O Cara Que Mora Na Minha Casa

3 Relater 3 - Akihane School.


Notas iniciais
Yo! Obrigado pelos comentários anteriormente, fiquei feliz porque essa história louca agradou alguém. Agora, sem mais nem menos, que venha o terceiro capítulo!

Pode-se dizer que meu terceiro dia em Konoha foi decaído ao ponto máximo. Eu, uma magrela de cabelo rosa que mora junto com um pervertido, que quase sempre invade meu quarto nas horas mais inoportunas, estava com os dias contados. Motivo? Infelismente para mim, minha família havia me colocado em uma escola estadual, sim, ESTADUAL. Motivo da minha irritação? Simples, escolas estaduais são um porre! Tem de acordar cedo, enfrentar os professores malas que por uma ou outra razão se acham superiores à você e aguentar ser pisoteada todo santo dia por Pattys entupidas de maquiagem.

– Haruno, hora do café! — outra vez a porta do meu quarto foi arrombada pelo pervertido.

– Que diabos você quer? — berrei, encarando-o sem qualquer sinal de felicidade. — Ainda é cedo, deixe-me dormir.

– Hun? Pensei que você tivesse escola.

– E tenho... — murmurei me aninhando nos lençóis. — Mas agora não...

– Tá. — levou na boa e encarou meu uniforme pendurado no guarda-roupa. — Engraçado, parece com o uniforme da minha escola.

Uma veia me subiu na testa e tive vontade de me matar ali mesmo.

– Como sua escola? — questionei sentando na cama de uma vez por todas e notei ele.

O cabelo loiro como igual, os três riscos de cada lado das bochechas que inclusive, eu já cheguei a perguntar se era algum corte de gangue, sabe, ele não é muito confiável. Os olhos azuis que eu sempre achei serem lentes, mas tinha algo de diferente, ah! Ele estava com uma blusa preta onde a gola vinha até o pescoço, uma camisa branca e uma calça de pregas. De inicio, olhei-o de um modo preguiçoso e então arregalei os olhos. Diabos! Ele estudava na mesma escola!

– Estou dizendo, seu uniforme se parece com a versão feminina do meu. — suspirou, andando até a muda de roupa.

– Nem pense! — alertei correndo até o uniforme e o protegendo. Sem chance de ele sujar aquilo.

– Hun, ei Haruno... — comentou e abri um dos olhos. Então logo ele estava afastado e com o rosto vermelho.

– O que...? — e então notei que ainda estava com aquele mesmo babydoll de ontem. — Morra seu tarado! — berrei jogando-o longe, escadaria à baixo para ser mais exata.

Ele ainda me olhou irritado e voltou-se para a mesa farta. Bocejei olhando meu relógio de pulso e desci as escadas no meu estado meio-zumbi de todo dia, até, é claro, que provasse meu leite matinal. Troquei olhares com o loirinho, que decidiu ignorar o fato de eu beber leite direto da caixa, pouco me importa o que ele pensa. Subi e tomei um banho, aproveitei para trancar o quarto, com ele aqui eu não poderia deixar essa brecha. Vesti a saia quadriculada e a blusa branca com um lacinho, ainda deu tempo de encarar Fox mais um pouco durante o café e enfim, a gente saiu.

– Uh, Haruno, onde você estuda? — puxou conversa, acabando com meu estado deprimente recém adquirido.

– Em uma escola que não lhe importa o nome.

– Uh... Seria aquela estadual, Akihane?

– Você já sabia, certo? Não precisa ser gênio para notar a coincidência.

– Não, eu não sabia não. — depois dessa, eu quase que caí para trás.

– Fox, o que tem a Akihane?

– Nada, é só uma escola normal. — deu de ombros e depois sua expressão se tornou um pouco azeda. — Eh... Tem aqueles caras idiotas, nada que não possa ser pisado.

– Garotos... — suspirei, desviando por pouco de um poste. — Você pelo menos tem amigos?

– Pode-se dizer.

– E todos são tão pervertidos como você? — ele caiu com a pergunta.

– Que tipo de pergunta é essa Haruno? — brigou. — E não, meus amigos não são pervertidos.

– Sinal que eles tem inteligência. — comentei. — Se você fosse descrever a Akihane em uma palavra, o que diria?

– Vem cá, nosso papo virou Talk Show?

– Responde, ô traste.

– Eu diria... Animada. — sorriu depois de fazer um esforço quase medonho para pensar.

– Que tipo de gente tem lá?

– Isso virou interrogatório para a polícia?

– Que mania você tem de comparar as coisas! — bufei. — Se bem que você deve estar certo, já que passou a maioria da sua vida lá...

– Eh... Você não é uma garota nem um pouco convencional, Haruno.

– Como eu disse, se quer a cópia de um pacote, não despreze um real.

– Pacote? — coçou a cabeça confuso. — De leite?

– Esqueça... — suspirei, pulando um barranco ali. — Agora, que tal responder?

