O Caderno da Peregrina
18 Página XVIII
"Nós morremos quando o amor está morto
Está me matando...
Nós perdemos o sonho que nunca tivemos...
(...)
Porque nós estamos mortos e
Nós nunca superaremos
Acabou agora."
– Love is Dead, Tokio Hotel.
Dedico esta página hoje como um pedido, talvez, aos vivos, aos mortos, ao mundo.
De algum modo, por motivo desconhecido, penso muito nos mortos hoje, aquelas pessoas especiais que já não estão mais aqui, aqueles que continuam vivos, mas somente na memória e coração dos sobreviventes. Lembro de tantas pessoas hoje, como os avós paternos que nunca conheci mas que muito amava, ou aquele amigo que, por péssimas escolhas, deixou-me por aqui, aquele avô que escolheu o fumo, ou aquela tia que trouxe o assassino para dentro de casa... eram tantos para lembrar...
Todos morremos um dia, e isso é fato.
Pessoas morrem todos os dias e de várias de maneiras diferentes.
Acho que devíamos repensar nosso conceito sobre a morte, ela é acolhedora para alguns, temível para outros... por que não podíamos simplesmente vê-la com indiferença? Ou deixá-la ao acaso? Sim, estou incluída na lista dos que ainda temem a morte, mas estou aprendendo a aceitá-la, as pessoas se vão, e logo chegará nossa vez. Ando procurando a morte por aí, entrando em becos escuros, virando as facas contra mim, abusando de tudo... Era ouvindo música em seu volume máximo que eu ignorava o belo mundo lá fora, aquele mundo que logo seria silenciado pela morte.
Aquele não era um dia alegre, embora o Sol tenha aparecido como não fazia há tempos, aquele era um dia para os mortos, era um tempo para os agraciados que se livraram da vida instável. No final, acredito que os mortos deram muita sorte, se é que ela existe, eles se livraram de tanta desgraça!
"Devemos ter pena dos vivos, não dos mortos." Foi o que eu ouvi por aí. Concordava plenamente com essa frase agora. Mas na verdade, o problema era que sempre sobra um pouco de amor para nos manter vivos.
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