O Caderno da Peregrina
17 Página XVII
" But I'm just an ordinary human.
(Ordinary ways)
I'm just an ordinary human.
But I don't feel so ordinary today."
– Ordinary Human, OneRepublic.
Tá legal, talvez a aceitação seja uma das coisas mais difíceis que você enfrenta quando está sujeito ao amor, ou talvez isto seja só uma particularidade minha, a questão é que ainda não conseguia fixar na minha mente que ele me amava. É estranho saber que alguém te ama, que alguém realmente te quer bem, é novo pensar que exite uma pessoa fantasiando um futuro maravilhoso com você, e é bom, a sensação que isso me faz sentir É boa. Ele reparava até nas menores coisas, o que me assustava, já encontrara a cicatriz fina e muito clara em minha sobrancelha, e já decorava o mapa que minhas inúmeras sardas criavam em meu rosto, contrastando com minha pele pálida, era tão estranho. Esse tipo de amor... Como podia ser tão bom? Era diferente, era novo, fugia das expectativas. Me sentia bem, me sentia mal, me sentia amada, me sentia enganada, me sentia segura, mas me sentia vacilante mais do que nunca. Passava grande parte do tempo livre agora olhando pela janela embaçada por causa da chuva, e batucando a caneta neste caderno com meus dedos finos e ossudos, cheirando a blusa onde ele havia deixado teu perfume, lembrando de todas as promessas que ele me havia feito, recordando todos os sentimentos que ele afirmava ter por mim, era tão bom, mas ao mesmo tempo tão cruel.
Embora eu não estivesse tão bem, embora eu conhecesse todo o futuro doloroso que aguardava por mim, tanto faz, eu tinha tomado minha decisão, e não voltaria atrás. Novamente eu tinha alguém em quem confiar, em quem me apoiar, e tudo bem se eu saísse magoada no final, eu me machucaria de qualquer jeito.
Eu finalmente havia aceitado quem sou, reajustado minhas expectativas sobre o mundo, as pessoas, o futuro... Entendia que a vida havia me tornado o que sou, e aqueles que verdadeiramente gostam disso, ficam.
Moral de uma história totalmente confusa: Eu tinha alguém que me amava, e pela primeira vez, admitia que sentia o mesmo.
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