– Nem sei, eu sou do pessoal do fundão, sabe? — concordei. Sim, eu sei. — A maioria do pessoal é bem legal, excerto pelos caras que ficam na fileira da frente, posando de bonzões.

– Mas eles com certeza tiram notas melhores que as suas, correto? — neste ponto eu apenas brincava no meio fio, pulando inconscientemente para os lados.

– Pode-se dizer.

– Viu? Deveria parar de tarar os outros e estudar.

– E você deveria parar de agir como uma marginal.

– O marginal aqui é você!

– A garota histérica é a que está na minha frente!

– Pelo menos eu não passei a minha vida toda dentro de uma cela de delegacia!

– Eu não fiz isso!

– Claaro! Eu que acabei de inventar baseado em fatos reais. Se toca, garoto!

– Aquilo foi um mal entendido, não quer dizer que eu invada a casa dos outros.

– Não, você me assediando não foi invasão. Eu talvez seja a malvada dessa história.

– E é mesmo!

– Que escândalo! — uma voz diferente da minha ou da dele falou. — Foto pro Facebook!

– Eh? — questionamos, vendo um amontoado de pessoas com celulares e câmeras.

– Que droga tá acontecendo? — perguntei, tampando a minha cara das câmeras. — Não se pode mais discutir no meio da rua?

– Tá, ta. — acenou puxando-me ao seu lado. Finalmente o portão da escola tinha dado sua cara.

Fox me puxou por quase um metro e já estávamos em frente a escola. Confesso que me aborreci por ela não parecer nem um pouco com a minha antiga escola, mas também quase caí no chão quando me toquei a quantidade de gatinho passeando pela praça. E as Pattys? Quatro em cada mesa! Nerds? Amontoavam-se todos em uma mesa única. Descolados? Os mais ao lado que trocavam pacotes suspeitos e ingeriam uma garrafinha cada. Amigos do Fox? Um grupo de sete ou oito pessoas em um local, onde a maioria dos alunos que não se adequavam aos demais grupos se reuniam.

– O que foi Haruno? — perguntou me olhando preocupado. — Seu leite estava estragado?

– Haha. — ri com ironia. — Onde estão seus amigos?

– São aqueles. — apontou e eu fiz uma cara cínica, soltando um sorriso. — Não acredita? Vamo lá.

– Não tem como eles serem seus amigos... Você tem uma vida dupla?

– Oi pessoal! — acenou e quase tive um troço. Se aproximava da mesa e pra minha felicidade, ele passou reto indo até outro grupo ali.

– Yo! — acenou um moreno de óculos escuros. Desconfiei se ele era cego, mas depois de ver as tatuagens estranhas nos braços e a bandana muito fora de moda que ele usava, acabei descartando essa possibilidade.

– Ei Haruno, esse é o Bee, meu melhor amigo, ali é o Shikamaru, Gaara e Kiba.

– Eles tem algum problema mental? — questionei e Fox quase cuspiu sangue.

– O quê? — me olhou como se tivesse dito um absurdo. — É claro que não!

– Ela sabe que você é um pervertido, não é mesmo? — disse o cara branquelo, com ar de preguiçoso e voz fanha, acredito que tenha sido o tal Shikamaru.

– É... Quer dizer, não! Eu não sou pervertido!

– Hey, não minta cara, todo mundo sabe e eu sei que você não é nem um pouco gay! — cantarolou o grandão, o Bee. Eu fiquei meio pasma... Então o cara fazia rimas?

– Ok... Eu já vou indo. — acenei para o grupo, saindo para um lugar mais interessante.

– Ei Haruno, você sabe algo sobre o lugar? — me alcançou, agindo como uma pedra no sapato.

– Não e eu não gosto de pedras no sapato. Bye! — acenei, tomando a maior distância possível do Baka.

Não que eu fosse contra o Fox e os amigos dele, mas uma escola nova exige entrosamento com novas pessoas e ser amiga de um tipo como ele não tem nada a ver com o perfil que eu gostaria de citar para as minhas futuras amigas. Fora a minha viagem débil na maionese (se bem que preferia com ketchup), o passeio sozinha estava sendo ótimo. Descobri que o mundo ainda não havia sido virado de cabeça para baixo, mas ali tinha cada tipo de figura que me fez pensar seriamente se ele estava quase beirando.

– Que garota é aquela? Nunca vi.

– Acho que é uma caloura. O que dizia?

– Cabelo rosa? Ela é uma Cosplayer?

Idiotas! Eu posso ouvir tudo o que dizem!

– Garota do cabelo rosa. — chamou uma loira assim que me avistou. Isso já tá enchendo o saco!

Virei para a loira de farmácia e descobri que ela bem poderia ser a irmã genérica do Fox. Uma oxigenada de cabelo longo, o contrário do meu, que é repicado. Uma pele meio morena, o completo oposto da minha, que é branquela e quase sem cor. Um corpo magro de dar inveja, o qual eu só não comparo porque não quero me rebaixar. E por cima de tudo, um olhar e um sorriso zombeteiro que me fizeram pirar de raiva.

