Notas iniciais
Como eu disse, capítulo 2!

Claro que o meu segundo dia não foi um dos melhores, pricipalmente quando eu acordei e esbarrei em uma das quinas da cama. E pra completar, o leite tinha acabado. Eu geralmente procuro leite quando acordo, já virou ritual e eu sempre dou uma desculpa de que o leite é isso e aquilo, enfim, nunca vou saber a causa na verdade. E o pior é que quando não tomo leite, fico em um estado meio bela adormecida e meio zumbi de Resident Evil, então, dá-se para imaginar o modo como eu estava nesta hora.

E tem sempre uma ou outra coisa que insiste em te perturbar, no meu caso era o Komo, que não parava de latir uma vez sequer. Acho que com fome, mas o que eu poderia fazer? Estávamos no mesmo barco, eu sem meu leite e ele sem sua ração matinal. E é aí que as coisas começam a tomar o efeito dominó, na sequência, a minha porta de entrada se abriu e um ser odioso me encarou de boca aberta. No princípio, eu nem me importei, até que lembrei-me de estar usando um baby doll rosa que claramente já estava no auge do seu tamanho, deixando a ver algum claro rabisco das minhas vestes de baixo, neste caso, apenas a minha calcinha.

— Tarado!! — berrei saindo do meu estado Bob Marley e o acertando com potes, almofadas e tudo mais.

Infelizmente para o tarado, um dos meus objetos voadores não identificados o acertou, levando o garoto da minha idade ao chão, fácil, fácil. Era o loiro de outrora, mas ao invés de trajar apenas a sua samba-canção, estava de calças jeans e blusa bege, uns tênis brancos com alguns detalhes em azul e uma jaqueta de time, daquelas que jogadores de futebol americano usam. Olhei incrédula, me perguntando onde diabos ele tinha arranjado roupas e aquele casaco do time.

— Tsc, tsc. — sussurrei balançando a cabeça com desgosto. — Você mereceu Fox. Onde já se viu entrar na residência de uma garota que acabou de acordar?

— Wolf! — Komo concordou, ele sempre concorda com tudo.

— Bem, acho que te devo desculpas. — continuei na minha monotonia, apanhando gelo e jogando uma forma no galo dele. — Agora acorde. — chutei suas costelas fazendo-o gemer com dor.

— Isso doeu Haruno! — berrou segurando a forma de gelo. — Porque me acertou coisas?

— Primeiro você invade minha casa, depois baba enquanto estou desse jeito e ainda me pergunta?

— Certo, desculpe Haruno, não tive intenções malvadas.

— E o que faz aqui? — recuei tomando sua atenção. — Pensei ter dito claramente que esta não é sua casa.

— Er... — disse entrando em um estado de síntese, segui seu olhar e quase chamusquei de raiva quando vi que terminava em meu decote.

— Então, FOX, o que está fazendo aqui mesmo? — perguntei elevando o tom quando falei seu nome, o que o fez se levantar e tomar uma boa distância.

— Yo Haruno! — acenou me deixando embasbacada. — Eu vim à sua casa pedir humildemente para que não me retire daqui.

— Eu lhe expulsarei à tapas se não desembuchar logo. — ameacei revelando uma careta maldosa a qual ele reagiu bem, tomou mais um pouco de distância.

— Bem, você chega e me expulsa só de cuecas e ainda joga minhas coisas no lixo, quer que eu fique como?

— De boca fechada. — calou-se depois de exibir seus olhos surpresos. — Bom. Primeiro, quero pedir desculpas por te fazer dormir na cadeia, desculpa tá? Segundo, se você não fosse tão tarado, eu até te deixaria comer alguma coisa e terceiro, nunca me peça para te deixar dormir aqui, ouviu?

— Então eu vou indo, muito obrigado por nada. — resmungou batendo a porta.

Ótimo! Eu sou a assediada por aqui e ele que fica irritado!

— Existe gente doida para tudo, não é Komo? — esbanjei-me de preguiça ao ver o cachorro vir pra mim.

— Wolf! — ele completou, concordando cegamente com tudo.

Levantei voltando ao velho estado de Bob Marley, ainda não havia tido meu leite e Komo a sua ração. Subi a escadaria aos farrapos, tentando colocar alguma roupa ou qualquer veste que não fosse tomar todo o meu tempo para o leite. Acabei escolhendo um shorts azul de reflexos e uma blusa cinzenta com uma frase qualquer escrita em inglês. Tranquei a casa voltando-me para o meu bairro, cheio de comércios para a minha sorte.

— São 250 yens. — chorei ao ouvir a mulher da caixa, olhando-me com cinismo e estendendo a mão para receber o dinheiro da minha caixa de leite.

— Aqui. — dei o dinheiro puxando a caixa para fora de uma sacolinha plástica, estava precisando disso por um tempo.

— Sabe, não é muito educado tomar algo que você acabou de comprar.

