Gabriela descobriu uma verdade muito irritante naquela semana.

Era impossível esquecer a existência de Logan Carter.

Porque ele estava em todos os lugares.

Literalmente.


Na segunda-feira, ele estava esperando na garagem.


— Bom dia.


— Não.


Logan arqueou uma sobrancelha.


— Não?


— Não é um bom dia.

Você está aqui.


— Que recepção calorosa.


— Estou me esforçando.



Na universidade, a situação ficou ainda pior.

Ou melhor.

Dependia do ponto de vista.


Melissa praticamente engasgou quando viu Logan.


— Quem é aquele?


— Meu segurança.


— Mentira.


— Infelizmente não.


— Gabriela...


— O quê?


— Seu segurança parece ator de cinema.


Gabriela fechou os olhos.


— Não começa.


— Eu começaria.


— Melissa.


— Eu só estou dizendo que, se eu estivesse sendo protegida por ele...


— Você seria sequestrada de propósito.


As duas começaram a rir.


Do outro lado do pátio, Logan observava.


— Elas estão falando de mim?

Perguntou um dos seguranças da equipe.


— Sim.


— Como sabe?


— Experiência.



Os dias passaram.

E a convivência aumentou.


Empresa.

Universidade.

Reuniões.

Eventos.


Logan estava sempre por perto.


E, para piorar...

Ele era absurdamente eficiente.


Isso tornava muito difícil encontrar motivos legítimos para reclamar.



Na quarta-feira, Gabriela saiu de uma reunião particularmente estressante.


— Como foi?

Perguntou Logan.


— Eu sobrevivi.


— Então foi boa.


— Você tem padrões muito baixos.


— Você tem expectativas muito altas.


— Justo.


Por algum motivo, aquela conversa arrancou um sorriso dela.


E isso começou a acontecer com frequência.


Mais frequência do que ela gostaria.



Na sexta-feira, Ethan resolveu interferir.


O que nunca era um bom sinal.


— Vocês brigam igual casal.


Silêncio.


Absoluto.


Gabriela quase derrubou o copo.


Logan engasgou com o café.


— ETHAN!


— O quê?


— Nós não somos um casal.


— Ainda.


— ETHAN!


O garoto saiu correndo.

Rindo.


Muito.



Naquela noite, Gabriela decidiu trabalhar até mais tarde na empresa.


Quando finalmente levantou os olhos do computador, percebeu que já passava das dez.


O andar inteiro estava vazio.


Menos por uma pessoa.


Logan.


Sentado do lado de fora da sala.


Esperando.


— Você ainda está aqui?


— Sim.


— Faz duas horas.


— Eu sei.


— Você poderia ter ido embora.


— Não.


— Por quê?


Logan pareceu confuso com a pergunta.


— Porque você ainda estava aqui.


Como se fosse óbvio.

Como se não existisse outra possibilidade.


O coração dela vacilou por um segundo.


Só por um segundo.



No caminho para casa, a cidade estava iluminada pelas luzes da noite.


Pela primeira vez em dias, Gabriela sentiu um pouco de paz.


Talvez porque Miguel estivesse se recuperando.


Talvez porque a família estivesse segura.


Ou talvez porque, por mais estranho que fosse admitir...

Ela começava a confiar em Logan.


— Posso fazer uma pergunta?


— Pode.


— Você nunca desliga?


Logan sorriu.


— Quase nunca.


— Isso parece cansativo.


— É.


— Então por que continua?


Ele ficou em silêncio por alguns segundos.


— Porque quando alguém depende de você...

Você não pode simplesmente decidir não aparecer.


A resposta atingiu Gabriela de forma inesperada.


Porque era exatamente assim que ela se sentia em relação à família.


Pela primeira vez...

Ela percebeu que talvez fossem mais parecidos do que imaginava.


E isso era perigoso.

Muito perigoso.


Porque começava a gostar da companhia dele.


E não tinha certeza se aquilo fazia parte do plano.