O Campo dos Infectados

2 Meu namorado desaparece


O dia tinha chegado. A noite tinha sido calma, a não ser pelos gritos de pessoas e mutantes. Logo pela manhã, eu e Zack saímos pela rua, tentando sair da cidade ou procurando por ajuda. Tudo estava silencioso, tinha algo errado.

– Annie, tudo vai acabar bem, ok? – ele demonstrava dúvida na fala, mas eu assenti.

– É, talvez você tenha razão. Vai ver tudo isso acaba hoje. – dei um sorriso forçado.

Chegamos em um pequeno mercadinho. Quase todas as janelas estavam cobertas por tábuas e prateleiras, mas uma estava quebrada. Eu sabia que quem estava ali, não dormiu bem.

– Bom, você tem a arma. Vai na frente. – eu disse.

– É... Infelizmente, sou eu que tenho a arma. – Zack respondeu, nervoso.

Escutamos alguns barulhos vindos da despensa, mas mesmo assim, entramos. Uma das coisas mais burras que fizemos. Zack remexia algumas latas caídas no chão, enquanto eu procurava alguma coisa útil no balcão.

Duas criaturas pularam da porta que levava a dispensa. Provavelmente um deles era o dono do mercado, ou seja lá quem estava se escondendo ali. Zack levantou o cutelo e eu corri para trás dele. Uma das criaturas pulou na direção de Zack, que cortou seu rosto rapidamente. O outro urrou e correu na direção do meu namorado.

Zack fincou o cutelo no peito do mutante, que gritou de dor, mas não derreteu como seu amigo. A criatura continuou avançando, enquanto nós dois pulamos pela janela. No momento que o mutante pulou em mim vários tiros ecoaram pela rua. O bicho derreteu em sangue e líquido verde.

Vários homens armados e com roupas camufladas miraram as armas a nós. Um homem de boina verde-escuro surgiu no meio deles.

– Precisamos tirar vocês daqui. – ele disse.

– E a gente precisa sair daqui. – respondi.

Muitos mutantes começaram a surgir das casas e lojas da rua. Em poucos segundos, estávamos cercados. Zack agiu sem pensar, agarrando um rifle de um soldado morto no chão. Ele começou a atirar para cima, correndo para o outro lado.

– Annie, fique segura. Eu volto logo, ok? – eu percebi que ele ia chorar.

– Não, Zack. Não faça isso.

Ele não ouviu. Continuou correndo e gritando para as criaturas que corriam na direção dele, porém vários outros vinham em nossa direção. Os soldados me levaram até o jipe e fomos até um acampamento dele. Eu chorei aquela tarde inteira.