— E o que te importa? — virei-me para a pessoa metida, tirando a caixa da minha boca.

— Você tem um péssimo humor Haruno. — comentou e eu acabei fazendo uma careta e voltando para a minha caixa.

— Não sou eu que invado casas alheias... — murmurei antes de tomar outro gole, ali mesmo na rua.

— Ei Haruno, em que lugar você estuda?

— Não puxe papo, volte para sua cela.

— Você é realmente uma garota rude. — comentou me seguindo.

— E daí? Ninguém é igual, sabe? — continuei me fingindo de burrinha, coisa que eu não sou.

— Vamos Haruno, eu não faço barulho e sou um ótimo inquilino, eu posso pagar se você quiser, mas me deixa ficar, vai.

— Olhos de cachorro de pet shop não funcionam comigo. — resmunguei terminando meu leite e voltando ao meu estado de Lara Croft. — Tente com uma idiota. — bati a porta na cara dele.

— Haruno! — deu para escutar ele gritar enquanto eu me sentava no sofá.

— Cale a boca e vá embora! — berrei e pareceu funcionar, já que as batidas na porta cessaram.

Tomei Komo no colo enquanto assistia ao programa de auditório. Torcia para a garota da direita quando me bateu uma fome e mandando inconscientemente Komo me dizer se a tal garota havia ganhado, parti para a cozinha e abri um pote de lámen de porco, o meu tipo preferido. Pena que a campainha tinha tocado e eu, como sou besta, deixei o lámen de lado para atender, depois de receber um pacote voltei só para chorar com a situação, lá estava meu pote no chão, totalmente seco e meu cachorro ao lado, totalmente satisfeito.

— Seu bastardo! — berrei pulando para tentar capturá-lo. — Volte aqui seu mamífero de quatro patas!

Não se pode dizer que eu fui a dona mais sortuda do mundo, não, eu acho que fui a mais azarada. Aquele cachorro gordo me fez correr por toda a casa, quando ele estava apenas se escondendo debaixo da pia. E quando eu o peguei, já estava cheia de machucados, meu cabelo não estava a coisa mais linda do mundo e minha roupa já tinha virado farrapo, quase que o matei ali, mas para a sorte do cão eu não teria outra companhia, então tratei de deixá-lo em paz e tomar um banho.

— Wolf! — gritou assim que desci da escada, ele estava claramente me zoando.

— Você não quer mesmo passear agora. — lutei batendo meus pés e olhando irritada para o cão.

— Wolf! — interviu puxando-me para fora, enquanto eu segurava a coleira.

Acabei parando no parque dali. Sentei em um banco e deixei o cachorro por aí, se ele tivesse se perdido, colocaria a culpa no amor da primavera, onde os bichos se apaixonam e bye Komo. Pena que meu braço foi puxado com força e quando dei por mim, estava em um beco, rodeada de caras de aparência horrenda.

— Ola gracinha, que tal um beijinho? — enojei com aquilo, eles eram tão rudes e idiotas.

— Sai fora cara, eu não quero nada com você! — especifiquei me soltando de um, mas sendo pega por outro.

— Que tal vir comigo? Eu não me importo se tiver público. — disse um outro cara, que me prendia pelos braços na parede e acariciava meu rosto pouco tempo depois mudando para meus seios.

— Me solte seu bastardo! — berrei acertando-o naquele lugar e logo ele foi ao chão.

— Agora sua vadia, eu quero você! — gritou batendo minha cabeça contra o chão e segurando todos os meus membros com as pernas e os braços.

— Solte! — gritei esperniando enquanto algumas lágrimas me vinham aos olhos.

— Agora vamos, querida. — sorriu doentio enquanto dava alguns chupões e beijos no meu rosto.

— Caia fora seu bastardo! — recusei combatendo-o com a minha cabeça.

— Sua vadia desgraçada! — apertou-me mais contra o chão. — Agora eu vou fazer você ver o que é bom.

Prendi a respiração esperando pelo pior. Talvez esperando morrer ou coisa parecida, mas não veio. Mesmo assim eu conseguia sentir a mão imunda daquele bastardo me segurando enquanto eu não podia fazer nada, as lágrimas rolavam e eu me debatia tanto que eu podia ouvir o chão tremer, até que eu estava livre novamente e pude abrir os olhos.

— Que porra vocês fizeram com a Haruno seus cabeças de merda? — questionou o meu salvador enquanto eu vi um dos meus agressores voar por aí.

— Quem diabos é você seu loiro oxigenado? — debateu um dos caras que foi socado até soltar sangue.

— E vocês tem merda nos ouvidos? Que porra fizeram com a Haruno? — perguntou cada vez mais irritado, me dando uma deixa para conferir se ainda estava normal e eu estava.

— Quem você pensa que é para acabar com os meus homens assim? Seu bastardo de merda! — berrou o cara que me segurava antes.

