O Campo dos Infectados
3 Uma nova amiga explode tudo
Notas iniciais
Não me achei um herói naquele momento, mas sabia que Annie estava segura. O rifle estava sem munição, eu tinha voltado ao início, apenas um cutelo contra centenas de monstros arrancadores de pescoços.
Meu medo me fez correr mais rápido, não consegui segurar as lágrimas. Não tinha ninguém vivo por perto pra me ver chorar. Entrei correndo em uma esquina e me deparei com vários carros bloqueando a passagem, talvez algum estivesse funcionando, mas eu não tinha muito tempo pra olhar.
Corri o mais rápido possível para conseguir passar por eles, até que ouvi alguém gritando pra mim.
– Você vem ou não? Eu tenho um show pra fazer. – era a voz de uma mulher.
Deduzi que o grito vinha de alguém por trás dos carros, então continuei a correr. Não me veio na cabeça saber quem era a mulher. Pulei vários carros, até que me deparei com um ônibus bloqueando toda a rua. Uma mão veio por baixo do ônibus e puxou meu pé. Peguei o cutelo e quando me preparei para atacar escutei a mesma voz, um pouco agitada.
– Espera aí! Espera aí! Você não vai decepar o braço de uma inocente, vai?
– Hã... Foi mal. – tentei responder.
– Não importa, mas fique sabendo que eu gosto das minhas duas mãos.
– E o que eu preciso fazer agora? Os monstros estão chegando. – perguntei.
– Pensei que você fosse um pouco mais inteligente. É só me seguir, asno. – ela respondeu.
– Asno é a sua... – tentei retrucar.
– Te falei o que é pra fazer, se vai ficar aí xingando a mãe dos outros, o problema é seu. – ela respondeu mais rápido.
Eu não falei mais nada. Deitei no chão e rastejei por baixo do ônibus. Os monstros já estavam bem perto. Eu escutava vários barulhos deles se aproximando, o que me fez ir mais rápido.
– Finalmente! É melhor se afastar. – era uma moça alta, de cabelos pretos. Ela devia ter uns vinte e poucos anos. Usava um calça jeans e um casaco verde-escuro, que escondia uma camiseta amarela.
– Bem, oi. – eu disse.
– Daqui a pouco a gente conversa. Se afasta! – ela me empurrou para o lado.
A moça segurava uma granada. Ela puxou o pino e jogou a grana entre os carros. Tudo foi aos ares.
Depois de colocar minha cabeça no lugar eu consegui ver como a rua estava. Carros pegando fogo e prédios sujos de um líquido vermelho e verde. Qualquer coisa que tivesse tentado arrancar minha garganta tinha se explodido em umas mil partes.
– Beleza, agora a gente pode conversar. – ela limpou um pouco de sujeira do rosto.
– Isso foi demais! – respondi.
– É... Meu nome é Beth. – ela estendeu a mão.
– O meu é Zack. – apertei a mão dela.
– Vem, a gente tem que sair daqui.
– Concordo. Antes de irmos, você pode me responder uma coisa?
– Tá legal, o que é?
– Como aconteceu tanta merda em tão pouco tempo?
– Me segue, eu te explico depois.
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