Agora vou contar como tudo começou. Eu me chamo Zack, tenho dezenove anos e namoro com Annie, de dezoito. Porém tudo isso nos separou.

Estávamos indo para o cinema. Quando chegamos na entrada do cimena várias pessoas saíram gritando desesperadas. É claro que fizemos o mesmo.

— O que tá acontecendo? — eu tentei perguntar para um sujeito cambaleando para fora do cinema.

Ele me dirigiu um sorriso, eu pude ver seu rosto. Sua cara estava deformada, tinha apenas um olho, que estava saltando para fora. A boca era rasgada e cheia de dentes pontudos, como se ele fosse o filho de um tubarão com um humano muito feio.

— Meu Deus. O quê é isso? — Annie agarrou meu braço com força.

— Eu não sei, mas é melhor corrermos.

Enquanto corríamos o sujeito começou a nos perseguir. Quando olhei para trás percebi que ele tinha uma boca na testa. Aquilo não estava ali antes.

Entramos rapidamente em casa. Annie derrubou todas as gavetas procurando uma faca, ou algo parecido. Eu empurrei o sofá até a porta. O homem bateu com tanta força na porta que abriu um buraco nela, assim eu pude perceber que ele tinha garras.

— Tem que ter alguma coisa aqui. — Annie gritava. — Espera aí... Achei!

Ela tirou um cutelo e o entregou a mim. Fiz um sinal positivo com a cabeça e ela disse:

— Vamos para o sótão. Eu espero que isso — ela apontou para o braço do sujeito — não consiga quebrar a porta. Nem o sofá.

— Suba, — tentei parecer o mais corajoso possível — eu cuido dele.

— Não faça nada estúpido, Zack. Eu te amo, ok?

— Também te amo. — consegui sorrir — E não se preocupe comigo, vou ficar bem.

Ela não escutou a última parte. Foi correndo até a escadinha que levava ao sótão e entrou. Vou adimitir que mesmo fazendo toda aquela cena, eu estava morrendo de medo.

Annie estava errada. Em poucos minutos a maçaneta caiu e a porta rachou no meio. Eu podia escutar um choro vindo do sótão, mas o barulho que aquele bicho fazia cobria qualquer barulho da casa.

Aquilo pulou o sofá e me atacou. Foi uma questão de tempo até ele me derrubar no chão e tentar arrancar minha cabeça, mas eu fui mais rápido. Enquanto estava caindo, tentando manter as garras dele o mais longe possível do meu pescoço, eu consegui agarrar o cutelo e cortar sua garganta.

O bicho se levantou e começou a rugir enquanto seus braços inchavam. Rastejei até a mesa de jantar, segurando o cutelo. Vi a cabeça daquela coisa derreter. Em alguns segundos, toda a minha sala estava coberta de sangue e uma substância verde e pegajosa.

Levantei com medo e nojo, mas no fundo me sentia um vencedor.

— Annie! — gritei a ela.

— Zack. Você... Você está vivo? — ela perguntou lá de cima.

— Pelo que eu sei, estou sim.

Ela desceu rapidamente do sótão. Ela me deu um beijo e eu me senti mais tranquilo. Consegui me lembrar do sujeito que tinha derretido na minha sala de estar.

— Droga. Será que isso tá acontecendo na cidade toda? — perguntei a mim mesmo.

Annie se sentou na cadeira da cozinha e suspirou. Coloquei a mão no ombro dela e ela me deu um sorriso.

— Annie, me escute. — me ajoelhei na frente dela — Seja lá o que acontecer, passaremos por isso juntos.

Ela me abraçou. Levantei e empurrei alguns outros móveis pesados até a porta e ficamos lá. A noite tinha sido calma, calma até demais.

Notas finais
Bom, é isso. Se você gostou deixa um comentário :) Minha primeira história. Isso parece muito divertido.