– O que é, loirinha?

– Você se acha muito com esse seu cabelo tosco, não é? — encarou-me com uma veia vermelha saltando da testa.

– Quem é você?

– Yamanaka Ino. — disse num tom superior. Olhei como se visse o nada. — E você?

– Haruno Sakura, não que isso importe. Até.

– Caloura, hun? — murmurou num tom perturbador. — Pois aqui na sua frente está a sua senpai.

– Ino-san, não perturbe os outros, não ficará bem para a sua primeira imagem.

Dei um salto para trás, fitando uma morena de pele clara, uma albina nesse caso. O mais estranho não era o fato de ela carregar 15 livros de uma vez ou o fato de ela estar com um casaco azul medonho, mas a cor dos olhos. Tinha duas gotas de água no lugar, gotas branquíssimas, como a própria tinta branca. Agora, depois do detalhamento, a coisa mais absurda foram os "milhares" de caras que apareceram no mesmo instante, aptos a carregar todos os livros que ela segurava. Bajuladores...

– Hinata! — berrou, o rosto já estava quase rosado. — Você me entregou!

– Neh... "Senpai", hun? — provoquei-a. Nunca havia me divertido tanto quanto agora. — Aprenda a mentir...

– Você estava acreditando até a Hinata me entregar!

– Hinata? — pronunciei, como uma pergunta muda para a albina.

– Sim. — sorriu. — Sou Hyuuga Hinata, presidente da classe B-3.

– Presidente?

De repente eu me vi na minha nova sala, a qual eu sequer conhecia, mas pelo aspecto do lugar já dava para imaginar. A Hyuuga estaria lá, em frente a lousa, com óculos e bajulando a professora. Nem sei porque estava tendo este tipo de imaginação, talvez eu devesse parar de ler mangás por enquanto.

– Haruno! — berrou o loirinho, carregando a mochila azul na mão e vindo ao meu encontro. — Você está bem?

– Eh... Não. — cocei a cabeça por simples fetiche. — Já que está aqui, leve-me para a sala da diretora.

– Certo-tebbayo!

Uma das minhas sobrancelhas se arqueou no momento em que ele terminou a frase. -tebbayo? Nunca tinha reparado, mas todas as vezes que Fox estava animado, ele sempre acabava as frases com -tebbayo. Inicialmente eu não teria tanto preconceito, como aquele Bee que sempre rimava tudo, mas o uso da terminação naquela ocasião me abalou. Por que diabos ele estaria feliz em ir para a diretoria? Baka...

– Tadaima! — exclamou, chamando a atenção de uma garota um pouco mais velha.

– Uzumaki-kun, você se meteu em problemas outra vez? — questionou, nem se dando o trabalho de levantar da mesa. — Como espera passar de ano?

– Matte! — berrou de um modo mal humorado. — Tire essas ideias chatas da cabeça, Shizune-san!

– Então pra quê mais você viria?

– Ela. — apontou pra mim. Sua mãe nunca te ensinou que apontar é feio?? — Bem, ela é uma caloura e me pediu ajuda para chegar até aqui.

– Haruno Sakura? — Medium! Ela é uma medium! Como se adivinhando o que eu estava pensando, ela explicou. — Estou com a sua ficha em mãos.

– Ah... — murmurei meio desconcertada. — E a diretora?

– Na sala. — apontou para a pequena porta ao lado. Esse povo não tem educação?? — Está resolvendo um pequeno problema.

– Então... Poderia me entregar o meu horário?

– Aqui está. — apresentou um papel azul, com os dias da semana e as aulas de cada.

– Arigatou. — e fui, sem antes ser escoltada pelo meu "cão de guarda".

– Doutomashite... — murmurou, pondo a mão para segurar o queixo. — Tsunade-sama tem tanta sorte de não fazer nada...

– Ei Haruno, deixe-me ver este seu papel. — Fox puxou o papel azul das minhas mãos. Teme...! — Há! Você está na sala B-3. Vamos estudar juntos.

Ótimo... Agora só falta chover e eu ganhar uma nuvem chuvosa particular...

Foi aí que eu reparei. Um vento leve percorreu o meu caminho, bagunçando um pouco o meu cabelo e me fazendo dar de cara com um grupo estranho. A primeira coisa que notei foi um garoto forte, meio branco (esse povo não toma sol??), com o uniforme masculino da escola, de mãos nos bolsos, canetas esferográficas no bolso esquerdo rente ao coração e olhos fechados. De primeira, eu fiquei olhando para ele como uma abobada e foi aí que ele abriu os olhos ônix, os quais (como eu mencionei) estavam fechados. Como alguém anda de olhos fechados??

– Teme... — escutei o loiro ao meu lado resmungar, fechando os punhos com força. Quem seria quele garoto??

Notas finais
Ansiosos pelo próximo? Eu sim.