— Seus homens? Então pode vir, seu emo de bosta. — retrucou e pude ver uma veia pulsando na testa do meu agressor mais forte.

O agressor pulou acertando um soco no meu herói, mas ele acabou tomando uma rasteira e sendo acertado com um soco de direita bem na boca do estômago, fazendo-o soltar algumas gotículas de sangue e cair no chão, totalmente imóvel. Só me toquei que tudo tinha acabado quando Komo veio até mim e saí do beco, encarando o loiro exibicionista com uma respiração pesada.

— Você está bem, Haruno? — perguntou tocando nos meus ombros, tentando ver algum ematoma ou coisa parecida.

— Estou bem, sério. — tirei seus braços do meu corpo e olhei bem para ele. — Como me achou?

— Esse seu cachorro estava gritando no parque. — apontou para o Komo.

Grande Komo! Vou lhe dar milhões de ossinhos quando a gente chegar em casa!

— Wolf! — encarou-me com seus olhinhos pidões.

— Até que você é razoável, Komo. — sorri acariciando seu dorso.

— E você, Haruno, não finja que isso tudo não é culpa sua.

— Olha, eu estou realmente agradecida por você ter me salvado, mas isso não lhe dá o direito de berrar comigo!

— Eu, berrando? Quem está agindo como uma ursa é você!

— Você disse o quê? — questionei liberando a aura mais negra que eu já tinha visto. Eu quero matá-lo, picá-lo e ainda jogar os restos no lixo!

— E-Ei Haruno... Você não quer fazer isso, quer? — perguntou me olhando de um jeito medonho enquanto eu segurava uma lata de lixo cheia e andava com uma cara assassina para cima dele.

— Ah eu quero, como eu quero. — repeti encarando ele se encolher e suar feito uma cascata. — Mas nem vale. — voltei ao normal jogando a lata fora e recebendo um "Uh?" dele e do Komo.

— O-O que houve? — questionou ainda acocado no chão, com as mãos sob a cabeça.

— Você me salvou, então estamos quites. — murmurei apanhando a coleira do cachorro da família, levando-o embora.

— Ei! — levantou quase caindo em cima de mim, claro que eu desviei. — Não acha que eu posso morar na sua casa agora?

— E você me ajudou com segundas intenções? — estava claramente arrependida de não o ter machucado.

— Não. — temeu pela minha cara. — Quer dizer, um pouco... Mas você pode me deixar ficar na sua casa?

— Eu já disse e vou repetir, nunca me peça para ficar na minha casa!

— Que má. — murmurou. — Eu a ajudo e fica assim?

— Primeiro que, ninguém te pediu ajuda e segundo, como você quer que eu deixe um tarado vivendo sob o mesmo teto?

— É pedir muito? — fiquei abismada e me contive para não bater na minha testa.

— Claro que é!

— Onegai! — abaixou-se se agarrando a minha perna. — Vai, vai, deixa.

— Eh... — olhei quase enojada. — Desprega daí.

— Isso é um sim? — exibiu um sorriso de propaganda.

— Ta, ta. — suspirei balançando a mão. — Mas se você fizer algo pervertido, o coloco pra fora a vassouradas!

— Sim Haruno-sama! — exclamou batendo a mão na testa, um gesto que os soldados fazem quando cumprimentam os almirantes.

Dear,

Acredite ou não, acabei de receber na minha casa o Fox. Eu sei, pior ideia do mundo... Não tem como eu e ele vivermos debaixo do mesmo teto, acabou, explodiu, inexistente! Fora a babaquice que eu fiz, o dia foi normal, Komo me maltratou, me deixando com fome e à deriva de alguns caras nojentos que, pra começar, foi ele que causou tudo quando me puxou pra passear! Amanhã é o primeiro dia de aula, Akihane High School, né? O nome parece bem estranho, por falar nisso, onde é que ela fica? Diabos! Porque as coisas não podem acontecer normalmente comigo? Dia? Sem igual (considere do modo pejorativo) Noite? Indo bem (sem qualquer barulho suspeito do quarto ao lado) Expectativas para a nova escola? Nenhuma, deve ser um saco igual a todas as outras.

Até.

— Hey Haruno! — minha porta foi aberta violentamente e um loiro berrante me olhou de cima a baixo.

— O que está fazendo seu baka? — berrei jogando uma almofada na cara dele. — Que ideia de jerico é essa?

— Vim perguntar se você quer pizza. — defendeu-se atirando a almofada verde no chão. — É meia mista e meia calabresa.

— E porque sua mente de dois neurônios não deduziu que deveria bater na porta?

— Gomen, gomen. — murmurou de um jeito despreocupado e depois fitou o caderno na minha cama. — Isso é um diário?

— Não é da sua conta! — gritei, jogando ele escada à baixo. — E pare de ser pervertido, seu pervertido!

Notas finais
E eu fico por aqui! Até mais!