora é a única esperança de um homem que consegue salvar vidas diariamente, mas não consegue dizer três simples palavras. Será que Edward finalmente vai criar coragem ou vai continuar deixando o destino decidir por ele? Nos vemos no próximo capítulo! 👀💙✨